Boletim Arte na Escola

Para o professor, eixos abrangentes de conteúdos permitem práticas de ensino contextualizadas

Luis Ricardo Queiroz é doutor em Música pela UFBA, professor da UFPB e presidente da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical)

A diversidade de práticas significativas para o ensino de música na escola é tão ampla quanto as músicas do mundo. Tal aspecto faz com que os professores que trabalham com a educação musical escolar disponham de uma multiplicidade de conteúdos e de possibilidades metodológicas para desenvolvimento de sua ação pedagógica. Todavia, é fundamental que, para lidar com esse “mundo” de músicas, de caminhos metodológicos e de alternativas educativas em geral, o professor esteja aberto à descoberta musical, imerso na pesquisa de universos da música, atento à diversidade de sujeitos e de práticas musicais que compõem a cultura escolar, motivado à criação de novos caminhos musico-pedagógicos e comprometidos com a formação musical vinculada à formação humana dos indivíduos.

Na atualidade, tem sido cada vez mais notória a amplitude de alternativas que podem compor propostas de ensino de música na escola, considerando os objetivos que caracterizam a educação musical nesse contexto, os conteúdos que devem nortear a ação musico-pedagógica escolar e a realidade cultural que permeia tal universo de formação. É mister que, na contemporaneidade, o professor de música seja um mediador de diálogos, um facilitador de descobertas culturais, um motivador de aprendizagem e um agente de transformação social.

Com base neste cenário, apresento neste texto reflexões acerca do ensino musical na escola, dando ênfase à importância desse fenômeno cultural para a formação humana e analisando objetivos, conteúdos e metodologias que podem fortalecer a prática docente em música nessa realidade. As discussões realizadas têm como base estudos bibliográficos no campo na educação musical, pesquisas no âmbito da realidade escolar e experiências empíricas consolidadas como formador de professores de música para escola. De forma analítica, apresentarei perspectivas acerca da importância da música na escola, considerando concepções contemporâneas sobre a atuação do professor de música, desafios que ainda permeiam a educação musical escolar e perspectivas para a ação docente neste contexto.


Por que música na educação básica?

Pesquisas realizadas no campo da música, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, têm destacado a importância dessa expressão humana para a sociedade e evidenciado que o fenômeno musical é, ao mesmo tempo, universal e singular. A música é universal como prática e como veículo de comunicação, considerando que todas as culturas conhecidas utilizam a música, de alguma forma, para expressar sentidos, significados, representações sociais, entre outros aspectos. Por outro lado, o fenômeno musical é singular nas suas formas de organização e de representação, tendo em vista que cada cultura modela, estrutura e atribui valor e significado específicos à sua música. Assim, todos os contextos têm algum tipo de música, mas cada um deles tem sua própria linguagem musical (BOWMAN, 2002; NETTL, 1997).

Nesse entranhamento complexo que caracteriza a música como fenômeno humano e cultural, singular e universal, podemos apontar uma das muitas contribuições educacionais da música para a formação do individuo, qual seja: ela é um importante patrimônio cultural imaterial que expressa aspectos simbólicos, valores, significados e características diversas de um grupo, de um contexto cultural, de uma sociedade. Portanto, a música retrata aspectos sociais, determina comportamentos e valores humanos, é determinada por condutas e significados da cultura e se interrelaciona ao que as pessoas que a praticam pensam, vivem, sentem e expressam (QUEIROZ, 2010). Essa dimensão cultural da música está vinculada às perspectivas de formação almejada para as escolas na contemporaneidade, pois, conforme definem as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, em seu Art. 9º, “A escola de qualidade social adota como centralidade o estudante e a aprendizagem, o que pressupõe”, entre outros aspectos destacados no documento, as especificações do Parágrafo II, que enfatiza a necessidade do “[…] atendimento à pluralidade e à diversidade cultural, resgatando e respeitando as várias manifestações de cada comunidade” (BRASIL, 2010b).

Um segundo aspecto fundamental da música no processo de formação do ser humano é a relação que ela estabelece com a vida das pessoas, invadindo-as externa e internamente. Por meio de músicas são evocados sentimentos, lugares, cheiros, medos, alegrias, entre tantos outros aspectos. A música está presente quando a vida é festejada, como no nascimento de uma criança, nas festas de aniversário e nas cerimônias de união; mas também está presente nas despedidas da vida como nos velórios, nos enterros e nos cultos aos mortos. A música está presente nos eventos formais, quando ouvimos o hino nacional, por exemplo, mas também está presente na informalidade: no churrasco, na festa, na brincadeira. Da canção de ninar à cerimônia fúnebre, do culto à paz a incitação para a guerra, o fato é que a música permeia a vida de todos os sujeitos e, mais que isso, a música se confunde com a própria vida, de forma tão entranhada nas memórias, nas religiões, nas festas, nas práticas de educação, que chega a ser quase inseparável da relação do ser humano com o mundo. Ora, se música é inseparável da vida, e disso, acredito, não temos mais dúvida, podemos privar a educação de ter música? Certamente não!

Privar a educação da música é uma façanha que ninguém conseguiria, pois a música está na aula de português, de matemática, de história, está no recreio, no celular, está na vida. Parafraseando Caetano Veloso, é possível dizer que a vida é a amiga da música e por isso muitas forças nos levam a cantar, a ouvir, a brincar, a chorar, a sorrir, a festejar, a lembrar... A viver a música! Portanto, se música (como fenômeno) está em todas as aulas (como meio), ela também precisa estar em uma aula de música (como fim) para educar musicalmente. Aulas que permitam de forma mais objetiva que as pessoas sistematizem vivências em música, desenvolvam de forma mais significativa a percepção e a compreensão musical, explorem recursos sonoro-expressivos, entre outros aspectos que podem ser desenvolvidos a partir da linguagem específica e diversificada da música.

Uma terceira dimensão também relevante para a inserção da música na educação é o impacto e papel do fenômeno musical no desenvolvimento “humano, no funcionamento cerebral e na formação de comportamentos sociais”, conforme evidenciado no Parecer 12/2013, da Câmara de Educação Básica (CEB), do Conselho Nacional de Educação (CNE), que trata das Diretrizes Nacionais para a Operacionalização do Ensino de Música na Educação Básica. A linguagem musical trabalha e desenvolve partes do cérebro e da inteligência que não podem ser trabalhadas por outras linguagens, como a verbal e escrita, e esse é um aspecto que vem sendo amplamente evidenciado por áreas como a neurociência e a psicologia cognitiva. Conforme destaca o Parecer do CNE, mencionado anteriormente:

“[...] o estudo de Música é instrumental para modificar o funcionamento do cérebro em dimensões ligadas às aprendizagens dos conhecimentos formais e de outros fazeres do ser humano. A música mobiliza inúmeras áreas do cérebro, integrando-as de forma única em relação a outras atividades humanas” (BRASIL, 2013).

Assim como a falta de aprendizagem da leitura e da escrita da língua limita o acesso e inserção social do indivíduo, mesmo que ele consiga lidar com a linguagem de maneira mais abrangente, a falta de um estudo mais sistemático e progressivo da música limita o acesso, a crítica, a descoberta e as relações do ser humano com a música, apesar de, como afirmado anteriormente, todo ser humano lidar cotidianamente com elementos da linguagem e da expressão musical.

O fato é que considerar a música como cultura, como forma de expressão humana, como linguagem representativa dos nossos sentimentos, valores e significados atribui a essa arte características fenomenológicas fundamentais para o indivíduo, para a sociedade, para a vida e, consequentemente, para a educação. Ao reconhecer a escola como o espaço democrático de acesso à educação formal, que tem o dever de formar os indivíduos para lidarem com a diversidade de conhecimentos, desenvolverem habilidades e acurar percepções que lhes permitam viver da melhor forma possível, temos que reconhecer a escola como um espaço potencial para a formação básica em música. Uma formação que visa o desenvolvimento ético, humano, intelectual, cultural e artístico dos sujeitos, considerando que esses elementos são fundamentais para que os indivíduos estejam preparados para a vida.

Embasados nos aspectos analisados anteriormente e em diversos outros parâmetros relacionados à riqueza da música como expressão humana e cultural, educadores musicais e a sociedade em geral têm clamado por um lugar mais representativo e sistematicamente estabelecido para a música nos currículos escolares da educação básica.

Em linhas gerais, pode-se afirmar que as discussões acerca da importância do ensino de música no contexto da educação formal já vem inquietando a sociedade e os gestores da educação desde a época do Império. Ao longo da história educacional brasileira, de forma mais ou menos sistemática, diversas iniciativas foram efetivadas com vistas a inserir formalmente a música na escola (QUEIROZ, 2012). Muitas dessas iniciativas fracassaram, algumas sobreviveram, outras se transformaram, mas o fato é que todas elas, de alguma forma, nos ensinaram, até que chegássemos ao século XXI fortalecidos e convictos de que o projeto de ensino de música para as escolas precisa ser uma realidade para a formação dos indivíduos na contemporaneidade. Não dá mais para esperar. Não dá mais para ser um projeto. Queremos e estamos construindo essa realidade.

Unindo forças, amenizando diferenças e acreditando na causa maior, o ensino de música, um amplo movimento nacional de estudo e proposição para a inserção da música na escola vem emergindo desde os anos de 1980. Esse movimento, agregando forças de outros já existentes em prol da música, conseguiu em 2008 uma importante conquista, a inclusão da “música” no parágrafo VI do Art. 26 da LDB, Lei 9.394/96, que, a partir da aprovação da Lei 11.769/08, passou a ter a seguinte redação: “a música será conteúdo obrigatório, mas não exclusivo”, do ensino de Arte (BRASIL, 1996).

Assim, apesar de ser longa a discussão e a trajetória do ensino de música na escola, é fato que a partir de 2008, com a aprovação da Lei 11.769/08, o debate e as proposições didático-pedagógicas relacionadas à educação musical escolar ganharam maior projeção. Tal fato fez com que a implementação do ensino de música nas escolas se tornasse um tema emergente não só da área de educação musical, mas de todo o campo da educação no Brasil.


Educação musical escolar, para quê?

A discussão sobre os objetivos do ensino de música na escola tem permeado debates, estudos e proposições, nem sempre consensuais, no âmbito da área de música, sendo marcada por diferentes pontos de vista. Todavia, em se tratando da realidade escolar, é fundamental considerar que a prática docente em música deve ser definida a partir de parâmetros e finalidades estabelecidas para a educação básica em geral. Assim, as diretrizes e finalidades apontadas na legislação que rege a formação escolar no Brasil fornecem orientações elucidativas para a definição dos objetivos, gerais e específicos, que permeiam o ensino de música na educação básica.

Nesse sentido, a análise do artigo 22 da LDB (BRASIL, 1996) permite afirmar que o objetivo da educação musical na escola é desenvolver o educando no campo musical, assegurando-lhe a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para que, a seu critério, possa progredir no âmbito da música em estudos posteriores e, inclusive, utilizá-la como um dos caminhos para sua qualificação profissional e para o trabalho.

Essa perspectiva apontada pela LDB, bem como caminhos destacados nas diretrizes e em outros documentos orientadores para a formação na educação básica em geral (BRASIL, 2010a; 2010b, 2012), possibilitam a definição de objetivos mais específicos para a educação musical escolar. Assim, pode-se afirmar que o ensino de música na escola deve levar os alunos a:
• Adquirir conhecimentos que lhes permitam compreender a música como linguagem e forma de expressão humana, praticada universalmente, mas singularizada como linguagem a partir das especificidades de cada contexto cultural.
• Desenvolver habilidades que lhes permitam lidar de maneira prática com aspectos estéticos e estruturais da expressão musical, a partir da criação, do arranjo, da adaptação e da performance de músicas de múltiplos contexto;
• Trabalhar com dimensões técnicas, intelectuais e cognitivas da música para que possa se expressar por meio de diferentes formas de organização da linguagem musical;
• Conhecer e vivenciar produções musicais de culturas do mundo, compreendendo características, valores e significados diversos que permeiam as linguagens musicais em diversos contextos da sociedade contemporânea;
• Emergir no seu próprio universo social, sendo agente ativo no processo de seleção, prática e valoração de músicas do seu entorno cultural;
• Desenvolver uma compreensão ética, humana e crítica acerca da música como campo de saber, podendo almejar, inclusive, caminhos para a formação, a atuação e a profissionalização no mercado de trabalho musical.

Considerando essa variedade de objetivos que alicerçam o ensino de música na escola, é possível especificar de forma abrangente conteúdos que podem nortear a ação educacional nesse contexto. Nessa direção, mais uma vez fundamentado nas perspectivas da área, mas também nas orientações legais para a educação básica, apresento proposições gerais que, acredito, são fundamentais para a constituição de um corpus de conteúdos musicais para a prática docente na escola.


O que de música ensinar na escola?

A definição dos conteúdos musicais a serem trabalhados na escola, por mais abrangente que seja, jamais dará conta de contemplar todas as músicas do mundo, algo impossível para qualquer proposta educativo-musical. Essa constatação demonstra quão rico é o universo cultural que o docente da área de música pode considerar para a definição do que será ensinado nas suas aulas. Assim, em vez de pensar em selecionar repertórios e definir atividades de forma isolada, é fundamental estabelecer eixos abrangentes de conteúdos que, com base nos objetivos do ensino musical escolar, permitam a elaboração de práticas de ensino contextualizadas com a realidade de cada universo de formação.

Os conteúdos trabalhados são imprescindíveis para a consistência da proposta educativa, já que é por meio do conteúdo programático que os alunos têm contato direto com a reflexão, a apreciação, a crítica e a vivência prática da música. A partir dos conteúdos fica explícita também a contextualização da ação pedagógica com a vida, com os interesses e com as perspectivas musicais dos estudantes. Nesse sentido, tal definição deve levar em conta o contexto sociocultural, as nuances de cada escola, as características dos estudantes e a formação do profissional de ensino. A partir dessa rede complexa de relações, pode-se trabalhar conteúdos educativo-musicais que abranjam:

• Práticas de exploração e desenvolvimento do corpo como fonte de produção e expressão sonoro-musical, tendo o movimento e a percussão corporal como base para a realização de atividades musicais.
Exercícios que explorem e trabalhem a percepção sonora do indivíduo a partir da apreciação, espontânea e induzida, de sonoridades, padrões estéticos e manifestações diversas da cultura musical;
• Atividades de estruturação da música, tendo como base o som, com seus parâmetros e suas formas de organização – melodia, ritmo, harmonia, texturas, sistemas estruturais, entre outros aspectos;
• Práticas periódicas de apreciação, interpretação e criação de expressões musicais diversificadas, contemplando diferentes gêneros, estilos, períodos e contextos da música;
• Práticas de pesquisa, exploração, criação e performance de músicas e elementos musicais vinculados ao patrimônio cultural imaterial do Brasil, abordando as particularidades de cada região, estado e município do país;
• Experiências geradas pela apreciação e execução de músicas relacionadas ao universo cultural do aluno, às suas singularidades como sujeitos e as características da sociedade em que vive;
• Realização de atividades musicais que dialoguem com os temas transversais da educação: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural, trabalho/consumo, temas locais;
• A construção, exploração e utilização de instrumentos musicais alternativos, a partir de fontes sonoras diversificadas;
• Práticas de interpretação e criação de músicas a partir de atividades que integrem o uso de recursos tradicionais a outras alternativas e possibilidades de expressão sonoro-musical;
• Atividades que explorem e desenvolvam diferentes formas de representação visual e de leitura da música em suas diferentes expressões.

Esses eixos de conteúdos, que certamente podem ser bastante ampliados, permitem a concepção e a prática de infinitas atividades de formação musical, servindo, aqui neste texto, para ilustrar multiplicidade de alternativas possíveis para o ensino da música na educação básica. A diversidade que embasa os objetivos e conteúdos apresentados neste texto e que, por consequência, norteiam a prática da educação musical escolar, deve também estar na base das ações pedagógicas que configuram a prática de ensino do professor de música, conforme analisarei a seguir.


Como educar musicalmente no universo escolar?

Definições contemporâneas da educação nacional e perspectivas que constituem a música como expressão da cultura na atualidade evidenciam que as metodologias do ensino musical na escola devem considerar a diversidade (humana, metodológica, cultural, entre outras) como uma importante referência. Nessa direção, as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (BRASIL, 2010b) enfatizam, no seu artigo 3o, inciso III, que a educação básica deve ter entre os seus princípios de formação o desenvolvimento de ações educacionais centradas no “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas”.

Assim, considerando os objetivos da educação musical na escola e a definição de conteúdos programáticos a partir dos eixos destacados acima, as práticas de ensino da música na escola podem ser realizadas a partir de ações metodológicas que contemplem:
• Práticas coletivas e individuais por meio da apreciação, interpretação e criação musical, considerando as diversas formas de vivenciar e de fazer música, bem como as características singulares dos estudantes (físicas, técnicas, perceptivas, culturais e sociais em geral);
• Atividades realizadas a partir de recursos sonoros diversos, possibilitando a experimentação de diferentes estratégias de geração do som e sua organização como expressão musical;
• A incorporação de músicas variadas nas atividades de ensino, realizadas por meio da pesquisa e da prática de repertórios da cidade, do estado, da região e do país e do mundo;
• O uso de tecnologias contemporâneas como ferramenta de produção musical e, também, como veículo de pesquisa e acesso à diversidade de músicas do mundo;
• Práticas que trabalhem os aspectos sonoro-musicais, mas que, com o mesmo grau de intensidade e relevância, enfatizem significados, valores e demais elementos que caracterizam a música como expressão da cultura;
• Avaliações periódicas que evidenciem os impactos, avanços e limites da proposta educacional musical realizada, redefinindo e resignificado a prática a partir de diagnósticos periódicos e contextualizados com a realidade escolar.

Essas perspectivas metodológicas podem e devem ser ampliadas, fazendo emergir várias outras possibilidades didático-pedagógicas. No entanto, dentro dos limites desse texto, as proposições apresentadas são suficientes para ilustrar a amplitude de práticas, conteúdos e recursos que podem nortear propostas pedagógicas de ensino de música na escola. As definições apresentadas apontam para um aspecto já evidenciado ao longo desse e de outros trabalhos que tenho produzido, qual seja: o caminho possível para o ensino de música na escola é o caminho da pluralidade, pois só assim poderemos considerar, respeitar, contemplar e dialogar com as diversidades que constituem o universo escolar, a cultural, a vida e o ser humano.


Conclusão

O professor de música na contemporaneidade, diante das muitas possibilidades que dispõe para atuar no processo de formação do indivíduo, precisa trabalhar com conteúdos e atividades que sejam significativos para os sujeitos contemplados pela ação pedagógica e para o contexto cultural em que desenvolve suas práticas. Para que isso aconteça, é fundamental que a ação do docente seja também significativa para o próprio professor, pois assim poderá imergir na sua prática profissional de forma verdadeira, motivado para possibilitar o conhecimento, a vivência e a transformação da música como fenômeno da cultura.

Nesse universo, os objetivos, conteúdos e metodologias que norteiam a ação do docente em música devem ser definidos a partir de quatro parâmetros fundamentais: a legislação e as diretrizes estabelecidas para a educação básica; a pluralidade que compõe a música como expressão da cultura; as perspectivas e objetivos que constituem a educação musical contemporânea; e as singularidades dos sujeitos e das escolas. A partir desses parâmetros será possível conceber e aplicar um ensino de música que atenda os preceitos da educação básica brasileira, que contemple a riqueza e a diversidade da música como linguagem, que seja contextualizado com as especificidades do ensino musical e significativo para os diferentes sujeitos que compõe a escola como instituição social.


Referências

BOWMAN, Wayne. Educating musically. In: COLWELL, Richard; RICHARDSON, Carol (Ed.). The new handbook of research on music teaching and learning: a project of the Music Educators National Conference. Oxford: Oxford University Press, 2002. p. 63-84.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução no 2, de 30 de janeiro de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Brasília, 2012. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17417&Itemid=866. Acesso em: 26 abr 2014.

______. ______.______.______. Parecer e Projeto de Resolução CNE/CEB n. 12/2013. Define Diretrizes Nacionais para a Operacionalização do Ensino de Música nas Escolas. Brasília, 2013. Disponível em: http://www.abemeducacaomusical.com.br/sistemas/news/imagens/Diretrizes.pdf. Acesso em: 26 abr 2014.

______. ______.______.______. Resolução no 4, de 13 de julho de 2010. Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília, 2010b. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view= article&id=12992. Acesso em: 15 maio 2013.

______. ______. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. Brasília: MEC; SEB, 2010a.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 26 abr. 2014.

______. ______. Lei nº 11.769, de 18 de agosto de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica. Brasília, 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/lei/L11769.htm. Acesso em: 26 abr. 2014.

______. ______. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Brasília, 2013. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12796.htm. Acesso em: 26 abr. 2014.

NETTL, Bruno et al. Excursions in world music. New Jersey: Prentice Hall, 1997. Acompanha CD.

QUEIROZ, Luíz Ricardo S. Educação musical e etnomusicologia: caminhos, fronteiras e diálogos. Opus, Goiânia, v. 16, n. 2, p. 113-130, dez. 2010.

______. Música na escola: aspectos históricos da legislação nacional e perspectivas atuais a partir da Lei 11.769/2008, Revista da ABEM, Porto Alegre, v. 20, n. 29, p. 23-38, jul./dez. 2012.

Comentários Deixe o seu comentário

  • magali kleber, 17:21 - 11/06/2014
    Muito consistente o artigo do Professor Luis Ricardo! Parabéns ao ARTE NA ESCOLA por tantas contribuições e tanta qualidade em tudo que realiza! Eu sempre venho beber nessa fonte! Magali!
  • Marcos Corrêa da Silva, 13:49 - 04/04/2016
    Excelente texto.
  • Lisbeth Soares, 17:41 - 14/07/2016
    Parabéns por este texto, prof. Luís Ricardo. Excelente contribuição!
  • Aline, 19:24 - 16/11/2016
    Legal!!!!!!!
  • felipe, 14:47 - 26/09/2017
    Texto excelente! mto completo e referenciado.
  • Thiago, 15:42 - 16/11/2017
    Não encontrei (ou não compreendi) a citação da LDB 1996, art 22, como orientação da EDUCAÇÃO MUSICAL na escola, mas vi como na forma geral : Educação Básica SEÇÃO I Das Disposições Gerais Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
  • Valéria Peres Asnis, 14:44 - 17/03/2018
    Apesar de ser um artigo de 2014, ainda é bastante atual. Parabéns prof, pelo texto simples, informativo e relevante.

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