Forum
Jefferson Passos

Me preocupa muito quando nas series maiores, as crianças só desenham aquels famososestereótipos da flor com cinco pétalas, da estrela, do coração (partido, sangrando), da árvore, do sil com rostinho no cantinho da folha. Será que isso vem de deficiencias na Ed. Infantil?

Agora que dou aulas do maternal ao 6º ano, queria educar meus alunosem artes longe desses esetereótipos para que possam criar e viver arte intensamente... vamos discutir sobre possiveis dicas e ou soluções?

Abraços

Jefferson Passos - Uberlândia MG

Mirca Izabel Bonano

Caros professores, 
 
Sejam bem-vindos ao fórum de Junho. Este mês iremos discutir se o estereótipo no desenho infantil é oriundo de uma deficiência do ensino na  Educação Infantil.

Este tema foi proposto pelo professor Jefferson Passos que pretende problematizar "A responsabilidade do ensino do desenho, modelos e propostas na Educação Infantil”.

Para mediar esta discussão convidamos a professora Denise Nalini que é Pedagoga, fez Mestrado na USP com pesquisa em educação infantil, formadora e Coordenadora de Projetos do Instituto Avisá Lá e formadora do Programa Ler e Escrever do Estado de São Paulo. Atualmente desenvolve pesquisa e estudos na área de artes visuais na educação infantil e é consultora do projeto “Desenho Arte e formação docente: um projeto de formação continuada em Artes Visuais”, uma parceria entre Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SMED) de Novo Hamburgo – RS, Universidade FEEVALE e Instituto Arte na Escola.


Ao longo deste mês, pretendemos ampliar nossas possibilidades de conhecer como os professores brasileiros que atuam na Educação Infantil quais as suas principais dificuldades, os desafios e as soluções que cada qual vem encontrando na solução destes “problemas”.

Este é um espaço aberto para a troca de conhecimentos e relatos de experiência.

O fórum fica aberto de 14 de junho a 15 de julho de 2010. Sem dúvida é uma oportunidade para compartilhar ideias, novos desafios, dúvidas recorrentes e momentos de reflexão. 

Vocês são os nossos convidados! Chame também seus amigos para partilhar desta troca.

Grande Abraço,


Mirca Bonano
Instituto Arte na Escola

Jefferson Passos

O desenho da criança me fascina. Mas os estereótipos, as formulas prontas me incomodam. Até mesmo em meus alunos de 6º ano eles estão presentes... e os alunos falam: "eu não sei desenhar". E o desinteresse pelas aulas de artes acaba surgindo. No infantil, acho que é o tempo de trabalhar isso... mas como? Será que apenas possibilitando a experiência com materiais diversos, o desenho acompanharia essa evolução?

Vamos discutir pessoal, pois acho q é um tema que incomoda muito. Provavelmente todo professor de artes que planeja suas aulas, elaboa e investe, se sente incomodado ao receber uma folha de papel cheia de corações, estrelas e flores... estereotipadas...

Silvia Sell Duarte Pillotto

Bom dia!

Sou Carla do Pólo Casa da Cultura - Joinville e estou muito feliz com a possibilidade de discutir uma temática tão importante para o desenvolvimento das crianças.

Até

Denise Nalini

Olá a todos ,

É um prazer mediar esse fórum. Acredito que em todas as séries temos um grande trabalho na luta pela possibilidade de criação e de valorização do próprio traço. Essa também é uma conquista na história da arte, mostrar que pintar,  desenhar , esculpir são processos de representação das coisas, dos sentimentos , das idéias , das sensações, percepções que transformadas em linguagem, nos ajudam a pensar sobre a vida .   

Em especial na educação infantil a busca por propostas que valorizem as diferentes possibilidades de criar imagens feitas  pelas crianças é  o nosso desafio.  

E aí vamos nós ! 

Marcos Gonzaga
Boa tarde a todos

Achei o tema sugerido para discussão pelo professor Jefferson importantíssimo.
Creio que todos nós professores de arte nos encontramos vez e sempre diante
do "eu não sei desenhar" que parte de uma noção pré-concebida do que seja o desenho.
Quanto aos estereótipos nem se fala. Espero que possamos ter uma boa discussão, conhecer
novas experiências e aprender mais.  
Lilian Pazzini Eneias
Esse assunto é pertinente na atual função em que estou. Trabalho atualmente com alunos em fase de alfabetização e o problema dos estereotipos são muito mais graves do que se imagina.

Pergunto: teremos material de apoio para discussão?
Geraldo Tadeu Vargas Affonso

Como Professor de artes atuo nas séries iniciais do EF da Rede municipal de Porto Alegre. em anos anteriores já trabalhei na educação infantil. minha primeira observação é:

- de que forma estamos trabalhando que torna-se necessário combater nossas práticas.

- o que estamos mostrando aos alunos de Educação Infantil oportuniza a construção de seu imaginário para libertar-se das imagens "clichês".

Bom, em minha atuação no trabalho com criaçãs nessa faixa etária registrei várias situações que podem auxiliar na conscientização de um trabalho que liberte dos esteriótipos.

Em tempo: Legal esse assunto. espero que a discussão avance.

Elisandra Gewehr Cardoso
A forma como os estereótipos vão tomando conta dos desenhos infantis chega a desanimar... Por mais que se faça um bom trabalho desde a mais tenra idade, quando as crianças estão começando a realizar representações mais figurativas as influências para estereotipar os desenhos são inúmeras. A começar com a decoração das salas de aula, até os livrinhos para colorir que fazem o maior sucesso entre pais e filhos...
Elisandra Gewehr Cardoso
E o famoso contorno preto nos desenhos? Fica "lindo" no mural da escola, mas e daí? Mais um modelo a seguir? Uma fórmula fácil de agradar os pais? Tive muita dificuldade em fazer uma turma de 5 anos resgatar seus processos pessoais de desenho após terem "aprendido" a desenhar com giz de cera preto e depois colorir. Mas foi um trabalho muito prazeroso, saíamos muito à procura do que queriam desenhar para ver como era, fizemos desenho de observação, exercícios com as cores dos objetos, aos poucos eles foram esquecendo o hábito imposto e se reencontrando com sua própria maneira de desenhar.
Liane Oleques

Olá pessoal

tambem achei o tema bem relevante, pois, os "esteriótipos" nos desenhos dos adolescentes ainda são decorrentes, exceto em alguns poucos alunos que, desde de cedo, demonstram inclinação para o desenho.

acredito que é necessario entendermos o "esteriótipo". realmente é bem comum alunos adolescentes dizerem que não sabem desenhar. Vigotski em "imaginação e arte na infancia" diz que é normal o desinteresse pelo desenho no inicio da adolescencia. Luquet em "o desenho infantil" diz que a criança ao deixar a etapa do realismo intelectual (justamente a fase em que a criança  desenha a casa, a flor, o cachorro, o coração, a arvore , daquela forma que a gente ja conhece e chama de esteriotipo), ja no inicio da adolescencia, tambem começa a se desinteressar.

bom, a criança começa a desenhar a casa (quadrado e triangulo) ou  sol (circulo raiado) desta maneira porque, alem de ser assim que ela aprendeu, este, é um processo cognitivo natural e importante ao desenvolvimento dela. Alem do mais estas imagem podem ser as unicas a permear o repertorio visual desta criança - é só a gente olhar os cartazes nas escolas, é bem comum encontar estes esquemas graficos, tem tambem o repoertorio visual que as crianças trazem de casa. Geralmente estas situações não estimulam o olhar artístico, assim elas repetem apenas o que veem e sabem. E na dificuldade motora em desenhar nos padrões da realidade, estes alunos fazem os "esteríotipos", por que são o que sabem fazer. Outro motivo, pode derivar do fato de que estes esquemas gráficos são mais rápidos e fáceis de elaborar e demandam pouco esforço cognitivo, assim o aluno não precisaria "criar" um desenho novo.

talvez se acostumarmos o olhar deste alunos, desde cedo, ao repertório artístico, consigamos ter outros resultados, mas, mesmo assim, acredito que os "esteriótipos" não deixaram de existir em seus desenhos.

Elizete Ferreira Dos Santos

Sou pedagoga, professora das séries iniciais do Ensino Fundamental e estou cursando Artes Visuais para ampliar meu universo de compreensão sobre as diversas linguagens. Desde o início do nosso curso temos discutido o desenho na Educação Infantil e séries iniciais. Infelizmente, ainda não  superamos o conceito do desenho pronto, modelado e constantemente nos deparamos com práticas que podam a criatividade e a liberdade de expressão, apesar de debatermos constantemente sobre a importância de deixar a criança criar, experimentar, vivenciar diferentes técnicas e suportes.

Penso que a Educação Infantil é fundamental  para desenvolver as potencialidades da criança, por isso que é preciso romper com conceitos de certo, errado, belo, feio, e não valorizar práticas de reprodução de desenhos e nem modelos estereotipados. No entanto, essa ruptura é muito difícil, pois nós professores fomos educados como alunos reprodutores de desenhos, e passamos a vida inteira desenhando o gato, a casa e  a flor que aprendemos na escola.

Sonia Tobias Prado
Boa Noite,
Como mãe, achamos "normal" esses desenhos infantis, mas como professora, tento combater isso, mas torna-se muito dificil  por colegas professoras , insistirem  na fase da pré escola  a famosa pintura de desenhos mimeografados, perfeitinhos, tirando aquele processo infantil de desenhar livre e ir diversificando se é incentivado a fazer isso...mas quando é icentivado a somente colorir o pronto, acaba realizando os mesmos desenhos, esteriotipados, como dizem, por serem mais fáceis, sempre receberem elogios por serem "politicamente corretos", certinhos, etc etc etc.
Acredito que quando TODAS as colegas professoras desde a educação infantil mudarem sua forma de realizar aulas, isso mude....demora, mas muda...tenho essa experiência com uma turma de extra disciplinar em uma escola, onde desde tenra idade falava sobre como desenhar, o que desenhar e principalmente, desenhar de uma forma livre, sem aquela interferencia de achar que o escuro, o mal contornado é feio. Com o tempo, eles vão se revelando nos desenhos, fazendo a relação com o tridimensional, cores, tipos de pinturas....tornan-se críticos com os próprios riscos...isso é a forma correta de trabalhar e não termos a mania de criticar, e querer que façam somente a cópia, sem a criação.A partir disso, mostrar obras de artistas do nosso passado, brasileiros e de outras nacionalidades, os fazem aprender as relações da Arte em nossas vidas. Tornan-se capazes de fazer o que querem, com conhecimento, criticos.
Flavia Cunha
Caros Colegas, Trabalho desde 1997 na Educação Infantil e sinto uma exagerada cobrança dos pais em relação a "atividades" no papel. Pensava que isso fosse mudar ao longo dos anos, porém ainda hoje sou questionada porque a pasta de desenhos de meus alunos vai "tão magrinha" para casa, Trabalho muito com experimentação nessa faixa etária. Grandes lonas esticadas no chão com água, farinha, cola, tinta. Diversos suportes e marcadores são utilizados e as crianças podem se servir à vontade de diferentes materiais ao mesmo tempo. Enquanto um escolhe trabalhar com modelagem, outro escolhe pintura e um terceiro desenho com carvão. A direção da escola ainda me cobra "releitura" de obras, que nessa visão nada mais é do que um desenho mimeografado, copiado da tela de algum artista renomado. As crianças deveriam "pintar do seu jeito". Vejo ainda a necessidade de alguns professores de produzirem materiais decorativos para suas salas de aula, sem a participação das crianças. Tudo em busca de algo "bonito" aos olhos dos adultos. E é isso que, acredito eu, vai matando a capacidade criativa, de apreciação e experimentação de nossas crianças, fazendo com que percam o gosto pelas artes em geral, mais especificamente pelo desenho.
Carolina Sandroni

A revista Avisa Lá publicou na edição passada um artigo bem interessante de uma professora que trabalha numa escola que tem árvores e angustiada com a questão do estereótipo convidou os alunos a observar, tocar, sentir, olhar para as árvores na busca da cosntrução de uma identidade com relação a algo tão natural e presente nas nossas vidas mas que na hora do desenho, não passa de um símbolo; o estereótipo da árvore...

Eu concordo muito com o que todos disseram até agora... Fico pensando que a escola é a grande assassina da criatividade. As crianças por volta dos 6 anos param de fazer aqueles desenhos ricos e fabulosos por que passam a ter "coisas mais importantes para fazer" (aprender a ler e escrever). E os desenhos, quando aparecem, tem que figurar algo dentro de um padrão que é esteticamente muito reconhecido, padronizado... Mesmo a gente, que se incomoda tanto com o estereótipo, foi submetido a uma escola que nos ensinou e valorizou sempre que fizemos algo dentro do padrão, quando não era na escola, era em casa... Nossos pais também carregam esses valores por que também tiveram professores que assim o faziam (e antes da gente, claro, num tempo mais distante quando isso era "aceitável"). Ainda carregamos pelo menos um critério de avaliação assombrosamente tendencioso ao BELO.  Nos pegamos em crise sempre que temos que receber algo "novo"no meio de outros 20 trabalhos bons e ruins... Mas o que é bom? o que é ruim? O que é criativo?

E pensando nesses tantos teóricos que falam dos processos pelos quais o desenho passa até chegar na escrita ou na representação gráfica "legível" eu me pergunto se a criança observada por eles tinha liberdade de criação... Fico olhando a famosa mandala da Rhoda Kellog e me pergunto: o produto final de cada prisma daquela roda gigante não passa de um monte de estereótipo? 

Só pra finalizar, eu acho que a criança tem que ser convidada a conhecer o mundo, olhar cada coisa, da formiguinha à arte do museu com o olhar curioso de criança e ser convidada e respeitada a representá-las à sua maneira. Temos que dizer: "abaixo às expectativas!" Pois elas sim, são estereotipadas.

Jefferson Passos

Hum, o fórum está ficando bom. MUita coisa legal. Bom, o projeto da arvore eu fiz com os 4ºs anos, com desenhos de observação. Deram bons resultados. mas nas series iniciais, a constante experimentação de materiais diferentes as crianças curtem. Mas na hora de usar papel e giz, ou lápis, ou carvão, vejo elas muito presas. Minhas crianças de 5 anos ja falam o famoso "não dou conta".

Será q se montassemos com eles umas pastas com recortes de revistas de árvores, flores, casas, será q ajudaria a ampliar o repertorio deles??

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