Forum
Monica Kondziolková

Caros Professores,

É com muita satisfação que abrimos este fórum para discutir e refletir sobre os 10 anos dos PCN, em especial, os PCN Arte. Ana Mariza Filipouski e Isabel Petry Kehrwald escreveram um artigo sobre o tema deste fórum para a edição 50 do Boletim Arte na Escola e são nossas convidadas para mediar esta conversa. Não deixe de acessar aqui a versão ampliada do artigo, que poderá iluminar este bate-papo.

Nós gostaríamos de saber qual a sua opinião sobre este documento. Ele auxiliou a sua prática e os seus projetos de Arte na escola? As suas propostas chegaram na sala de aula? De que forma? Estas e outras questões poderão ser aqui discutidas, bem como outras que poderão enriquecer e ampliar nosso diálogo!

Bem vindas Ana Mariza e Isabel Petry, deixo a palavra com vocês!

Abraços,

Monica Kondziolková

Comunicação

Instituto Arte na Escola

Sonia Tobias Prado
Olá, pessoal....
Sim, uso o PCN, pois é um "norte" para se realizar nosso plano. Mas tive que procurar lê-lo e entendê-lo sozinha, pois quando me formei, ainda não existiam na forma que estão hoje colocados. Por isso tive alguma dificuldade sim, mas nada que complicasse, pelo contrário, ajudou e muito na elaboração de meus planos, ano a ano.
O que sinto, é que nossa matéria, Arte, parece ser colocada sempre em segundo plano, pois temos que dançar conforme a música ditada pelos governantes, não é mesmo? Já existiu Arte nas séries iniciais ( como educação artística), acabaram com ela, voltaram agora, tiraram Arte dos terceiros E.M. e agora há muita conversinha de ficarmos sem mais algumas aulas do E.M., pois acham que Arte não é importante...
Gosto muito de seguir os eixos norteadores: produzir, apreciar e contextualizar, os alunos não se perdem, não ficam somente naquelas aulas antigas de educação artística, onde faziam artesanato. Apesar de encontrar muitos pais que ficam perguntando de não iremos realizar mais enfeites, pois achavam melhor o antigo sistema do que o atual, numa cidade onde não podemos visitar exposições, ir a Teatros, espetáculos de Danças, etc..etc..etc..A falta de acesso a esse tipo de evento, muitas vezes inviabiliza aquela vontade de seguir as regras de acordo com o que elas nos dizem pra fazer. Apreciamos, produzimos e conversamos, mas de forma sala de aula, papel...Espero muito, mas muito mesmo que as aulas de Arte sejam levadas mais a sério, muitas vezes até colegas nos deixam em segundo plano, dizendo ser nossa área somente para os alunos "descansarem" das matérias ditas mais importantes. Com esse novo plano de aula colocado pelo Estado de São Paulo, estou percebendo um reconhecimento maior por parte de muitos colegas e pais, agora estão verificando o quanto de trabalho nós temos para ensinar a cultura para nossos alunos e não somente aquele professor de arte que era visto como o decorador da escola.
E para quem se interessar, o plano de ensino que estamos usando está disponível no site da educação (www.educacao.sp.org.br     acessando o ícone "São Paulo faz escola")
Não sei se é esse o objetivo deste forum, mas acho muito importante discussões sobre o que nós professores, pessoas, cidadãos acham de nossas aulas, já tanto discriminadas, mas hoje, levadas mais a sério. Fico muito chateada quando falam que nossa área não tem importância, e pergunto, "vc não se diverte nunca" isso já é arte. E qdo meus alunos me confrontam dizendo que não vão utilizar esse conhecimento na profissão escolhida, respondo que com esse conhecimento todo que eles estão tendo a chance de ter, as mentes se abrem  mais, para novas idéias e experimentos em todas as áreas, temos maior receptividade em tudo que nos é mostrado e assim temos idéias mais criativas e claras.
Que os PCNs façam mais 10 anos, ajudando-nos, auxiliando-nos, dando o nosso "norte". Alguém pensa diferente?
Ana Mariza Filipouski

Sônia,

pois é, os PCN, infelizmente, pela maneira como foram recebidos em diferentes sistemas, por um bom tempo ficaram "adormecidos", e foram apropriados pelos professores em ritmos muito diferentes. Hoje, depois de 10 anos, eles ainda constituem novidade para muitos, mas têm a virtude de estabelecer um ponto de partida para a construção da autonomia profissional, para indicar percursos de formação para as instituições formadoras de professores e para deixar bem claro que a escola atual pretende favorecer as aprendizagens, deslocando o foco da educação do ensinar para o aprender. Pena que nem todas as escolas estejam organizadas para favorecer as condições necessárias ao fortalecimento das aprendizagens e às vezes tratem de preservar apenas interesses corporativos, sejam demasiadamente apegadas aos conteúdos disciplinares, que não raramente se distanciam do foco principal.  Quanto à Arte, creio que o ensino por competências, à medida que se difunde, tende a favorecer em muito a disciplina. Ele reconhece a especificidade do conhecimento e da linguagem artística, mas também apresenta habilidades que habilitam a refletir, estabelecer nexos com o contexto e com outras disciplinas, além de oferecer a possibilidade de usufruir diferentes equipamentos culturais disponibilizados nas cidades, e de estimularem os jovens para a participação por meio de intervenções artísticas em seu entorno. Já reparaste como a participação juvenil tem fortes ingredientes artísticos, em qualquer âmbito que ela aconteça? Este talvez seja um elemento fortalecedor da Arte: o estabelecimento de vínculos e a produção de sentidos possíveis que os jovens/alunos podem ter com a disciplina. As habilidades que são aí desenvolvidas também interessam às demais disciplinas, além de serem fundamentais para a vida fora dos muros escolares.  Quem vai negar que aprender a apreciar criticamente obras audiovisuais prepara melhor os jovens para viverem na sociedade da informação? E que as formas de interação que os jovens fazem com imagens e textos são permeadas pelo modo como se reconhecem no mundo? E que expressar isso através da linguagem corporal, por exemplo, forma sujeitos mais capazes, cidadãos mais críticos e criativos? Para os que não vêem relação da Arte com o trabalho futuro, também seria interessante passar a explicitar que, ao estabelecer relações com o contexto, estruturar uma participação em sequências de ações, relacionar parte e todo, organizar o pensamento e desenvolver raciocínio estratégico, habilidades tão frequentes nas práticas da disciplina, estão sim se preparando para o trabalho, para atuar em equipe, etc. No mais, é continuar na batalha e a exercer o compromisso de favorecer a construção de aprendizagens que possibilitem melhor compreender e atuar no mundo em que vivemos. Abraço e obrigada por tua participação.

Elizete Aikawa Padilha

Olá pessoal "das artes"!

É muito bom ter um cantinho só nosso, encontrar pessoas que falam a mesma lingua.

Quando iniciei minha pesquisa de Mestrado (2005), levei para a mesa de discussões A prática do professor de Arte, em consequência, busquei entre os colegas entrevistados qual o referencial teórico utilizado para fundamentar esta prática. Constatei que entre os entrevistados, pouquíssimos professores citaram os PCNs como referência. Quase nenhum conhecia os conteúdos explorados pelo documento, sendo que, citaram-no como ferramenta para elaborar Planejamento Anual nada mais.

É uma pena que tenhamos tão pouca consciência  da necessidade de  embasamento  teórico para fundamentar nossa prática. O documento pode não ser completo mas é o início da sistematização de um currículo no ensino de Arte.

Abraço a todos que fazem parte desta tribo.

Cristina Reis Rossi
Olá, meu nome é Cristina e me interessei muito por este debate.  Vejo na área de Artes uma tangente para levarmos nossos alunos a uma maior reflexão sobre a formação das culturas, dos povos e até mesmo para se nortearem como cidadãos coadjuvantes na formação da história em que estão inseridos. Os PCN de Artes dão uma maior  visão e esclarecem o educador de forma que ele possa aumentar as possibilidades de crescimento do aluno. Mas, ainda é uma disciplina que está engatinhando . A Arte tem o intuito de aprimorar e despertar no aluno  a sensibilidade, percepção e levá-lo a contextualizar a história como um todo. Precisamos formar pessoas críticas e conscientes, seres atuantes e capazes de mudar sua própria história. Espero que os educadores saibam ler e entender os PCNs, que muitas vezes são deixados de lado nas bibliotecas das escolas. Para mim, faço uso  como meio de apoiar-me em muitas decisões na hora de montar um planejanmento levando em conta a realidade da escola que ensino. Gostaria que a Arte fosse vista com mais carinho, revisada e interpretada sobre um prisma de maior respeito, pois quando bem aplicada pode mudar o ensino em vários aspectos.
Andréa Teixeira

Bom gentem, para esquentar as discussões, reproduzirei aqui, uma fala da Secretária de Educação do RJ durante a última reunião (maio) do Conselho de Professores, Srª Sônia Mograbi e, logo abaixo, minha singela consideração a respeito.

I.                   TRABALHO DE ARTES NO PRIMEIRO SEGMENTO
Indagamos sobre o trabalho de artes no primeiro segmento. Diz que já existe, mas também sabe que há Professores II fazendo um trabalho muito bom nesta área, mas há possibilidade das escolas aproveitarem Alunos que têm talento e podem ser auxiliares.  Há Alunos que gostam tanto da Escola que querem voltar.
Sinto muito, mas não concordo de forma alguma com isso!
"Ah, como eu gosto de Medicina, posso ficar no hospital 'ajudando' a atender os pacientes, receitando..." 
Não existe aulas de Arte no 1º segmento, posto que não contratam professores para isso, nem concordam em remanejar os existentes. Já cansei de ponderar que de nada adianta receber um aluno destruído no 6º ano, pois o tempo para tentar reverter é muito curto. Realmente, algumas raras professoras II (1ºsegmento)fazem um bom trabalho, porque lêem, buscam informação.
Se os alunos gostam tanto da escola, que estudem, entrem para uma faculdade e façam concurso!
Se ela não fiscaliza nem os professores que são formados na área (muitos ainda estão na era do pintar a folhinha, letra bastão e os famosos desenhos abstratos - SIC!!!), que dirá se instaurar essa insanidade!
Outra coisa é esse absurdo de usar a palavra talento em Arte-Educação. O objetivo não é formar artistas: alunos copistas não são talentosos, apenas copiam.
Seria interessante que a secretária lesse a Multieducação e o PCN com mais atenção!!
Alguma das entidades representantes dos Arte-Educadores se manifesta?
Andréa.
Suzana Bedinote Rodrigues Martins

pcns de arte maravilhoso no papel, mas na pratica o que nos educadores em arte temos recebido de material didaticos para as praticas são quaso raros ou inesistentes, pois provavelmente a pessoa encarregada das compras nem tem o conhecimente das necessidades de uma aula de arte, para ser um bom profissional tenho de tirar do meu salário que ja é bem pouco.  Reclamar não adianta, então temos que fazer o possivel pra que os alunos, os colegas profissionais da escola compreendam a importancia da arte na vida do ser humano, pois a arte tem em seu curriculo conteudos que ficam na formação da identidade individual de cada pessoa ajudando o a ser melhor e ter qualidade de vida.

Alessandra Henrique

 [...] “precisamos continuar a luta política e conceitual para conseguir que arte seja não apenas exigida mas também definida como uma matéria, uma disciplina igual as outras no currículo. Como a matemática, a história e as ciências, a arte tem um domínio, uma linguagem e uma história. Se constitui, portanto, num campo de estudos especifico e não apenas em mera atividade”.

Essas são palavras ditas por nossa mestra Ana Mae Barbosa

Na minha opinião , arte como disciplina , isso ainda não existe

Área de conhecimento ?Como? Se algumas escolas ainda acham que professor de Artes é apenas decorador de festinha tradicional ?

Nós professores de Arte temos sim que nos impor , e fazer outras pessoas acreditarem que carregamos um imenso tesouro humano ...o conhecimento !!

PCNS?  excelente material de apoio de referência para o professor ...Eu me guio muito por ele e enriqueço muito minhas aulas ...Mas...Com meus materiais , gravuras que compro com meu dinheiro , CDS e DVDS que compro com meu dinheiro ...

É preciso mais e mais apoio das entidades responsáveis para que os PCNS sejam verdadeiramente aplicados nas escolas.  Porque do contrário será material utópico ...

Silvia Sell Duarte Pillotto

Olá Ana Mariza, Isabel e demais colegas;

Penso que os PCNs tem como função nortear ações pedagógicas. É um bom referencial, mas não pode ser substituído pelas nossas próprias construções curriculares. Vejo com muita preocupação essa questão, ou seja, de não compreendê-lo como modelo único e indiscutível. A arte na educação mudou, tudo muda...Diria que são muitas as influências: dos PCNs, das Propostas Curriculares construídas nos municípios e estados brasileiros, das LDBs, das Associações dos Arte Educadores, dos Núcleos de Pesquisa, das pesquisas realizadas, e da própria Rede Arte na Escola. Porém temos muito ainda por fazer, e uma das ações é unir forças políticas, agregar parceiros para que possamos cada vez mais ganhar força e espaço nas escolas.

Grande abraço;

Silvia Pillotto

Marília Nascimento Curvelo

Olá colegas:

Bom mesmo ter este cantinho para refletirmos, trocarmos experiências, crescermos juntos.....

Uso e muito os PCN tanto para fundamentar minha prática assim como para nortear meus planos de curso, de aula e os projetos... Mas sabemos infelizmente o quanto estão distantes da realidade de sala de aula.... É muito triste a gente estudar os PCN como norteadores (são muito importantes) mas perceber a cada dia a falta de importância da Arte para TODOS que nos cercam na escola (salvo alguns colegas e, naturalmente, nossos educandos). Nós aqui na escola que leciono (eu e outra colega de Arte) estamos passando por um momento super difícil porque temos " o luxo" de 1 aula por semana (os tais 50 minutinhos) em cada uma das séries do Ensino Médio. Fazemos um trabalho interessante, o possível nessa correria.... trabalhamos com conteúdos contextualçizados e alguns momentos de prática, enfim.... tentamos fazer de nossa aula um elemento disparador para uma postura crítica do aluno perante o mundo que o cerca, para uma maior reflexão sobre o que está "por trás" de tudo que vemos, lemos, experimentamos.... e principalmente acreditamos MUITO que a Arte é o ÚNICO caminho para o crescimento integral do ser humano.... a saída para a educação no Brasil!  Pois bem, com a necessidade de inclusão de mais uma aula de Sociologia na Matriz Curricular do segundo ano (por conta da legislação, o que é muito importante, claro) o que é mais fácil fazer?????? Adivinhem, se puderem!!!!!! (acertaram) Retirar uma aula de Arte. Com esta retirada parcial todo o nosso Curso será prejudicado, tudo que planejamos construtivamente para as 3 séries vai por água abaixo e uma de nós (no caso eu, que sou 8 dias mais nova na escola do que a colega) fica como excedente. Traduzindo, como perderemos as turmas de segundo ano (7) e não podemos ficar com apenas 10 aulas, não poderei mais continuar nesta escola na qual estou desde a sua fundação a 11 anos e onde desenvolvo além das aulas de Arte em 17 turmas,  um projeto de dança que atende a 80 adolescentes. Pois bem: convivemos com este problema desde o início de maio e, após grande pressão dos alunos e mobilização nossa junto a Secretaria de Educação, parece que o diretor está resolvendo de outra forma (tirando uma aula de Física, que estava sem professor). Mas, quem garante que no ano seguinte, ou nas férias (qdo os alunos não estão para reclamar) esse arranjo não será desfeito por sugestão da própria secretaria de educação, já que eles não gostam da idéia de termos ttas aulas de arte na escola????? E TUDO porque o pensamento cartesiano persiste em nossas escolas onde as disciplinas importantes são as tradicionais de sempre: português, matematica, historia, fisica, quimica, etc.... e a Arte continua relegada a vigésimo plano. Basta dizer que ainda enfrentamos colegas numa altura dessas que se zangam por que não queremos usar nossas aulas para fazer "cartazes" para os  seus projetos????? Nós temos de reafirmar SEMPRE que a  Arte tem seus próprios conteúdos!!!! E..... precisamos nos mobilizar, criar juntos estratégias eficazes para que a sua vital importância seja reconhecida na comunidade escolar e nós possamos cada vez produzir conhecimentos, ser o "ponto de partida" para a busca dos educandos de si mesmos e da compreensão / interação com o mundo que o cerca..

Desculpem o desabafo!!!!!!!

Francisco De Paula Medeiros Ribas
Olá pessoal, e música? Também é arte e agora teve o pojeto " Música na escola" aprovado, projeto encabeçado pelo senador e músico Frank Aguiar. E agora, o que ensinar?
Cristina Reis Rossi
Aqui estou eu novamente. Após a leitura de alguns debatedores desse forum gostaria de me solidariezar com as palavras da professora (creio eu) Suzana Bedinote. Concordo plenamente, aula de Artes requer espaço, material e principalmente um bom planejamento criativo. Trabalho em uma escola de período integral, numa cidade interiorana de Mina Gerais, pertinho de Juiz de Fora. Bom,as crianças entram às 7 horas, estudam normalmente como nas demais escolas. Depois que almoçam, elas têm oficinas, uma delas é Artes a qual eu sou responsável. No ano passado o trabalho não rendia, pois eu estava substituindo outra professora. Comecei então a mudar minhas táticas, apesar do pouco material que a prefeitura diponibiliza para essa Oficina, comecei a criar com as crianças situações em que elas eram as responsáveis. A escola estava passando por uma reforma para adaptar essas oficinas, não tínhamos salas, nem armários, muito menos um galpão. Então comecei, com muita paciência a ensinar a crinaças a pintar, demos uns de pintores de parede, pintamos vasos e o pior não tinha tinta e nem pincel suficiente para todos. Inventei, usei esponja  velha de cozinha,algodão, estopa etc. O final, foi uma amizade entremeada de aprendizado tanto para mim, quanto para as crianças, pois estas eram rebeldes, não queriam ficar nas oficinas, o interesse não tinha sido despertado. Conclusão: Os PCNs mostravam-me possibilidades que a escola ainda não possuía, mas eu fui além. Usei CRIATIVIDADE ,ESFORÇO E GARRA.
Ser professor no Brasil é muito difícil em todos os sentidos, mas para mim que dedico a essa profissão há mais de 15 anos é antes de tudo "amar o que faz e fazer bem feito". Ainda hoje Suzana, eu também gasto do meu bolso, toda semana ( cola quente, tintas que não tem na  escola, misangas etc... etc...), não porque eu queira aparecer
, mas porque eu quero ser a diferença para essas crianças. Este ano inauguramos o galpão das Oficinas  e ele está todo pintado e trabalhado pelas minhas mãos e pelas mãos das crianças;  o esforço em conjunto tirou muitas delas do anonimato, da indiferença pelos estudos,elas cresceram e sentiram a importância de mudar; buscamos a cada dia novas formas de interesse pela Arte, não posso ficar de braços cruzados e esperar que o governo  mude e reconheça o devido valor das Artes na escola e mande milhares de material interessante. "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"
Vejam alguns anexos do galpão das oficinas.
Marília Nascimento Curvelo

Parabéns Cristina pelo seu trabalho!!!!!! E que lindo ficou o Galpão das Oficinas com a participação das crianças!!!!!!!! É tão bom a gente poder saber dessas coisas boas acontecendo!!!!! Também concordo que "quem sabe faz a hora, não espera acontecer" .Um abraço,

Maria Isabel Petry Kehrwald

Oi pessoal:

Agradeço a participação de todas neste Fórum, em especial a do Francisco de Paula que aponta a sua preocupação com o ensino de música na escola, que desde a LDB de 1996 é obrigatório, junto com dança, teatro e artes visuais, mas que agora, é reforçado pela Câmara dos Deputados.  Pois, Francisco, o PCN - Arte aborda também o ensino de música, vale a pena consultar o documento e buscar no mesmo, o que interessa para a sua realidade e necessidade.

Gostaria de comentar sobre o relato da Cristina Rossi que ela está de parabéns por ter conquistado um espaço próprio para suas aulas. O Galpão das Oficinas poderá se constituir no que os artistas que trabalham em ateliêr conjunto chamam de espaço de cumplicidade. Isto é um luxo nos dias atuais de salas de aulas exíguas e inadequadas para as atividades de artes, no geral. Seria muito interessante também, que os alunos pudessem expor o que sabem sobre pintura mural a partir de suas experiências pessoais: já utilizaram tintas? viram alguém pintando? quais tintas, pigmentos, corantes caseiros e materiais podem ser utilizados? Sobretudo é importante, conhecerem artistas que se expressaram através da pintura mural no âmbito da história da arte, como também os artistas, artesãos ou grafiteiros locais, como forma de estabelecer relações entre seus trabalhos e os demais, ampliando assim, os conhecimentos na área. Esta costura de uma ação a outra, de um contexto próximo a um distante, do estudo da história da arte junto a uma prática artística, possibilita a compreensão da arte como parte da vida cotidiana, como parte de um todo, como parte da cultura e não como algo isolado que só aconteceu ali, naquela atividade de sala de aula.

Os teóricos da pedagogia dizem que só aprendemos o que nos afeta, e o que nos afeta é uma mistura entre o que já conhecemos (e temos na memória) e o novo (ou outro) que nos provoca. Pois a arte na escola precisa provocar, favorecer a produção de sentidos, já referida por Ana Mariza minha parceira na mediação deste Fórum e enfatizada nos PCN - Arte. E Marília Curvelo e Alessandra Henrique pelo que contam, estão nesse caminho. 

Por ora, fico por aqui. Amanhã, voltamos a conversar. Mais uma vez, agradeço os comentários e a contribuição valiosa.

Abraço, 

Isabel Petry      

Andrea Macedo De Britto Pereira

É fundamental a atual discussao acerca do que já se conseguiu após dez anos de PCN. Mas o que me traz à discussão é uma necessidade pela qual tanto lutam os professores de Arte, no sentido de valorizaçao dessa área de conhecimento tao necessária ao desenvolvimento de qualquer ser. Até hoje, temos uma hora por semana na grade curricular. Como pode? Como diminuir horas/aula semanais das demais matérias para dar à Arte horas a mais tao necessárias ao desenvolvimento de um bom trabalho junto aos estudantes? Como conseguir isso? É fato incontestável que os PCN deram à Arte uma maior valorização que jamais tivera - a nao ser no projeto de Rui Barbosa, que nao foi aprovado - ao torná-la disciplina obrigatória. Mas a luta continua, pois mudar uma mentalidade centenária nao é trabalho da noite para o dia. O professor de Arte tem como compromisso demonstrar, tanto para a comunidade escolar quanto para a comunidade em geral, incluíndo aí autoridades educacionais, a importância da Arte na vida dos seus alunos, e isso, numa sociedade capitalista, é bastante difícil, porquanto ensinar a pensar é algo que 'vai contra os interesses da alienaçao. E a arte leva a pensar e a realizar. A arte ensina a escolher, a nao aceitar sem um julgamento prévio, sem análise. A arte tem uma série de vantagens que devem ser acrescidas aos demais conhecimentos adquiridos na escola. Portanto, nao existe motivo para que ela seja menos privilegiada do que as demais disciplinas. Cabe a nós, professores de Arte, provar o real valor dessa área do conhecimento. Um abraço, Andrea.

Maria Isabel Petry Kehrwald

Olá Sílvia, que saudade! Obrigada pela tua participação.

Tens razão, os PCN são referências que devem ser consultados como tal. O contexto do professor, suas leituras, pesquisas, sua prática diária e trocas com outros professores, mais os documentos da escola é que devem norteá-lo em suas escolhas. As Associações como Faeb, AGA (Associação Gaúcha de Arte-educação) podem ajudar, mas nem todos têm acesso a elas. Percebo, nas minhas andanças, que os Grupos de Estudos dos Pólos Arte na Escola têm tido um papel fundamental ao apoiar, orientar e provocar os professores na busca de práticas mais adequadas, criativas e significativas, (conforme comentei ontem, que façam sentido para todos os envolvidos no processo de aprender/ensinar).

Há muitos professores interessados em "fazer a diferença" como por exemplo, os que aqui estão dialogando e expondo suas experiências, desabafos e angústias, mas como seres solitários nas escolas, muitas vezes não têm com quem conversar sobre sua área específica, a arte, porque são sozinhos na escola. Contudo, é possivel realizar trocas com professores de outras áreas e costurar projetos conjuntos estabelecendo relações muito ricas. Alguns exemplos podem ser vistos no site do Arte na Escola, através de relatos de professores.  É certo que a falta de materiais e espaço adequado, como apontam Suzana Martins e Marília Curvelo, são fatores que dificultam, mas não impedem ações educativas inovadoras em arte. Os premiados do Arte na escola estão aí para evidenciar que o que move a educação deste país é,  fundamentalmente, o professor bem intensionado que conhece e domina sua área de atuação, é comprometido, se atualiza constantemente, é curioso e principalmente, gosta de aprender. 

Infelizmente, as políticas públicas contam com este encantamento do professor pelo seu ofício, para continuar se valendo de sua competência a um custo baixíssimo.

Voltando aos PCN, o que é transparente, no entanto, passados 10 anos, é que ainda não foram consultados pela maioria dos professores, (conforme constatou a Elizete Padilha em sua pesquisa de mestrado). Isto é lamentável, pois ali temos um atualizado embasamento teórico que pode sim, favorecer a reflexão crítica e impulsionar mudanças.   

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