Boletim Arte na Escola

Alberto Rodrigues dos Santos
Escola Municipal Rural de Educação Fundamental Lúcia Silva de Medeiros, Piraju (SP)

Alberto Rodrigues dos Santos, premiado na categoria Ensino Fundamental 1, sempre enxergou a Arte como uma ferramenta para desestruturar ideias e pensamentos. “Nunca pensei em ser professor, isso aconteceu naturalmente na faculdade. Durante os estágios, me colocava no lugar dos alunos. Mudavam as professoras, mas as aulas continuavam as mesmas. Pensava comigo: não quero ser um profissional assim. Quero oferecer algo que realmente mude a vida dos estudantes. Este é meu lema.”

Alberto estudou em escolas públicas da periferia de São Paulo, e conta que sua formação foi muito deficiente. Curiosamente, o gosto pelas artes começou em uma aula de Língua Portuguesa, na qual se propôs a encenação de um texto – a porta de entrada para ele se tornar ator, autor e diretor de teatro.

Quando chegou à Escola Municipal de Educação Fundamental Lúcia Silva de Medeiros, na zona rural de Piraju, interior de São Paulo, apostou em lendas e histórias de mitos brasileiros para trabalhar a arte com os alunos, que as recontavam à sua maneira. Comprou uma câmera e passou a gravar as narrativas e interpretações. O projeto tomou corpo até chegar ao resultado final, Curta Folclore, que reverteu inclusive o fechamento da escola previsto pela prefeitura para 2014.

“Quando recebi a ligação do Instituto Arte na Escola informando que eu tinha vencido o prêmio achei que fosse um trote. Pensar que meu trabalho foi avaliado pelos maiores nomes do ensino em Arte e saber que foi compreendido é motivador, pois me dá a certeza que estou trilhando por caminhos que possibilitam um processo de ensino pautado na formação de cidadãos críticos, por intermédio de ações que desenvolvam as competências e habilidades dos alunos no compreender, interpretar e agir no mundo. O foco do meu trabalho é o aluno, sempre. Enquanto eu estiver em sala de aula oferecerei o meu melhor a eles, pois a partir do momento em que eu decidi ser professor, me comprometi com um ensino de qualidade.”

Assista ao documentário:

DICAS DO PROFESSOR

Ser professor de Arte é olhar o mundo como infinitas possibilidades e trabalhar a construção do conhecimento nas mais variadas formas. Um exemplo são as novas tecnologias, importantes ferramentas para o ensino em sala de aula.

O PROJETO

Curta Folclore foca as quatro linguagens da Arte e utiliza o audiovisual como recurso didático no processo de aprendizagem.

OBJETIVO

Utilizar a linguagem audiovisual como canal de comunicação entre os conteúdos abordados e os alunos, visando a ampliação do repertório cultural dos educandos por meio da experiência do contato, articulando outras expressões artísticas.

CONTEÚDOS DA ARTE

O pensamento do escritor Edison Carneiro sobre folclore. As brincadeiras, cantigas de roda, lendas, mitos, etc. A utilização da linguagem audiovisual e das novas tecnologias para aproximar o tema do universo de cada aluno. Articulação das linguagens da Arte por meio dos eixos poético, estético e reflexivo.

COMO FAZER

>> Apresentar o assunto folclore e inserir algumas lendas e mitos utilizando a oralidade;
>> Propor aos alunos a produção de curtas-metragens sobre o tema e apresentar termos técnicos de cinema e operação dos equipamentos;
>> Definir os grupos que produzirão os curtas (operador de câmera, atores, figurinistas, etc.) e os locais para filmagens;
>> Produzir os storyboards, iniciar as filmagens com base na improvisação e experimentação. Utilizar a trilogia vivência, apreensão e reflexão;
>> Mostrar após cada filmagem os resultados das cenas captadas para análise;
>> Levar um computador portátil para sala de aula e junto com os alunos iniciar a edição dos vídeos utilizando o aplicativo Movie Maker;
>> Escolher um local para a exibição dos vídeos, e propor uma Mostra de Curtas-Metragens;
>> Socializar as experiências de cada aluno e refletir sobre o que foi produzido.

O QUE APRENDERAM

A intervenção da Arte no ambiente convidou à reflexão sobre seu papel no cotidiano. Notamos que o projeto, além de trabalhar as habilidades e competências, alavancou a autoestima dos alunos, pois a partir do momento em que eles participam ativamente do processo de criação e produção dos vídeos, aprendem todo o conteúdo proposto e imprimem suas marcas pessoais.

Referências

CARNEIRO, Edison. Dinâmica do folclore. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008

DANIEL FILHO. O circo eletrônico: fazendo TV no Brasil. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2001.

MEGALE, Nilza B. Folclore brasileiro. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

SÃO PAULO (Estado) Secretaria da Educação. Matrizes de referência para a avaliação Saresp: documento básico. São Paulo: SEE, 2009. v.1.

Comentários Deixe o seu comentário

  • Ana Maria , 18:41 - 02/02/2014
    Trabalho maravilhoso!!!! Pude acompanhar um pouco como professora coordenadora pedagógica na época. Esse trabalho nos leva a acreditar que para ser professor e educador não é preciso muito.....Tem que ter garra, deixar marcas boas e o Professor Beto sabe fazer isso.....Parabéns !!!

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