Siron Franco

Peles e tripas do Brazil, 1993, serigrafia

Professor, antes de dar início às proposições que se seguem, mostre a obra Peles e tripas do Brazil de Siron Franco instigando seus alunos a observarem atentamente a imagem de modo a percebê-la em seus mínimos detalhes. Em um primeiro momento não mencione o título da obra para que se sintam livres para observá-la.

É primordial que antes de qualquer proposição eles se familiarizem com a imagem, assim o trabalho de leitura pode ser mais eficiente e mais produtivo.

A imagem que vai ser lida é uma reprodução serigráfica de uma pintura do artista. Embora ambas, pintura e serigrafia, sejam de autoria do artista, é necessário salientar que o discurso do artista foi construído por meio da visualidade e da materialidade presentes na pintura.

Acompanhe abaixo os passos metodológicos para a exploração visual da obra.


O seu olho, o que vê?

Mostre aos alunos a imagem, permitindo que a observem por um longo tempo. Estimule-os a falarem livremente sobre ela.

  • Muitas manchas, linhas e formas irregulares.
  • Manchas e linhas atravessam a imagem na direção horizontal.
  • Números coloridos espalham-se pela imagem. Eles ocupam diferentes posições no espaço da pintura.
  • Tons de vermelho, marrom preto, amarelo, verde, roxo e laranja ocupam todo o campo visual.
  • Vê-se também a marca de um pé.
  • Quase todas as outras formas na imagem são abstratas.
  • As formas circulares e as cores mais claras chamam mais a atenção.
  • A imagem é escura.

O seu olho, o que percebe?

Linhas brancas se espalham pelo quadro. Quase todas são finas e precisas.

Todas as manchas e formas recebem texturas diferentes.

As formas, as linhas e as manchas exploram o espaço da imagem na direção horizontal.

Bem ao centro da imagem, a marca de um pé na cor bege aparece timidamente.

Números e símbolos matemáticos coloridos se sobrepõem a manchas e formas presentes no quadro. Eles estão posicionados na direção mais horizontalizada. O destaque fica por conta dos números em amarelo que saltam aos olhos.

Três formas circulares em tons de vermelho e laranja se destacam no canto superior esquerdo.

Há outra mancha em formato circular, em tons de amarelo, laranja e roxo-claro. Localizada na parte inferior direita da imagem que atrai nosso olhar em virtude da sua intensa luminosidade.

De olho no artista, no Brasil e no mundo

Conhecido pelos diálogos que suas obras estabelecem com contextos políticos, sociais e ecológicos, Siron Franco se revela como um artista que faz de seu trabalho um pensamento vivo em torno da realidade circundante.

Com uma trajetória que vai do desenho à pintura, da instalação ao objeto, da assemblage à gravura, Siron Franco se apropria de diversas técnicas artísticas para transformar seu pensamento em discurso visual. Não hesita em transitar entre os diferentes territórios da arte para dar visibilidade às suas ideias. A exemplo disso, podemos citar uma de suas obras mais emblemáticas: Salvai nossas almas 1, da série Césio, ano de 1999. Observe a imagem.

Com intenção de denunciar a contaminação do meio ambiente e das pessoas pelo material radioativo césio 137, ocorrido no ano de 1987, em Goiânia, o artista construiu um enorme painel de 2 m × 3 m, composto de roupas, pintura e radiografias coladas sobre uma lona. Trata-se de uma assemblage, que consiste no acúmulo de materiais de diversas naturezas sobre um suporte qualquer, rompendo definitivamente as fronteiras entre a arte e a vida cotidiana. Assim, a ideia que ancora as assemblages diz respeito à concepção de que os objetos reunidos na obra, ainda que compondo uma nova visualidade, não perdem seus sentidos originais na medida em que estão incorporados ao discurso do artista.

A exemplo da obra Salvai nossas almas 1, a obra Peles e tripas do Brazil também trata de questões em torno do tema Meio Ambiente, tendo, desta vez, como pano de fundo o contundente apontamento sobre as relações entre o homem e a preservação da vida animal no planeta.

Na obra de Siron Franco que estamos trabalhando, a técnica é a serigrafia, estabelecendo por meio de áreas justapostas de cores, formas e números, diálogos com o tema em questão. Nesse conjunto chamado Série Peles, as imagens que remetem a peles de animais e tripas (nome comum dado ao intestino dos animais), em uma atmosfera obscura pelo qual prevalecem os tons entre o vermelho e o marrom. Parecem alertar o espectador sobre a grave situação em que se encontram as condições de vida dos animais em consonância com as ações do homem.

Os números e símbolos que aparecem na imagem espelham contas que não chegam a nenhum resultado ou apenas parecem deflagrar a impotência de um quadro tão caótico e sem uma solução aparente? No título da obra Peles e tripas do Brazil a palavra “Brazil” é grafada com “z”, como é escrita na língua inglesa. Que questões esse fato pode suscitar, já que se trata de uma escolha do artista?

É preciso ressaltar que essa obra faz parte de uma série de trabalhos que buscam tratar de diferentes formas o mesmo tema. Clique no link a seguir e observe as imagens.

Texto crítico de Paulo Herkenhoff Ver conteúdo

Siron Franco. Peles e tripas do Brazil

O pintor Siron Franco nasceu em Goiás Velho em 1947. Sua formação inicial se deu com artistas que introduziram a arte moderna no Estado de Goiás, como D. J. Oliveira e Cleber Gouvêa. No início, sua produção foi vinculada por alguns críticos à tradição latino-americana da arte fantástica. Siron tornou-se conhecido em todo o país por sua cruzada ecológica. “A arte tem a finalidade de tentar melhores dias para o homem. Eu tento da minha forma, dando o meu testemunho sobre aquilo que me toca. Faço, a meu modo, uma crônica subjetiva da época em que vivo,” diz o artista. O arco da crítica ecológica de Siron vai da defesa da vida em seu estado primário até a luta contra o uso responsável das tecnologias avançadas.

A superfície do quadro Peles e tripas do Brazil está recoberta por peles de animais e números. A pele de quais animais pode ser reconhecida? Siron pintou outras telas, intituladas Pele de onça (1983), Casaco de pele (1984) e Paisagem animal (1993), com o mesmo tema do protecionismo da vida animal silvestre de Peles e tripas do Brazil. O artista retrata e defende biomas como o cerrado ou o pantanal. Ambos são espaços geográficos com uma unidade biológica formada pela fauna e pela vegetação própria do lugar, além do solo e do clima, entre outros elementos. Ou seja, um bioma – como a floresta amazônica, o cerrado, o pantanal, a caatinga e a mata atlântica – apresenta um conjunto de ecossistemas com certo grau de homogeneidade. Em lugar de apresentar cenas dessas paisagens brasileiras, Siron representou bichos mortos no país afora.

Peles e tripas do Brazil se refere à caça ilegal e ao comércio de peles de animais silvestres, que são atividades altamente predadoras, e que podem causar até mesmo a extinção de espécieis. Daí, o título Peles e tripas do Brazil apresenta uma ambiguidade. Pode ser uma referência às peles e tripas de animais do Brasil, mas pode ser também o símbolo do país que não protege sua fauna de forma adequada e, assim, a apresentação de peles e tripas é a mortandade descontrolada como um aspecto perverso do próprio país e de sua sociedade. O vermelho nas pinturas Peles e tripas do Brazil e Pele de onça assume o caráter simbólico da cor. Ele está ali para indicar sangue, carne e morte, tal como no período colonial se representava o sangue dos mártires cristãos. É possível interpretar os números como contas dos lucros com esse comércio criminoso de peles de animais silvestres?

Siron Franco segue os passos de Frans Krajcberg na defesa do meio ambiente. Sua agenda de denúncias inclui desde protestos contra massacres de índios ao comércio ilegal de animais e a defesa de grupos sociais. Siron também fez a direção de arte do documentário de televisão Xingu, que retrata um importante grupo indígena e a região do país em que vive, que sofre graves ameaças ambientais.

Em 1987, a cidade de Goiânia – onde vivia o artista – sofreu o mais grave acidente de contaminação por radioatividade já ocorrido no Brasil. Médicos e administradores de um hospital não cuidaram da correta disposição no lixo radioativo, de maneira que um aparelho de radioterapia, que continha substâncias altamente tóxicas, foi abandonado em um entulho. O objeto foi encontrado por um catador de ferro-velho que, desconhecendo o conteúdo, abriu-o, disseminando um pó altamente tóxico, o cloreto de césio. Centenas de pessoas foram contaminadas e algumas morreram. Siron trabalhou o assunto em uma série de pinturas e objetos a fim de protestar e conscientizar as autoridades e a população. “Esse traço ‘participante'’do cidadão – do pintor – se expressa em manifestações que às vezes extrapolam a linguagem da pintura para se valerem de formas heterodoxas de expressão,” analisa o crítico e poeta Ferreira Gullar.

O olho que conta histórias

Conhecido pelos trabalhos que realiza em série, ou seja, a construção de um conjunto de obras agrupadas a partir do mesmo tema, Siron Franco explora as possibilidades que os temas escolhidos lhe oferecem. No entanto, selecionar um tema procura representá-lo, não como uma reprodução fiel ao fato, mas criando, por meio da linguagem artística, imagens capazes de promover algum tipo de reflexão. Por isso, normalmente opta por imagens e objetos que, em um primeiro momento, podem causar estranhamento ou incômodo a quem vê. Leia o depoimento do artista.

"A arte tem a finalidade de tentar melhores dias para o homem. Eu tento da minha forma, dando o meu testemunho sobre aquilo que me toca. Faço, a meu modo, uma crônica subjetiva da época em que vivo”.

(Siron Franco, 1974)

Leia os textos do link MEIO AMBIENTE E VIDA ANIMAL a seguir. Divida a turma em grupos, distribuindo para cada um deles um dos temas. Peça que em grupos leiam os textos selecionados. Proponha que conversem sobre o texto, registrando em uma folha de papel os pontos mais relevantes e, em seguida, cada grupo vai apresentar seu registro para os demais.

Meio ambiente e vida animal Ver conteúdo

ANIMAIS EM EXTINÇÃO

"[...] o patrimônio natural brasileiro, que é o de maior biodiversidade do mundo, vem sofrendo perdas que se tornam irrecuperáveis. Algo deve ser feito com a maior urgência para deter essa destruição, pois a maior parte dos animais em extinção tem como causa principal as mudanças causadas no seu habitat e cuja origem está nos desmatamentos, nas mudanças dos cursos dos rios, na caça ilegal e na captura de muitos destes animais para posterior venda ilegal.

A verdade é que cada vez que uma nova pesquisa é feita para ver o número de animais ameaçados de extinção, esse número aumenta.

Enquanto o SOS natureza continua ecoando por todos os lados, parece que muitos continuam sem ouvir estes apelos, pois o número de animais em extinção continua aumentando à medida que aumenta a venda de animais silvestres.[...].

Depois das drogas e armas está o contrabando de animais, ficando este em terceiro lugar. Ainda é preciso salientar que muitas vezes, para fazer o disfarce da carga, estes contraventores usam métodos cruéis e muitos destes animais não resistem e acabam morrendo durante o transporte. São em grande parte animais em extinção e mortos cruelmente quando deveriam ser preservados.

Especialistas no assunto, depois de muitos debates para desacelerar o aumento no número de animais em extinção chegaram à conclusão que, sendo um negócio altamente rendoso não adianta pensar em conscientizar o vendedor. Acreditam que alcançarão resultados melhores se fizerem essa conscientização com os compradores. Por mais que se venha trabalhando com as pessoas para dar a elas uma educação ambiental a altura do que precisamos hoje no mundo, é difícil andar com a velocidade com que a destruição anda, pois esta é muito veloz”.

Fonte: MEIO Ambiente. Disponível em: <http://www.meioambiente.biz/preservacao/animais-em-extincao>. Acesso em: 28 abr. 2011.

Uma pequena lista de animais considerados em vias de extinção

Mamíferos Aves Répteis Plantas
Antílope-tibetano
Cachorro-do-mato-vinagre
Cervo-do-pantanal
Elefante-indiano
Elefante-da-floresta
Elefante-da-savana
Baleia-azul
Chimpanzé
Gato-do-mato
Gato-palheiro
Gorila-do-ocidente
Jaguatirica
Leopardo
Lobo-vermelho
Morcego-cinza
Onça-parda
Onça-pintada
Orangotango
Panda-gigante
Peixe-boi
Tigre
Urso-polar
Veado
Abutre-das-montanhas
Arara-azul-de-lear
Arara-azul-grande
Arara-azul-pequena
Ararinha-azul
Araracanga ou Ararapiranga
Arara-de-barriga-amarela
Arara-vermelha
Bacurau-de-rabo-branco
Bicudo-verdadeiro
Cardeal-da-amazônia
Cegonha preta
Galo-da-serra
Gaivota-de-rabo preto
Gavião real
Grifo
Maracanã
Pato mergulhão
Papagaio
Pica-pau de coleira
Pintor-verdadeiro
Rolinha
Tucano-de-bico-preto
Cágado de Hoge
Camaleãozinho
Cobra-lisa europeia
Cobra-de-vidro
Tartaruga-de-couro
Tartaruga marinha
Tartaruga-de-meio-pente
Tartaruga-olivácea
Tartaruga-de-couro
Dragão-de-komodo
Jararaca de alcatrazes
Jacaré-de-papo-amarelo
Lagartixa-da-areia
Lagartixa da montanha
Víbora-cornuda
Andiroba
Cedro
Jacarandá
Mogno
Pau-brasil
Pau-de-cabinda
Pau-rosa

Projeto Ararinha-Azul - Curaçá/BA

Conseguiremos salvá-la?

A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), ave da família Psittacidae é uma das espécies mais ameaçadas de extinção do planeta. Existe atualmente apenas um exemplar em liberdade, vivendo no município de Curaçá/BA, e outros 60 em cativeiro espalhados pelo mundo.

A ararinha-azul sempre foi rara na natureza, e durante séculos de colonização humana seu habitat vem sendo destruído. O principal fator que levou a espécie a este quadro dramático foi a retirada de ararinhas da natureza, por traficantes de aves, para o comércio ilegal. Em 1990 o Governo Brasileiro criou o Comitê Permanente para Recuperação da Ararinha-Azul (CPRAA), que é composto pelo Ibama, Parque Zoológico de São Paulo, Criadouro Chaparral (Recife), Fundación Loro Parque (Tenerife), Birds International (Filipinas), Houston Zoo, mantenedores, entidades e pesquisadores nacionais e estrangeiros.

O CPRAA tem um grupo trabalhando com as ararinhas de cativeiro. O Programa como um todo se baseia em aumentar o “estoque” de ararinhas que estão em cativeiro, através da reprodução controlada. No início eram 17 ararinhas; hoje já são cerca de 60, distribuídas entre Brasil (Recife e São Paulo), Filipinas, Suíça e Tenerife (Espanha).

Em 1991, o CPRAA criou o PROJETO ARARINHA-AZUL, no município de Curaçá, com a finalidade de estudar a ararinha-azul no campo, ou seja, sua área de vida, padrões de deslocamento, alimentação e comportamento, buscando preservar as áreas em que ela habita. Além disso, o Projeto faz um trabalho de envolvimento da comunidade para que as pessoas se identifiquem com a causa da ararinha e participem do trabalho de conservação. Outra atividade desenvolvida pelo Projeto é a pesquisa sobre a biologia de um outro psitacídeo da região, a maracanã (Ara maracana), que tem hábitos muito semelhantes aos da ararinha.

O PROJETO em Curaçá dispõe de uma base na cidade e outra no campo, localizada na caatinga, dentro da área de vida da ararinha, a cerca de 30 quilômetros da sede do município. Também possui uma Toyota, indispensável para o deslocamento nas difíceis estradas da região.

Para a realização dos trabalhos, o Projeto conta com a presença de um biólogo na cidade em tempo integral; este conta com o auxílio de um assistente de campo e de vaqueiros locais. Também são recrutados estagiários, geralmente estudantes de biologia, que auxiliam na coleta de dados.

Fonte: PROJETO Ararinha-Azul. Disponível em: <http://www.ararinha-azul.vilabol.uol.com.br/index2.htm>. Acesso em: 28 abr. 2011.

Caça predatória ameaça tartaruga na Amazônia

Brasília - Estudos realizados pela bióloga Érica Cristina Padovani Haller constatou que duas espécies de tartarugas que habitam a floresta amazônica estão ameaçadas pela caça predatória e desordenada, na região da Reserva Biológica do Rio Trombetas, no Pará: a Podocnemis sextuberculata e a Podocnemis unifilis, popularmente conhecidas como pitiú e tracajá.

De acordo com a pesquisadora, o consumo de ovos e carne de tartarugas é hábito entre as populações indígenas e quilombolas da região, que estão caçando os animais sem qualquer tipo de controle ou preocupação ecológica. “A tracajá e a pituí estão sendo predadas tanto quanto a tartaruga-da-amazônia. Suas populações estão declinando visivelmente na região”, alerta.

Segundo Érica Heller, é preciso aprimorar a fiscalização e encontrar alternativas sociais para que os habitantes locais reduzam a predação sobre os quelônios. Para ela, a construção de criadouros é uma das possibilidades mais viáveis: “com eles, a comunidade poderia continuar com a exploração das tartarugas, porém de maneira sustentável e mais benéfica para todos”.

O trabalho também chegou a outras conclusões que podem ajudar na preservação das duas espécies, como a correlação entre o comprimento da carapaça de fêmeas de pitiú com o número, peso e volume dos ovos da ninhada.

Fonte: JORNAL da Mídia, 2 mar. 2004. Disponível em: <http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2004/03/Brasil/02-Caca_predatoria_ameaca_tartaru.shtml>. Acesso em: 28 abr. 2011.

O projeto Tamar

O Projeto Tamar-ICMBio foi criado em 1980, pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, que mais tarde se transformou no Ibama-Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho socioambiental.

Pesquisa, conservação e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, é a principal missão do Tamar, que protege cerca de 1.100 quilômetros de praias, através de 23 bases mantidas em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas, em nove Estados brasileiros.

O nome Tamar foi criado a partir da combinação das sílabas iniciais das palavras tartaruga marinha, abreviação que se tornou necessária, na prática, por conta do espaço restrito para as inscrições nas pequenas placas de metal utilizadas na identificação das tartarugas marcadas para diversos estudos.

Desde então, a expressão Tamar passou a designar o Programa Brasileiro de Conservação das Tartarugas Marinhas, executado pelo Centro Brasileiro de Proteção e Pesquisa das Tartarugas Marinhas-Centro Tamar, vinculado à Diretoria de Biodiversidade do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade-ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente.

Fonte: PROJETO Tamar-ICMBio. Disponível em: <http://www.tamar.org.br>. Acesso em: 28 abr. 2011.

 

COMERCIALIZAÇÃO DE ANIMAIS

O comércio ilegal de animais silvestres é um negócio que movimenta por ano entre 10 e 20 bilhões de dólares, perdendo apenas para o tráfico de drogas. O Brasil participa deste mercado com aproximadamente US$ 1 bilhão ao ano, uma vez que sua rica biodiversidade, os problemas sociais e as razões culturais fazem do Brasil um dos principais fornecedores de animais silvestres do mundo.

Calcula-se que, por ano, entre 12 a 38 milhões de animais silvestres são retirados das matas brasileiras. Deste total, porém, apenas um em cada dez animais retirados chegam ao seu destino final e nove morrem durante a captura ou transporte. Entre os maus-tratos sofridos, além de serem transportados em pequenos espaços, sem água e alimento, muitos animais têm seus olhos furados, as asas amarradas, as garras e os dentes arrancados e os ossos quebrados.

No Brasil, os principais locais de captura estão nos estados da Bahia (Milagres, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Cipó), Pernambuco (Recife), Pará (Belém e Santarém), Mato Grosso (Cuiabá) e Minas Gerais, de onde são escoados para as regiões Sul e Sudeste. Nestas regiões as aves são destinadas a coleções particulares, lojas de mascotes, criadores, feiras livres ou ao mercado exterior.

Entre os animais traficados, as aves por sua beleza e pelos seus cantos, aliado a ampla distribuição geográfica e alta diversidade, são os grupos de animais mais procurados.

Conforme dados do Ibama (Brasil, 2002), aproximadamente 71% dos animais contrabandeados são aves e isto se deve à rica avifauna presente na América do Sul e, em especial, no Brasil. De acordo com Sick (1997), a América do Sul possui a mais rica avifauna do planeta, com mais de 2.950 espécies entre residentes e visitantes; o Brasil possui um número estimado em mais de 1.690 espécies de aves, sendo 191 endêmicas segundo o Ministério do Meio Ambiente-MMA (Brasil, 2002). No Nordeste brasileiro estão presentes em torno de 695 espécies catalogadas, distribuídas em 20 ordens e 63 famílias; a caatinga, o único bioma estritamente brasileiro, possui 348 espécies de aves, com 4,3% endêmicas.

Estima-se que 4 bilhões de aves por ano sejam comercializadas ilegalmente; destas, 70% são destinadas para o comércio interno e cerca de 30% vão para o mercado da Europa, Ásia e Estados Unidos. Do total de aves comercializadas, poucas são apreendidas e um número muito menor possui condições de ser devolvida à natureza, como prevê o artigo 25 §1º da Lei dos Crimes Ambientais (lei nº 3179/99), que diz: “Os animais serão libertados em seu habitat, ou entregues a jardins zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas desde que fiquem sob responsabilidade de técnicos habilitados”.

Porém o que ocorre, na grande maioria das vezes, é a soltura do animal sem nenhum critério científico, liberando-o no próprio local de apreensão, fora de sua distribuição geográfica natural e sem nenhuma avaliação do seu estado natural, sendo os efeitos dessas solturas não acompanhados e desconhecidos.

O impacto mais significativo gerado pelo tráfico de animais é o desequilíbrio populacional, já que a captura excessiva é a segunda principal causa da redução populacional de várias espécies, perdendo apenas para a degradação e perda de habitat provocada pelo desmatamento. Além disso, o pássaro preso é excluído do processo reprodutivo, ficando incapacitado de deixar descendentes, o que aumenta o risco de extinção de várias espécies. Segundo o Ministério do Meio Ambiente-MMA (Brasil, 2003), o comércio gerado pelo tráfico já contribuiu para a extinção de algumas das espécies do Brasil, [...].

Apenas na Paraíba, cerca de 22 espécies de aves estão ameaçadas de extinção, a exemplo do pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa) e do pintassilgo (Carduelis yarrellii)..

Embora a cidade de Campina Grande, bem como outras cidades do estado da Paraíba, não esteja incluída entre as cidades com grande participação no tráfico de aves, é comum a venda destas em mercados livres, mostrando então a presença de um pequeno tráfico interno. Sendo assim, avaliar a comercialização de aves na cidade de Campina Grande-PB, de modo a analisar as formas de captura, manutenção e venda destas, e também estabelecer o quadro socioeconômico-cultural dos comerciantes, é necessário para observar o quanto esta atividade pode ser geradora de desequilíbrio populacional e geradora de fonte de renda para as famílias que dessa atividade participam.

Pintassilgo (Carduelis yarrellii)
Família: Fringillidae

É um pássaro de boa aparência, com a coloração preta e amarelada e cerca de 10,5 cm de comprimento. É uma ave bastante procurada por ser mansa e de fácil manutenção. Está distribuída pelo Nordeste, principalmente nos estados de Ceará, Pernambuco, Alagoas e Bahia, onde habitam matas abertas, pinhais e cerrados. Apresenta um nível de ameaça vulnerável (Brasil, 2003). Fonte: Federação Ornitológica de Minas Gerais <http://www.feomg.com.br/passaros.asp>.

Fonte: ROCHA, Michelle da Silva Pimentel et al. Aspectos da comercialização ilegal de aves nas feiras livres de Campina Grande, Paraíba, Brasil. Revista de Biologia e Ciências da Terra, v. 6, n. 2, 2006. O trabalho completo, incluindo as referências bibliográficas que fundamentam as informações apresentadas, você encontra no site <http://eduep.uepb.edu.br/rbct/sumarios/pdf/comercializacaoilegalaves.pdf>. Acesso em: 28 abr. 2011. Texto adaptado.

 

ANIMAIS MARINHOS E A POLUIÇÃO

Vista do espaço, a água predomina na Terra. Os oceanos cobrem 71% da superfície do planeta, com profundidade média de 3.795 metros. Todas as elevações da terra exposta poderiam facilmente ser escondidas nas profundezas dos mares. É difícil acreditar que a poluição humana seja capaz de ameaçar tal imensidão. [...] Vastas áreas do leito marinho são de terra estéril, pouco capaz de sustentar a vida. Para sobreviverem e prosperarem, os animais marinhos dependem de nichos ecológicos ricos em alimentos e biodiversidade. Os recifes de corais, verdadeiros viveiros marinhos, são um exemplo bem conhecido. Quando a ação predatória da humanidade avança sobre esses nichos de biodiversidade ou depreda os estoques de peixes comerciais, está colocando em risco a cadeia alimentar marinha. Os oceanos são imensos - mas o ritmo da poluição causada pela ação humana é intenso. A Grande Mancha de Lixo, como é chamada a sopa de detritos no Oceano Pacífico, é exemplo do que se pode fazer para estragar o mar. A 2 mil quilômetros do litoral do Havaí, entre o arquipélago e a Califórnia, ela constitui o maior dos depósitos marinhos de lixo. Ali, pedaços de plástico, restos de redes de pesca, roupas, garrafas e uma infinidade de detritos produzidos pelo homem superam em seis vezes o peso total dos zooplânctons, os organismos minúsculos que estão na base da cadeia alimentar marinha. São 3 milhões de toneladas de lixo, uma quantidade que São Paulo leva seis meses para produzir. Depósitos flutuantes de lixo são um fenômeno natural formado pelo movimento circular das correntes marinhas, os chamados giros oceânicos. Já a Grande Mancha de Lixo, que pode ser avistada de avião, é o sinal de degradação ambiental. O impacto nefasto da ação humana sobre os oceanos se dá de várias formas. Aqui estão as mais significativas:

Poluição - A face mais conhecida da sujeira lançada ao mar são os 4,5 milhões de toneladas de petróleo que vazam por ano nos oceanos. Os danos causados pelos resíduos sólidos são igualmente intensos. Cerca de 70% dos sacos plásticos, latas, garrafas e pneus são depositados no fundo do mar. O restante navega pela superfície ou fica preso nos grandes giros oceânicos. Esses lixões são devastadores para a vida marinha. Golfinhos, focas e tartarugas ficam presos em redes de pesca e morrem sufocados. Peixes e pássaros engolem pedaços de plástico e de metal e também perdem a vida. Estima-se que o lixo acumulado nos mares seja o responsável direto pela morte de 1 milhão de aves e mamíferos marinhos por ano. Quase todo esse lixo chega aos oceanos levado pelas águas dos rios ou é arrastado pela maré de praias sujas. São despejadas 675 toneladas de resíduos sólidos por hora no mar - e 70% desse total é constituído de objetos feitos de plástico. Mesmo quando não há mar, não existe praia limpa: em todo o mundo, entre 5% e 10% da areia litorânea é formada por pellets - bolinhas de meio centímetro de diâmetro que servem de matéria-prima para a indústria de plásticos. Ingeridos por peixes, crustáceos e moluscos, esses pellets afetam a alimentação humana. [...].

Fonte: SCHELP, Diogo. O lixão dos mares: três milhões de toneladas de detritos concentrados em um ponto do Pacífico sinalizam o impacto devastador da ação humana sobre os oceanos. Revista Veja, 30 jul. 2008. Você pode ler o texto completo no site . Acesso em: 28 abr. 2011. Texto adaptado

O olho pensa, a mão que faz, o corpo que inventa

Com as proposições didáticas sugeridas, espera-se que os alunos possam se aproximar, de uma maneira aberta, da obra do artista, buscando encontrar possibilidades de exploração poética desse objeto artístico. Tal aproximação propicia a ampliação de seus repertórios visuais e conceituais.

Ao apresentarmos os conteúdos relacionados às aprendizagens, definimos o que esperamos que os alunos aprendam e também estabelecemos uma relação entre os conteúdos e as reais possibilidades de construção de conhecimentos em suas diferentes etapas de desenvolvimento cognitivo, afetivo e relacional.

Expectativas de aprendizagem Ver conteúdo

Assemblage – Homem × Animais: extinção ou preservação?

Conteúdos

  • Percurso poético do artista Siron Franco
  • Assemblage
  • Preservação de animais, meio ambiente e ação do homem como tema da arte

Objetivos específicos

  • Identificar aspectos do processo de criação e construção do artista Siron Franco
  • Desenvolver a leitura de imagem
  • Refletir e discutir com o grupo de alunos temas sobre a preservação dos animais, o meio ambiente e a ação do homem como subsídio para produção de trabalhos em arte
  • Construir um trabalho plástico para comunicar determinada ideia sobre meio ambiente a partir da assemblage

Avaliação

Considerando que a avaliação é um instrumento do professor para saber se o objetivo que propôs foi ou não alcançado e perceber o grau de dificuldade vivenciado pelos alunos durante o percurso educativo, este item tem como objetivo apontar caminhos por meio de levantamento de questões (perguntas), que ajudem o professor a perceber se os alunos se apropriaram dos conteúdos apresentados ou não e de que forma. Para tanto, a avaliação para essa proposição didática estará contida nos itens 4 e 5 da atividade sugerida.

Proposta de trabalho Ver conteúdo

Materiais

  • Papelão ou compensado de madeira para suporte
  • Cola quente e cola branca
  • Tinta acrílica várias cores ou tinta látex com corantes
  • Pincéis em vários tamanhos

Assemblage – Homem × Animais: extinção ou preservação?

  1. Explicite para a turma que o trabalho a ser construído será uma série, em que o tema principal será o problema de preservação e extinção dos animais versus o homem. Explique o que é assemblage, se possível mostre o link sobre o assunto. Proponha que criem um trabalho de assemblage a partir da leitura que fizeram dos textos tanto para conseguirem realizar um trabalho com a técnica de assemblage como para conseguirem comunicar uma ideia sobre o tema Homem × Animais: extinção ou preservação. Peça que discutam quais materiais serão colados na superfície do suporte para estabelecerem diálogos com o conteúdo dos textos lidos. Lembre-os de que, como o artista Siron Franco, o tema deverá ser representado de forma subjetiva, ou seja, deverá provocar certo estranhamento por não estabelecer uma relação direta com a realidade. Dê um tempo para que escolham os materiais que serão colados na superfície do suporte e marque uma aula para a execução do trabalho. Sugira que os alunos reaproveitem materiais tais como: saquinhos de supermercado, papelão, embalagens, tecidos estampados ou lisos, objetos utilitários etc. Converse com eles para que busquem estabelecer, por meio da escolha dos objetos, diálogos diretos ou indiretos com o tema. Ressalte que a colagem dos objetos é uma das partes do processo de construção da assemblage, cabendo ao grupo intervir, se desejarem, sobre os objetos colados no suporte. Exemplos: pintar, desenhar, riscar, amassar, dobrar etc.
  2. Já com os objetos selecionados e suporte em mãos discuta com os alunos como a composição visual deverá ser construída para conseguir dar seu recado de maneira mais poética. Dê início ao trabalho de organização e colagem dos objetos no suporte. Tenha cuidado para que os objetos sejam colados em vários pontos e, ao serem suspensos, não descolem do suporte Deixe secar completamente.
  3. Proponha que os grupos criem intervenções sobre os objetos colados utilizando a tinta acrílica ou látex. Eles poderão mudar completamente a cor dos objetos, selecionar algumas partes, criar estampas, desenhos ou apenas deixá-los como estão.
  4. Ao término dos trabalhos, peça que os alunos deem um título para a série. Exponha todos os trabalhos e proponha que os alunos façam a leitura de todos eles.
  5. Avalie:
    • Os alunos se apropriaram do conceito de assemblage e construíram uma composição significativa?
    • Eles conseguiram estabelecer relações entre os textos lidos, o trabalho do artista e suas produções?
    • Os alunos conseguiram penetrar no universo da obra de Siron Franco por meio da leitura de imagem?
    • A pesquisa os ajudou saber mais sobre os problemas ambientais relacionados aos animais nas obras de arte?
    • Que outras questões você poderia propor para avaliar os percursos desenvolvidos até aqui?

Assemblage Ver conteúdo

O termo assemblage é incorporado às artes em 1953, cunhado por Jean Dubuffet (1901-1985) para fazer referência a trabalhos que, segundo ele, “vão além das colagens”. O princípio que orienta a feitura de assemblages é a "estética da acumulação": todo e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra de arte. O trabalho artístico visa romper definitivamente as fronteiras entre arte e vida cotidiana.

A ideia forte que ancora as assemblages diz respeito à concepção de que os objetos díspares reunidos na obra, ainda que produzam um novo conjunto, não perdem o sentido original. Trata-se de justaposição de elementos, em que é possível identificar cada peça no interior do conjunto mais amplo. A referência de Dubuffet às colagens não é casual. Nas artes visuais, a prática de articulação de materiais diversos em uma só obra leva a esse procedimento técnico específico, que se incorpora à arte do século XX com o cubismo de Pablo Picasso (1881-1973) e Georges Braque (1882-1963). Ao abrigar no espaço do quadro elementos retirados da realidade - pedaços de jornal, papéis de todo tipo, tecidos, madeiras, objetos etc. -, a colagem liberta o artista de certas limitações da superfície. A pintura passa a ser concebida como construção sobre um suporte, o que pode dificultar o estabelecimento de fronteiras rígidas entre pintura e escultura.

Fonte: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de artes visuais. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=325&cd_item=8&cd_idioma=28555>. Acesso em: 28 abr. 2011.

1.
Jean Dubuffet - Partie liée au sol, 1958, óleo sobre tela (assemblage)
3.
Siron Franco - Casulo, 2000, terra, pigmentos de terra, estrutura com peneiras, tela de ferro, tecido e penas de galinha-d’angola

Provocando olhares

Toda obra de arte é resultado de um trabalho exaustivo de escolhas e reflexões que passam por transformações sucessivas. A obra surge a partir de investimento de tempo, dedicação, disciplina por parte do artista e domínio da linguagem, passando também por um processo de pesquisas, avaliações e planejamento. O trabalho de criação exige do artista um envolvimento absoluto ao tema que poderá ser representado de forma direta ou indireta, figurativa ou abstrata, mais poética ou menos poética. O ponto de partida para a criação de uma obra sofre variações de acordo com a natureza poética do trabalho do artista e sua relação com o meio. Acontecimentos, conversas, sonhos, sentimentos, vivências, palavras, imagens, sons podem transformar-se em materialidade concreta na construção da obra de arte.

O olhar que dialoga com o meio ambiente

BLUE marble. Imagem feita pelo Centro Espacial Goddard.
Disponível em: <http://n.i.uol.com.br/ultnot/album/100226_f_036.jpg>. Acesso em: 8 abr. 2011.

“PRINCÍPIOS

Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

- Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.

- Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.

- Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência equitativa de tecnologias ambientais seguras.

- Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.

Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.

Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito”.

(CARTA da Terra. Disponível em: <http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html>. Acesso em: 28 abr. 2011.)

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade justa e pacífica. É uma visão de esperança e um chamado à ação. Apesar de o projeto ser uma iniciativa das Nações Unidas, ele se desenvolveu como uma iniciativa global da sociedade civil.

O olho que refaz o percurso

“É, acho que é o meu sistema nervoso, ele é que faz a pintura. Se eu sou tocado por uma frase, por uma fala, uma história ou um quadro, isso repercute imediatamente e faz parar o que eu já comecei, então eu tenho essa liberdade, essa irresponsabilidade, não sei. O ato de fazer, para mim, é que consiste a coisa. Eu sou muito envolvido pelo processo”.

(Siron Franco, entrevista concedida ao Jornal do Margs, conduzida pela jornalista Cida Golin, com a presença de Alfredo Aquino e Paulo Gomes. Disponível em: . Acesso em: 28 abr. 2011)

O depoimento do artista traz à tona duas questões primordiais para seu processo de criação: a sua capacidade de observação das coisas e fatos de seu entorno e a importância do fazer como forma de construção do pensamento visual. Assim, o artista dialoga com o meio, fazendo do ato de construção o momento da criação.

Isso nos faz pensar sobre a importância do fazer artístico para a construção do conhecimento em arte. Assim como acontece com o artista, ao manipular e perceber as propriedades dos materiais, estamos criando diálogos com os temas que desejamos direta ou indiretamente representar. Pesquisando, manipulando, selecionando, produzindo e organizando os materiais para a construção de um trabalho artístico, transformamos procedimentos em obra de arte.

No caso do percurso desenvolvido pelos alunos, ao selecionarem objetos, discutirem suas relações com o tema abordado, formas de organização dos elementos dentro do espaço, modo de fixação e finalização, puderam colocar em prática tudo o que aprenderam, além de descobrirem novas soluções plásticas.

Retome o processo vivido com seus alunos e peça que eles comentem sobre a relação entre o tema abordado pelo artista na obra Peles e tripas do Brazil e sua forma de representação. Da mesma maneira, peça que os alunos falem sobre as relações estabelecidas entre o tema abordado nas assemblages e a constituição material de seus trabalhos.

Linha da vida. Tempo das obras

O olhar que descobre

Livros e Catálogos

ADES, Dawn. Siron Franco: figuras e semelhanças: pinturas de 1968 a 1995. Rio de Janeiro: Index, 1995.

BUORO, Anamelia Bueno. Olhos que pintam: a leitura da imagem e o ensino da arte. São Paulo: Educ: Cortez, 2002.

COSTA, Cacilda Teixeira da. Arte no Brasil 1950-2000: movimentos e meios. São Paulo: Alameda, 2004.

DASHEFSKY, H. Steven. Dicionário de ciência ambiental: um guia de A a Z. Trad. Heloisa Helena Torres. 3.ed. São Paulo: Gaia, 2003.

FRANCO, Siron. Pinturas. Curadoria Alfredo Aquino. Porto Alegre: Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, 1999.

PILLAR, Analice Dutra (Org.). A educação do olhar no ensino das artes. Porto Alegre: Mediação, 1999.

Documentos eletrônicos

CAUSAS de extinção. Disponível em: <http://www.nex.org.br/causas_quant_peles_gat_peq.htm>. Acesso em: 28 abr. 2010.

SCHELP, Diogo. O lixão dos mares: três milhões de toneladas de detritos concentrados em um ponto do Pacífico sinalizam o impacto devastador da ação humana sobre os oceanos. Revista Veja, 30 jul. 2008. Disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_293401.shtml>. Acesso em: 28 abr. 2010.

SIRON Franco. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia &cd_verbete=3344&lst_palavras=&cd_idioma=28555&cd_item=1>. Acesso em: 28 abr. 2010.

______. Disponível em: <http://www.sironfranco.com>. Acesso em: 28 abr. 2010.

______. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/sironfranco>. Acesso em: 28 abr. 2010.

Vídeos

SIRON Franco: natureza e cultura. Dir. Sarah Yakhni. São Paulo: Rede SescSenac de Televisão, 2001. 1 DVD (23 min.). (O mundo da arte). Acompanha material educativo para professor-propositor. DVDteca Arte na Escola.

SIRON Franco: olhar inquieto. Dir. Ronaldo Duque. A parte 1 está disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=hXl42iGriEM>. Acesso em: 28 abr. 2010.

______. A parte 2 está disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=cdMWAZY7iWs&NR=1>. Acesso em: 28 abr. 2010.

Chave de palavras

Abstratas
Que não remetem à semelhança direta de objetos existentes no mundo.
Assemblage
Denominação de trabalhos artísticos cujos procedimentos envolvem colagem e aglomeração de materiais diversos. Esse termo foi incorporado às artes em 1953, cunhado por Jean Dubuffet (1901-1985) para fazer referência a trabalhos que, segundo ele, “vão além das colagens”. O princípio que orienta a feitura de assemblages é a “estética da acumulação”: todo e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra de arte.
Campo visual
Espaço destinado à imagem.
Gravura
Desenho feito em superfícies duras – como madeira, pedra, metal, borracha – com base em incisões, corrosões e talhos realizados com instrumentos e materiais especiais. Ao contrário do desenho, os procedimentos técnicos empregados na gravura permitem a reprodução da imagem. Nessa medida, uma gravura é considerada original quando é resultado direto da matriz criada pelo artista, que com essa base imprime a imagem em exemplares iguais, numerados e assinados. Em função da técnica e do material empregados, a gravura recebe uma nomenclatura específica: litografia, gravura em metal, xilogravura, linoleogravura, serigrafia etc.
Instalação
é a produção artística em que o ambiente e os objetos nele contidos constituem o trabalho de arte. A instalação é justamente a transformação de um espaço que, por meio das ideias de um artista, torna-se um espaço ativo artístico.
Justapostas
Que estão juntas, lado a lado.
Materialidade
Material bruto que, apropriado e transformado pelo artista, torna-se matéria de arte.
Objeto
é um termo que surgiu para designar obras de arte contemporânea, que são tridimensionais, mas não são esculpidas ou modeladas como uma escultura.
Série
Conjunto de obras com o mesmo tema.
Serigrafia
Consiste em uma técnica de impressão da imagem por meio de tela, emulsão fotossensível e entintamento sobre papel.
Suporte
Material que serve de base para o artista realizar um trabalho de arte (tela, papel, madeira etc.) e que dialoga com o trabalho realizado.
Texturas
Aspectos visuais ou táteis de uma superfície.