Boletim Arte na Escola

Raquel Alves

Para alguns docentes, apostilas ou materiais prontos para aplicação em sala de aula roubam a liberdade e a autonomia. Outros avaliam que conteúdos estruturados dão mais segurança ao educador, aprimoram sua metodologia e contribuem para o melhor aprendizado do aluno. O Boletim Arte na Escola entrevistou professores  de várias regiões para ouvir suas opiniões, confira e participe.

 

Valéria Batista Pereira Gomes, professora do Ensino Fundamental da Rede Municipal em Tupã, SP.

“Na minha cidade, desde 2013, as apostilas são propostas à rede estadual. Nós, da rede municipal, passamos a utilizá-las por opção, fazendo adequações. Mas trabalhar com este tipo de material só é viável e eficiente quando o professor cria situações de aprendizagem para que suas aulas sejam significativas para seus alunos.”

 

 

Alan Livan, professor do Ensino Médio, Ensino Fundamental II e EJA na Rede Estadual em São Paulo, SP.

“Os Cadernos do Professor e Cadernos do Aluno, materiais normativos integrantes do novo currículo do Estado de São Paulo, foram adotados de forma impositiva, com obrigatoriedade na sua aplicação. Mas realizei uma experiência de três anos com o material no Ensino Médio, e aponto em minha dissertação de Mestrado a possibilidade de apropriação e ressignificação deste material não só por parte dos professores, mas também dos estudantes. Deparei-me com algumas proposições das artes contemporâneas que podem impulsionar o arte-educador atento a realizar ações de deslocamentos e ressignificações."

 

 

Sayonara Ramos Abreu Soares, professora de Ensino Médio na Rede Estadual de Cariacica, ES.

"Eu nunca usei apostilas, acho que engessam o trabalho do professor. Eu me baseio no Currículo Básico da Rede Estadual (ES) e busco referências em livros, revistas, sites, filmes, catálogos de exposições, etc. Minha escola é optante do programa PNLD e recebemos o material referente ao Ensino Médio, mas para mim o livro didático é apenas um suporte."

 

 

Milena Moisés de Lucena , professora no Ensino Fundamental II Rede Municipal em Patos, PB.

"No início da minha carreira tive de usar apostilas arcaicas que enfatizavam a prática de pintura em datas comemorativas, mas também me apoiei em conteúdos e metodologias que pesquisei, inclusive no site do Instituto Arte na Escola. Os professores do município trabalhavam individualmente e com os materiais que encontravam, até que conseguimos instituir com a Secretaria de Educação os planejamentos por área de ensino. Hoje não existe material didático ou apostilas de aplicação obrigatória em nosso município: temos liberdade para estabelecer nossos próprios percursos, mas organizamos o conteúdo programático para ser desenvolvido de maneira comum em todas as escolas."

 

 

Carolina Cortinove, professora do Ensino Fundamental II na Rede Municipal em São Paulo, SP.

"Sou a favor da criação pedagógica, pois entendo que o educador é o único capaz de ter uma escuta atenta aos desejos e necessidades dos estudantes e de seu contexto, informações preciosas que o sistema de apostilamento não leva em conta, pois trabalha com um contexto e alunos ideais. Além disso, só a partir dessa coleta de informações é possível ao educador elaborar, com suas próprias ferramentas metodológicas e didáticas, uma maneira única de compartilhar o conhecimento para que faça sentido àqueles que aprendem."

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