Boletim Arte na Escola

Com arte no currículo, os alunos aprendem mais e melhor

Pesquisas pelo mundo veem a arte como área de conhecimento essencial na formação dos jovens.

No último Fórum Econômico Mundial, a criatividade foi apontada como a terceira habilidade mais importante no trabalho, subindo sete posições desde 2015. O mundo, cada vez mais impactado por inovações tecnológicas – em robótica, inteligência artificial, biotecnologia, entre outras – entra na Quarta Revolução Industrial. Nesse cenário, muitos empregos que existem hoje não existirão nos próximos anos e novas profissões serão criadas. Para preparar os alunos para esse novo contexto, nações desenvolvidas têm investido no ensino de Arte nas escolas.

É o caso de Cingapura, primeiro lugar no PISA, que em 2013 testou a ampliação do currículo de Arte em uma escola e, como colheu excelentes resultados, vem transformando a experiência em política pública. Ao colocar dez horas semanais de ensino de Arte para os alunos do Ensino Médio, houve melhora nas notas das outras disciplinas do currículo. Além disso, os alunos participantes ficaram entre os 5% melhores do país no teste International Baccalaureate (IB), qualificação reconhecida internacionalmente e que simplifica a transição para o ensino superior em universidades internacionais.

De acordo com relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicado em 2013 – e que cita o caso de Cingapura –, para ascender econômica e socialmente, os países devem desenvolver currículos educacionais que fomentem valores e habilidades como criatividade, inovação, comunicação, tolerância, alteridade e trabalho em equipe. “Para isso, um processo pedagógico obrigatório em Artes, conduzido por professores especialistas formados em suas áreas específicas - música, teatro, dança, artes visuais - é fundamental”, afirma Cláudio Anjos, diretor-executivo da Fundação Iochpe.

Uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos pela Champions of Change, em 1999, com 25 mil estudantes, demonstrou que o ensino de música e teatro, por exemplo, aumenta o desempenho dos estudantes em matemática e leitura. Segundo o documento, a melhora no desempenho escolar é ainda maior no caso dos estudantes de baixa renda. Outra conclusão é de que, enquanto o aprendizado em outras disciplinas frequentemente enfoca o desenvolvimento de uma habilidade específica, com as Artes adquire-se, além do conteúdo, múltiplas competências.

De olho nas pesquisas, os Estados Unidos instituíram, em 2012, o Turnaround Arts, um programa de ensino de Arte em escolas públicas com baixa performance, liderado por Michelle Obama. O programa-piloto foi lançado em oito escolas e hoje contempla 49, atingindo 27 mil estudantes. Nas escolas que participaram por três anos, houve melhora de 23% na aprendizagem de matemática, 13% em leitura, redução de 86% em problemas comportamentais e aumento da frequência dos alunos.

Em 2016, a primeira-dama americana Michelle Obama reforçou que “a arte-educação não é algo a se acrescentar, depois que outras prioridades foram conquistadas, como melhorar as notas dos alunos ou fazê-los entrar na faculdade. Pelo contrário, ela é uma aliada para conquistar estas prioridades”. No ano passado, inclusive, a Academia norte-americana de Ciências, Engenharia e Medicina divulgou um relatório cujo resultado apontou que incorporar o ensino de Arte e humanidades no currículo forma melhores cientistas. Segundo a entidade, isso acontece porque excelentes cientistas precisam dominar habilidades aprendidas no ensino das Artes como pensamento crítico, comunicação e trabalho em equipe.

O Relatório da OCDE vai além nesse sentido: de acordo com o documento, apesar de ser importante o fato de que o ensino de Arte melhora o desempenho em outras disciplinas, ele se justifica por si: A Arte faz parte da história da humanidade, das culturas e tem amplo domínio sobre a experiência humana na mesma medida em que a ciência, a tecnologia, a matemática e as humanidades. Seu ensino se justifica por si. Como não é uma área com respostas absolutamente certas ou erradas, faz com que os estudantes aprendam a se arriscar, a explorar, a experimentar e a desenvolver também senso de propósito em relação ao mundo.

Em 2018, o prêmio Global Teacher Prize, considerado um “Nobel da educação”, foi concedido para uma professora de Arte. A britânica Andria Zafirakou concorreu com professores de várias disciplinas e só confirmou a atenção que o ensino de Arte vem recebendo no mundo: “As Artes têm o poder de quebrar barreiras e rótulos. Para os meus estudantes, são um lugar sagrado em que eles podem se expressar com confiança e se conectar com suas identidades”. Mas Andria lembrou também que, na realidade das escolas, a área ainda é frequentemente negligenciada, apesar de conseguir transformar vidas, especialmente entre os mais pobres. “As Artes precisam disputar espaço nos currículos, no entanto são a primeira coisa a ser cortada”.

Professora Andria Zafikarou, vencedora do Global Teacher Prize 2018

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