Boletim Arte na Escola

De que forma a neurociência pode ajudar a melhorar a educação musical no Brasil?
A neurociência estuda o processo de desenvolvimento das áreas cerebrais, principalmente a cognição. Estudos relacionados à música trabalham muito a aprendizagem, e esta área deveria ser mais explorada por cientistas.

De que maneira a música ativa a região do cérebro ligada ao raciocínio e à concentração?
A música estimula a flexibilidade mental e a coesão social. Fortalece vínculos e o compartilhamento de emoções que nos fazem perceber que o outro faz parte do nosso sistema de referência. Vários estudos revelam efeitos clínicos da música na precisão dos movimentos da marcha, no controle postural, facilitando a expressão de estados afetivos e comportamentais em indivíduos com depressão e ansiedade. Estes resultados positivos têm sido observados em transtornos do desenvolvimento, como o déficit de atenção e a dislexia.
O lobo temporal esquerdo é responsável pela área de raciocínio e concentração. A utilização de música ou estímulos a ela relacionados como dança, ritmos ou jogos
potencializa as técnicas de reabilitação física e cognitiva. A inteligência musical é um traço compartilhado e mutável, que pode estar presente em grau até acentuado
mesmo em crianças com deficiência intelectual.

De que forma a música atua na área do cérebro ligada ao movimento?
Vários circuitos neuronais são ativados pela música, uma vez que tal aprendizado requer habilidades multimodais que envolvem a percepção de estímulos simultâneos e a integração de diversas funções cognitivas, como a atenção e a memória, e das áreas de associação sensorial e corporal, envolvidas tanto na linguagem corporal quanto na simbólica.

Como o cérebro diferencia o escutar música e o fazer música?
A experiência musical modifica estruturalmente o cérebro. Pessoas sem treino processam melodias preferencialmente no hemisfério cerebral direito, enquanto nos músicos isso acontece do lado esquerdo. O treino musical também aumenta a conectividade (maior número de sinapses/contatos entre os neurônios) de várias áreas cerebrais, como o corpo caloso (que une um lado a outro do cérebro), o cerebelo e o córtex motor (envolvido com a execução de instrumentos).

Quais sugestões você daria para um professor de música?
Aconselho que continue estimulando os alunos a estudarem sobre tudo e pesquisem o tema. Só assim, aos poucos, ganharão mais respeito e prosperidade.
 

Ouvir música deixa a gente mais inteligente?

Em 1993, os pesquisadores Gordon Shaw e Frances Rauscher, da Universidade da Califórnia, divulgaram um estudo que estremeceu o mundo: ouvir Mozart deixaria as pessoas mais inteligentes. O chamado Efeito Mozart nunca foi comprovado por outras pesquisas, mas o fato é que, hoje, por meio de exames como a ressonância magnética, dá para "ver" como nosso cérebro reage ao ritmo, timbre, harmonia, melodia. Segundo o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal Paulista de Medicina, a experiência musical modifica estruturalmente o cérebro. “O treino musical também aumenta o tamanho e a conectividade de várias áreas cerebrais", diz ele no estudo 'Música, neurociência e desenvolvimento humano', dentro do projeto Música na Escola.

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