Boletim Arte na Escola

Rosiane Moro

Quem fez garante que a experiência é única, transformadora e extremamente produtiva. O mestrado profissional em artes, Prof-Artes, é coordenado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e ministrado em 11 universidades espalhadas pelo país. A estrutura do curso é semi-presencial, com duas disciplinas de fundamentação à distância, quatro disciplinas obrigatórias e duas optativas, além da realização de trabalho de conclusão orientado presencialmente.

Desde que surgiu, o mestrado já formou 160 professores e em outubro todas as dissertações apresentadas pelos discentes serão publicadas em uma revista digital, para que outros professores de artes possam conhecer os projetos pesquisados e, quando possível, usá-los como referência em sala de aula. “A experiência foi muito positiva e confirmou para nós a importância da pesquisa feita dentro da sala de aula”, conta André Carreira, coordenador do Prof-Artes.

Segundo o coordenador, o mestrado profissional apresenta inúmeras vantagens ao promover um diálogo com a escola, reciclar a discussão da prática do ensino de artes, capacitar professores que continuarão a trabalhar na rede pública, uma vez que a bolsa oferecida pelo Capes prevê a permanência dos discentes nas escolas por no mínimo cinco anos, e incentivar outros profissionais a repensarem suas carreiras. “Além disso, a experiência prática dos alunos trouxe um novo olhar para os docentes, o que contribui de forma efetiva para a revitalização da educação”, completa Carreira.

O professor de Artes, Rodrigo Neris, da escola EE Profª Heloiza Therezinha Murbach Lacava, em Santa Bárbara D'Oeste/SP, apresentou sua dissertação em meados de agosto, com o tema Descaminhos da Experiência: uma jornada com estudantes de investigação e construção de sentidos na e para a experiência. O trabalho, desenvolvido com alunos do Ensino Médio, retrata o quanto a experiência estética potencializa a construção do conhecimento na sala de aula. “Foi a melhor experiência de formação que tive na vida, porque todas as disciplinas dialogavam com a prática. Comparado ao que aprendi nesses dois anos, posso dizer que a minha graduação representou apenas 1% do meu aprendizado”, defende Neris.

A mudança, garante ele, não é só na área profissional: “Sou outra pessoa. É praticamente um processo de formação humana. Todos a minha volta perceberam, até os alunos, principalmente aqueles que participaram do meu projeto de pesquisa, porque se sentiram responsáveis pela minha transformação. É incrível como o que você aprende nesse mestrado encontra eco na sala de aula e me fez enxergar o que quero ser como professor.” Outro ponto de destaque é que o curso instiga novos aprendizados. “Terminei o mestrado e tenho uma lista gigante de bibliografia para estudar. Fui apresentado a um mundo novo e percebi que tenho uma infinidade de assuntos para pesquisar”, acrescenta.

Neris só lamenta o fato de não ter processo seletivo para novos ingressantes no início de 2017. “O programa não foi cancelado, só estamos aguardando a disponibilização de novas bolsas”, garante o coordenador da UDESC. Já o Capes informou que a próxima parcela do convênio se dará até o final do primeiro trimestre de 2017, ocasião em que a UDESC poderá programar o próximo edital de seleção.

Projeto de mestrado “Aos pés de uma árvore lavei meus olhos para enxergar o mistério: experiência na educação infantil”, do professor Alberto Rodrigues dos Santos

Divisor de águas

Quem também saiu entusiasmado do mestrado profissional foi o professor Alberto Rodrigues dos Santos, da EMEIEF Gilberto Bonafé, de Piraju/SP: “Me inscrevi no curso para entender a minha prática docente e o que encontrei foi um divisor de águas na minha carreira. A faculdade, principalmente a de Artes, tem mania de passar uma receita pronta de como você pode se aproximar das questões artísticas. Já no mestrado, o processo é baseado na experiência e me fez entender a ponte que existe entre o profissional e o pessoal, é um processo de reflexão.”

O diferencial, destaca o professor, está na possibilidade de desenvolver o seu projeto de pesquisa diretamente com seus alunos. “É preciso ajustar os horários e abdicar de algumas atividades, mas fazer o mestrado e trabalhar ao mesmo tempo tem suas vantagens, como a de devolver o seu aprendizado para a sociedade imediatamente. Você consegue modificar o ambiente enquanto estuda”, explica Santos.

O tema escolhido pelo professor para a dissertação foi Aos pés de uma árvore lavei meus olhos para enxergar o mistério: experiência na educação infantil, que aborda a questão da Lei 10.639/03 nas aulas de artes e propõe uma experiência étnico-racial a partir da contação de histórias de mitos africanos aos pés das árvores localizadas no jardim da escola. O próximo passo do professor é ingressar em um programa de doutorado. “Quero estudar mais, descobri que não sei nada”, brinca Santos.

Novas turmas

Apesar de não ter processo seletivo para o primeiro semestre de 2017, os professores interessados em participar do programa podem ir trabalhando na definição dos temas de suas linhas de pesquisa para quando o novo edital for lançado. Além disso, é preciso estar atento para as regras gerais do curso. Os candidatos devem ser docentes da Educação Básica pública, com diploma de curso superior reconhecido pelo MEC, estar lecionando Artes (cênicas, visuais ou música) e manter a atividade profissional durante o curso.

Comentários Deixe o seu comentário

  • Ivalda Aparecida Sampaio Gomes, 20:01 - 11/10/2016
    PARABÉNS PROFESSORES, é assim que conseguiremos mostrar o valor da arte dentro das escolas e politicas educacionais. Espero que seja disponibilizado mais vagas de estudo para interessados e quero conseguir a mesma satisfação no inicio de 2017 pois em 2016 não encontrei nenhuma inscrição para o curso.
  • Maísa Pereira Azevedo, 08:02 - 14/10/2016
    Fico feliz de ver os resultados desse mestrado, espero em 2017 poder participar, para tbm melhorar minha prática pedagógica e pessoal.
  • Ana Paula Boaventura Mota de Lima, 16:10 - 16/10/2016
    Acho injusto que o mestrado profissional seja só para professor de escola pública. Quer dizer que os professores que trabalham na escola particular tem condições de pagar um mestrado! Que os alunos da escola particular não merecem um profissional de arte gabaritado! Temos as mesmas dificuldades que qualquer outro professor de escola pública tem.

Deixe o seu comentário

Os campos assinalados com (*) são de preenchimento obrigatório.




Ainda nesta edição

  • CORPO DE BAILE

    Artista

    Nuances de um Brasil cheio de ritmo, que busca inspiração no passado para coreografar o futuro

  • PINCÉIS E SPRAYS

    Artigo

    Projeto de grafitagem na EEB Industrial de Lages

  • TRILHA CULTURAL

    Oficina

    Um game sobre os patrimônios artístico-culturais do país

  • O MUNDO É A SALA DE AULA

    Vivência

    A experiência pedagógica da
    Escola Comunitária Cirandas

  • FRANZ CIZEK

    Pelo Mundo

    Um notável na história da arte-educação

  • PRÊMIOS NA EDUCAÇÃO

    Políticas Públicas

    O impacto do reconhecimento:
    na atuação dos professores e nos espaços de escuta

  • NOS PALCOS OU NAS QUADRAS?

    Polêmica

    Artes ou Educação Física:
    como encaixar a dança no currículo escolar?

  • EDITORIAL

    Editorial

    Vivemos um momento turbulento em que a Arte está sendo questionada nas reformas propostas pelo MEC...