Boletim Arte na Escola

Elliot Eisner e Yvoncy Ioschpe (RS)
Elliot Eisner e Ivoncy Ioschpe (RS) - Fonte: EISNER, Elliot. Estrutura e mágica no ensino da arte. In: BARBOSA, Ana Mae (Org.). Arte-educação: leitura no subsolo. 2. ed. rev. São Paulo: Cortez, 1999. p. 78.

"10 Lições que as Artes Ensinam", a síntese elaborada por Elliot Eisner em 2002*, e transformada em pôster pela National Art Education Association (NAEA), continua estampada nas paredes de escolas dos Estados Unidos. O professor emérito da Stanford University, um dos mais importantes teóricos mundiais do campo da Arte e da Educação, morreu em 10 de janeiro de 2014, aos 80 anos, mas sua obra permanece viva e valiosa, tanto no meio universitário como nas redes escolares.

Durante décadas, o pensamento e a larga experiência acadêmica de Elliot Eisner iluminaram estudos, pesquisas e práticas de alunos e de professores, contribuindo para garantir o espaço e o status das Artes no currículo escolar. Publicou 17 livros, dezenas de artigos, ministrou workshops, proferiu palestras e conferências mundo afora. Enfatizou o papel das Artes no desenvolvimento das habilidades de pensamento crítico e da inteligência estética, aprofundando aspectos relativos ao seu ensino, aprendizagem e avaliação qualitativa.

Em agosto de 1991, sua passagem pelo Brasil foi marcante. A convite da Fundação Iochpe, apresentou a palestra The Function of the Arts in the Invention of Mind no encerramento do IV Congresso Nacional da Federação de Arte-Educadores do Brasil (FAEB), em Porto Alegre. Na ocasião, manteve contatos com a direção e a equipe técnica do Projeto Arte na Escola. A consultoria de Elliot Eisner, que então desenvolvia a abordagem metodológica conhecida como Discipline-Based Art Education (DBAE) junto ao Getty Center, inaugurou o intercâmbio Brasil-Estados Unidos e aproximou a Rede daquela instituição. Na sequência, professores brasileiros ligados ao Arte na Escola participaram de cursos intensivos nos EUA, como o Summer Institute da Universidade de Chattanooga, no Tennesee, e professores americanos vieram ao Brasil.

Com sua obra, Elliot Eisner afirmou-se como um obstinado defensor do valor intrínseco das Artes. Segundo ele, negligenciar a contribuição das Artes na educação equivale a “negar o acesso das crianças a um dos aspectos mais magníficos de sua cultura e a um dos mais potentes meios de desenvolver suas mentes”.

Sylvia Bojunga, jornalista e mestre em Ciências Sociais, acompanhou o Projeto Arte na Escola de 1989 a 2004 como assessora de comunicação e editora do Boletim Arte na Escola

*EISNER, Elliot W. The arts and the creation of mind. New Haven: Yale University Press, 2002. p. 70-92.

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  • Marilda De Oliveira , 15:22 - 16/10/2014
    Muito interessante.

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