Boletim Arte na Escola

A Base Nacional Comum Curricular é o documento que determina os conhecimentos essenciais que deverão nortear os currículos da Educação Básica, nas redes públicas e particulares do país. Recentemente, foi apresentada a terceira e última versão da BNCC, para Educação Infantil e Ensino Fundamental, que seguirá para um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), para, então, ser homologada.

São grandes as expectativas e dúvidas em torno deste documento, que deve se transformar em referência para a educação no Brasil. Perguntamos para duas especialistas em formação de professores de Artes:

A nova versão da BNCC, da forma como está estruturada, fortalece as práticas educativas em Artes na Educação Básica?

Profª Mª Suzana Rigo

Professora e coordenadora na área de Artes, Suzana esteve na equipe da CENP – Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, ligada à Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Trabalhou também como formadora de professores de Arte em Diretorias de Ensino do Estado de São Paulo.

Para que a nova versão da Base Nacional Comum Curricular enriquecesse, de fato, as abordagens educativas na área de Artes, acredito que os conteúdos teriam que ser apresentados com mais profundidade.

Trata-se, a meu ver, de um documento que poderá embasar excelentes currículos e propostas pedagógicas; contanto que já exista uma prática consistente em andamento.

Mas pelo caráter genérico da BNCC, e também pela ausência de uma proposta de progressão de aprendizagens, o documento não explicita os desafios a serem superados pelos sistemas e redes de ensino que necessitam de um direcionamento efetivo.

Profª Drª Maria Irene P. O. Souza

Docente do Departamento de Artes Visuais da Universidade Estadual de Londrina – UEL, Maria Irene é Coordenadora Geral do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica - PARFOR/UEL. Ela também coordena o Polo Arte na Escola na UEL, atuando na formação de professores de Artes.

Observando a segunda e a terceira versão da BNCC, fica claro um retrocesso no que diz respeito à essência básica do documento, pois enquanto na segunda versão fala-se em objetivos da aprendizagem em arte nos anos iniciais do ensino fundamental, na terceira versão apontam-se competências específicas de arte.

A grande questão é que essas competências bebem na fonte dos PCNs, o que significa um retrocesso, neste momento, para o ensino de arte. Vale esclarecer que esse retrocesso se refere ao fato de que os PCNs remontam à década de 90, ou seja, vinte anos atrás. Será que nada mudou?

As competências confundem-se com objetivos, em especial, no item em que a competência aponta para “Pesquisar e conhecer distintas matrizes estéticas e culturais – especialmente aquelas manifestas na arte e na cultura brasileiras –, sua tradição e manifestações contemporâneas, (...) reelaborando-as nas criações em Arte”.

Essa reelaboração é um problema, pois induz à nefasta questão da “releitura”. De um modo geral, as Competências propostas são mais fechadas do que os Objetivos da segunda versão, pois na medida em que se descreve demais uma competência, estabelece-se maior limitação.

Assim, adotar competências e habilidades é desconsiderar toda a participação das Universidades, da Educação Básica e de todos que contribuíram com as discussões relatadas na segunda versão da BNCC. O ensino de Arte certamente perderá com isso.

Comentários Deixe o seu comentário

  • Salete cipriano, 21:06 - 21/08/2017
    Agradeço o comentário das professoras, acrescento que nos profissionais da Arte Educação sempre somos levados a um descaso, pois não somos consultados de nada, exemplo, nesses últimos 20 anos o que valeu a pena, o que deveríamos realmente avaliar, não entendo como tecnocratas podem mudar situações , metodologia, objetivos e avaliações sem nunca terem entrado em uma sala de aula.
  • André Luiz Barbosa Calvo, 21:37 - 24/08/2017
    Quanto a implantação da Base Nacional Curricular Percebo a tentativa de manter o ideal de um professor de Arte que seja polivalente nas quatro linguagens artísticas, é um grande erro, pois se o professor não é preparado para lecionar tais conhecimentos, logicamente é um faz de conta, não se faz isso com arte, qualquer outra disciplina pode se fazer de conta, no ensino de arte não é possível, pois lidamos com produção e fruição para desenvolver habilidades e competências.

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