Boletim Arte na Escola

Quais são os benefícios de estudar música na primeira infância? Além do prazer de desfrutar desta forma de expressão e, sobretudo, de poder expressar-se, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, ela própria devota da prática musical, relata em sua coluna na Folha de S. Paulo que seu ouvido musical ajudou-a no aprendizado de línguas estrangeiras. O que era apenas uma impressão hoje está respaldado em uma infinidade de pesquisas. Diz Herculano-Houzel: “já existe uma rica literatura que comprova que aprender música cedo muda o cérebro de várias maneiras, melhorando a percepção dos sons da fala, a memória verbal e até mesmo a leitura. Quem teve treinamento musical em criança consegue processar sons com menos interferência de ruídos ambientes, detectar mais facilmente variações de tom – e, de fato, aprender línguas com mais proficiência”.

Tenho lido muitas pesquisas que indicam esta mesma direção. Para mim, no entanto, o aprendizado da música é uma concretude que vai além do que pode ser intelectualmente percebido em estudos e pesquisas: passei oito anos me afiando nas teclas do piano quando criança, percorrendo a pé o bairro Petrópolis em Porto Alegre onde morava para demonstrar para uma enérgica Profa. Harriet que eu tinha, sim, decorado a pauta e sabia reconhecer as notações musicais. Hoje em dia não “cometo” mais que um “bife” no teclado, mas em compensação me deleito nos concertos de música clássica e popular que frequento e, sim, aprendi quatro línguas estrangeiras.

Dizer que “me deleito” talvez seja pouco: a música me leva para outras paragens, outras dimensões, para lá do que a palavra pode traduzir. É o que às vezes expressamos dizendo que estamos em “alfa”, nossos sentidos se sobrepondo vigorosamente à nossa inteligência. Que só para não cair no senso comum deveríamos chamar de estar em “beta”. Assim, sem explicações mesmo.

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