Boletim Arte na Escola

Shams Generation: arte com energia solar

Não há dúvidas de que conhecer e interagir com a tecnologia é uma habilidade que se espera das novas gerações. No Qatar, o projeto Shams Generation parte desse pressuposto e vai além: discute a sustentabilidade, outro tema urgente que demanda atenção das gerações mais jovens.

As crianças e adolescentes que participam do projeto Shams Generation têm a oportunidade de aliar o aprendizado sobre energia solar e reaproveitamento de materiais, com arte e ciência. A iniciativa é da empresa Qatar Solar Technologies, em parceria com a Qatar Museums, e ganhou o prêmio Qatar Sustainability em 2016.

“Nós queríamos conscientizar os estudantes, as escolas e as famílias sobre a importância da energia solar para um mundo mais sustentável. A forma que encontramos para isso foi propor aos alunos que desenvolvessem projetos criativos”, conta Ignacio Zamora, um dos responsáveis pela iniciativa. Criado em 2014, o Shams Generation está em sua quarta edição e contemplou, até agora, 25 escolas, 2 universidades e 7 mil estudantes, a maioria do Ensino Fundamental.

O engajamento das escolas é fundamental no processo. Ao participarem do projeto, os professores passam por um treinamento para conhecerem mais sobre energia solar, reutilização de materiais e Artes. Os professores também são orientados sobre como utilizar os kits educativos fornecidos pelo Shams Generation. No kit #1, voltado para estudantes do Ensino Fundamental, por exemplo, há uma unidade de LED fotovoltaico solar. A partir dessa tecnologia, os estudantes são convidados a construir uma luminária.

“Durante o processo, eles aprendem na prática como a energia solar funciona, entendem o conceito de bateria recarregável e o funcionamento da unidade de LED. A partir destes novos conhecimentos, os alunos projetam o design da luminária e a constroem utilizando materiais reaproveitados. Dessa forma, os alunos entrelaçam o aprendizado tecnológico com o senso artístico. O resultado são peças muito criativas ”, conta Zamora.

Um bom exemplo das esculturas luminosas inventadas pelos alunos é um dos trabalhos desenvolvidos na terceira edição do projeto. Produzida por um grupo de cinco estudantes do Ensino Fundamental, a luminária teve como inspiração um edifício emblemático de Doha, capital do Qatar. “É uma peça muito simples, feita apenas com papelão e garrafa de plástico na estrutura interna. Com poucos materiais, os alunos foram capazes de aplicar os mecanismos técnicos e desenvolver uma luminária criativa e impactante. Fica muito bonita quando acesa”, relata Zamora.

Além dos conteúdos de ciência e tecnologia, presentes no currículo escolar do Qatar, as crianças e adolescentes participantes do projeto desenvolvem outras habilidades, como a de trabalhar em grupo. “Isso também é levado em consideração pelos professores na hora de avaliar o desenvolvimento dos estudantes. No final do projeto, os trabalhos são exibidos em uma mostra dentro da escola e a comunidade se reúne para prestigiá-los. ”

Zamora ainda ressalta que projetos sobre o uso de energia alternativa, que consigam balancear imaginação e método, são essenciais no Qatar, já que o país tem o gás como principal fonte: “O gás não é uma fonte de energia renovável, inclusive o país está investindo em fontes alternativas para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Nesse sentido, educar as novas gerações é uma forma de comprometê-las com o desenvolvimento do Qatar e também plantar a semente da sustentabilidade. ”

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