Boletim Arte na Escola

Pescadores ao mar, festas religiosas, roupas no varal, a riqueza da floresta amazônica, o movimento das dunas, crianças, passeatas. Nada do que acontece ao redor escapa das lentes de Miguel Chikaoka. O fotógrafo paulista que escolheu Belém (PA) como seu lugar no mundo está sempre a postos para captar a sutileza das imagens do dia a dia. A diferença é que o olhar desse artista consegue transformar qualquer cena da vida real em uma obra de arte. Suas fotos integram acervos renomados, como o do Art Museum of America, em Washington, o da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e o do Museu de Arte de São Paulo. Foi premiado no concurso Dans Lês Rues de Nancy, promovido pelo Office de Tourisme de la Ville de Nancy, na França, em 1978, e também no 4º Salão de Arte Fotográfica Bunkyo, em São Paulo, em 1980. Em 2012, ganhou o Prêmio Brasil Fotografia e a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura por sua contribuição à fotografia brasileira.

Para Chikaoka, a fotografia é uma linguagem, uma forma de expressão não-verbal que revela os valores, os conceitos e as crenças de quem está por trás da câmera. A questão filosófica da imagem é tão forte em sua produção que suas referências não estão nas obras dos grandes nomes da fotografia, mas sim em importantes pensadores como Paulo Freire e Edgar Morin. Os ensaios do artista são um perfeito entrosamento entre forma e espaço. Ao analisar seu acervo imagético é possível descobrir ângulos, retas e circunferências escondidos em cada cena, praticamente um desenho dentro de outro, num redemoinho de descobertas sem fim.

Seu olhar inquieto o fez trilhar um caminho paralelo: o ensino. O fascínio dos alunos com a formação da imagem, com a descoberta da luz, com o poder de diálogo da fotografia fez da pedagogia sua segunda paixão. “Hoje fotografo muito pouco, estou mais focado na experiência que o ensino da fotografia proporciona. Não me preocupo em repassar conceitos técnicos, meu interesse está nas possibilidades do processo de fotografar, como o conceito da luz, suas formas, a trajetória dos raios. Tenho uma visão transversal do ensino, não acredito na fragmentação por disciplina. Assim como na vida, tudo se relaciona – com a fotografia não é diferente. É possível aprender física, matemática, biologia, artes e o que mais a imaginação permitir”, ensina.

Para trabalhar com os alunos

Câmera pinhole de papelão
Existem inúmeras possibilidades de usar a fotografia em sala de aula, mas a sugestão de Miguel Chikaoka é mostrar aos alunos como a imagem se forma dentro de uma câmera fotográfica convencional e do próprio olho por meio da câmera pinhole.
A ideia é produzir a pinhole sem a utilização de ferramentas, como réguas, lápis e tesouras, para que o estudante experimente a sensação do “fazer com as próprias mãos”. Antes da construção da câmera, Chikaoka propõe explorar o histórico e características desses materiais. Por exemplo, como surgiu o papel, sua composição, como se dobra e se rasga, qual é a sensação tátil, as transformações possíveis.
Com a câmera pronta, o ideal é variar o tamanho dos furos para os alunos perceberam as diversas nuances da luz na constituição da imagem.
Siga o passo a passo para construir a câmera pinhole.

Por Rosiane Moro

Comentários Deixe o seu comentário

  • Solange, 20:55 - 03/10/2014
    Parabéns pela ideia de Miguel Chikaoka, em mostrar aos alunos como a imagem se forma dentro de uma câmera fotográfica convencional e do próprio olho por meio da câmera pinhole... Uma ótima ação para realizar com os alunos.

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