Boletim Arte na Escola

Barbatuques transforma o corpo humano em instrumento

Barbatuques transforma o corpo humano em instrumento

Rosiane Moro 

Uns batem o pé aqui, outros estalam os dedos acolá. Tem a turma que dá tapinhas na cara, no peito, nas pernas, nas costas. Tem também aqueles que ora arrancam estranhos sons da boca, ora entoam canções. Não raro, fazem tudo isso ao mesmo tempo e quando menos se espera, surge uma melodia completa. Os movimentos corporais rápidos, precisos e sincronizados completam o espetáculo como uma bela coreografia. Se fechar os olhos, fica até difícil imaginar que não há instrumentos em cena. Mas há, sim: o corpo humano. É tirando o som de onde menos se espera que há 20 anos o Barbatuques encanta plateias de adultos e crianças mundo afora.

A técnica consiste em explorar o corpo em busca de variedades de sons e padrões rítmicos. O mais inusitado dessa arte é que o repertório das composições pode estar em qualquer lugar. “A pesquisa da percussão corporal nunca termina, é uma busca constante. Cada povo, cada cultura tem seus sons específicos, sua música, seus ritmos, o que possibilita a criação infinita de novas produções e arranjos. O corpo também é algo único, o som que obtenho batendo palmas, por exemplo, não é o mesmo do colega ao lado”, explica Renato Epstein, um dos 15 integrantes do grupo e também compositor, violonista, arranjador e professor de música no Colégio Lourenço Castanho, em São Paulo.

Questão de treino

Formado por vários arte/educadores, não foi preciso muito tempo para o grupo perceber o poder pedagógico da percussão corporal, importante ferramenta para desenvolver várias habilidades nas crianças, como coordenação motora, criatividade, trabalho em conjunto, a percepção de si mesmo e do outro, organização e expressividade. “A percussão corporal já faz parte do universo deles. Mesmo inconscientemente, estão o tempo todo produzindo sons com as mãos, pés, boca, batucando, pulando. É uma descoberta fascinante perceber que algo que fazem naturalmente pode virar música”, relata Epstein. O artista também reforça que a percussão corporal é ótima para o desenvolvimento da audição, o que faz com que os alunos tenham maior concentração e melhor desempenho em outras disciplinas, como Matemática, História, Português, etc.

O músico e professor compara o método de aprendizagem da percussão corporal com a alfabetização. “A criança começa a brincar de escrever com três ou quatro anos, colocando um monte de símbolos no papel. O mesmo acontece quando se usa o corpo como instrumento. No início é só uma ‘blabação’. Aí coloca um ritmo aqui, junta uma melodia lá, acrescenta a harmonia, até chegar à composição”, ensina.

As crianças estão o tempo todo produzindo sons com as mãos, pés, boca, batucando, pulando – tudo vira música

As crianças estão o tempo todo produzindo sons com as mãos, pés, boca, batucando, pulando – tudo vira música

Para trabalhar com os alunos

O jogo da flecha é um exercício de comunicação com o outro através do olhar, do som e do gesto. Os participantes devem estar em pé, formando uma roda e em contato visual. Caso o grupo seja numeroso é possível organizar duas ou três rodas – o ideal é que cada uma tenha até 12 integrantes.

O exercício inicia-se no momento em que uma pessoa bate uma palma e a envia simultaneamente para qualquer outra pessoa da roda através de seu olhar. A pessoa que “recebe” a palma a envia em seguida para outra pessoa da roda, e assim por diante. Esse processo de contato visual/sonoro segue indefinidamente. 

Tempo e contratempo: Pode-se estabelecer uma pulsação a ser marcada com os pés por todo o grupo. Em seguida determina-se que a palma seja passada sincronizada a este pulso por uma pessoa por vez, endereçada à outra pessoa do grupo e seguindo a mesma dinâmica do exercício anterior. O mesmo procedimento pode ser feito batendo-se a palma no contratempo, enquanto os pés dos participantes marcam o tempo (pulso).

Percussão corporal desenvolve audição, melhorando a concentração e desempenho em outras disciplinas

Percussão corporal desenvolve audição, melhorando a concentração e desempenho em outras disciplinas

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  • Rute Alves Gonçalves, 10:08 - 10/07/2015
    Gostei muito dessa dinâmica. Pois percebe-se que os alunos ficam bem a vontade na atuação e representação.

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