Boletim Arte na Escola

Sob o efeito de uma lona colorida, o Circo Escola Diadema promove uma espetacular melhora nos índices de aprendizado. A arte circense, oferecida no contraturno do ensino regular, surge como importante disparador de processos criativos.

Fotógrafo: Thiago Benedetti

Quase 1.100 alunos, de 11 escolas municipais de Diadema, participam semanalmente de um programa que enche os olhos da garotada: as aulas de circo. “Eles podem faltar em qualquer dia da semana, mas no dia da aula de circo os alunos querem ir para a escola de qualquer jeito, até mesmo quando estão doentes”, anima-se a diretora do Departamento de Formação da Secretaria da Educação, Ana Paula Guedes. Dirigido aos alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental, o circo é uma das atividades complementares propostas pelo Programa Cidade na Escola, implantado pela Secretaria Municipal de Educação de Diadema, envolvendo os principais equipamentos de cultura e esportes da cidade.

O Circo Escola Diadema foi inaugurado em 2008, em parceria com a Associação Tápias Voadores. As formações vão desde o circo tradicional até circo-teatro, circo-música e circo-dança. O projeto tem título de utilidade pública municipal desde 2010 e é também um Ponto de Cultura. As instalações do Circo Escola se espalham sob uma lona de 1.200 metros quadrados com capacidade para até 3 mil espectadores. O uso não é exclusivo da Secretaria de Educação - a estrutura está a serviço também da comunidade, para políticas públicas culturais e programas de formação de profissionais circenses. Artistas formados ali estão hoje em grandes circos do Brasil e também do exterior. Até mesmo o renomado Cirque du Soleil recebeu dois ex-alunos do Circo Escola Diadema.

O trabalho com as escolas tem objetivos mais lúdicos, sendo que até bebês do maternal são contemplados pelas atividades circenses. Os alunos passam duas horas semanais nesse ambiente repleto de cor e estímulos sensoriais, aprendendo os segredos dos malabares e das acrobacias. Penduram-se em liras, voam em trapézios, saltam sobre camas elásticas, fazem palhaçada e participam de oficinas de criatividade. E, como num passe de mágica, exercitam o convívio social, apuram o senso estético, desenvolvem a coordenação motora e ainda dão uma lustrada na autoestima, pois no final do ano se apresentam como verdadeiros circenses e recebem aplausos do respeitável público. Todos os anos, entre os meses de novembro e dezembro, 25 espetáculos produzidos e protagonizados pelos alunos das escolas municipais são apresentados à comunidade escolar de Diadema.

Fotógrafo: Thiago Benedetti

Foco no picadeiro

A rotina funciona assim: quando termina a aula na escola formal, as crianças recebem um lanche reforçado, pegam a sapatilha, que em geral é confeccionada por pais de alunos que se voluntariam em oficinas coordenadas pelo próprio circo, e embarcam em um ônibus que carrega a logomarca do projeto. Alunos de escolas vizinhas chegam à lona a pé e têm uma capa do projeto para se protegerem nos dias de chuva. Chegam ansiosos, afoitos, barulhentos, mas logo se concentram, com a atenção que os treinos circenses exigem.

Para dar conta de tanta curiosidade e energia criativa, 22 profissionais circenses estão treinados para receber e orientar os alunos em atividades cheias de encanto, mas que também exigem foco, disciplina e perseverança. Entre os educadores, pelo menos 10 foram formados no próprio Circo Escola Diadema, outros passaram pela Escola Nacional de Circo (ENC) no Rio de Janeiro, mantida pelo Ministério da Cultura, e outros ainda vêm de faculdades de Educação Física da região.

O planejamento das atividades educativas que acontecem ao longo do ano é discutido em reuniões periódicas entre a coordenação do Programa Cidade Escola e a direção do Circo Escola Diadema. No geral, existe a preocupação em se estender para a lona as temáticas e conteúdos trabalhados em sala de aula. Em 2014, por exemplo, quando as escolas municipais trabalharam um projeto especial sobre literatura de cordel, o Circo promoveu oficinas de xilogravura e colocou os trabalhos em exposição no espetáculo de final de ano. No ano passado, o tema Olimpíadas foi o centro das atividades, tanto nas escolas formais quanto nas aulas circenses.

À frente do picadeiro e de todas as atividades de cunho educativo, está a artista circense e pedagoga Viviane Tápia, descendente de uma família tradicional de circo que veio do Chile há décadas e por aqui fincou seu mastro. O pai, a mãe e o marido de Viviane também são atuantes no Circo Escola Diadema. “O circo tem uma coisa do encantamento artístico. Trabalhamos o lúdico, as cores, a musicalização. E para além da arte, é possível alcançar outros conteúdos. O raciocínio lógico entra em ação automaticamente”, comenta Tápia.

Os professores da escola formal percebem a diferença na sala de aula. Alunos mais desenvoltos e criativos estão elevando os indicadores da cidade no que diz respeito à educação. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que era de 5,9 em 2013 – ano em que o Circo Escola entrou no currículo da rede municipal - passou para 6,3 em 2015, superando a meta inicial de 5,1 e alcançando dois anos antes o que estava projetado para 2017. Além do IDEB, Diadema conquistou nota 5,1 no Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (IOEB), nota A em Educação pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

O Circo Escola também mereceu distinções importantes: recebeu três vezes o Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo. “O circo ajuda em vários aspectos da vida escolar, principalmente os alunos que têm dificuldade de aprendizagem”, reforça a Secretária de Educação do município, Tatiane Ramos.

Fotógrafo: Thiago Benedetti

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