Forum
Solange Utuari

Questão provocadora inicial:
Em todo o Brasil temos visto um movimento no sentido de construir propostas curriculares em Arte. Mas, como os educadores estão recebendo estas propostas? Um currículo em Arte pode subsidiar o trabalho do educador instigando este a criar a partir da proposta ou ser um elemento de limitação de ações educativas? Em sua região há proposta curricular em Arte? Como você vê este currículo, de maneira positiva ou negativa?

Meus agradecimentos a todos que participaram desse forum e concordo que precisamos discutir mais sobre o curriculo em arte que se forma hoje pelo Brasil.

Bom Natal a todos e um otimo ano!

Solange Utuari

Mirca Izabel Bonano
Caros professores
 

Sejam bem-vindos ao fórum de novembro.

Este espaço será a partir de hoje, utilizado para provocar o debate quanto as questões pertinentes ao Currículo em Artes. Perguntas como:  Na sua região há proposta curricular?  Qual a concepção de arte presente na proposta? Qual a concepção de ensino de arte?  Como se deu a implantação?  Houve formação continuada?  Você acredita nesta proposta?

A proponente e mediadora deste encontro é a coordenadora pedagógica do Polo Arte na Escola da Universidade Cruzeiro do Sul, Solange Utuari.

Solange é  mestre em Artes Visuais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho UNESP, sob a orientação da professora Doutora Mirian Celeste Dias Martins. Docente na Universidade Cruzeiro do Sul,  e  atua como coordenadora cultural do programa de Pesquisa e Educação de Jovens e Adultos. Coordena e participa de grupos de estudo de pesquisa sobre o ensino de arte na escola e a mediação cultural. É autora de livros, artigos, materiais didáticos e orientações pedagógicas para professores que abordam o ensino de arte.  Além da sua experiência em Arte - Educação, é Ilustradora e Artista plástica já participou de várias exposições individuais e coletivas no Brasil, Itália e Japão.

Seja bem-vinda, Solange. É um prazer muito grande podermos contar contigo neste espaço de trocas e discussão.

O fórum ficará aberto até 15 de dezembro de 2010 e, ao longo deste período, pretendemos ampliar nossas possibilidades de conhecer como os professores e gestores brasileiros pensam esta questão.

É a oportunidade também para compartilhar ideias, novos desafios, novas propostas e conhecermos como cada Estado vem lidando em suas redes educacionais com esta realidade.

Este é um espaço aberto para a troca de conhecimentos e relatos de experiência. Vocês são os nossos convidados! Chame também seus amigos para partilhar desta troca.


Grande abraço,

Mirca Bonano
Instituto Arte na Escola
Patrícia Ferraz Da Silva

 A PROPOSTA CURRICULAR DO ESTADO DE SÃO PAULO, confesso que  a princípio me assustou.Pois na mesma se encontram as  quatro linguagens da Arte para serem dados por bimestres.

  E na minha situação que não há uma sala fixa de fevereiro a dezembro é complicado, mas me norteio por ela e faço meu trabalho. Estou há dois anos como professora de Artes e estou adorando me apaixonando cada vez mais.Sou arte educadora , escritora e contadora de histórias.

Abraços

Patrícia Ferraz

Fabio Henrique Potzl
Eu, como outros educadores da rede, estou entendendo a proposta curricular, imposta pelo governo. Todavia eu não consigo entender como trabalhar arte contemporânea, sem antes tê-los instruido sobre a Arte desde os primórdios da humanidade, o que na minha opinião é de fundamental importância para seu entendimento. Pois isso deveria ser introduzido no E.F. Ciclo I. Até porque todo artista ou educador passou por esse processo de aprendizagem, e necessita entender  seu percurso no passar dos tempos, para compreendê-la hoje. Os encontros foram de grande importância, porém gostaria de deixar aqui registrado minha opinião.
Alessandra Sericawa
Boa Noite! No começo confesso que fiquei muito assustada, mais com o tempo percebi que foi bom.Os temas são diferenciados o caderno oferece temas curiosos onde leva o aluno pensar pesquisar e se envolver com as atividades propostas. No inicio nos professores ficamos perdidos com a nova proposta, foi dificil ,de enterder e de compreender ,mais com a oferta de cursos como esses,ajuda a sanar as duvidas. Tenho ouvido muitas criticas sobre a nova proposta ,no meu caso tem sido facilitador abrindo o leque de várias linguagens da arte,sendo assim um aspecto facilitador para professores e alunos.
Alexandra Do Nascimento Luzia Da Silva

Uma proposta Curricular pode ampliar ou limitar seus trabalhos?

Como meus caros colegas ja relataram no começo foi um terror, mesmo porque me preocupei muito com o que me foi imposto que não me dei conta do rico material que tinha recebido , e que pela primeira vez não precisei pagar por ele. Enfim a proposta é um norte maravilhoso e se tratando das artes visuais então esta tudo lá ao vivo e melhor ainda a cores.

Rita Decassia Mastropietro

Oi Solange, e colegas de curso.

Ingressei na rede publica estadual este ano, e me deparei com as apostila, e para meu espanto o que vi “arte contemporânea” para uma recém formada, com idéias acadêmicas, com vária releituras dos grandes mestres, com um professor chave renascentista,  por excelência, me perguntei: E agora José ?  Pesquisei, pedi socorro, comprei livros e procurei me adequar aos conteúdos da apostila. E percebi como a arte contemporânea é tão bela  quanto as dos períodos históricos.  Na faculdade vi e senti muito pouco desta maravilha que é a arte contemporânea. Com meus alunos do ensino médio percebi um pouco de desconforto em trabalhar com as apostilas, pois eles não estavam acostumados a usa-las desde a sua implantação.

Para suscitar o debate sobre o assunto me inspirei na obra de Luciano Mariussi “Entre gritando”, que aparece no Caderno de Arte do 2º Ano do Ensino Médio do 1º Bimestre, escrevi e imprimi a frase “Entre gritando” com letras grandes, a frase “EU SEI O QUE É ARTE CONTEMPORÂNEA!” com letras pequenas e a frase “e ganhe um ponto positivo” com letras bem miúdas e coloquei no alto da porta de entrada das várias salas de aula dos Segundos Anos que leciono. Queria ver a reação dos alunos assim como dos visitantes do Museu de Arte Moderna de São Paulo onde foi feita a obra. Claro que a reação não foi muito diferente: os alunos em geral se constrangiam com a hipótese remota de entrarem gritando – fosse lá o que fosse – em uma sala de aula; e ainda tinham que se haver com a dúvida “por acaso eu sei o que é arte contemporânea?” Além de entrar gritando na classe, comportamento fora de padrão de conduta na Escola, o desafio era bradar a plenos pulmões uma provável mentira. E se o ponto só fosse concedido mediante a enunciação de alguma definição de arte contemporânea?

Outro fator interessante é que grande parte dos alunos só lê o que está escrito em letras maiores, o que fez com que os pouquíssimos que tiveram coragem entrassem gritando qualquer coisa menos a frase pedida, apenas um ou outro entrou gritando o que devia.

Essa experiência despertou interesse da maioria dos alunos em saber a resposta e conhecer um pouco sobre o assunto, como uma das características da arte contemporânea, ela causou ESTRANHAMENTO.

Tudo que nos surpreende e desperta nossa curiosidade faz com que prestemos mais atenção e gravemos melhor na memória.

Trabalhar com arte contemporânea em sala de aula tem seus altos e baixos, algumas obras precisam ser vistas , precisam ser tocadas, cheiradas... Enfim precisam de interação.

Marinalva Antonia Da Silva

Olá,

Trabalhar a nova proposta curricular em sala de aula é dar oportunidade de questionamento entre alunos,facilitar a expressão tanto artistica quanto a propria expressão critica frente a tudo que os rodeiam.Uma grande dificuldade enfrentada,não somente em arte contemporânea,mas em quase todos movimentos artisticos,é o aluno da rede pública principalmente não ter contato direto com com obras de arte,nunca ter visitado uma exposição contemporânea, ter participado de uma pérformance, instalação ou outra forma de manifestação artistica,assim,por mais que utilize de aparelhos de audio visuais o entendimento e a fruição sempre fica fragmentada.Sugiro que os professores tenham mais subsídios para melhor lidar com essa proposta.

Rosemeire Gonçalves

 No começo a proposta me assustou, os alunos acostumado a fazer arte de uma forma diferente não se interessavam na apostila, comcei a levar a levar fotos de obras de arte de instalações para classe para envolve-losmasnão tive muito sucesso.   com passar do tempo observei que os  meus alunos eram de certa forma oprimidos em sala,cansados de ficarem sentados e que quando ocorria a troca de aula eles ligavam o celular e cantavam dançavam, resolvi  trabalhar Arte como percepção sonora utilizando cada dia um celular que eles mesmos traziam com musicas diversas de varios ritimos escutavamos em sala a cada dia as produções eram maravilhosos as  aulas passavam rápido que eles reclamavam que acabava logo.Enfim foi uma esperiencia que gostei e sempre procuro trazer coisas novas do dia dia para envolve-los.

Maria Alexandrino De Moraes

Olá  Solange e colegas de curso,

 Sou professora de arte há 18 anos na rede pública, atualmente estou readaptada, mas estou sempre me atualizando.

Participo do grupo de estudos do polo, a proposta veio  para nos auxiliar, confesso que no inicio quando chegaram os cadernos,  fiquei um pouco assustada. mas com o tempo percebi que seria uma proposta bastante  provocante ao porofessor e aluno. 

O curso que estamos participando vei nos trazer varios esclarecimentos e com a troca de experiência vivenciadas pelos colegas foi bastante  enriquecedora,  As apresentações feitas no curso pelas palestrantes foram  muito valiosas para somar conhecimentos.

Rosemeire Gonçalves

 Vejo de maneira  positiva, antes artes era algo solto sem sentido, hoje com esta proposta os  educadores pesquisam  assuntos relacionados ao tema proposto, e  asssim desenvolver trabalhos maravilhososcom os alunos. 

Enfim a  proposta e o que tem de melhor para todas as areas e  principalmente em artes.

Agnes Cristina Wiedemann Lang Scolforo
Moro no Espírito Santo e faço parte da rede pública de ensino. Até há pouco tempo achava que a coisa mais certa do mundo era o professor de Arte possuir um material didático que efetivamente o ajudasse a trabalhar a arte na sala de aula. No entanto, ao construirmos o nosso novo currículo nossas consultoras não o fizeram, e mais, deixaram bem claro que não dariam uma lista completa daquilo que deve ser trabalhado em sala de aula. Os professores deveriam, a partir das propostas elaboradas, realizar a sua prática de acordo com as vivências dos seus alunos, pois o que ocorre na capital não é o mesmo que acontece em uma escola no campo. essas diferenças deveriam ser abordadas. Confesso que me senti sem chão ao ver isso, mas também acho que é uma forma instigante de conquistarmos o nosso aluno que já está tão acostumado ao livro didático e às regras que nem consegue mais enxergar a arte.
Elci C F Marcilio

Boa Noite educadores!

Esse espaço na Internet já é um bom sinal. Parabéns à ARTENAESCOLA!

Quanto à arte-educação creio que tudo que chega até nós, como propostas,  é bem-vindo. No mínimo nos levará à reflexão do que estamos fazendo e do que podemos melhorar. Trabalho há mais de 20 anos numa mesma escola municipal, em São Caetano do Sul, sinto-me privilegiada. Atualmente a prefeitura municipal está disponibilizando mais de 30 milhões em reais para a melhoria do sistema educativo na cidade: tecnologia a todos e capacitação aos professores da rede, do ensino fundamental.

Estou participando de um curso patrocinado pela prefeitura que visa dar subsídios ao trabalho do professor na sala de aula, usando lousa interativa.

Acredito que todos concordam que estamos vivendo num mar de  transformações no campo da informação e da comunicação. Muito bem, como a escola pode ficar fora disso? É mais fácil acabarem com a escola. Como a arte pode deixar de ser comunicativa? ou como a Comunicação pode deixar de usar a arte? De qualquer maneira, seja qual for a proposta de inovação no ensino das artes, é melhor a enfrentarmos e resolvermos a questão, já que o que vale hoje é a interação, o "relacionar-se", realmente ou virtualmente.

Abraços e mais uma vez, parabéns pelo fórum.

Patrícia Ferraz Da Silva

Oi Solange e colegas participantes do curso ,

       Acreditando que se é possível fazer uma EDUCAÇÃO  melhor e se tratando do ensino de ARTES , deixo a seguinte questão em forma de poesia:

    

Educar para que Educação?

 Educar e Educação
Na era da Informação
Falta Atenção

Educar e Educação
Tecnologia para que serve?
Para que digitar?

É só copiar e colar
Não é preciso escrever
Educar e Educação

Educar e Educação
Pra quê professor?
Só uma palavra
E quem faz a busca
É a máquina

Educar e Educação
Quanta coisa
Quanta criação
Para tanta imaginação

Educar e Educação
Para quê qualificação?
Para banalização

Educar e Educação
Precisamos de Ação
Emoção
sensibilização

Educar e Educação
Mais Motivação
E mais ação
Para nossa Educação.

      

Fabio Henrique Potzl
rosemeire gonçalves escreveu:

 Vejo de maneira  positiva, antes artes era algo solto sem sentido, hoje com esta proposta os  educadores pesquisam  assuntos relacionados ao tema proposto, e  asssim desenvolver trabalhos maravilhososcom os alunos. 

Enfim a  proposta e o que tem de melhor para todas as areas e  principalmente em artes.


Arte é "solta", é liberdade de expressão, mas jamais sem sentido. Quanto aos "professores pesquisarem para assim desenvolverem trabalhos maravilhosos", não é mérito do material didático recebido, pois o professor tem por obrigação, antes de quaisquer coisas, fazer a transposição didática. Não só para educar o olhar do aluno e formar seu senso crítico, mas também para seu auto conhecimento, não engessando a sí próprio. Discordo que a Proposta têm o melhor para todas as àreas, e mais, as obras exploradas neste, se repetem várias vezes, em diversos cadernos ( digo de 5ªEF a 2ªEM).
Acho que deveríamos ser mais realistas e menos políticos em nossas postagens.    
Roberta Mara Da Costa

Olá.

Sou professora de artes da rede estadual de ensino de São Paulo, desde 2008 o curriculo foi unificado pelo estado e falando especificamente da disciplina que leciono 'artes' ,nesses três anos não houve melhora nenhuma no material didático imposto para nós professores.

A minha opinião o material de artes é muito mal elaborado em termos de conteúdo, não há um direcionamento para cada série, os conteúdos se misturam e não há uma continuidade, as atividades são igualmente mal elaboradas, muitas não acrescentando nada para o educando em relação ao assunto estudado, outras são fora da realidade em que se encontra a infra estrutura física e material da maioria das escolas estaduais creio que do Brasil todo.

Realmente o material foi ''jogado'' para nós educadores e educandos, deveria ser introduzido nas series iniciais e gradativamente nas outras series ano a ano, pois em 2008 alunos que ja estavam na sétima, oitava séries em diante ficaram defazados em relação ao conteudo anterior.

E nós professores de artes continuamos classificados como polivalentes, pois eu com formação em  artes visuais, tenho como conteudo a trabalhar  a area de musica, dança e teatro ou seja, cada área tem o seu especialista, assim uma ou outra linguagem acaba ficando defazada.

O material chega com enorme atraso nas escolas, muitas vezes faltando unidades, onde muitos alunos ficam sem.

A intenção de unificar o curriculo é muito boa, mas por se tratar de um assunto sério como a educação, deveria ser bem melhor elaborado ou melhorar a cada ano, já que muitos colegas criticaram esse material a secretaria da educação.

Como eu gosto muito da minha profissão e principalmente da area em que me formei, faço o possivel e o impossivel para melhorar a cada dia minhas aulas independente desse material e tentar ensinar atraves da arte não apenas ''conteudo'' aos meus alunos mas também cultura e valores .

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