Boletim Arte na Escola

 

Quem participou da cerimônia de entrega do XVII Prêmio Arte na Escola Cidadã, fechou a noite com as esperanças na educação renovadas. Foi essa a impressão que muitos dos presentes manifestaram, depois de conhecerem os projetos em artes que os professores vencedores do Prêmio em 2016 desenvolveram nas suas escolas. A cerimônia de premiação aconteceu no dia 09 de novembro, sob os holofotes do Teatro Anchieta, uma sala de indiscutível tradição na cidade de São Paulo.

O Prêmio Arte na Escola Cidadã já tem muita história. Ele é realizado pelo Instituto Arte na Escola desde 2000 e é o maior prêmio brasileiro para professores de Artes. Para que ele aconteça, o Prêmio conta com o patrocínio da Fundação Iochpe, do Bradesco e com a cooperação da UNESCO Brasil e do SESC.

Todos os anos, o Instituto Arte na Escola entra em contato com centenas de projetos de arte desenvolvidos em escolas pelo Brasil. Em 2016, foram 807 inscritos e uma longa trajetória foi percorrida até se chegar aos cinco projetos que receberiam os louros pela sua excelência. Primeiro, os trabalhos são avaliados por professores universitários de artes, em 37 cidades. Depois, o grupo de professores avalia os projetos na etapa regional, em 4 regiões do país – onde os melhores projetos convergem. Dessas classificatórias, saíram 25 finalistas. Em 2016, quem fez a seleção final foi uma comissão nacional formada por especialistas em Artes Visuais, Música, Dança, Teatro e Cidadania.

A cerimônia de premiação é, então, a apoteose de um processo que busca e reconhece os professores de artes que estão fazendo trabalhos exemplares em suas salas de aula. É o momento de celebrar esses educadores notáveis e de lembrar ao público que projetos em artes podem fazer toda a diferença na educação e no currículo escolar. Eles têm o potencial de sensibilizar o olhar e formar cidadãos que re-inventam o mundo.

 

Na XVII edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã, os projetos vencedores têm um grande ponto em comum: é marcante a forma como os cinco professores acreditam nos seus alunos. A vencedora na categoria Educação Infantil foi a professora Janeide de Sousa Silva, com o projeto Diversidade Étnica: brincadeiras, jogos, danças e histórias. Nas categorias Ensino Fundamental 1 e 2, os vencedores foram Tatiana Yukie – por seu projeto Em busca da felicidade – e Emanuel Guedes Soares da Costa com o trabalho Cerâmica: arte elementar. O professor Leandro Aparecido de Jesus foi o vencedor na categoria Ensino Médio, com o projeto Cidade Subjetiva, e Leno Ricardo Vidal levou o prêmio na categoria EJA – Educação de Jovens e Adultos, pelo trabalho Eu venho do mundo: a reafirmação das raízes Pankararu no contexto escolar.

Quem conduziu a cerimônia de premiação foi Adriana Couto, jornalista e apresentadora do programa Metrópolis, da TV Cultura. É a segunda vez consecutiva que Adriana é a mestre de cerimônias no Prêmio Arte na Escola Cidadã e seu envolvimento com a causa do Prêmio ficou visível na forma emocionada como ela falou sobre cada um dos projetos. Em 2016, o Prêmio Arte na Escola Cidadã reconheceu também cinco professores como menções honrosas, que foram recebidos no palco pela representante da UNDIME SP - União dos Dirigentes Municipais de Educação do Estado de São Paulo, Marcia Aparecida Bernardes.

 

O fio condutor da noite de homenagens foi a exibição dos documentários realizados sobre cada um dos projetos vencedores. Os vídeos trazem depoimentos dos professores, alunos e especialistas em arte-educação, e revelaram para o público de forma tocante como os projetos foram desenvolvidos. Ao fim de cada documentário, a sala se enchia de palmas e emoção.

Além do Prêmio recebido, os professores participaram de uma série de vivências culturais e educativas em São Paulo nos dias que seguiram a cerimônia, para trocarem experiências entre si. As escolas onde aconteceram os projetos também foram premiadas. Mas o verdadeiro prêmio que esses professores recebem é intangível. A ideia é que eles criem uma rede entre si, seus projetos se desdobrem em outras ideias e contagiem outros professores. Aos poucos, esses projetos vão ganhando mais espaço, mais voz.

Em sua fala na cerimônia, a presidente do Instituto Arte na Escola, Evelyn Berg Ioschpe, contou sobre sua inspiração para realizar o Prêmio - uma professora memorável que teve no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “A aula de artes era a única em que não havia certo ou errado, em que experimentar não era só possível, mas era necessário, o que nos abria vias de acesso para o desconhecido e o desejo de explorá-las.” Evelyn ressaltou a importância do Prêmio como uma oportunidade para que o professor reflita sobre a sua prática, pare e pense sobre suas escolhas, analise os caminhos a serem seguidos.

“É uma atividade silenciosa, que só transborda quando o professor decide refletir sobre a sua prática e redigir seu projeto. É para estes professores que me dirijo. Os que foram e os que não foram selecionados para o Prêmio.”

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