Boletim Arte na Escola

Estamos chegando ao #83 do Boletim Arte na Escola, que alcança hoje 51.475 pessoas através do meio eletrônico. Já é um “milestone” a comemorar, sobretudo considerando que são quatro edições por ano e, portanto, estamos chegando ao nosso vigésimo primeiro outono. Buscamos cobrir as polêmicas da arte-educação, dar voz a articulistas que discorrem sobre temas de interesse da área, cobrimos experiências exitosas e buscamos ser um farol do que de melhor acontece no ensino das artes, no Brasil e no mundo. Neste outono, nosso pano de fundo é o Teatro, linguagem artística que tem recebido menos atenção do que devia, considerando a importância que tem no desenvolvimento de competências, individuais e coletivas, em nossas crianças e jovens.

Gostaria de chamar atenção para a seção Polêmica no que diz respeito às questões da formação acadêmica oferecida em nossas universidades, que não prepara para o exercício do professor na sala de aula. Esta é a questão mais grave, hoje, da arte-educação: além do número insuficiente de formados em cada uma das linguagens da arte, ainda os professores que logram se formar se dizem despreparados para o trabalho que os aguarda. Esta é uma constatação da maior gravidade, pois informa que nossas universidades, tanto públicas como privadas, estão desconectadas do processo educacional para o qual teoricamente foram desenhadas. O professor tem que aprender a ensinar, ensinando. Com sorte, ele vai ter acesso a processos de Educação Continuada, como os que oferecemos nos Polos Arte na Escola, e então poderá ajustar toda a carga de teoria acadêmica recebida com as necessidades reais da sala de aula.

Quem pode modificar este cenário dramático? Só os próprios professores, quando retornam para lecionar na Universidade. Ao invés de repetir a fórmula que não vem dando certo, caberia a eles inovar não só no conteúdo de sua aula, mas sobretudo na estrutura do currículo dos cursos de licenciatura. Se os professores não lançarem mão de seu espírito crítico para construir o Brasil que interessa, teremos eternizada esta Educação onde o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende, perpetuando o círculo vicioso da ignorância.

Evelyn Berg Ioschpe

Diretora Presidente do Instituto Arte na Escola

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