Forum
Maria Eunice Valdevino Correia Almeida

Quero discutir este tema, porque acho importante levar os alunos ao museu, para que conheçam e apreciem as obras de artes originais, para que criem mais interesse na Arte e ampliem seu repertório cultural. A maioria das crianças que moram em bairros da periferia  nunca foi a um museu. Acredito que além de aprender arte é muito importante que as crianças, os jovens e o público em geral das escolas, vejam arte, pois só assim o aprendizado será completo.

Monica Kondziolková

Olá a todos!

Quero agradecer a professora Maria Eunice pela sugestão do tema e apresentar a vocês Anny Christina Lima, que irá moderar esta discussão. Anny fez bacharelado e licenciatura em Psicologia e Educação Artística e especialização em Museologia. É mestranda em Estética e História da Arte pela USP. Ela coordena a área de Ação Educativa do Museu Lasar Segall e atualmente, na 27ª Bienal, coordenou os cursos de capacitação de professores do projeto Bienal-Escola. Tenho certeza que a sua experiência poderá contribuir muito! Anny! Seja bem-vinda! A palavra é sua!

Monica Kondziolková

Instituto Arte na Escola

Anny Christina Lima
"Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
– Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – pergunta Kublai Khan.
– A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco –, mas pela curva do arco que estas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
– Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
        Sem pedras o arco não existe."
Ítalo Calvino
 
Inicio minha apresentação com este fragmento do livro Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, para estimular nossa discussão a respeito da relação entre Museu e Escola. Afinal, como podemos observar nas palavras de Marco Pólo e facilmente transpor para nossa prática profissional, o nosso dia-a-dia é composto pela nossa capacidade de usufruir criativamente de todos os recursos disponíveis para o trabalho com o aluno, quaisquer que sejam as fontes, formando uma base sólida. O nosso trabalho mais árduo é o de selecionar e transformar nossa prática a cada reflexão sobre estes conteúdos.
 
Apresento, portanto, o escopo de nossas discussões para este fórum, que podem ser tão profícuas dependendo de nossas disponibilidades para a discussão. Digo isso, pois necessitamos de participação ativa dos professores e profissionais de museus, para enfrentarmos as responsabilidades e potencialidades que encontramos nesta parceria. Este é o meu convite-desafio a uma discussão aberta e abrangente. Pretendo fazer a moderação como uma profissional que tem muito a aprender com o grupo, e com muita vontade de compartilhar minhas experiências e reflexões.
 
Gostaria de abrir a discussão com uma sucinta apresentação do que é o museu, pelo ponto de vista de uma profissional mergulhada na função prazerosa de trabalhar com professores envolvidos em projetos de toda natureza, mas com o objetivo em comum de promover em seus alunos a reflexão e o prazer em conhecer arte ou qualquer conteúdo específico de todas as tipologias de museus.
 
O museu é uma instituição dinâmica, que trabalha com a preservação e sistematização da herança patrimonial, através do processo de salvaguarda (documentação e conservação) de objetos-testemunho e transforma-os em objetos-diálogo através do processo de comunicação museológica, que compreende a exposição e ação educativa desenvolvida.
 
O museu e suas exposições estão dentre os locais em que se processam nossa cognição, em que exercitamos nossa capacidade de leituras do mundo através das referências materiais ali encontradas e suas contextualizações.
 
O museu tem uma vocação educacional, que a partir da comunicação museológica, numa dinâmica sócio-cultural, abrange as dimensões da educação da memória, educação preservacionista, educação para a inclusão e da educação para a expressão.
 
Sugiro que nos concentremos na ação educativa para o público escolar que são propostas pelas instituições culturais. Por questões éticas, eu particularmente terei maior possibilidade de tratar mais especificamente dos projetos educativos em que trabalhei diretamente, mas a discussão não será limitada por isso. Muito pelo contrário, a troca está aberta a todos e minha curiosidade é enorme a respeito de como as escolas trabalham com as instituições culturais deste Brasil, tão imenso quanto diversificado.
 
Mãos a obra! Temos um mês intenso pela frente.
 
Um abraço,
Anny
Geane Costa
È importante discutir sobre este tema, infelismente o que é realidade e atinge a grande maioria das escolas é a falta de acesso ao museu, em cidades que tem museu mesmo sendo dificil tem como levar as crianças das periferias para visitar atraves de projrtos, acontece que nos interiores não conseguimos articular isto porque não tem museus e ai o que fazer? como tratar de um assunto ou investir sobre o mesmo com realidade tão distante? como atrair a atenção dos meninos para o assunto ou envolver a escola de modo geral neste contexto que parece tão ireal?
Mirca Izabel Bonano

Bom Dia Professores Amigos!!!

Chove no Rio de Janeiro...rsrsrs

Também quero  agradecer a professora Maria Eunice em propor este Fórum pois o tema é certamente uma fonte de reflexão para a ação do professor de arte e a Anny Cristina por aceitar o convite do Instituto para participar desta discussão tão importante para o ensino de arte no Brasil.

Ontem fui ao Centro Cultural Banco do Brasil - RJ visitar  a exposição Aleijadinho e seu tempo: Fé, engenho e arte, me dei conta mais uma vez de como faz toda a diferença para o público ter um projeto educativo que pense a relação da arte e do público, não como um "atravessador"  mas sim, como um amigo que convida a fazer junto...

Isso o Educativo do Museu Lasar Segall tem feito brilhantemente durante estes últimos anos e a Anny Cristina é uma das profissionais responsáveis por este processo.

Será muito bom trocar com vocês... Participem e convidem seus amigos para este grupo.

Desejo a todos um Feliz 2007!!!

Abraço

Mirca Bonano

Itamar Alves Leal Dos Santos

Anny, não sei o que aconteceu, mandei a minha mensagem no primeiro dia do Forum. Inclusive mandei duas vezes, pois a primeira vez não apareceu. E até agora nenhuma das duas apareceu. Por favor, caso ela esteja ai, envie-me para o e-mail, para que eu tenha uma cópia, mesmo que ela não vá se publicada.

Obrigada

Yta

Daniela Linck Diefenthäler
Olá Anny!!!

Acho super importante o tema deste fórum e acredito que nossa trocas serão enriquecedoras para minha prática pedagógica!!!
Sou arte educadora e atuo com alunos de Educação Infantil ao Ensino Médio, trabalhando também com formação de professores no curso de magistério com a disciplina Metodologia do Ensino de Artes. Conclui minha graduação em Artes Visuais em dezembro/06 e estou iniciando meu Mestrado na UFRGS este ano. Em minha escola temos por hábito levar todos os nossos alunos à exposições e mostras de Artes, dentre elas, sem dúvida a Bienal do Mercosul, pois trabalho em São Leopoldo e Portão, cidades gaúchas, próximas de Porto Aelgre. Temos uma parceria com o Santander Cultural, instituição que apóia incansavelmente a arte educação. Gostaria de saber como é o trabalho com formação de professoras no Museu Lasar Segall e se existe algum material disponível aos professores.
Agradeço
Daniela
Antonio Andrade Pereira Junior

Olá,

Sou professor de artes do Colégio Estadual Luis Eduardo Magalhães no municipio de Fátima, interior da Bahia, na região onde moro não existe museus, não dispomos de livrarias para que possa comprar material sobre artes, a biblioteca que tem no meu municipio o material que tem referente a arte é uns cinco livros de arte,  para se trabalhar com obras de arte, o que posso fazes é pesquisar na internete e imprimeir em papel oficio, até mesmo para adquirir materiais sobre arte é muito dificil, principalmente material sobre os artistas brasileiros. Gostaria muito de poder levar meus alunos para fazer uma visita ao museu, mas o que fica mais perto é na capital Sergipana, há 200 km.

No colégio onde trabalho não existe acesso a internete, para que possa trabalhar com meus alunos, fico sem saber o que fazer. Se alguem tiver como mim ajudar entre em contato pelo meus e-mail: antonioapjunior@hotmail.com

Um forte abraço a todos

Santuza Carolina Dos Santos
geane costa escreveu:
È importante discutir sobre este tema, infelismente o que é realidade e atinge a grande maioria das escolas é a falta de acesso ao museu, em cidades que tem museu mesmo sendo dificil tem como levar as crianças das periferias para visitar atraves de projrtos, acontece que nos interiores não conseguimos articular isto porque não tem museus e ai o que fazer? como tratar de um assunto ou investir sobre o mesmo com realidade tão distante? como atrair a atenção dos meninos para o assunto ou envolver a escola de modo geral neste contexto que parece tão ireal?

Geane Costa,

Boa tarde,
Concordo com com você quando diz que em períferias e interiores , torna-se difícil a visitação de museus, mas nos dias de hoje, diante do construvismo o professor pode "trazer" o museu para a sua classe. É isso mesmo, com a ajuda de jornais, revistas, filmes, documentarios, internet..., sei que em muitos locais há inexistencia de alguns desses meios e é aí que o professor entra com a sua criatividade propondo alternativas para que o aluno de alguma forma possa ter contato com museus e dessa maneira adquirir o gosto pelo mesmo.

Anny Christina Lima
Meus caros
 
Pensei muito nas questões referentes à dificuldade de acesso físico, financeiro ou de outras naturezas trazidas pela professora Geane e pelo professor Antônio. Concordo plenamente com o comentário da professora Santuza, e entendo que “nossos limites devem ser considerados como potencialidades nossas” como disse uma educadora que respeito muito, Stela Barbieri, que é professora e coordena o setor educativo do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. E sei que isso, de fato, não é nada fácil, mas pode ser possível.
 
Lembrei-me de um seminário no final da década de 1990, no qual houve uma questão a este respeito feita para Denise Grinspum, atual diretora do Museu Lasar Segall (MLS), que na época coordenava a área de ação educativa. Como resposta, ela perguntou à professora que trouxe a questão sobre a cidade onde ela morava, seus bens culturais materiais e imateriais, o que era produzido pela população – seus artistas e artesãos locais - e sobre a história da cidade e destes criadores, além de como a cidade usufruía estes aspectos culturais. A resposta da professora foi uma lista de possibilidades de trabalho com seus alunos, com o que a região oferecia e suas "limitadas" condições suportavam.
Eu acredito que a visita a museus é das atividades mais profícuas para o desenvolvimento de conteúdos diversos, principalmente a respeito de seus acervos. Tratando de museus de arte, então, penso que não há o que substitua a experiência estética de se apreciar uma obra de arte original. Mas nossas possibilidades são limitadas, por isso precisamos trabalhar muito mais para alcançar nossos objetivos.
 
A inexistência de instituições museais de fácil acesso para todos dificulta imensamente o trabalho a ser desenvolvido. Porém há bens culturais em todos os lugares, afinal, somos seres capazes de produzir cultura, e isso pode ser explorado com muita criatividade e motivação.
 
Consideremos o caso do professor Antônio, que apresentou suas dificuldades de acesso a materiais impressos, além da distância física entre a cidade onde ele está e o museu mais próximo. E pelo que entendi, mesmo assim, diante destas dificuldades todas, ele trabalha com seus alunos a partir da adequação de recursos.
 
Não há uma saída a curto e médio prazos, já que diminuir a distância física ou financeira a ser transposta é algo difícil de ser alcançado. O que temos é nossa própria capacidade de adaptarmos a todos os ambientes (mesmo os mais inóspitos) e a possibilidade de melhorá-los.
 
O caminho não é fácil, mas precisamos refletir sobre estas possibilidades para nos capacitarmos cada vez mais e para nos motivarmos diariamente. Afinal, de onde e como tirar motivação frente a tamanha dificuldade?
Um abraço
Anny
Anny Christina Lima

Cara Geane

O comentário da professora Santuza também me fez lembrar da possibilidade de desenvolver um Centro de Memória na própria escola. Lidando com a memória produzida pela comunidade, a partir de seus bens culturais e história oral, por exemplo.

Há escolas que desenvolveram este projeto com muito trabalho de todos os profissionais da escola e muita pesquisa dos alunos.

O Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga, em São Paulo), que é da Universidade de São Paulo (USP), já fez um projeto com algumas escolas estaduais. Talvez voce possa contatá-los pelo site e verificar o método que eles desenvolveram. A coordenadora do setor educativo do Museu é a sra. Denise Peixoto.

Ou contatar a Secretaria de Educação, solicitando informações sobre quem poderia orienta-la a este respeito.

Alguém já fez algum trabalho desta natureza em sua escola?

Um abraço,

Anny

Mirca Izabel Bonano
Itamar Alves Leal dos Santos escreveu:

Anny, não sei o que aconteceu, mandei a minha mensagem no primeiro dia do Forum. Inclusive mandei duas vezes, pois a primeira vez não apareceu. E até agora nenhuma das duas apareceu. Por favor, caso ela esteja ai, envie-me para o e-mail, para que eu tenha uma cópia, mesmo que ela não vá se publicada.

Obrigada

Yta



Caro Professor Itamar

Olá!

Possivelmente houve algum problema técnico, ja solicitei para o nosso Suporte verificar.

Seria possível o Sr. reescrever esta mensagem, ou pelo menos o conteúdo que deseja discutir ?

Abraço,

Mirca

Jessica Marinzeck Cruz

Acredito que o papel do arte-educador é fundamental para despertar nos grupos durante à visita ao Museu a vontade de voltar e visitar outros tantos espaços culturais e sentir-se bem num meio que lhes parece tão distante. A inlcusão tem que ser tratada de forma séria e com bastante paciência.

Levar o Museu à sala de aula como li em alguns comentários também é uma maneira muito eficaz de mostrar aos alunos o valor e a riqueza que encontramos nos Museus. É preciso que todos saibam e sintam-se estimulados à visita ou pesquisa.

Por assim, acredito que o educador tem papel principal neste esclarecimento de idéias.

Anny Christina Lima
Olá, Jéssica, tudo bem? Que bom te ver por aqui.
Concordo com você e acho uma ótima questão a ser tratada no fórum. A atuação do educador de museu com o grupo de alunos e professores.
Eu acredito que esta relação inicia-se anteriormente, a partir do contato com o professor, que apresenta as características de sua turma e deve ter a liberdade de combinar com o educador do museu a respeito da estrutura da visita e as adequações necessárias ao seu grupo de alunos. Afinal, a visita ao museu pode ser uma atividade dentro de um projeto maior do professor, que tem a possibilidade de preparar o aluno para esta experiência única e dar continuidade após a visita, otimizando os conteúdos tratados.
Nós, da área de ação educativa do Museu Lasar Segall, sugerimos aos professores que atendemos que eles preparem anteriormente seus alunos, com a possibilidade de utilizar o material didático para os conteúdos específicos, mas também comentando o que todos vivenciarão no museu, afinal, por mais que se conte minuciosamente o que acontecerá, não temos o poder de limitar a vivência do aluno. A dinâmica dependerá da atuação do educador do museu e da participação do aluno. Afinal, a visita é um conjunto de experiências, desde a preparação do aluno sem sua casa para o passeio até as discussões promovidas pelo educador nas leituras de obra.
Esta relação educador-alunos deve ser estimulante e instigante, possibilitando assim, uma experiência de aprendizagem prazerosa, na qual o aluno possa exercer sua capacidade de análise e crítica sobre o bem cultural, discutindo a respeito dos conteúdos e contextualizações históricas e biográficas, considerando seu repertório próprio. Afinal, todos temos a aprender em uma situação de aprendizagem.
 
Professores, como têm sido suas experiências nos museus em relação aos educadores que atendem suas turmas?
 
Anny
Cleide Maria De Lima Lopes

Sou professora de Artes no Ens. Fundamental II da Prefeitura de São Paulo, adorei a idéia do fórum sobre a Escola no Museu. Fiz o curso do Arte br no Museu Lasar Segall em 2006 e adorei. Gostaria de receber mais informações de atividades feitas por todos. Beijos. Cleide.

Dorcas Weber

Fico feliz que este assunto tenha sido levantado, acho que temos várias questões para discutir: e museu na escola, a escola no museu, o educador de museu, o educador da escola no museu, a criança no museu, o museu como espaço de conhecimento, o museu como lazer, e por ai vamos levantando muitas questões.

O importante é que estas questões sejam levantadas e nos levem a refletir sobre.

Mas observando as falas abaixo com relação ao educador escolar e também o de museu, uma questão paira.

Os cursos de formação de professores apresentam aos seus alunos o museu como possibilidade de atuação (como educador de museu?), e também como um espaço a ser utilizado no seu planejamento de trabalho na educação formal?

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