Boletim Arte na Escola

A contribuição da cultura digital no ensino e na aprendizagem é extremamente favorável, tendo em vista que é capaz de tornar as aulas mais atrativas e dinâmicas.

No meu caso, a formação em Artes Visuais com ênfase em Multimídia ainda me permite criar novas ferramentas e mídias a fim de abordar com os alunos assuntos pertinentes à disciplina. Um bom exemplo são os vídeos, que sempre são de grande valia. Além de trazerem informação sobre a teoria, ilustram com riqueza as aulas de Artes. Por isso, sempre procuro em acervos como o da DVDteca Arte na Escola, títulos que se relacionem aos temas tratados por mim em sala de aula. Também tenho como grande aliado o site youtube, que reúne muitos documentários e vídeos didáticos. Fazendo uma seleção, é possível encontrar uma grande variedade para se trabalhar os conteúdos de arte. Para baixar esses vídeos, utilizo um software livre chamado Any Video Converte que, além de propiciar o download dos vídeos, ainda me permite convertê-los em vários formatos que podem ser gravados e transmitidos na TV utilizando um pen drive.

Nadando a favor da corrente

Outro recurso que acredito deva ser explorado e aproveitado em sala de aula são os telefones celulares. Cada vez mais modernos, eles estão presentes nas escolas, já que nem sempre é possível proibi-los como recomendado. Diante do inevitável, acho interessante saber utilizá-los de forma produtiva no processo de aprendizagem. A grande maioria desses aparelhos hoje permite o acesso à internet e podem ser utilizados para realizar pesquisas, por exemplo. Mas é importante que o professor oriente seus alunos a buscarem em sites confiáveis e informações relacionadas aos conteúdos que estão sendo estudados.

Também é muito interessante sempre relacionar o cotidiano das salas de aulas aos conteúdos já previstos pela Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB) e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) no que se refere às novas tecnologias. Pois não se trata de inseri-las ao cotidiano escolar como modelos prontos e sim permitir que o aluno possa exercer o seu potencial de criação para produzir também novas mídias, como a criação de um blog, ou mesmo interagir com as tecnologias de informações já existentes, como os vídeos. Ao organizar pesquisas e propostas em um blog, sempre orientados pelo professor, os alunos podem explorar as possibilidades de elaboração do layout, a escolha das cores, linhas, formas, podendo até mesmo introduzir um artista como referência para a criação da identidade visual. Assim, é possível explorar junto aos alunos não só os conteúdos específicos da disciplina, mas também a ideia de criação, de como fazer.

A escola Estadual Paulo Freire, na cidade de Londrina (PR), onde eu trabalho, disponibiliza uma sala de informática com computadores conectados à internet, onde foi possível realizar uma série de atividades voltadas à webcom jovens de 17 a 19 anos, do Ensino Médio. A ideia apresentada a seguir trata da criação de blogs de pesquisas com enfoque nas Artes. Para pôr em prática uma ideia como esta existem tecnologias gratuitas e acessíveis a todos.

Interagindo com Blogs

1º passo: Criar grupos de alunos para que possam discutir a proposta de trabalho de acordo com o movimento artístico ou com o artista definidos como tema central do projeto. Eles deverão fazer pesquisas e elaborar um primeiro esboço do que será o blog, tendo como contexto imagens ou releituras de obras em pauta. O movimento artístico a ser trabalhado em sala será proposto pelo professor, um diferente para cada grupo. Além disso, os alunos também poderão escolher outros artistas que se encaixem no tema.

2º passo: Cada grupo de alunos terá que criar um blog e dar nome a ele, sempre dentro do contexto do tema que está sendo estudado. Utilizando uma das ferramentas gratuitas disponíveis para este fim, será possível criar o layout do blog, definindo suas cores e formas. Embora existam algumas plataformas que já ofereçam layouts pré-definidos, a ideia aqui é que os alunos façam as suas próprias escolhas, procurando sempre exaltar o que mais se adequa ao artista ou movimento artístico definidos como referência no início do projeto.

3º passo: Os grupos ficarão responsáveis por publicações semanais, bem como pela atualização do blog com os trabalhos e atividades realizados em sala de aula. A intenção é que todo o processo possa ser visualizado por outras comunidades, dentro e fora da escola, e que pessoas interessadas no tema e outros grupos da mesma sala também possam comentar a produção uns dos outros.

Vanessa Cerqueira Silva - Formada em Artes Visuais com ênfase em Multimídia pela UOPAR – Especialista em Arte Visual pela UEL e obteve Licenciatura em Artes Visuais pela UTFPR. Atualmente trabalha no setor de Produção de Materiais para o EAD na UNOPAR e atua como Professora do Ensino Básico na rede Estadual. Unesp (SP), Coordenadora do Núcleo de Formação do Mathema SP

Links

Ferramenta gratuita e dicas para criação de blogs:
- Blogger
- Dicas Blogger
- Para saber mais sobre o Any Video Converter

Referências Bibliográficas

BARBOSA, Ana Mae (Org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
BEHRENS, Marilda Aparecida. A formação pedagógica e os desa- fios do mundo moder- no. In: MASETTO, Marcos (Org.). Docência na universidade. Campinas: Papirus, 1998. Disponível em: <http://arquivos.unama.br/nead/baixar/metodolo- gia_ensino_superior/pdf/ A%20FORM_PED_DESA- FIOS.pdf>. Acesso em: out. 2012.
______. Tecnologia inte- rativa a serviço da aprendizagem colabora- tiva num paradigma emergente. In: ALMEIDA, Maria Elizageth Bianconcini; MORAN, José Manuel (Org). Integração das tecnolo- gias na educação: salto para o futuro. Brasília: Ministério da educação, Seed, 2005. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/2s f.pdf>. Acesso em: out. 2012.
BELLONI, Maria Luiza. O que é mídia-educação. 3. ed. Campinas: Autores Associados, 2009.
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BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresenta- ção dos temas transver- sais, ética. Brasília: MEC/SEF, 1998.
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