Boletim Arte na Escola

Danilo propôs um projeto interdisciplinar, desenvolvido em parceria com a professora de Língua Portuguesa, o que possibilitou a construção do conhecimento de forma dialógica

Por Rosiane Moro 

Quebrar paradigmas, inovar e provocar reações nas pessoas. Foi assim que artistas como Letícia Parente, Sônia Andrade, Paulo Herkenhoff, Anna Bella Geiger, entre outros, deram os primeiros passos da videoarte  brasileira. Com o mesmo espírito inovador, o professor Danilo Baraúna e seus 160 alunos de seis turmas do primeiro ano do Ensino Médio da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará, em Belém, mergulharam no projeto “Construções expressivas: a videoarte paraense transversalizada no Ensino Médio”, vencedor do XVI Prêmio Arte na Escola Cidadã nessa categoria. A ideia de trabalhar com audiovisual surgiu quando o docente, ainda na graduação, observou a inexistência de qualquer conteúdo relacionado à videoarte nos planos de ensino de Arte das escolas públicas da cidade.

O projeto, interdisciplinar, contou com a participação da professora de Língua Portuguesa, Anne Chagas. “Ao longo do processo, aprendi a construir práticas metodológicas inovadoras para o ensino da Arte, além de transitar por outras disciplinas, transformando a construção do conhecimento em algo menos compartimentado e mais dialógico. O resultado foi tão produtivo que professores de outras disciplinas passaram a desenvolver trabalhos conjuntos”, explica Danilo, que foi bolsista do polo Arte na Escola em 2009 na própria UFPA. 

Tudo junto e misturado

Para mergulhar os alunos em um universo tão desconhecido, já que antes do projeto o único contato com a linguagem audiovisual havia sido por meio do cinema, o professor selecionou várias peças de videoarte como referência, todas produzidas por artistas paraenses, como Carla Evanovitch, Armando Queiroz, Bruno Cantuária, Cláudia Leão, entre outros. “É claro que no início os vídeos causaram certo estranhamento, mas esse desconforto foi essencial para surgirem os primeiros questionamentos e também para ampliar a discussão na sala de aula”, revela o professor.

Apesar de suas especificidades, os conteúdos desenvolvidos tanto nas aulas de Língua Portuguesa quanto de Arte se completavam. Em Arte, por exemplo, abordou-se argumento, roteiro, tipos de planos, produção audiovisual, edição e sonorização. Já em Língua Portuguesa, a professora Anne trabalhou com planos de significação, linguagem verbal e não verbal e gêneros narrativos.

Para facilitar a compreensão da proposta, o projeto foi dividido em três partes. Na primeira, os alunos analisaram os vídeos selecionados e fizeram um pré-roteiro, definindo palavras-chave e perguntas relacionadas com as obras. O passo seguinte foi aprofundar os elementos da linguagem audiovisual, primeiro a partir das funções de produção e edição de vídeo, e depois com a construção do roteiro a ser trabalhado por cada turma. A última etapa foi dedicada à produção dos alunos, que resultou na criação de videoarte, uma animação, um videoclipe e duas ficções. “Alguns estudantes já traziam conhecimentos de edição de imagens, fotografia e maquiagem, por exemplo, e puderam usar essas habilidades dentro do ambiente escolar”, destaca Baraúna. 

Essa bagagem foi fundamental para definir o papel de cada um dentro da produção – diretor, diretor de arte, de fotografia, editor, figurino e maquiagem –, com mais de um estudante desempenhando a mesma função. “O interessante é que os alunos perceberam que o trabalho não seria bem-sucedido se não houvesse um diálogo criativo entre todos os participantes. Além disso, posso garantir que hoje eles estão aptos a discorrer sobre práticas artísticas contemporâneas que antes achavam difíceis e fora do contexto cultural deles”, completa. 

Além da produção dos vídeos, o projeto ganhou um importante desdobramento. Todas as atividades foram mapeadas e transformadas em um material didático que será compartilhado com os professores da rede pública de Belém.

 Assista ao documentário.

Todas as atividades foram mapeadas e transformadas em um material didático que será compartilhado com os professores da rede pública de Belém

Fotos: Cinthya Marques

 

 

Comentários Deixe o seu comentário

  • Ivanir PEGORARO , 22:36 - 05/02/2016
    Quero parabenizar ao Danilo pela sua garra, ousadia, perseveranca, mas principalmente por acreditar no potencial da arte através das suas linguagens . Tenho um desejo ardente de promover aulas significativas para meus alunos, contudo sou pressionada por conteúdos de apostilas, avaliações, simulados, tudo, num contexto de 50 minutos por semana, ou seja, uma aula por semana. Me de um retorno e me ajude.

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