Boletim Arte na Escola

Maria Goreth dos Santos
Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Almirante Barroso, Vitória (ES)

A professora Maria Goreth dos Santos dava uma aula sobre a História da Arte no Brasil, propondo a observação da obra Caipira Picando Fumo, de Almeida Júnior, quando começou a escutar murmúrios na classe. Os alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Almirante Barroso, em Vitória (ES), se identificaram com a cena, que lembrava suas infâncias. Esse foi o ponto de partida do projeto Meu barraco, minha vida, vencedor na categoria Educação de Jovens e Adultos. "Os alunos do EJA têm a capacidade de contribuir muito para o processo de ensino-aprendizagem pela sua história de vida", reflete a professora.

Goreth conta que o grupo ficou tão entusiasmado que até dispensou sua ajuda. Munidos de caneta e papel, reescreveram suas histórias. Com barro, cipó, palha, madeira, folhas secas, tesoura, cola e papel, construíram maquetes fiéis de casas de taipa.

A arte não foi a primeira opção da professora, que primeiro se dedicou às Ciências Contábeis. No entanto, alguns anos de profissão foram suficientes para ela perceber que aquilo não a fazia feliz. Ingressou então em um curso de CorelDraw, mas logo notou que não sabia combinar as cores, nem retratar profundidades. "Meu professor disse: por que você não aprende a desenhar? Você vai se apaixonar", recorda. Ele estava certo. Goreth cursou Artes Visuais na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e encontrou sua verdadeira vocação. Frequentou o Polo Arte na Escola na UFES, fez pós-graduação e continua buscando cursos de aperfeiçoamento.

“Essa conquista me motivou ainda mais a aperfeiçoar as minhas aulas, trabalhar com mais alegria, pensar em pesquisas e inovações. Os alunos participam das aulas com mais interesse, estão sempre comentando sobre o prêmio, pensando em um novo projeto para que também tenham a oportunidade de participar de um concurso”, finaliza a professora.

Assista ao documentário:

DICAS DO PROFESSOR

Trabalhar com os alunos da Educação de Jovens e Adultos pode ser muito gratificante se soubermos valorizá-los e aproximá-los da arte. Explore o potencial criativo dos estudantes, ampliando o repertório artístico e compartilhando suas experiências.

O PROJETO

Meu barraco, minha vida surgiu do interesse dos alunos em se expressarem por meio da arte, contando suas histórias e mostrando os lugares onde viveram, dando
visibilidade às suas memórias com a construção de maquetes dos seus barracos.

OBJETIVO

Construir o processo de criação em Arte por meio da história de vida dos alunos. Relacionar o fazer artístico, a contextualização histórica da arte e a leitura da obra ao cotidiano deles.

CONTEÚDOS DA ARTE

Obras do pintor Almeida Júnior, Caipira ficando fumo, Saudade e O violeiro, que trouxeram questionamentos e observações quanto as luzes utilizadas nas cores da terra. A arquitetura da zona rural brasileira, com a simplicidade das casas. Utilização de diversos materiais, suportes, instrumentos, procedimentos e técnicas, trabalhando a tridimensionalidade, a criatividade, a habilidade manual e a expressão plástica.

COMO FAZER

>> Pesquisar sobre a vida e as obras do pintor Almeida Júnior;
>> Selecionar imagens que evidenciem a arquitetura existente nessas obras;
>> Deixar os alunos livres para analisar e comentar as imagens;
>> Falar sobre a época, os costumes e o local em que o artista viveu;
>> Incentivar os alunos a falarem sobre sua história de vida, onde nasceram, quais os costumes; incentivá-los a escrever suas histórias e a reproduzir as casas em que moraram;
>> Formar grupos para que os alunos possam coletar os materiais necessários para a construção dos “barracos”, como barro, cipós, caixas, palhas diversas;
>> Juntar todos os “barracos” produzidos e formar uma grande vila;
>> Fazer uma exposição dos trabalhos com a narração oral das histórias pelos alunos.

O QUE APRENDERAM

Os alunos se sentiram protagonistas e não meros receptores de informação. Falaram sobre suas vidas e por meio da arte transformaram as suas histórias em expressão artística. O professor aprendeu que é importante trabalhar assuntos que tenham sentido para os alunos e que os aproximem da arte.

Referências

BARBOSA, Ana Mae. As mutações do conceito e da prática. In: ______ (Org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. 2.ed. São Paulo: Cortez, 2003. p.13-25.
BUORO, Anamelia Bueno. Olhos que pintam: a leitura da imagem e o ensino da arte. São Paulo: Educ: Cortez, 2002. p. 41.
ESPÍRITO SANTO (Estado) Secretaria da Educação. Currículo Básico Escola Estadual: guia de implementação. Vitória: Sedu, 2009.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
FUNARI, Pedro Paulo; PELEGRINI, Sandra de Cássia Araújo. Patrimônio histórico e cultural. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2006.
MARMO, Alena Rizi et al. Percursos de arte no Brasil: relato de experiência de construção de material educativo. In: MONTEIRO, R. H.; ROCHA, C. (Org.). Anais do V Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual. Goiânia: UFG/FAV, 2012. p. 882-890.

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