Forum
Eliane de Fátima Vieira Tinoco

Gostaria de sugerir um fórum sobre o tema da avaliação no ensino de Arte. Como os professores avaliam seus alunos? Quais os intrumentos utilizam? Há atribuição de notas nessa disciplina nos locais onde trabalham?

Mirca Izabel Bonano

 

Caros Professores,

Este Fórum ficará aberto até dia 29 de outubro de 2009 e discutirá a avaliação no ensino de arte. Este assunto será pauta do XXIII Encontro da Rede Arte na Escola, que será realizado em outubro na cidade de Recife-PE.
A professora Eliane Tinoco, que é coordenadora do Polo Arte na Escola da Universidade Federal de Uberlândia - UFU,  atenta a estas questões é a proponente do tema.
Convidamos como mediadora a professora Silvia Sell Duarte Pillotto, que é pós-Doutora no Instituto Estudos da Criança - IEC na Universidade do MINHO - UMINHO, Braga/Portugal em 2007/2008.  Pesquisadora e coordenadora de Núcleo de Pesquisa, possui experiência nas áreas de Artes, Gestão, Currículo, Avaliação e Arte Educação. Avaliadora do INEP, atua nos seguintes níveis da educação: educação superior e pós-graduação. Autora de vários livros publicados, desenvolve formação continuada e consultoria nas áreas citadas.

 No fórum, você pode argumentar, questionar, responder, dar sua opinião, pedir e oferecer ajuda. Seu texto é publicado imediatamente e você pode responder diretamente a um participante ou dirigir-se a todo o grupo.

 

Desejamos que este seja um momento produtivo para todos os professores.

 

Abraço,

 

Mirca Bonano

Instituto Arte na Escola

Silvia Sell Duarte Pillotto

Olá Pessoal;

Sandra, Ronilson, Ilmar, Rosane, Kamack, Acássio, em suas falas tocam na questão dos instrumentos avaliativos, ou seja, o que avaliar? E junto a essa questão por que avaliar? Os instrumentos são vários mesmo. Vocês citaram as provas, os trabalhos práticos (individuais e em grupos) a auto-avaliação, entre outros. O instrumento deve estar adequado aos indicadores de aprendizagem e quais ações esperamos deles. Portanto qualquer instrumento é válido, desde que articulado aos processos de aprendizagem (como citou Edson). Para além dos instrumentos é preciso que os critérios sejam claros, tanto para o professor, quanto para o aluno. Acássio comenta sobre a avaliação de um catálogo artístico, encomendado por alguém, entendi que pelo professor. O catálogo é um instrumento avaliativa e na sequencia estão os critérios. Como identificar os processos de aprendizagem em arte dos estudantes na construção do catálogo? O que aprenderam? Como aprenderam? O que poderiam ter aprendido que não aprenderam? Como poderia ser conduzido de uma outra forma? E assim por diante. Irani, está entrando nessa questão quando aponta a importância dos processos na avaliação.

Abraços.

Silvia

Edson Da Silva

Compartilhantes do Fórum,

Avaliando! Quem avaliando quem? O que está em questão no ato da avaliação?

Avaliação em arte é para pensarmos quais vivências e experiências estamos imergindo nas escolas, qual é a possibilidade de envolvimento, espaço e materiais são provocados a diferentes olhares, (con)tatos e sentidos por cada um.

Não entendo que o processo seja igual para todos, porém todos têm o direito de viver seu próprio processo, sendo assim, cada um pode falar, escrever, gravar, registrar de alguma forma o que entende ter apreendido em sua trajetória individual e coletiva.

Abraço Aprendiz!

Edson

Acacio Arouche De Aquino
Hoje mesmo na escola C.E. Pioneiro os professores reunidos estavam avaliando o trabalho coletivo do 1o ano do médio. O trabalho é um catálogo com as informações colhidas no Estudo do Meio. A encomenda do trabalho para os alunos pedia organização das informações, tornar as informações inteligíveis, e o catálogo de ser funcional numa exposição de trabalhos dos alunos. Acontece que os alunos extrapolaram a encomenda fazendo um catálogo "artístico" comprometendo de certa forma a funcionalidade. como avaliar? O tema deste fórum é muito rico e instigante. acácio
Kamock Antonio Melo Silva

  Em se tratando de avaliação em artes, talvez seja muito "facil" pois a nota do aluno seria a compreensão deste o inicio da proposta até o final. Mas, pra mim, é uma situação dificil quando sou questionado nas minhas avaliações. Em que concepção estou iserido na escola? Se sou o avaliador, então, primo pela essência do assunto discutido, pesquiso as possibilidades possíveis de entendimento e acabo voltando ao tradicional, pois nosso sistema educacional está vínculado a isso (uma nota de 0 a 10). Não valorizando suas competências e muito menos habilidades. Vendo esse exemplo, percebo que tdevemos fazer urgente certas mudanças:

 "Um aluno estava na quinta série do ensino fundamental, vinha de um processo de ciclo, no qual não havia reprovação, mas a avaliação não fazia parte do sistema ensino-aprendizagem. Em sala de aula sempre que questionava algo para a turma este aluno me respondia, fiquei muito entusiasmada com o posicionamento do aluno e fui elogia-lo, ele muito triste me disse:- Professora é que já é a 4ª  vez que eu faço a 5ª série. Eu muito surpresa disse:- Mas você é muito inteligente. E ele respondeu: - Mas eu não sei ler e escrever, então não consigo fazer as provas. Neste caso, o processo avaliatório até ali não fez nenhuma diferença para o aluno, e a avaliação atual não conseguia medir o real conhecimento do aluno, já que o modelo de avaliação não era adequado a sua realidade... ( depoimento de  Juliana da Silva Ribeiro de Castro)

          Talvez, não tenho nenhuma habilidade em organizar ideias e transgrevê-las para o papel, mas elo fato de está redigindo esse texto, já é uma vitória. Sinto muita dificuldade em expor meus sentimentos a respeito de um determinado assunto sabendo que posso está fora de rumo...( e estou?!) Se eu sou avaliado, preciso saber que critérios são utilizados para avaliação, assim posso ter ideia de como posso fazer tão proposta. Quando recebo uma nota (0 a 99), primeiro penso: - onde foi o erro? As vezes observamos os erros, para não voltar a fazê-los... Mas aquela nota baixa, no pensamento tradicional de um aluno: - "Vc é mui b... Não conseguio entender uma coisa tão simples." Mas, talvez, em outra concepção, seria: " Não se angustie, comece tudo de novo" ou "Está faltando isso...refaça" .

      Em suma importancia, é sempre bom ou muito bom, o aluno saber o motivo da sua nota, até mesmo para que le auto-avalie seus atos, suas leituras e atitudes, para que possa reapreender e ser de forma consciente e flexivo. Acontece, como atender 800 alunos usando muitos critérios?

Ilnar Alves

sergio voce tem razao sua fala é muito interessante

Silvia Sell Duarte Pillotto escreveu:

Boa tarde, pessoal!

A avaliação é um tema complexo e muito interessante, uma vez que estamos constantemente avaliando e nos auto-avaliando em todos os contextos. A avaliação nos processos de aprerndizagem em arte tem sido temas de muitos debates e reflexão, e, por isso estamos abrindo espaço para essa conversa. Desejo que possamos aprender uns com os outros, trocando experiências, idéias e dividindo nossos conflitos.

Abraços.

Silvia Pillotto



Rosane Ivete Freitas Penna

Olá pessoal, a questão da avaliação é, muitas vezes, conflitante com o próprio aluno. Eles estão condicionados ao valor numérico e acham que entregando qualquer atividade em Arte já estão com a nossa máxima (100 ou 10).

Os critérios de avaliação tem que ser muito flexíveis e claros para o aluno,de maneira que ele não se sinta prejudicado nas suas limitações. É muito oportuno este fórum e acredito que será proveitosa e enriquecedora essa discussão com colegas que partilham das mesmas preocupações. Obrigada, abraço.

Ilnar Alves

Avaliar nao é um processo facil, temos que saber o que e como avaliar, não nos esquecendo que no processo de aprendizagem temos que que coerencia e saber no autoavaliar, não se esquecendo também que seu trabalho sempre estará sendo avaliado pelos demais colegas de trabalho. pois ainda existem  colegas que acham  que um professor de arte, só faz desenho e mata aula....................

Ronilson Lima De Oliveira E Silva

Olá Colegas,

Entendo que as linguagens artísticas são disciplinas eminentemente práticas, e por isso mesmo, enveredo por esse caminho (o da prática) avaliando os meus alunos de forma que eles possam, antes de qualquer coisa, experimentar, vivenciar (praticamente) a linguagem artística estudada. 

Um grande abraço a todos.

Barbara Cristina Prestes De Oliveira

Acho extremamente difícil avaliar o aluno em algumas circunstâncias. Também proponho leituras, discussões, produções de texto e práticas. Os critérios ficam definidos lá no início: participação nas discussões e leituras propostas, pontualidade, capricho, coerência com as temáticas...

Só que nos trabalhos práticos, sempre tem um com grande dificuldade, enquanto se mostra dez em todos os outros critérios. Daí vem um monte de dúvidas. Além disso, existe também o problema dos trabalhos em grupo, sempre tem um que faz mais. Ou aquele que não participa quase das discussões, atrapalha inclusive, mas ao fazer o trabalho prático se supera.

As duas habilidades tem o memso peso?

Irani Bernadate Roani

A avaliação tem sido um "bicho papão" em todos os componentes curriculares. Sempre devemos ter em mente que as modalidades de aprendizagem são diferentes em cada indivíduo, mais lentos, mais rápidos, mais abstratos, mais concretos. Mas acredito que  um investimento no potencial de  cada educando e mostrando a nossa paixão pelo que fazemos, sempre resulta em aprendizagens e consequentemente numa forma de avaliar mais tranquila. Desta forma vemos o quanto nossos educandos entendem, interiorizam e tranformam o que aprenderam. Minha experiência nesses últimos anos tem sido bastante positiva, tenho tentado entender o que faz meus  adolescentes trabalharem de forma contrária a proposta dada, levando em consideração as mudanças e lutos próprias da idade. Acredito que tenho conseguido com alguns do "contra", manifestarem habilidades escondidas e ricas no conteúdo que se trabalha.

Ana Luiza Bernardo Guimaraes

Olá colegas,

        Que tema delicioso de ser discutido neste fórum: avaliação da aprendizagem no ensino de Arte! Quantas questões a suscitar, quantos anseios a responder, quantos caminhos a procurar... lendo todas as mensagens já postadas, é possível perceber o quanto a temática nos propõem reflexão, partilha de informações e busca do aperfeiçoamento de nossas práticas em sala de aula. Concordo com vocês quando pontuam a avaliação em Arte como algo difícil, ainda mais por se tratar de um campo de conhecimento desvelado, também, pela subjetividade... subjetividade tanto dos alunos como também do professor avaliador. Acredito que não há respostas prontas, não há receitas a seguir uma vez que a avaliação deve levar em conta o contexto de ensino e de aprendizagem, bem como as expectativas do que se espera aprender, os objetivos a alcançar, os critérios avaliativos definidos com cada turma, propondo instrumentos que nos revelem as informações necessárias para uma ação eficaz... Entretanto, é preciso ter claro que todos esses componentes do processo de avaliação dependem das concepções que guiam o caminhar de cada professor, em que se respaldam suas idéias acerca do que/como ensinar, de como o aluno aprende e do que a avaliação revela. Ter claro o que nos norteia é a base de uma proposta de avaliação que se põem a pensar sobre os fins e os meios, sobre produto e processo, sobre ensinar e aprender...

PS: Atualmente estou terminando o mestrado em Educação pela UEL/PR e o tema de minha pesquisa é justamente esse: a avaliação da aprendizagem no ensino de Arte, na ótica de professoras de um pequeno município paulista. A pesquisa busca aclarar as concepções de avaliação destas professoras, tendo como aporte teórico as concepções epistemológicas e seus respectivos modelos pedagógicos - empirismo: modelo tradicional e modelo tecniscista; apriorismo: modelo da escola nova; e interacionismo: modelo relacional (Becker). Para tanto, fez-se necessário elucidar as concepções de ensino e de aprendizagem em Arte presentes nos discursos e nas práticas do grupo de professoras, bem como critérios e instrumentos avaliativos, além de pesquisar todo o contexto históricos e suas repercussões no ensino de Arte. Dentre os indicadores desta pesquisa, é possível relatar que a avaliação da aprendizagem em Arte, reveste-se de três diferentes papéis: 1) a de classificar, separar e selecionar os alunos com base em suas habilidades práticas; 2) a de estilo laissez-faire, em que tudo pode e é aceito pelo professor; e 3) aquela que busca a melhoria do processo de ensinar e a superção em aprender (Avaliação Formativa - Perrenoud/Hadji).

Juliana Carvalho Carnasciali
Barbara Cristina Prestes de Oliveira escreveu:

Acho extremamente difícil avaliar o aluno em algumas circunstâncias. Também proponho leituras, discussões, produções de texto e práticas. Os critérios ficam definidos lá no início: participação nas discussões e leituras propostas, pontualidade, capricho, coerência com as temáticas...

Só que nos trabalhos práticos, sempre tem um com grande dificuldade, enquanto se mostra dez em todos os outros critérios. Daí vem um monte de dúvidas. Além disso, existe também o problema dos trabalhos em grupo, sempre tem um que faz mais. Ou aquele que não participa quase das discussões, atrapalha inclusive, mas ao fazer o trabalho prático se supera.

As duas habilidades tem o memso peso?

Oi Barbara! Também sou arte educadora e, tenho um ponto de vista sobre seu questionamento, acredito, por hora, que os pesos e medidas dependem sempre do objetivo do trabalho, do percurso em questão. Caso o objetivo de X proposta seja o lado prático, como você descreve, o peso pode ser maior, por outro lado, se o foco estiver em outro lugar, você mudará o peso. De todo modo acredito que cada trabalho oferece a provocação de diferentes habilidades, que na maioria das vezes são mais que duas e dependendo de seu foco você poderá montar seus critérios de avaliação. OUtro ponto que considero muito importante é que tenhamos,nós, professores, a sensibilidade eterna de levar em consideração os limites e capacidades de cada um, que são sempre diferentes. POr exemplo, às vezes, certo aluno mais limitado, mesmo dentro de sua limitação, avança em seu processo buscando alcançar os objetivos proposta, acredito, que nestes casos, o aluno mereça uma boa nota, pois, ao mesmo tempo que ele precisa saber que não alcançou o objetivo ele também precisa saber que superou seus limites.

Abs

Juliana Carnasciali Muniz



Everton Ribeiro

Percebo que a principal dificuldade encontrada na avaliação em Arte consiste no fato de a Arte, enquanto área de conhecimento, como já sabemos, ser subjetiva. No entanto, quando passamos a avaliar o trabalho artístico de nossos educandos temos que objetivar parâmetros para sua criatividade e não avaliar a sua criatividade. A criatividade, como uma das premissas do fazer artístico, não pode ser quantificada. O professor de matemática avalia seus alunos pela quantidade de questões que ele acertou, pelo fato de ele ter aprendido ou não a calcular a equação de 2° grau. Não há um meio termo. E o professor de arte? Como avalia? A avaliação, neste caso, é muito mais minuciosa, mas tem que ser objetiva. Os critérios de avaliação propostos pelo professor devem estar de acordo com o conteúdo trabalhado e com os objetivos que aquele estabeleceu como importantes para a aprendizagem de seu educando. Se o educando compreendeu o conteúdo e soube manifestá-lo na prática, seja individual ou coletiva, ele atingiu os objetivos, talvez atingiu-os parcialmente ou nem os atingiu. A observação do professor de Arte será fundamental para que a avaliação aconteça de maneira contínua e diagnóstica e não ocorra apenas como verificação, conforme já censurado por Cipriano Luckesi em "Avaliação da aprendizagem escolar" (1990).

Elis Regiane Gomes

De acordo com a prática em sala de aula,  percebo que a avaliação diagnóstica e processual atende a necessidade do professor de arte, em suas dificuldades, pois possibilita o acompanhamento da participação e desenvolvimento do aluno durante as atividades propostas e respeita o processo de aquisição do conhecimento de cada um.

Através dos instrumentos de avaliação utilizados como produções artísticas, debates, seminários e dos critérios de avaliação articulados aos conteúdos e objetivos no plano de trabalho docente, a tarefa de atribuir valores a aprendizagem do aluno se torna menos angustiante. O momento de avaliação é importante para o professor, uma reflexão sobre a sua prática pedagógica, onde poderá observar os pontos positivos e os negativos, revendo sempre sua metodologia em sala de aula, fazendo com que o processo de ensino e aprendizagem seja efetivo e de qualidade.

 

 

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