Beatriz Milhazes

Você me olha por quê? Por que você está me olhando?, 1992, serigrafia

Professor, antes de dar início às proposições que se seguem, mostre a obra Você me olha por quê? Por que você está me olhando? da artista Beatriz Milhazes, instigando seus alunos a observarem atentamente a imagem de modo a percebê-la em seus mínimos detalhes. Em um primeiro momento não mencione o título da obra para que se sintam livres para observá-la.

É primordial que antes de qualquer proposição eles se familiarizem com a imagem, assim o trabalho de leitura pode ser mais eficiente e mais produtivo.

Acompanhe abaixo os passos metodológicos para a exploração visual da obra.


O seu olho, o que vê?

Mostre aos alunos a imagem, permitindo que a observem por um longo tempo. Estimule-os a falarem livremente sobre ela.

  • Flores em tons de amarelo e branco formam um colar no centro da imagem.
  • Ramos de plantas verdes e roxas se espalham pelo quadro. Serão trepadeiras?
  • Suas cores têm manchas.
  • Há plantas que estão na frente e outras que estão atrás.
  • As plantas parecem desejar esconder o fundo colorido.
  • O colar amarelo ocupa o centro de nosso olhar.

O seu olho, o que percebe?

Cores vibrantes e formas da natureza dominam a imagem.

Uma espécie de colar de flores em tons de amarelo e branco ganha destaque no centro do quadro. Essas flores estão em primeiro plano, seguidas por formas ornamentais, que lembram ramos ou arbustos em tons de roxo.

Foto 01

Os ramos roxos se sobrepõem a outros ramos verdes, que se sobrepõem ao fundo colorido.

O fundo da imagem é dividido em três partes. Ao centro, ocupando quase toda a imagem em formato semicircular, percebemos uma área dominada pelo rosa-claro, acrescida de suaves flores azuladas e pequenas manchas em tons de laranja e vermelho.

Na outra parte, que ocupa a área superior da imagem e as laterais, predominam, intercaladas, as cores vibrantes: vermelho e magenta (rosa vivo).

Na área interna do “colar” de flores amarelas e brancas, flores manchadas em tons vivos de laranja, amarelo e magenta ocupam todo o espaço.

De olho no artista, no Brasil e no mundo

Produzida em 1992, essa serigrafia compõe um conjunto de obras da artista que demonstra sua preocupação com a beleza do ornamento, a distribuição da cor e a manipulação de jogos espaciais.

Em uma considerável parte de sua obra, Beatriz Milhazes faz uso de ornamentos e elementos florais. Observe outras obras da artista.

Na obra Você me olha por quê? Por que você está me olhando?, assim como em diversas outras, a artista se apropria de elementos da natureza. Porém a natureza é transformada em componente visual para a obra. Um procedimento comum em suas obras é a apropriação de imagens já manipuladas e produzidas histórica e socialmente. Entretanto, ao partir de referenciais do mundo real e apropriar-se das imagens pre-existentes, a artista as transforma, dando a elas uma nova visualidade.

Imagem da obra

Isso se torna ainda mais acentuado pelo uso que faz da cor. Podemos dizer que a cor, para a artista, funciona como objeto, dimensionando ainda mais seu trabalho para o universo da composição. Com a cor, figura e fundo se mesclam, criando a nosso olhar verdadeiros entraves visuais. As trepadeiras, ramos, folhagens e flores funcionam como estampas e padrões visuais para ocupar e configurar os espaços representados. Nesse sentido, o modo como organiza as coisas no espaço torna-se um fator fundamental para a construção do discurso da obra. Observe novamente a imagem e perceba como a artista distribui os elementos no quadro.

Podemos afirmar que, para Beatriz Milhazes, o trabalho de composição é elemento fundamental na construção do texto visual, explorando de forma exaustiva todas as suas possibilidades. Clique no link a seguir e conheça alguns conceitos compositivos muito explorados pela artista.

Composição Visual Ver conteúdo

Composição é organizar com sentido de unidade e ordem os diferentes fatores de um conjunto para obter maior efeito de atração, beleza e harmonia. Ao representarmos formas figurativas ou abstratas, organizadas no plano bidimensional, estamos criando uma composição visual. O trabalho de composição é, então, formado pela manipulação dos elementos visuais que se encontram em um espaço determinado. Isso inclui a distribuição das formas e das cores em diferentes dimensões. O modo como as formas e as cores são organizadas no espaço faz com que tenhamos a ilusão de estarem mais perto ou mais longe, em cima ou embaixo, além de propor diferentes direções visuais.

Na obra Você me olha por quê? Por que você está me olhando? a artista explora diferentes efeitos de composição, entre eles: justaposição e sobreposição.

Observe as imagens e identifique cada um deles.

Justaposição – ato de justapor, ou seja, colocar junto, unir. Percebemos a justaposição em quase toda a imagem. Veja no detalhe da imagem como as flores encontram-se justapostas.

Sobreposição - ato de sobrepor as linhas, as cores, os tons, que passam uns sobre os outros, tanto na percepção da estrutura “desenhada” como na percepção visual. Em virtude da sobreposição podemos perceber diversos planos sobrepostos. Em primeiro plano vemos a coroa de flores, em segundo plano, os ramos roxos, em terceiro plano, os ramos verdes e, por último, o fundo em tons de rosa e vermelho.

Texto crítico de Paulo Herkenhoff Ver conteúdo

Beatriz Milhazes. Você me olha por quê? Por que você está me olhando?

Beatriz Milhazes é uma das artistas brasileiras de maior prestígio internacional. Ela nasceu no Rio de Janeiro em 1960 e estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com Charles Watson. Em 1984 participou da mostra Como vai você, Geração 80? que consagrou uma vigorosa renovação da pintura, meio técnico que tinha sofrido certo desgaste. Sua obra é parte do acervo de importantes museus do mundo como o MoMA e o Guggenheim, em Nova York e a Tate Gallery, em Londres.

Beatriz Milhazes põe seus títulos arbitrariamente – eles nada descrevem da imagem. Portanto, não há relação direta entre o título e a pintura. No entanto, o título da pintura Você me olha por quê? Por que você está me olhando? pode propor, ele próprio, uma questão sobre nossa relação com as artes visuais. Existe algo que parece nos olhar em uma obra de arte? Seria isso uma metáfora de nosso próprio olhar sobre a imagem? A leitura de uma obra de arte passa por várias instâncias de nosso aparato intelectual, inclusive a percepção pelos cinco sentidos. Como se colocar à disposição para fruir e analisar uma obra? Antes de tudo deveríamos estar abertos para ela?

Uma pintura de Beatriz Milhazes é uma intrincada relação de cores. Ela observa tanto o sistema cromático de Henri Matisse como a geometria de Piet Mondrian. Beatriz raramente usa preto porque o conjunto perde a profundidade. Na relação entre as cores, o roxo escuro – cor da berinjela – substitui o preto. Pode-se indagar como seria se em lugar do roxo tivesse usado o preto na tela Você me olha por quê? Por que você está me olhando?. A pintura de Beatriz Milhazes faz referência à cantora Carmen Miranda e ao carnaval do Rio de Janeiro. Refere-se também ao crochê, a determinados colares, à moda do estilista Emilio Pucci, aos pratos de doce, aos babados nas roupas, à op art de Bridget Riley ou às embalagens de bombom e de chocolate, entre muitas outras. Beatriz Milhazes foi professora de matemática – o que indica uma vontade de ordem em sua obra, embora apresente muitos elementos acumulados. Que outras referências podem ser imaginadas em cada obra? Tudo surge como um baú de surpresas, mas a principal questão ao elaborar sua pintura é como articular todas as referências, harmonizar formas e cores e construir uma totalidade integrada e vibrante. Por essas referências, a obra de Beatriz Milhazes é vista por alguns como representação do feminino.

A beleza de seus quadros tem sua chave na harmonia das cores, apesar do movimento da formas. A paleta de Beatriz Milhazes pertence a uma tradição que alinha a pintura à modernidade de Eliseu Visconti, Tarsila do Amaral, Alberto da Veiga Guignard e Alfredo Volpi, além das instalações e objetos de Hélio Oiticica e de Cildo Meireles na história da arte brasileira. Na estruturação da cor e de seus motivos, a artista trabalha com a noção de cultura do ornamento (e não de decoração) a partir de uma tradição de busca de uma cor brasileira em relação ao gosto cromático no mundo contemporâneo, tais como os tons ácidos.

O atelier de Beatriz Milhazes oferece uma bela vista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Para a artista, os elementos da natureza como montanhas, florestas e praias transformam sua cidade natal em lugar ideal para fazer seu trabalho. Os jardins botânicos organizam-se, em geral, como coleções de plantas e atuam como instituições científicas. Em nossa sociedade é necessário o rigoroso conhecimento da natureza para a produção de alimentos e de remédios, entre outros diversos fins.

O olho que conta histórias

Durante os processos criativos da arte contemporânea é comum os artistas se apropriarem de elementos da natureza, do cotidiano e da história da arte, que, ao serem deslocados para o universo artístico, ganham novas formas, significados e interpretações.

A flor, elemento natural, histórico e simbólico, é utilizada pela artista como forma e conteúdo. Ao mesmo tempo que preenche o espaço central do quadro como um padrão formal, a flor desperta uma gama de significados intrínsecos a sua utilização na história da humanidade. No caso da obra Você me olha por quê? Por que você está me olhando?, as flores, aí presentes, montam uma espécie de colar ou coroa, símbolos sagrados do cristianismo, que podem representar tanto a pureza e ascensão espiritual como a vitória da vida sobre a morte.

Dessa perspectiva e levando-se em conta que foi produzida para compor a mostra Eco Art de 1992, a obra Você me olha por quê? Por que você está me olhando? pode se abrir para diversos diálogos com o tema Meio Ambiente não apenas pela apropriação que faz de elementos da natureza. Considerando o intenso valor dado pela artista ao caráter organizacional do texto visual obtido por meio da composição, a obra possibilita que lancemos nosso olhar sobre a própria organização e presença da natureza nos espaços físicos habitados pelo homem.

Do ponto de vista da organização dos espaços físicos das cidades, percebemos que estas crescem desordenadamente encurralando áreas verdes que se tornam cada vez mais raras e escassas. Para amenizar essa situação, de modo a preservar os espaços naturais presentes nas grandes cidades e centros urbanos, há projetos muito eficientes que envolvem a preservação do meio ambiente em consonância com a organização e a reestruturação das áreas urbanas. É o caso do trabalho de paisagismo que acabou por se tornar um instrumento de aproximação das pessoas com a natureza. Por intermédio do paisagismo é possível levar o verde para as residências, os estabelecimentos comerciais, as indústrias e até mesmo para o município como um todo, de forma planejada e harmônica, respeitando, assim, as características e as necessidades do meio ambiente.

Tanto na obra da artista como nos centros urbanos a natureza é organizada e reelaborada nos espaços determinados de modo a promover diferentes discursos.

Leia os links a seguir com os alunos. Depois, mostre novamente a imagem da obra Você me olha por quê? Por que você está me olhando? e agora revelando seu título proponha uma discussão com base nas seguintes questões:

  • Como a artista organiza a imagem?
  • Há formas que se repetem?
  • Quais espécies de plantas podemos identificar na imagem?
  • Como a natureza está aí representada? Parece real? Por quê?
  • O título da obra pode ser uma porta de entrada para a leitura. Nesse caso o que ele pode estar sugerindo?
  • Levando em consideração que o colar ou a coroa de flores faz referência a significados sagrados em torno da pureza, ascensão espiritual e vitória da vida sobre a morte, que diálogos podem ser estabelecidos entre os elementos da imagem e o tema Meio Ambiente?
  • De acordo com o seu entendimento dos textos lidos, você acha que a natureza pode ser preservada nos centros urbanos? Como?
  • O que é um jardim?
  • Como o paisagista Roberto Burle Marx pensava a organização da natureza nos espaços que criava?

Escolha um dos alunos para ser redator da turma anotando os principais pontos de vista do grupo e depois exponha os registros para a classe.

Paisagismo Ver conteúdo

Conceito de paisagismo

Para esclarecermos o conceito de “paisagismo”, recorremos ao dicionário para entender a palavra “paisagem”. Conforme Aurélio Buarque de Holanda, paisagem “é o espaço de terreno que se abrange em um lance de vista”. Antenor Nascentes a define como “a extensão de país a qual se oferece um golpe de vista de conjunto”.

Notamos que nas definições de “paisagem” encontradas há uma referência comum: o sentido da visão seria a representação de tudo aquilo que abarcamos com olhar. Não é termo seletivo ou restritivo. Não encerra tampouco nenhum julgamento de valor. Se considerarmos isto verdade, temos de admitir que o ambiente urbano, assim como os industriais, são tanto a paisagem como o natural. E o ambiente degradado também o é, do mesmo modo que aquele que se preservou com suas feições originais, ou que se reconstituiu de acordo com as necessidades humanas.

Observamos, ainda, que a paisagem não é estática, pois seus elementos constituintes são passíveis de transformações próprias, como também se alteram mutuamente.

Mas, embora o termo “paisagem” não informe nada a respeito de suas características, é evidente que qualquer panorama tem para o observador uma série de elementos que a definem e que a diferenciam de outras infinitas paisagens. A morfologia do terreno, a flora, a fauna, os recursos hídricos locais e a ação antrópica são elementos que, ao constituírem a paisagem, ao mesmo tempo a caracterizam de forma inconfundível. (MARX, Roberto Burle. Arte e paisagem: conferências escolhidas. São Paulo: Nobel, 1987. Texto adaptado).

Burle Marx conclui ainda que: “A sistematização consciente ou intuitiva desses elementos é que permite ao homem evocar, por exemplo, a ‘terra natal’ em contraposição a todas as outras que vier a conhecer. É devido a isso ainda que se pode criar o conceito de macropaisagem ou domínio paisagístico, formulado pelos geógrafos, correspondendo não mais a um domínio visual, mas a uma unidade maior, caracterizada por suas feições morfoclimáticas típicas e seus principais quadros de vegetação”.

O paisagismo é filosoficamente uma ciência multidisciplinar que estuda as paisagens naturais e que interfere nelas, embasada nos conhecimentos da Biologia, Agronomia e Ecologia, e instrumentada com as técnicas da Morfologia, Fisiologia, Taxonomia e Patologia Vegetal, assim como Horticultura e Climatologia. (WINTERS, G. H. M. Apostila do curso avançado de paisagismo. Holambra, 1992).

Roberto Burle Marx escreveu em 1991: “Criar jardins, e paisagens, é uma arte maravilhosa, possivelmente uma das mais antigas manifestações da arte. A Bíblia registra e descreve um paraíso onde havia equilíbrio entre as plantas, os animais, e o homem. Infelizmente o homem procurou dominar a natureza e perdeu seu paraíso. Com o conhecimento que hoje possuímos da ecologia e da importância de nos relacionarmos com as árvores e as plantas, procuramos reconquistar aquele paraíso perdido e corrigir os erros das gerações passadas”.

A conceituação do problema “jardim” deve ser visto como sinônimo de adequação do meio ecológico às exigências naturais da civilização. (Burle Marx, 1987).

O paisagismo é essencialmente uma manifestação artística do homem. Utilizando-se da grande riqueza plástica e da diversidade das formas, cores e texturas dos vegetais, o homem modifica ambientes externos e internos. A composição harmoniosa do uso da vegetação integra-se aos demais elementos da natureza e aos elementos introduzidos pelo próprio homem, compondo os espaços, e fazendo deles verdadeiras obras de arte, vivas.

Podemos considerar, então, que o paisagismo é uma ciência e uma arte, que tem por finalidade ordenar todo o espaço exterior em relação ao homem, para o benefício do próprio homem.

Paisagismo de grandes áreas

Chama-se de paisagismo de grandes áreas a arte de modificar ou de recuperar paisagens de grandes dimensões. Estas grandes áreas oferecem ao paisagista um elevado grau de liberdade na escolha de soluções e no desenvolvimento de novas ideias.

Nestas áreas, trabalhamos com escalas de grandes proporções, em que as árvores, arbustos e palmeiras, plantados em conjunto ou mesmo isolados, têm papel fundamental. As herbáceas, ou plantas de menor porte, aparecem sempre plantadas em conjuntos de uma mesma espécie e/ou combinadas com outros conjuntos de outras espécies.

O local disponível para o plantio e as funções desejadas serão os fatores decisórios na escolha do porte e da quantidade das espécies a plantar.

São três as possibilidades de paisagismo de grandes áreas:

  • Áreas totalmente degradadas ou áreas novas, onde não há nenhuma vegetação - o paisagista tem total liberdade de forma para criar espaços livres e áreas plantadas.
  • Áreas recuperáveis, onde há alguma vegetação - o projeto paisagístico deve ser desenvolvido a partir da vegetação existente. Essa vegetação deve ser avaliada quanto a sua origem, porte e localização, e conservada, sempre que possível.
  • Áreas densamente ocupadas pela vegetação - essa vegetação deve ser preservada com a menor interferência possível, principalmente quando se trata de mata nativa. A função do paisagista deve ser a de organizar maciços, completando ou substituindo com as espécies desejadas, de forma a criar condições ao homem de conviver nesse espaço interagindo com a natureza.

O paisagista de grandes áreas não tem somente a função de criar jardins. Muito mais do que isso, tem sob sua responsabilidade a tarefa de garantir a vida à espécie humana e aos animais por meio de contribuições práticas para restabelecer o equilíbrio rompido com a natureza.

Por meio do recurso da criação de bosques, cortinas e maciços vegetais, com vegetação arbórea, arbustiva e herbáceas, nativa da região, plantada em áreas anteriormente degradadas, conseguimos criar uma paisagem harmônica e viva. Permitimos, assim, o desenvolvimento da fauna local (insetos, pássaros e pequenos animais) e garantimos, em consequência, a perenidade da flora plantada, porque abriga dessa maneira seus agentes polinizadores e seus defensores naturais.

A grande variação das formas, texturas e densidades da vegetação, das tonalidades do verde, do colorido de suas folhas, flores e frutos, pode criar, quando corretamente escolhidas, harmonia entre o ambiente plantado e as estruturas criadas pelo homem.

Consideramos parâmetro para nosso trabalho com paisagismo de grandes áreas qualquer local onde possa se plantar uma quantidade igual ou superior a 100 árvores.

Fonte: PILOTTO, Jane. Áreas verdes para a qualidade do ambiente de trabalho: uma questão eco-ergonômica. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1997. Disponível em: <http://www.eps.ufsc.br/disserta97/pilotto/cap2.htm#2.1>. Acesso em: 8 abr. 2011. Texto adaptado.

Ecologia e Paisagismo Ver conteúdo

Ecologia no projeto de paisagismo

De acordo com Burle Marx (Arte e paisagem, 1987) existem duas formas de paisagens:

  • a natural ou existente.
  • a humanizada ou construída.

Esta última corresponde a todas as interferências impostas pela necessidade do homem, objeto de nossos estudos como paisagistas, ecologistas e ergonomistas.

A tarefa do paisagista adquire uma complexidade cada vez maior. Somente com a ajuda dos botânicos, ecologistas e outros técnicos, pode o paisagista interpretar corretamente a paisagem natural para pensar harmoniosamente em como conceber e executar a paisagem construída.

É obrigação do paisagista ecologista conservar certas espécies ameaçadas a fim de garantir para o futuro a sobrevivência da expressão de beleza e a importância científica que representam.

Esta busca de espécies requer um conhecimento de natureza fitogeográfica e certa familiaridade com as nossas matas e outras formações naturais onde vamos buscá-las. Na mata, as plantas estão adaptadas a diferentes níveis: existem as de sub-bosque, as plantas de meia altura, as árvores copadas e as epífitas. A biologia dessas matas está longe de ser conhecida (Burle Marx, 1987). Sobre elas há milhares de aspectos a estudar. Mas, para garantir esta possibilidade, o paisagista há que combater a destruição dessas matas e procurar refazê-las sempre que possível.

Como vimos, anteriormente, no Brasil há uma triste tradição, que permanece até hoje: um perigoso processo de destruição das nossas reservas naturais. Mas ainda há muita coisa que não pode ser destruída.

A União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) e o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) reconhecem a Mata Atlântica como uma das florestas tropicais mais ameaçadas em todo o mundo. Efetivamente, as áreas florestais remanescentes estão isoladas, são escassas e estão sob constante risco de destruição total. No passado, a Mata Atlântica brasileira cobria, continuamente, mais de 350 mil km². Hoje esta floresta está pulverizada e a soma total das suas parcelas dispersas não alcança mais que 10 mil km² (ou seja, menos de 3% da área primitiva). (PEREIRA, H. H. dos S. Mata Atlântica. Rio de Janeiro: AC&M - Assessoria de Comunicação e Marketing, 1984).

É essencial optarmos por trabalhar com espécies nativas, da região em questão, para garantirmos um nicho ecológico nas nossas paisagens construídas.

A utilização de espécies nativas no desenvolvimento dos projetos de paisagismo de grandes áreas é importante pelo seu aspecto preservacionista. Lorenzi disse: “A flora nativa, há milhares de anos interagindo com o ambiente, passou por rigoroso processo de seleção natural que gerou espécies geneticamente resistentes e adaptadas ao nosso meio. Já as espécies introduzidas de outros países, denominadas de ‘espécies exóticas’, não sofreram tal processo e, em hipótese alguma, são substituto ideal para a vegetação nativa em todas as funções que desempenham no ecossistema.” (LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. São Paulo: Plantarum, 1992).

O paisagista, no Brasil, tem liberdade para construir jardins com base em uma realidade florística de riqueza transbordante. Respeitando as exigências da compatibilidade ecológica e estética, ele pode criar associações artificiais de uma expressividade intensa.

Fazer paisagem artificial não é negar nem imitar servilmente a natureza. É saber transpor e saber associar, com base em um critério seletivo, pessoal, os resultados de uma observação morosa intensa e prolongada (Burle Marx, 1987).

Embora possamos dispor de um contingente de aproximadamente 5 mil espécies arbóreas, em um conjunto florístico avaliado em 50 mil espécies diferentes, nossos jardins apresentam, sobretudo, a flora domesticada cosmopolita, e, em nossas ruas a arborização é, muitas vezes, feita com espécies exóticas, como plátanos, ligustros etc. “Repudio esse conceito de paisagismo e tenho lutado contra certas maneiras de urbanização em que a paisagem natural é totalmente destruída para, em seguida, ser feita uma composição vegetal com plantas divorciadas da realidade paisagística local” (Burle Marx, 1987).

Quanto maior for a diversidade de espécies vegetais, maior será a possibilidade de instalação definitiva de uma fauna mais diversificada (SANCHOTENE, M. C. C. Frutíferas nativas úteis à fauna na arborização urbana. Porto Alegre: Feplan, 1985).

É importante ressaltar, como um dos aspectos mais benéficos no paisagismo de grandes áreas, a diversidade de espécies de árvores e arbustos.

Podemos concluir, portanto, que, quanto maior for o número de espécies no ecossistema, e principalmente de espécies nativas, maior será sua capacidade de resistir às adversidades climáticas. Maior também será sua capacidade de absorver os impactos negativos, como a poluição, e menor a probabilidade da disseminação de pragas e doenças. Conseguimos, desta forma, um microssistema vivo e saudável, composto de diferentes espécies de seres vivos interdependentes.

É vital incluir, nas áreas plantadas ou recuperadas, pelo menos 50% de espécies nativas da nossa flora.

Vale ressaltar, também, que as zonas urbanas e alguns polos industriais (por exemplo, o polo do sul) e seus arredores apresentam maior número de espécies de seres vivos do que as áreas agrícolas e as reflorestadas. Perdem, apenas, para as áreas naturais. (CESTARO, L. A. Vegetação no ecossistema urbano. In: ENAU - Encontro Nacional sobre Arborização Urbana. Anais. Porto Alegre: Prefeitura Municipal, 1985).

Portanto, podemos acreditar que é possível recriar meio ambientes vivos e saudáveis, mesmo em zonas industriais.

O projeto de paisagismo é ecológico quando respeita as características e as necessidades do meio ambiente.

Fonte: PILOTTO, Jane. Áreas verdes para a qualidade do ambiente de trabalho: uma questão eco-ergonômica. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1997. Capítulo 2.5. Disponível em: <http://www.eps.ufsc.br/disserta97/pilotto/cap2.htm#2.1> Acesso em: 8 abr. 2011. Texto adaptado.

Roberto Burle Marx Ver conteúdo

Roberto Burle Marx (São Paulo/SP, 1909 - Rio de Janeiro/RJ, 1994)

Conhecido internacionalmente como um dos mais importantes arquitetos paisagistas do século XX, Roberto Burle Marx estudou pintura em Berlim, na Alemanha, no fim dos anos 1920. Lá, ele era frequentador assíduo do Botanischer Garten Und Botanisches Museum Berlin-dahlem, o mais antigo jardim botânico alemão, fundado no século XVII como um parque real para flores, plantas medicinais, vegetais e lúpulo (para a cervejaria do rei).

Esse jardim foi reformado no início do século seguinte e se tornou um dos mais importantes centros de pesquisa em botânica da Europa. Foi lá, a mais de 10 mil quilômetros de sua casa no Rio de Janeiro, que o rapaz de 19 anos notou pela primeira vez a beleza das plantas tropicais e da flora brasileira.

De volta ao Brasil, ele continuou seus estudos na Escola de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Os jardins planejados por Burle Marx eram comparados a pinturas abstratas, alguns bem curvilíneos, outros de linhas retas, usando plantas nativas brasileiras para criar blocos de cor.

Além de paisagista de renome internacional, ele também foi um pintor notável, escultor, tapeceiro, ceramista e designer de joias.

Seu primeiro projeto paisagístico foi o jardim de uma casa desenhada pelos arquitetos Lucio Costa (que projetou Brasília) e Gregory Warchavchik, em 1932. Dali em diante não parou mais de projetar paisagens, pintar e desenhar.

Em 1949, Burle Marx comprou uma área de 365 mil m² em Barra de Guaratiba, no litoral do Rio de Janeiro. Ali começou a organizar sua enorme coleção de plantas. Em 1985 ele doou a propriedade, hoje chamada Sítio Roberto Burle Marx, à Fundação Pró-Memória Nacional, entidade cultural do governo federal que atualmente se chama Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Hoje em dia pode-se encontrar um jardim ou uma estufa projetados por Burle Marx em várias partes do mundo, como em Longwood Gardens (Filadélfia), na Universidade da Califórnia, na cobertura da sede de um banco paulista, no aterro do Flamengo (Rio de Janeiro), em Caracas (Venezuela).

Mesmo sem ter uma educação formal em arquitetura paisagística, o aprendizado de Burle Marx na pintura influenciou a criação de seus jardins. Ele aceitava, embora de forma relutante, que “pintava” com as plantas. Mas seu trabalho não pode ser reduzido ao efeito pictórico e visual produzido por suas paisagens. Burle Marx se autodefinia como um artista de jardins.

Conhecido por sua preocupação ambiental e pela preocupação com a preservação da flora brasileira, ele inovou ao usar plantas nativas do Brasil em suas criações e isso se tornou sua característica marcante. Foi ele quem valorizou as bromélias, por exemplo, e tornou-as populares: hoje essas plantas naturais da Mata Atlântica se tornaram conhecidas e são cultivadas em viveiros para serem vendidas. O “estilo Burle Marx” tornou-se sinônimo de paisagismo brasileiro no mundo.

Fonte: UOL Educação. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u645.jhtm>. Acesso em: 8 abr. 2011. Texto adaptado.

1.

Arranjo com bromélias sobre estrutura metálica, no sítio Santo Antônio da Bica, atual Sítio Roberto Burle Marx, Barra de Guaratiba/RJ.

Foto: Haruyoshi Ono

“Mas a natureza não deve ser apenas copiada. É preciso fazer uma composição que projete e dê ênfase à presença dos animais e das plantas para que sejam mais expressivos como elementos de uma dada paisagem.

O paisagista deve atentar, também, para a adaptação, que é uma expressão do ajustamento entre o ser e o meio, o animal e a planta, o homem e a natureza, o homem e a cidade. Podemos compreender que determinadas formas animais são decorrentes de um meio ambiente. É o nosso lobo, o guará, com suas pernas altas e desajeitadas, perfeitamente integrado no cerrado, adotando hábitos frugívoros ao buscar frutos do Solanum Lycocarpum, a fruta-de-lobo. E o que dizer da camuflagem que conduz certa borboleta para uma árvore de tronco cinzento, sobre o qual ela se torna indistinguível? Existem associações de plantas que adquirem, muitas vezes, um sentido sinfônico. [...]. A bizarra forma de um baobá obedece a alguma razão da natureza. E assim entramos em um mundo de formas e razões que não acabam nunca. [...] É pela observação que chegamos a compreender a razão de ser de muitas coisas, o sentido da existência de determinados seres e a beleza que neles existe. Quero insistir em que a natureza é um todo sinfônico, em que os elementos estão todos relacionados – tamanho, forma, cor, perfume, movimento etc. Dentro dessa concepção, a planta ou animal não é mais apenas um ente sistemático, um ser de coleção. É muito mais, é um sistema dotado de uma imensa dose de atividade espontânea, possuindo seu próprio modus vivendi com o mundo em torno”.

(Trecho da palestra “Projetos de paisagismo de grandes áreas”, proferida por Roberto Burle Marx, em 1962. O texto completo pode ser encontrado no livro: MARX, Roberto Burle. Arte e paisagem: conferências escolhidas. Org. e coment. José Tabacow. 2.ed. São Paulo: Studio Nobel, 2004).

1.

Desenho do jardim da Casa Forte em Recife.

2.

Edifício Petrobras no Rio de Janeiro

3.

Fazenda Vargem Grande, Areias/SP

A cidade como questão ambiental Ver conteúdo

No mundo moderno, a questão urbana confunde-se com a questão ambiental. Estima-se que metade da população mundial viva em aglomerados urbanos, em um processo de incremento contínuo, no qual já são contabilizadas 17 megacidades (com mais de 10 milhões de habitantes). No Brasil, a taxa de urbanização chegou a 81% em 2000, com cerca de 50% desta população – 69 milhões de pessoas - vivendo em 27 regiões metropolitanas.

A urbanização modifica todos os elementos da paisagem: o solo, a geomorfologia, a vegetação, a fauna, a hidrografia, o ar e, até mesmo, o clima. Desse modo, a urbanização cria, não só novas paisagens, mas novos ecossistemas. Nesse sentido, a cidade pode ser considerada um ecossistema incompleto ou heterotrófico, isto é, dependente de grandes áreas externas a ele para obtenção de energia, alimentos, água e outros materiais, diferindo dos sistemas heterotróficos naturais por seu maior metabolismo, maior necessidade de entrada de materiais e maior fluxo de saída de resíduos.

O Quadro 1 apresenta uma visão sinóptica dos principais impactos ambientais do processo de urbanização.

Quadro 1 - Impactos ambientais da urbanização tradicional

Elementos do meio Urbanização tradicional - Principais processos
Solo Impermeabilização
Enchentes
Erosão
Relevo Movimentos de massa
Subsidência
Hidrografia Desregulação do ciclo hidrológico
Enchentes
Poluição de mananciais
Contaminação de aquíferos
Ar Poluição (principais poluentes: SO2, CO, material particulado)
Clima Efeito estufa
Ilhas de calor
Desumidificação
Vegetação Desmatamento
Redução da diversidade
Plantio de espécies inadequadas
Fauna Redução da diversidade
Proliferação de fauna urbana
Zoonoses
Homem Estresse
Doenças urbanas (infecciosas, degenerativas, mentais)
Violência urbana

(BRAGA, Roberto; CARVALHO, Pompeu Figueiredo de (Org.). Recursos hídricos e planejamento urbano e regional. Rio Claro: Laboratório de Planejamento Municipal/IGCE/Unesp, 2003. p. 115)

Os impactos da urbanização no mundo urbano de hoje, cada vez mais, escapam ao alcance das tecnologias disponíveis, ampliando espaços e tempos, onerando pessoas que moram em regiões periféricas e deixando passivos para as futuras gerações. A necessidade de reencontrar a natureza nas cidades é uma condição para a garantia de sua existência sem grandes problemas. A natureza resiste à historialização absoluta. Processos naturais estarão sempre presentes, mesmo em ambientes e objetos densamente trabalhados pelo homem (o ferro ao se oxidar, segundo leis naturais, tende a voltar ao seu estado primitivo). De outro modo, outros objetos trabalhados pelo homem, indesejavelmente, têm uma volta lenta ao seu estado primitivo, como o urânio enriquecido, até como resíduo. As condições materiais problemáticas obrigam a emergência de uma consciência de que o homem nunca dominará totalmente a natureza, abandonando-se a utopia iluminista da supremacia da razão técnico-cientificista na construção do mundo. A natureza, mesmo transformada, estará sempre sujeita às suas leis.

“(...) Por mais exóticos que sejam as forrageiras, a cana-de-açúcar e os núcleos urbanos, eles continuam subordinados a processos naturais. As plantas trazidas de outros continentes produzem fotossíntese tanto quanto qualquer espécie nativa erradicada. O gado que pasta realiza os mesmos processos vitais básicos que peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos outrora existentes e hoje em grande parte extintos. As unidades urbanas, por mais que tenham se esforçado em desligar-se da ordem natural, jamais lograram êxito neste empreendimento ambicioso e arrogante. Os materiais com que são construídas provêm da natureza.

A energia que as movimenta provém da natureza. (...) Dilui-se, assim, a fronteira entre o natural e cultural, com o cultural passando a ser o natural em outro plano.

Ora, se tudo é natural, a distinção entre natural e artificial rui por terra. Para categorizar o natural é preciso, agora, empregar novos conceitos. (...)”

(SOFFIATI NETTO, Aristides Arthur. A cidade como natureza e a natureza da cidade. Disponível em: . Acesso em: 9 abr. 2011. Texto adaptado)

Fonte: CARVALHO, Pompeu Figueiredo de; BRAGA, Roberto. Da negação à reafirmação da natureza na cidade: o conceito de “renaturalização” como suporte à política urbana. Grupo de Pesquisa Análise e Planejamento Territorial - GPAPT. Disponível em: . Acesso em: 8 abr. 2011.

A natureza na cidade Ver conteúdo

Os séculos XIX e XX marcam, diferenciadamente, através da produção, das técnicas, das indústrias e mesmo da cultura, a incorporação da natureza à vida social. O grande avanço tecnológico permite a sociedade ser capaz de mudar algumas características essenciais da natureza, colocando-a cada vez mais imbricada com o homem, incorporando-a cada vez mais ao espaço geográfico, entendido como produto social. A modificação do mundo natural em território humano, legitimada pelas necessidades, requerimentos, desejos e esperanças dos homens, pode ser vista tanto como um projeto de emancipação coletiva, como pela realização do conforto na vida individual. O avanço técnico transforma a natureza em algo cada vez mais social do que natural, onde o processo histórico-social passa a controlar, incorporar e produzir naturezas, imbuídas de qualidades humanas.

Na sociedade ocidental, objetos ou mercadorias, são e servem de mediação entre o homem e a natureza. Nesta virtualização da natureza, objetos/mercadorias passam pelo creme dental com sabor natural; pelo protetor de tela do computador com suas árvores de folhas vermelhas ou os peixinhos nadando; pelos lugares turísticos, onde se pode passear por praias desertas ou pelas trilhas ecológicas na mata; e pelos condomínios de alto padrão nas cidades.

O período histórico atual também mostra claramente a construção cultural da natureza e como as concepções sobre a natureza estão intimamente ligadas à vida cotidiana urbana. Assim, na materialidade que é apresentada nos dias atuais, as grandes cidades acentuam o papel da ação humana na definição dos conteúdos e limites da natureza, sua valoração, valorização e conservação.

Se em um primeiro momento, a natureza na cidade apresentava-se somente como um elemento estético dado, o qual era característico do sítio urbano, agora irá vai ser altamente incorporada à vida econômica da cidade. Além disso, observa-se uma reaproximação ou um “reencanto” do mundo urbano ocidental com a natureza, ou melhor, com uma ideia, um padrão de natureza. A natureza é retrabalhada sob a forma de uma segunda natureza, incorporada, produzida e vendida de acordo com as leis e objetivos de uma racionalidade instrumental capitalista, voltada para o lucro e para a propriedade privada, sob os fetiches e sensibilidades dos agentes do mercado imobiliário.

O consumismo e o marketing natural tornam-se um hábito ou um estilo de vida e passam a ser o foco das relações capitalistas em todas as esferas da vida - da fábrica à moradia. Vende-se uma vida “em harmonia” com a “natureza”.

A qualidade do ar, as praças e os parques arborizados tornam-se objetos de consumo. A “natureza verde”, torna-se, em virtude de sua raridade em algumas cidades, artigo de luxo. Qualquer objeto associado a uma ideia de natureza torna-se sinônimo de qualidade de vida e viabiliza a apropriação de valores, através do aumento dos preços dos apartamentos, casas e edifícios.

Preservam-se, conservam-se e valorizam-se aqueles elementos que moral, estética ou monetariamente são relevantes. Se em algum momento da história esses julgamentos foram feitos com um caráter subjetivo, nos dias atuais a definição de valores estéticos e monetários da natureza se dá em um projeto extremamente objetivo e intencional, como o caso das incorporadoras e construtoras de condomínios de alto padrão em São Paulo.

Alguns empreendimentos imobiliários buscam vender um estilo de vida “em harmonia com a natureza”, como os que são batizados com nomes que remetem a natureza - “Villa Natura”, “Anthurium”, “Raízes da Mata”, entre muitos outros que, pelo seu caráter fixo no espaço tornam-se verdadeiros símbolos materiais dessas características atuais, substituindo os de outrora, como a igreja, o paço municipal, o Fórum, a escola etc. Esse aspecto pode ser observado na capital paulista, e em áreas densamente ocupadas, que os agentes do mercado imobiliário – muitos com capital estrangeiro - vendem como um produto vinculado a uma natureza primitiva.

Esses empreendimentos imobiliários buscam criar uma relação de proximidade, impregnar os empreendimentos imobiliários de um valor exclusivo e, até mesmo, de afetividade entre certos produtos e seus consumidores. Criam uma ideia de heterogeneidade e diferença, mas que concreta e contraditoriamente representam uma padronização maciça, pois insere um padrão de símbolos de natureza '“natural”' urbana, sempre verde. Uma natureza globalizada, que nos remete a um mundo “mais” civilizado, refinado, elegante e sofisticado.

Efetivamente, alguns empreendimentos de alto padrão apresentam reservas de “natureza” em suas áreas, mas esse espaço permanece restrito aos moradores, enquanto, em áreas mais pobres das cidades, além da negação da natureza primeira, assiste-se a um banimento até da segunda natureza, como na falta de áreas verdes. A natureza na cidade passa a ser privilégio apenas daqueles com poder aquisitivo para comprá-la, preservá-la ou produzi-la. (Wendel Henrique)

Fonte: TERRITÓRIO & CIDADANIA, ano 3, n. 2, jul./dez. 2003. Disponível em: . Acesso em: 8 abr. 2011. Texto adaptado.

Modelos de jardins Ver conteúdo

1.

O jardim francês
Valorização da grandiosidade das construções. Formas geométricas e simetria perfeita, na busca do equilíbrio perfeito.

Foto: Joe Shlabotnik

2.

O jardim italiano
Plantas frutíferas, flores, estátuas, (não faltando o elemento água) e outros elementos também se unem harmoniosamente a este jardim, como vasos cerâmicos, esculturas, treliças, arcos, pontes, bancos, retratando um clima romântico.

Foto: Michele Schaffer

3.

O jardim inglês
Valoriza a paisagem natural, com formas curvas e arredondadas tanto no relevo como nos caminhos, na construção dos maciços e bosques. Plantas que exigem muita manutenção e reformas, assim como arbustos topiados são proibidos. Temos a sensação de andar por um bosque antigo e natural, com pouca ou nenhuma intervenção do homem.

Foto: Lazy Lightning

4.

O jardim japonês
Um convite à contemplação, o jardim japonês transmite paz e espiritualidade. Os elementos incluem a água, as pedras, as plantas e os acessórios de jardim.

Foto: Robin Zebrowski

5.

“Este é o jardim de um mundo que permanece inacabado graças exatamente à própria falta de medida e ao próprio esplendor.”

(LEENHARDT, Jacques (org.). Nos jardins de Burle Marx. São Paulo:Perspectiva, 2000. p. 6). Foto: Robério Dias

O olho pensa, a mão que faz, o corpo que inventa

Com as proposições didáticas sugeridas, espera-se que os alunos possam se aproximar, de uma maneira aberta, da obra do artista, buscando encontrar possibilidades de exploração poéticas desse objeto artístico. Tal aproximação propicia a ampliação de seus repertórios visuais e conceituais.

Ao apresentarmos os conteúdos relacionados às aprendizagens, definimos o que esperamos que os alunos aprendam e também estabelecemos uma relação entre os conteúdos e as reais possibilidades de construção de conhecimentos em suas diferentes etapas de desenvolvimento cognitivo, afetivo e relacional.

Expectativas de aprendizagem Ver conteúdo

Proposta de trabalho: Recriando a natureza e compondo jardins.

Conteúdos

  • Leitura da imagem
  • Percurso poético da artista Beatriz Milhazes
  • Desenho de observação
  • Recorte e colagem
  • Composição com justaposições e sobreposições
  • Arte e Meio Ambiente

Objetivos específicos

  • Identificar aspectos do processo de criação de Beatriz Milhazes.
  • Fazer desenho de observação para perceber a distância entre o real e o representado.
  • Transformar o desenho de observação em um estudo de experimentação técnica.
  • Desenvolver a técnica do recorte e colagem em exercícios de composição.
  • Desenvolver trabalho de composição utilizando os conceitos de justaposição e sobreposição utilizados pela artista.
  • Identificar no texto visual da obra apresentada componentes que dialoguem com o tema Meio Ambiente.

Avaliação

Considerando que a avaliação é um instrumento do professor para saber se o objetivo que propôs foi ou não alcançado e perceber o grau de dificuldade vivenciado pelos alunos durante o percurso educativo, este item tem como objetivo apontar caminhos por meio de levantamento de questões (perguntas), que ajudem o professor a perceber se os alunos se apropriaram dos conteúdos apresentados ou não e de que forma. Para tanto, a avaliação para essa proposição didática estará contida no item 9 da atividade sugerida.

Proposta de trabalho Ver conteúdo

Materiais

  • Cartolinas brancas
  • Folhas de papel espelho em diversas cores
  • Tesouras
  • Lápis
  • Folhas de sulfite A4 ou caderno de desenho
  • Cola branca
  • Guache diversas cores
  • Pincéis

Resgatando a essência da natureza e (des)cobrindo caminhos

  1. Saia com os alunos para uma expedição em alguma área verde na escola ou fora (jardins, vasos, hortas, parques etc.). Leve as folhas de papel sulfite A4 (podem ser os cadernos de desenho) e lápis. Peça que observem como o espaço está organizado, como são as plantas, se há flores. Proponha que desenhem as plantas que estiverem nos arredores. Se isso não for possível, leve algumas imagens de plantas e deixe que eles as observem e desenhem. Durante o exercício de observação, instigue-os a prestarem bastante atenção especialmente nas formas diferenciadas das folhas, flores, galhos etc. É importante que sejam feitos dois desenhos por folha para evitar que as formas fiquem muito pequenas.
  2. Ao retornarem para o espaço de trabalho, peça que coloquem seus desenhos em uma grande roda de apreciação. Exponha-os de modo que todos possam ver os desenhos. Pergunte sobre como foi o processo de observação dos elementos reais ao serem passados para o papel. Deixem que percebam as diferenças e semelhanças entre seus desenhos e os elementos observados.
  3. Tendo em mãos os desenhos de observação e as cartolinas, peça que escolham dois ou três deles, desenhando-os sobre a cartolina. Em seguida, peça que recortem os desenhos, tendo, com isso, seus moldes. Esses moldes vão ajudar os alunos a reproduzir várias vezes o mesmo desenho sobre as folhas coloridas de papel espelho.
  4. Peça que escolham várias cores de papel e com os moldes feitos em cartolina reproduzam suas formas, ou seja, como uma régua, coloque a forma recortada sobre a folha colorida e, segurando-a firmemente, risque seus contornos. É importante que cada desenho seja reproduzido no mínimo cinco vezes, deixando espaços entre eles. A próxima etapa será o recorte de todos esses desenhos.
  5. Mostre novamente a imagem de Beatriz Milhazes para os alunos e retome com eles como a artista faz uso de elementos da natureza e de imagens pre-existentes para criar as suas composições visuais. Lembre-os sobre os conceitos de composição explorados pela artista e sobre as discussões que tiveram sobre os possíveis diálogos estabelecidos com tema Meio Ambiente. Se possível, leia novamente o registro feito antes, na seção “O olho que conta histórias”. Peça que os alunos comentem sobre como a natureza pode ser transformada em uma composição artística no trabalho da artista e na paisagem da cidade. Lembre-os sobre como o paisagista Roberto Burle Marx transforma a paisagem compondo a paisagem natural e construída.
  6. Em grupos de cinco alunos e utilizando tinta guache e pincéis, prepare o suporte para o trabalho de composição propondo que criem um fundo colorido para o trabalho, pintando-o inteiramente. Deixe secar.
  7. Com os desenhos coloridos recortados em mãos, cola e o suporte pronto, proponha que os grupos criem seus “jardins” por meio do desenvolvimento de composições que dialoguem com o texto lido, explorando os conceitos compositivos de justaposição e sobreposição observados no trabalho da artista. Os alunos poderão trocar suas formas com as dos colegas se desejarem. Antes de colarem suas formas, deixe que brinquem de compor seus jardins, manipulando as formas coloridas recortadas dentro do espaço do suporte. Proponha que explorem diferentes efeitos de composição: sobreposição, justaposição, distribuição por cores, direções etc. Após decidirem como serão as suas composições peça que colem as formas recortadas sobre o suporte colorido. Proponha que cada grupo dê um nome a seu “jardim”.
  8. Ao final, monte uma mostra dos trabalhos criando espaços para exporem seus “jardins”. Você poderá expor trabalhos e imagens do processo de trabalho. Não se esqueça de identificar a proposta. Peça que os autores falem sobre suas escolhas. Esse também será o momento para resgatar as discussões sobre como o elemento real foi transformado em elemento artístico (da observação à representação) e como as cores influenciam a leitura que fazemos da composição.
  9. Avalie:
    • Os alunos conseguiram entrar no universo da obra de Beatriz Milhazes por meio da leitura de imagem?
    • A partir da observação dos elementos da natureza os alunos conseguiram perceber suas características visuais (formas, linhas, cores, dimensões)?
    • Ao observarem as plantas, eles procuraram representar o que realmente estavam vendo (desenho de observação)?
    • Ao apreciarem os desenhos dos colegas, conseguiram perceber diferentes maneiras de desenhar?
    • Os alunos conseguiram executar bem todas as etapas? Se não, o que faltou?
    • O exercício de manipulação de formas coloridas ajudou-os a perceber o conceito de composição visual?
    • Conseguiram estabelecer relações entre o texto visual e o tema Meio Ambiente?

Provocando olhares

De forma nada arbitrária, o título: Você me olha por quê? Por que você está me olhando? guarda um significado pessoal não revelado pela artista, ao mesmo tempo em que se abre para diversas possibilidades de leitura tanto sobre o campo visual representado como sobre a própria relação que este estabelece com o meio natural. A indagação imposta pelo título provoca ao mesmo tempo que transpõe nosso olhar para seu texto visual.

O título dado pelos artistas pode funcionar como uma pista importante para a leitura das obras, pois aponta para determinado contexto, constituindo-se uma espécie de indicador de caminhos de leitura. No entanto, há artistas, como é o caso de Beatriz Milhazes, que fazem uso de seu poder de persuasão para provocar ou até subverter o olhar do leitor em detrimento da falta de correspondência entre seu significado literal e os componentes visuais que compõem a imagem.

No sentido oposto, há obras que não apresentam título. Nesse caso, o artista deseja que o espectador se relacione diretamente com a obra, sem sua influência.

No caso das obras da artista Beatriz Milhazes, ora os títulos funcionam como armadilhas fazendo com que o leitor de imagens, inutilmente, busque relações entre a imagem e o título, ora encaminha seu olhar para um contexto que, em virtude de semelhanças formais, passa a dialogar com a obra.

Beatriz Milhazes afirmou em entrevista que é uma colecionadora de títulos e que muitas vezes o ponto de partida para a realização de suas obras são os títulos, os quais apontam muito mais um estado de humor ou um conjunto de sensações que uma narrativa presente no trabalho de maneira objetiva.

Sabe-se que os títulos são arbitrários. Não indicam o problema plástico básico do quadro. A artista dá títulos de nomes de lugares (Havaí) ou acidentes geográficos (A ilha), mas as obras são raramente paisagens desses lugares.

Fonte: HERKENHOFF, Paulo. Beatriz Milhazes: cor e volúpia. São Paulo: F. Alves, 2007. p. 147.

O olhar que dialoga com o meio ambiente

BLUE marble. Imagem feita pelo Centro Espacial Goddard.
Disponível em: <http://n.i.uol.com.br/ultnot/album/100226_f_036.jpg>. Acesso em: 8 abr. 2011.

Desafios Futuros

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

(CARTA da Terra. Disponível em: <http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html>. Acesso em: 8 abr. 2011).

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade justa e pacífica. É uma visão de esperança e um chamado a ação. Apesar de o projeto ser uma iniciativa da Organização das Nações Unidas, ele se desenvolveu como uma iniciativa global da sociedade civil.

O olho que refaz o percurso

"[...] Pela primeira vez, estou pensando em voz alta que, no trabalho com a cor, faço uma ligação entre vida e pintura”.
(Beatriz Milhazes)

Essa afirmação da artista nos remete a uma questão primordial no processo de criação artístico: a transposição de coisas do mundo real para o universo da arte. Ao declarar que, em seu trabalho, a cor torna-se o elemento mediador entre a vida e a linguagem pictórica, Beatriz Milhazes traz à tona como os artistas se apropriando de referências do mundo real, criam suas poéticas visuais. Em seu caso, as referências estão nas coisas da vida como: flores, ornamentos, rendas, arabescos, entre outros. Por meio da manipulação das cores e formas, Beatriz Milhazes depura seus valores funcionais para deles retirar apenas seu caráter formal e simbólico.

Ao fazer a leitura da imagem, observar a natureza, refletir sobre sua presença nos espaços urbanos e transformá-la em uma composição artística, os alunos puderam vivenciar parte do processo de criação artístico tendo como referência a obra da artista Beatriz Milhazes.

Colocando a imagem da obra de Beatriz Milhazes ao lado de suas composições, peça que comparem seus textos visuais, elencando semelhanças e diferenças. Chame a atenção para como a artista transforma as coisas do mundo em arte e como os alunos transformaram o que viram, sentiram e pensaram em trabalhos de arte.

Linha da vida. Tempo das obras

O olhar que descobre

Livros e catálogos

ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. Posf. Luiz Armando Bagolin. São Paulo: Metalivros, 2000.

BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996.

______ (Org.). Arte-educação: leitura no subsolo. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

BASBAUM, Ricardo. Planos múltiplos. Guia das Artes. São Paulo: Casa Editorial Paulista, v. 5, n. 20, p. 96-98, set. 1990.

BEATRIZ Milhazes: pintura, colagem. Curadoria Ivo Mesquita. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: arte. Brasília, 1998.

COSTA, Cacilda Teixeira da. Arte no Brasil 1950-2000: movimentos e meios. São Paulo: Alameda, 2004.

DASHEFSKY, H. Steven. Dicionário de ciência ambiental: um guia de A a Z. Trad. Heloisa Helena Torres. 3. ed. São Paulo: Gaia, 2003.

HERKENHOFF, Paulo. Beatriz Milhazes: cor e volúpia. São Paulo: F. Alves, 2007.

IAVELBERG, Rosa. O desenho cultivado da criança: prática e formação de educadores. Porto Alegre: Zouk, 2006.

MARX, Roberto Burle. Arte e paisagem: conferências escolhidas. São Paulo: Nobel, 1987.

______. Arte e paisagem: conferências escolhidas. Org. e coment. José Tabacow. 2.ed. São Paulo: Studio Nobel, 2004.

PEDROSA, Adriano. Mares do Sul. In: MILHAZES, Beatriz. Mares do Sul. Curadoria Adriano Pedrosa. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2002. p. 81.

Documentos eletrônicos

ALVES, José Eustáquio Diniz O meio ambiente não pode esperar a inércia demográfica. Disponível em: <http://sendosustentavel.blogspot.com/2010/09/o-meio-ambiente-nao-pode-esperar.html#more>. Acesso em: 8 abr. 2011.

BEATRIZ Milhazes. Disponível em: <http://beatrizmilhazes.zip.net/index.html>. Acesso em: 8 abr. 2011.

______. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_criticas&cd_verbete=573&cd_item=15&cd_idioma=28555>. Acesso em: 8 abr. 2011.

CÂNDIDO, Amaury. Praça do Ferreira: o coração de Fortaleza. Diário do Nordeste, 30 abr. 2006. Disponível em: <http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=332630> . Acesso em: 8 abr. 2011.

INSTITUTO Arte na Escola. Disponível em: <http://www.artenaescola.org.br>. Acesso em: 8 abr. 2011.

PROJETO internacional de revitalização de áreas urbanas degradadas chega ao Brasil. Envolverde: Revista Digital, 9 set. 2010. Disponível em: <http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=80665>. Acesso em: 8 abr. 2011.

ROBERTO Burle Marx. Disponível em: <http://www.sefaz.es.gov.br/painel/bmarx01.htm> Acesso em: 8 abr. 2011.

Vídeos

A PROFUSÃO de cores de Beatriz Milhazes. Dir. Maria Ester Rabello. São Paulo: Rede SescSenac de Televisão, 2004. 1 DVD (26 min.). (O mundo da arte).

Chave de palavras

Abstratas
Que não remetem à semelhança direta de objetos existentes no mundo.
Arte contemporânea
Arte produzida principalmente após a Segunda Guerra Mundial, que questiona a produção dos momentos anteriores, enfatizando novas formas de construção artística.
Composição
Organizar com sentido de unidade e ordem os diferentes fatores de um conjunto para conseguir o maior efeito de atração, beleza e harmonia.
Diálogos
Conversas, estabelecimento de relações com outra pessoa, com um texto verbal ou visual (imagem).
Direções visuais
Direções e relações que conduzem o olhar do leitor durante a leitura de imagem.
Elementos visuais
Aqueles que compõem o campo visual.
Figura
Constitui-se o sujeito da representação, ou seja, são componentes em destaque do texto visual.
Figurativas
Que nos remete à semelhança de objetos existentes no mundo.
Formas ornamentais
Formas ricas em detalhes, normalmente contendo curvas e desenhos.
Fundo
Local ou ambientação em que os componentes do texto visual se encontram.
Justaposição
Ato de justapor, ou seja, colocar junto, unir.
Moldes
Peças que servem de modelo para a produção de objetos ou imagens em grande quantidade.
Padrões
Repetições de um dos elementos da linguagem plástica (ponto, linha, forma, cor, manchas) ou mesmo de desenhos. Esses elementos podem ser percebidos como conjuntos.
Paisagismo
Paisagismo é uma ciência e uma arte, que tem por finalidade ordenar todo o espaço exterior em relação ao homem para o benefício do próprio homem.
Plano bidimensional
Que tem duas dimensões: altura e largura. Exemplo: tela de pintura.
Poéticas visuais
Percursos artísticos pessoais ligados a uma ou mais linguagens artísticas no campo visual.
Primeiro plano
Primeira camada de figura(s), a que dá a ilusão de estar mais próxima do observador. Temos assim, primeiro plano, segundo plano, terceiro plano e fundo.
Serigrafia
Consiste em uma técnica de impressão da imagem por meio de tela, emulsão fotossensível e entintamento sobre papel.
Sobreposição
Ato de sobrepor as linhas, as cores, os tons, que passam uns sobre os outros, tanto na percepção da estrutura “desenhada”, colada , representada, quanto na percepção visual.
Suporte
Material que serve de base para o artista realizar um trabalho de arte (tela, papel, madeira etc.) e que dialoga com o trabalho realizado.
Texto visual
Conjunto de componentes visuais que, relacionados, formam um todo de sentido.