Boletim Arte na Escola

As discussões entre Arte e Ecologia há muito se fazem presentes, especialmente a partir da segunda metade do século XX, quando artistas e ambientalistas compartilhavam seus pontos de vista para dar voz ao cenário de degradação e destruição a que a Terra estaria, há muito, submetida.

Movimentos como, Land Art, Arte Ambiental, entre outros, viriam trazer à luz das discussões, de modo direto ou indireto, aspectos peculiares e essenciais à vida do Planeta. Sob essa perspectiva, a natureza passa a ser o agente da obra de arte, que por sua vez, submete-se a sua perenidade e fragilidade preexistentes em contraponto à sua força exponencial.

Os avanços tecnológicos e científicos, o aumento crescente do consumo, a exploração desenfreada de riquezas naturais, a supervalorização de produtos industrializados pelas mídias em consonância com o constante conflito de interesses nos âmbitos público e privado, evidenciam a necessidade da criação e modificação das políticas sociais, culturais e ambientais, que acabariam por culminar em conferências mundiais, tais como: ECO 92, Protocolo de Kyoto, COP-15, RIO + 20, entre outras.

Mobilizados por esse quadro de divergências, ao mesmo tempo, acometidos por esse rico campo dialógico entre o microcosmo e o macrocosmo, existência e inexistência, presente e futuro, ordem e caos, falta e abundância, utilizando as mais diferentes linguagens, artistas criam suas leituras de mundo por meio de suas poéticas. O artista, ser cultural e social inserido em um Meio Ambiente, transforma o que vê, o que ouve, o que sente em um discurso artístico usando diversas materialidades.

Por meio dessas materialidades, toda a trama discursiva presente em determinada poética visual só será realmente efetivada enquanto obra, mediante um leitor. O que aqui se entende como leitor é, senão, o sujeito decodificador das informações verbais e não verbais presentes na obra de arte. O que se quer dizer é que qualquer que seja a natureza da obra de arte, para mergulhar em seu universo discursivo será necessário desenvolver um percurso de leitura de imagem. Sob essa premissa, ler uma imagem implica em apreendê-la, analisá-la, observá-la, interpretá-la, percebê-la, relacioná-la objetivamente e subjetivamente, em seus contextos: formais, sociais, políticos, culturais e da natureza do sensível. Sendo assim, uma leitura se torna significativa quando estabelecemos relações entre as experiências do leitor e o objeto de leitura.

Acreditando nas potencialidades dos discursos poéticos advindos da leitura das imagens, o material educacional ECO ART (ver boxe) tem como um de seus principais objetivos estabelecer diálogos com os campos da Ecologia e do Meio Ambiente por meio de proposições didáticas, pautadas em um percurso metodológico que se constitui por intermédio da investigação cultivada dos textos visuais apresentados em cada obra.

Cuidando para que as imagens presentes não se tornassem meras ilustrações para tratarmos de assuntos ligados à Ecologia ou que temas ambientais fossem tratados de forma superficial, o material ECO ART se estabelece como um rico instrumento de reflexão transdisciplinar, possibilitando diferentes leituras, de imagem, do mundo.

Waldirene André - Mestre em Artes Visuais pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Linguagens da Arte pela USP e em História, Sociedade e Cultura pela PUC-SP.

O material educacional Eco Art reúne proposições didáticas que, a partir da leitura de imagem, possibilitam o diálogo entre o discurso poético proferido pelas obras da Coleção Eco Art e Ecologia. Ele foi desenvolvido a partir de 25 telas de uma coleção encomendada pelo Grupo Bozano a artistas das Américas para uma mostra que ocorreu durante a Eco 92, e que posteriormente foram convertidas em serigrafias. Essas gravuras foram doadas a 55 Museus e Casas de Cultura em todo o Brasil. Criado com o objetivo de transpor as fronteiras da arte e adentrar os campos da Ecologia, das Ciências Ambientais, sua linha metodológica propõe ao professor que este investigue com seus alunos os vários planos de entendimento que uma obra de arte pode alcançar, cabendo a ele adaptar os conteúdos e proposições aos perfis e realidades com os quais trabalha. O material encontra-se disponível em: www.artenaescola.org.br/ecoart.

Referência Bibliográfica

ARCHER, Michael. Arte contemporâ- nea: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2007.
COSTA, Cacilda Teixeira da. Arte no Brasil 1950-2000: movimentos e meios. São Paulo: Alameda, 2004.
IAVELBERG, Rosa. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de professores. Porto Alegre: Artmed, 2003.
PILLAR, Analice Dutra (Org.). A educação do olhar no ensino das artes. Porto Alegre: Mediação, 2001.

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