Boletim Arte na Escola

Rosiane Moro

Para os professores de arte, geralmente isolados dentro das próprias escolas, compartilhar conhecimentos e experiências torna-se um momento único.  Com esse objetivo, a 16ª edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã reuniu os cinco vencedores para um diálogo mediado pela arte/educadora Anamelia Bueno Buoro. 

Evelyn Berg Ioschpe, presidente do Instituto Arte na Escola, abriu a reunião explicando a importância da divulgação do prêmio dentro da própria escola e também na comunidade. “Vocês são os melhores professores de arte do Brasil e precisam se empoderar desse título. Usem a premiação para buscar melhores condições de trabalho como, por exemplo, uma sala exclusiva para as aulas de arte.”

A coordenadora geral, Roseli Alves, aproveitou o encontro para reforçar a importância dos polos da Rede Arte na Escola. “Precisamos ampliar a rede de professores para que as experiências valiosas não se percam e sejam constantemente compartilhadas. É fundamental que o professor invista na sua formação continuada e se assuma como divulgador do próprio trabalho.”

Anamelia, que integrou o júri nacional na última fase seletiva do prêmio, abriu o debate comentando as similaridades entre os projetos vencedores: o alinhamento com as demandas e necessidades dos alunos.  “Vocês buscaram uma alternativa para driblar a falta de interesse, a baixa autoestima e a hiperatividade dos estudantes, e conseguiram com muita criatividade não só contornar a situação, mas mostrar como a arte pode ser transformadora em uma sociedade.”

Fátima Santana Santos, do CEI Djalma Ramos, vencedora na categoria Educação Infantil, pontuou o quanto o preconceito racial pode ser destrutivo no processo de formação das crianças. “Meus alunos se achavam feios e eu entendo que é nossa responsabilidade, como educadores, trazer à luz essa questão, e que é possível mudar posturas e atitudes com o nosso trabalho.” Já Kelly Sabino, professora do Fundamental I da Escola de Aplicação da USP, ressaltou a importância do prêmio para divulgar a disciplina de Arte dentro da própria instituição. “Muitas vezes não somos vistos pelos outros professores como profissionais da educação, julgam a disciplina como algo menor. Receber esse reconhecimento é uma prova de que nós, professores de Arte, estamos no caminho certo.”

Para Leandro Stefano Masquio, docente do Ensino Médio no Colégio Dom Pedro II, em Realengo (RJ), a arte pode se tornar um referencial para as outras disciplinas. “A escola tradicional não conversa com o aluno. Precisamos mostrar que com um trabalho mais lúdico e criativo é possível transformá-los, até mesmo os que têm estigma de problemáticos. Às vezes, nas reuniões pedagógicas, escuto relatos sobre determinados alunos que não condizem em nada com a avaliação que tenho deles. Parece que estamos falando sobre pessoas diferentes.” 

Joice Idaiane da Silva Rychcik, do Fundamental II da EMEF Profa. Marieta Melita da Silva, em Parobé (RS), compartilhou sua visão sobre a contextualização do ensino. “Eu precisei trazer a realidade dos alunos para dentro da sala de aula para ser escutada, e sem essa interação seria impossível desenvolver o projeto. O bonito é ver o quanto isso amplia o trabalho. No meu caso, os alunos foram muito além ao propor a gravação do barulho da água do arroio no entorno da escola, uma atividade que eu não havia planejado.”

Os professores também relataram as dificuldades de atuar de forma interdisciplinar, com exceções como a Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará, onde leciona a professora de Língua Portuguesa Anne Chagas, parceira de Danilo Baraúna no projeto vencedor na categoria Ensino Médio. “Eu desenvolvi esse projeto de arte junto com o professor Danilo, e no momento estou trabalhando em um projeto com a área de matemática.”

O grupo também refletiu sobre a importância do professor de Arte estar presente nas reuniões de pais para mostrar para a comunidade que a disciplina precisa ser levada a sério como qualquer outra.

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