Boletim Arte na Escola

SIM

Se a presença da tecnologia digital no cotidiano já a faz parte dos processos de aprendizagem inerentes ao desenvolvimento do homem contemporâneo, a escola é que deve ser a responsável em ensinar como usar esta tecnologia? Sim, na opinião dos pais participantes de outra pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet, intitulada TIC KIDS 2012, que entrevistou em todo Brasil 1580 pais/responsáveis e 1580 filhos sobre usos da internet.

Esta pesquisa, recentemente divulgada e disponível na internet, mostra que 61% dos pais atribuem à escola a função de ensinar a seus filhos como usarem bem a internet. Ainda conforme a pesquisa, podemos constatar a forte presença da internet no cotidiano infanto-juvenil. Na amostra de sujeitos de 9 a 16 anos, em 111 cidades de todas as regiões do Brasil, nota-se que 51% acessam a internet de forma individual, isolada, sendo significativa a presença do celular como meio de acesso. Isto reforça a potencialidade, para o bem e para os riscos, que a criança vivencia como usuária desta tecnologia, já que não há um tipo de mediação imediata de um adulto, ainda mais quando observamos o crescente número de celulares ativos no país com acesso à internet.

Neste cenário tão contraditório entre escola e a realidade cotidiana de seus alunos, vemos que usar as tecnologias na aprendizagem é apenas a ponta do iceberg do problema em que vive a educação institucionalizada em nosso país. Neste imbróglio todo, não há somente culpados ou prejudicados! Há tempos e modelos diferentes de educação em convívio, às vezes intrincados, às vezes distanciados um do outro, com os quais os atores deles participantes, o aluno e o professor no microcosmo, e a sociedade e seus organismos no macrocosmo, constroem, como sujeitos que são, a sua história contemporânea.

Claudemir Edson Viana, Bacharel e Licenciado em História (USP). Mestre e Doutor em Comunicação (ECA/USP). Atua desde 2003 no CENPEC como gestor de redes sociais educativas. É professor convidado nos cursos de Educomunicação da ECA/USP.CAEd/UFJF.
Contatos: cviana@uol.com.br / facebook: claudemirviana

NÃO

A discussão sobre o uso de novas tecnologias na aprendizagem tem o risco de esbarrar na armadilha conceitual de se discutir quem é contrário e quem é favorável ao invés de focar em resultados.

Quando abordamos um novo tema, por exemplo, utilizar lousa eletrônica em sala de aula, o primeiro reflexo é gerarmos dois times – um contra e outro a favor. Alguns vão dizer que isso poupa tempo, é muito mais lúdico para os alunos, facilita a assimilação. Outros vão dizer que isso reduz o papel do professor, que o induz a não se preparar adequadamente e que o aluno fica perdido no meio de tanta informação e “fogos de artifício”.

No entanto, o avanço da tecnologia é inexorável, assimcomo ocorreu com o carro x carruagens, luz artificial x velas, etc. Para se ter ideia, tivemos pessoas contrárias ao uso da escrita quando ela surgiu na antiguidade, pois iria acabar com os sábios e a transmissão oral do conhecimento. Da mesma forma, tivemos resistência ao uso de livros impressos, porque isso poderia popularizar a informação e induzir revoluções (como de fato aconteceu com a Reforma de Lutero). Mas, mesmo com esses oponentes, hoje usamos a escrita impressa. Da mesma forma, o computador já foi considerado pelo seu próprio inventor como sendo um instrumento inútil. Hoje, a maioria de nós tem dois desses aparelhos.

O que se deve discutir não é se somos contrários ou favoráveis, mas se o recurso tecnológico é o melhor método para o objetivo proposto. Se um professor consegue transmitir seus objetivos com “giz e saliva”, porque obrigá-lo a modificar seus métodos?

Ao invés de se discutir o método, vamos discutir resultados. Há evidência de que esses novos métodos sejam melhores que os antigos? Temos condições de pagar o custo dessa tecnologia e de todo o consumo de energia e treinamento requerido? Para algumas coisas sim. Por exemplo, para ensinarmos alunos de medicina a fazer alguns procedimentos, utilizamos bonecos que simulam sinais de doenças para que o médico aprenda antes de ter que fazer num paciente de verdade. Nesse sentido, isso é insubstituível. Mas a maioria das escolas de medicina ainda está migrando para esse novo recurso e nem por isso os médicos formados no sistema antigo deixam de ser bons médicos. Tecnologia é método e não religião. Religião pode gerar fanatismo e impedir reflexão. Cuidado!

Prof. Dr. Antonio Pazin Filho, Professor Associado Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP

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