Boletim Arte na Escola

Aulas de dança sempre oscilaram entre as disciplinas de Arte e de Educação Física, mas os novos passos devem ser ensaiados com a supervisão de um professor especializado

Raquel Alves

Há quem enxergue na dança uma forma de expressão artística e há outros, de olhar mais pragmático, que se atêm à importância do movimento corporal ritmado para a saúde.

O fato é que não há um posicionamento claro da dança dentro do currículo escolar. A polêmica seria resolvida com a convocação de um terceiro professor, formado e especializado em dança, como antecipa a recém-aprovada Lei 13.278/2016.

 

 

Isabel Marques, graduada em pedagogia pela Universidade de São Paulo, mestre em dança e doutora em educação. Coreógrafa e professora é autora dos livros “Dançando na Escola”, “Ensino de Dança Hoje” e “Linguagem da Dança: Arte e Ensino”. É também diretora do Instituto Caleidos e do Caleidos Cia de Dança.

Dança é linguagem artística, portanto, é arte, não se trata de uma modalidade da Educação Física, como o basquete ou o xadrez. Ela é sim uma área do conhecimento como a história e a matemática. Acredito, portanto, que as aulas de dança, como parte da programação curricular das escolas, têm que ser ministradas por professores de dança. Assim como não há um professor generalista de língua estrangeira, que tanto pode ensinar inglês como chinês ou italiano, não há um professor de Arte que domine os conteúdos pedagógicos específicos para teatro, artes visuais ou música, já que não há polivalência em arte. Para além da questão curricular, dança requer formação específica e continuada. É vital que a Lei 13.278 tenha sido aprovada agora, temos um longo caminho pela frente, a começar pelos concursos públicos para professores de dança. Talvez nem meus netos irão ver o lado prático dessa mudança, mas já é um avanço.

 

 

Marcos Garcia Neira, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, pesquisador das práticas pedagógica da Educação Física e coordenador do Grupo de Pesquisas em Educação Física escolar. Autor dos livros “Educação Física cultural”, “Ensino de Educação Física” e “Pedagogia da Cultura Corporal: Crítica e Alternativas”.

Participei da primeira e da segunda versão da Base Nacional Comum Curricular e este tema foi dos mais polêmicos. Entidades que congregam professores de Arte ou, principalmente, de dança, se manifestaram contrários à ideia do professor de Educação Física tematizar a dança, como se se tratasse de uma linguagem específica de Arte. Entendo que os professores de Educação Física são formados para trabalhar com as práticas corporais de um modo geral e a dança está entre elas. No enfoque adotado pela Educação Física, os professores realizam atividades que proporcionam a leitura e a produção das danças, entendidas como textos que veiculam os significados culturais dos vários grupos sociais. Nessa perspectiva, se observam trabalhos com o balé, forró, funk entre outros ritmos. E os professores vêm sendo formados para isso. Não estou falando que temos professores coreógrafos e alunos dançarinos, porque isso já transcende a proposta do currículo, assim como não teremos alunos atletas ou lutadores.

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