Boletim Arte na Escola

O celular nas aulas de Artes: mais uma possibilidade

Professora Tatiana Fecchio

O uso das tecnologias digitais na sala de aula é hoje uma realidade. A singularidade de algumas de suas características passou a ser incorporada como possibilidade diferencial dentre os recursos possíveis junto à formação. No campo da Arte erudita, as referências ao uso de tecnologias digitais são vastas em estéticas que carregam especificidades, com suas potências e limitações.

Assim, quando se pensa no uso das tecnologias digitais nos contextos educativos de Arte, é necessário lembrar, dentre todos os recursos possíveis que esta nova mídia oferece, que é seu uso criativo e disrruptivo no campo da linguagem que confere ao aluno a liberdade de criação e manipulação da ferramenta. Essa liberdade é necessária para a efetiva apropriação da tecnologia em prol da máxima “forma é conteúdo”.

Dentre os aparatos que permitem o acesso a este campo, vemos despontar o uso do celular na escola. Por ser um objeto multifuncional, pequeno, leve, conectável à rede e que a cada dia se torna mais presente na vida cotidiana dos alunos, há de se assumir o caráter formativo no seu uso, a fim de trazer ao contexto escolar maior agilidade e flexibilização de recursos em situações de contato, pesquisa, pós edição, postagem e compartilhamento em diversas plataformas, uso de aplicativos diversos, registro de imagem, áudio e vídeo.

Pois é neste campo aberto que se encontra o uso possível do celular em sala de aula: captura de imagens e edição de stopmotions, elaboração de narrativas em áudio (audionarrativas), fotografia, desenho, tratamento de imagem, fotonarrativas, elaboração de vídeos, compartilhamento de informações em sites/blogs, feedbacks à produção de colegas nestes mesmos sites/blogs, criação de Facebook “secreto” para discussão e documentação de determinada investigação (com a possibilidade de compartilhar neste espaço textos, vídeos e comentários), criações coletivas em documentos compartilhados na rede, leitura de QRcodes em visitas a Museus, criação de sites para publicação de pesquisas ou portfólios e todas as possibilidades de aplicativos específicos. O celular pode também ser incorporado a instalações, servindo como aparato ou interface.

Sem dúvida, há de se considerar a questão da adequação à idade e a restrição que esta ferramenta impõe no contato com diferentes materialidades e gestualidades, mas se for compreendida como mais uma possibilidade, transpondo a ela todas as lógicas de contextualização crítica no sentido da expressão, seguramente o celular pode ajudar a criar indivíduos mais capazes de olhar os recursos que circulam na contemporaneidade, e do qual se utilizam, com distanciamento crítico e criatividade.

As novas tecnologias em sala de aula são uma possibilidade potente de tornar mais criativo e consciente o uso dos recursos digitais da vida contemporânea, retirando o aluno do lugar de um usuário passivo para um uso crítico e consciente destes recursos como ferramenta expressiva.

*Tatiana Fecchio é bacharel e licenciada em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, mestre e doutora em Artes também pela UNICAMP, especialista em Artes e Novas Tecnologias pela Universidade de Brasília (Unb). Co-Organizadora do livro “Entre Linhas Formas e Cores: Arte na Escola” (Editora Papirus, 2010) e organizadora do livro “Eu Retrato Tu retratas: Conjugações entre Educação, Fotografia e Arte” (Editora Wak, 2013). Membro Anpap e parecerista de revistas especializadas na área de educação. Participou da elaboração de material didático/curricular na área de Artes para escolas e instituições educativas.

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