Boletim Arte na Escola

Em 2003, a professora Solange Maranho Gomes, da Faculdade de Artes do Paraná (FAP), participava da reforma curricular do Curso de Educação Artística e da criação do curso de Licenciatura em Música quando percebeu "a enorme distância que havia entre a formação inicial, nos muros do ensino superior, e a vida cotidiana na escola regular". Dois anos depois, nascia na faculdade o Musicanto, um espaço livre para troca de experiências entre professores e alunos de artes de diferentes áreas, com destaque para conteúdos práticos e teóricos sobre a linguagem musical, que estimula a apreciação por meio de concertos, leituras, oficinas e simpósios.
A FAP já integrava a Rede Arte na Escola desde 2004, mas com ênfase nas Artes Visuais. Em 2009, o Musicanto também passou a fazer parte do Polo e foi um dos primeiros grupos de estudo da rede dedicado exclusivamente à musica.

PRAZER E ARTICULAÇÃO.
Solange Maranho credita o sucesso do Musicanto ao seu formato livre. "Não é um curso: tem professores, alunos, ex-alunos, egressos, profissionais que buscam uma formação continuada diferenciada. É um trabalho de profundidade, de articulação e ao mesmo tempo prazeroso”, explica.
A professora Eliete Aparecida França, que há 17 anos leciona no Centro Municipal de Educação Infantil Nice Braga, em Curitiba (PR), é uma das frequentadoras mais assíduas – há quatro anos participa das reuniões quinzenais. Formada em Pedagogia, conta que sentia necessidade de se aprimorar e, para isso, ingressou no grupo de estudos de Artes Visuais, coordenado pelo professor Luciano Buchmann. Depois, partiu para a Música. "Eu precisava me aprofundar mais e o Musicanto possibilitou um grande aprendizado", diz.
Eliete afirma que muitas vezes é difícil conciliar a faculdade e a sala de aula, e o grupo de estudos é uma maneira de se manter atualizada. "Ele dá suporte metodológico, nos fundamentos teóricos, nas práticas e garante uma experiência compartilhada com os colegas. O grupo sempre traz novidades fora do dia a dia da escola", diz. Segundo ela, sua dinâmica na sala de aula avançou muito. "Hoje fazemos cantigas de roda e construímos nossos próprios instrumentos."

NOVAS POSSIBILIDADES.
Solange destaca que a consolidação do Musicanto permitiu a realização de diversos simpósios em parceria com outras escolas de música do Paraná, como a Universidade Federal, a PUC e a Belas Artes, e instituições como o Arte na Escola e o Sesc Água Verde. Em 2010, por exemplo, recebeu o renomado pianista inglês Keith Swanwick.
A professora acredita que a educação musical brasileira está avançando, com formação de pesquisadores e a publicação de dezenas de trabalhos científicos. "Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul já temos quase 30 mestres e doutores", diz. Solange, que participa ativamente do debate sobre a implantação da lei que tornou obrigatório o ensino da música na escola, faz uma sugestão ao Arte na Escola. "Como o Instituto já está bem estruturado nas Artes Visuais, seria muito interessante ampliar a produção de materiais didáticos para o ensino de Música", diz. Sugestão anotada.

Comentários Deixe o seu comentário

  • Ana Lucia Lemes, 19:49 - 12/10/2013
    Olá sou professora de educação Infantil e acredito plenamente no que dizem os teóricos sobre o ensino da música e a estimulação que deve ser dada para as nossas crianças, tenho um trabalho pautado na apresentação de canções para as crianças desde a faixa etária de um ano no berçário, e vejo grandes resultados com relação a oralidade, a formação de repertório de qualidade, enfim, acredito que deva haver estes investimentos nos pequenos para assim termos um grupo diferenciado no futuro com maior sensibilidade, desenvolvimento cognitivo e social. Conheçam nosso projeto com musicas no site www.cantandocomascriancas.com.br

Deixe o seu comentário

Os campos assinalados com (*) são de preenchimento obrigatório.




Ainda nesta edição

  • Música ganha currículo nacional

    Conselho Nacional de Educação (CNE) envolve especialistas e produz documento para tirar a Lei 11.769/08 do papel

  • Som na Caixa!

    Música aumenta raciocínio, concentração e estimula a flexibilidade mental, garante Aurilene Guerra, mestre em Neuropsicologia e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

  • Celeiro de idéias

    É fundamental ter formação acadêmica para dar aulas de música?

  • Fala Professor

    Como o seu aluno aprende Música?

  • Editorial

    Leia o editorial escrito pela presidente do Instituto Arte na Escola: Evelyn Ioschpe.

Ediçao #70 - Setembro 2013

Boletim Arte na Escola

Ediçao #70 - Setembro 2013

Visualizar esta edição Baixar esta edição em PDF

O Boletim Arte na Escola é uma publicação da rede Arte na Escola, produzido com o patrocínio da Fundação Iochpe.

ISSN 1809-9254
Instituto Arte na Escola
Alameda Tietê, 618 - Casa 3
CEP 01417-020, São Paulo, SP Fone (11) 3103-8088
contato@artenaescola.org.br

Editora
Regina Ramoska
Jornalista responsável
Fábio Galvão MTB 20.168/SP
Redação
Fábio Galvão e Cecília Galvão
(CGC Educação)
Projeto gráfico
Zozi
Padronização bibliográfica
Shirlene Vila Arruda