Forum
Daniela Linck Diefenthäler
Tenho experiência como professora de Arte em todos os níveis educacionais, mas percebo que existe certa resistência ou até mesmo falta de experiêcias e trocas entre professores que atuam nesta faixa etária para trabalhar com o ensino de arte.
Mirca Izabel Bonano

Caros Professores
Boa tarde!
O Fórum do mês de maio tem como tema o ensino de arte na Educação Infantil. Este tema é uma sugestão da professora  Daniela Linck Diefenthäler que pretende com este espaço de discussão estabelecer a troca entre professores e suas diferentes realidades de ensino.
Convidamos como mediadora a professora Karen Amar, formada em Educação Artística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, pós-graduada em Psicopedagogia no Instituto Sedes Spientiae – SP.  Capacitadora do Centro de Estudos da Escola da Vila, responsável por ministrar Cursos de Férias para professores, Seminários Itinerantes e pelo Grupo de Formação Continuada em artes para professores, coordenou a área de artes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental em 2008 e foi professora do curso “Abre as asas sobre nós” do Instituto Arte na Escola, para técnicos de educação da rede municipal de Mogi Guaçu em 2008. Atualmente é professora de arte para o alunos do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental na Escola da Vila.
No fórum, você pode argumentar, questionar, responder, dar sua opinião, pedir e oferecer ajuda. Seu texto é publicado imediatamente e você pode responder diretamente a um participante ou dirigir-se a todo o grupo.
Participe, este é um momento produtivo para todos os professores, convide os amigos.
Abraço,
Mirca Bonano
Instituto Arte na Escola
Lilia Standerski

Olá!

Gostaria de saber quais os possíveis encaminhamentos para modelagem com argila para cças com 4/5 anos. Estou querendo trabalhar com eles a idéia de modelar sem quebrar partes e ir "colando", pois muitas crianças fazem isso, e depois quando a argila seca, se quebra. Mas tem sido difícil pensar no como propor para elas.

Se alguém puder me ajudar...agradeço!

Abs,

Lilia

Daniela Linck Diefenthäler
Olá Lilia!!!
Gosto muito de trabalhar com a argila com as crianças. Porém nesta fase, as crianças de Educação Infantil, ainda não possuem domínio deste material e é comum criarem as "famosas minhoquinhas", ou ainda os "bifes" de argila. Gosto de propor a construção de auto - retratos, e proponho o desafio de que inventem uma forma de que esse retrato "fique em pé". Comigo isso tem tido bons resultados, pois as crianças já inventaram mil formas de fazer com que isto aconteça, como por exemplo ir retirando partes ou então apertando a argila para definir formas, ou ainda colocado internamente palitos de churrasco para fixar as partes. Penso que o importante é desafiar as crianças a pensarem em outras formas de realizar o que muitas vezes acaba sendo feito de forma padronizada.
Seguimos conversando, um grande abraço.
Betania Libanio Dantas De Araujo

Esse assunto da modelagem em argila é muito interessante porque, relembrando os índios, eles não determinam como as crianças devem modelar e intervem se há uma solicitação. Ensinar a colar pedaços da peça, por exemplo, só ocorre quando a criança pede. É importante pensar nisso porque determinar às crianças uma maneira de modelar é antes de tudo "matar" um equilíbrio muito próprio em sua modelagem infantil. E graças às crianças elas tem um jeito muito genuíno e menos inexpressivo do que os adultos. É preciso aprender a olhar o que este mundo quer nos dizer e como são verdadeiros.

Ensine a criança a ver, não mostre como você modela, deixe que veja fotos de animais para modelar os seus.

Betania Libanio Dantas De Araujo
Os desafios sugeridos pela professora são muito bons, pensar em como deve solucionar um problema. Parabéns
Betania Libanio Dantas De Araujo

Dominar o material.

Os estudantes de EJA que vieram do nordeste ou do interior, modelam animais e outros objetos com muita facilidade e expressão genuína.

Se todos eles contam que ninguém ficava ensinando como modelar, é porque dar soluções para as crianças é impedí-las de sentir, fruir e experimentar. Isso demonstra que as crianças precisam modelar livremente ou do contrário, muitos pais as colocarão na fábrica produzindo milhares de peças em série, já que só há uma maneira de fruiu, ver e produzir.

Karen Greif Amar

Olá colegas!

É com grande prazer que inicio essa conversa com vocês sobre o ensino da arte na Educação Infantil. Sei que será um espaço para trocarmos experiências e reflexões sobre o tema, e isso com certeza será uma forma de repensarmos a nossa prática - ação obrigatória do profesor. 

A modelagem com argila é o assunto inicial do nosso forum. Como a Daniela comenta  "as crianças de Educação Infantil, ainda não possuem domínio deste material ", pois a maioria teve muito pouco contato com procedimentos relacionados à essa modalidade na escola e fora dela também. É muito comum observarmos que elas "picam" , amassam e furam a argila enquanto estão frente ao material. Sem dúvida é uma forma de exploração e de contato. Se pensarmos que quando desenham também experimentam o lápis de diferentes formas entendemos porque fazem isso com argila. Assim, é muito importante que o professor aproveite e transforme isso em conhecimento do grupo. Chamar a atenção para a temperatura do material, se é frio, se já esquentou, se é pesado, leve, grande, pequeno, se cabe em uma mão, se precisa das duas, que forma tem a argila recebida.  Amassar, furar, bater, alisar, apertar, torcer, e tantas outras ações que os próprios alunos realizam irão formar o repertório inicial de modelagem do grupo. Vocês podem até fazer um mural com as produções das crianças e em roda apreciar essas argilas, conversar sobre como cada aluno conseguiu obter essa ou aquela forma, mostrar aos amigos, criar um ambiente de troca entre o próprio grupo.  Anexo uma imagem de trabalho realizado com essa proposta. A partir dessa idéia de exploração, como podemos pensar na questão trazida pela Lilia?

Um abraço

Karen

Daniela Linck Diefenthäler
Olá!!! Que maravilha podermos trocar estas experiências não é mesmo?
Conforme karen sugeriu: "fazer um mural com as produções das crianças e em roda apreciar essas argilas, conversar sobre como cada aluno conseguiu obter essa ou aquela forma, mostrar aos amigos, criar um ambiente de troca entre o próprio grupo",, é muito importante desde cedo instigar as crianças a falarem sobre suas produções, pois além de estarmos possibilitando um ambiente que permite as trocas de experiências, os relatos sobre dificuldades e facilidades em trabalhar com este material, as crianças também aprendem a valorizar e repeitar as produções dos demais colegas.

Segundo a colega Betania: "
Os estudantes de EJA que vieram do nordeste ou do interior, modelam animais e outros objetos com muita facilidade e expressão genuína." É importante considerar as experiências e vivências com este ou outros materiais. E muito além de mostrar como se faz é importante instigar a fazer, provocar as crianças a pensarem em formas de resolver determinados "problemas" que possam surgir durante a modelagem.

Também lançando algumas provocações frente a outros materiais, vale pensar sobre como podemos provocar diferentes formas de utilizar materiais considerados mais comuns no universo expressivo infantil como os lápis de cor, giz de cera, canetas hidrocor, enfim... Quantas possibilidades existem sobre como utilizar o lápis de cor, que texturas posso conseguir com este material, que efeitos obtenho se forçar mais a mão durante o desenho, ou se deixá-la deslizar suavemente sobre o papel?

Seguimos conversando... abraços à todos...



 
Valéria Cristina Frade De Alencar

Sou professora dos pequeninos, crianças na idade de 2 e 3 anos e trabalho sempre usando Arte e Musicalização, gostaria de trocar algumas idéias sobre o assunto. Tenho feito com as crianças bastante trabalho envolvendo a música em sala de aula e tem dado resultado. Escolho um tema, exemplo: Família e com uma música as crianças relaxam e sensibilizam a desenvolver o trabalho...

Quando foi bastante discutido sobre o assunto, usamos rasgaduras de papéis (crepon) para facilitar das crianças rasgarem, pois estão em desenvolvimento de coordenação motora. Pensando na família: Mamãe, papai, tio, tia, vó, vô, etc... colem os pedacinhos de papéis em um coração (trabalho individual), pois as crianças dessa idade está em fase do egocentrismo, ainda não se pode trabalhar em grupo.  Que idéias voces tem para mais trabalhos individuais?

Aguardo resposta,

Abraço,  Valéria.   

Mery Petty

Meu nome é Mery Petty e trabalho com teatro na educação Infantil de uma escola particular em Guaramirim - SC. Entro uma vez por semana e levo comigo uma caixa(baú) com bonecos de luva - fantoches. Toda semana eles saem de lá e contam alguma coisa para as crianças. É muito interessante. de vez em quando a caixa desaparece. E as crianças precisam desvendar o mistério.

A dramatização começa. Todos sabem como pode ter sido a atuação da bruxa com relação ao sumiço da caixa. Da mesma forma todos tem uma brilhante idéia para apanhar a bruxa e resgatar a caixa tão amada por eles. Escrevem cartas para a fada plim-plim pedindo para dar chá de sumiço pra bruxa. Pedem cuidado para não estragar a caixa na hora de resgatá-la e assim por diante.

Entre o sumiço da caixa até o reaparecimento dela são consumidos cerca de 04 intervenções que vão desde a carta das exigências da bruxa que chega para as crianças para devolver a caixa até a sua prisão, sumiço e reaparecimento da caixa da Tia Mery. As crianças bolam planos para pegar a bruxa, como por exemplo: desenhar flores e escrever uma carta pra fada pra ela fazer uma mágica e perfumar as flores e depois entregar as flores para a bruxa que odeia perfumes. Ela vai espirrar tanto que devolverá a caixa. Ou fazer alçapões, etc.

Assim vamos dramatizando e as crianças ficam envolvidas com esse movimento e vão resolvendo muitos de seus medos e vão se expressando sempre e com muita criatividade.

Camila Fogolin Rosal

Olá,

Meu nome é Camila Fogolin e gostaria de parabenizar o fórum de Artes e em especial a Karen Amar... Será que vc lembra de mim? Trabalhei com vc na Oficina das Artes da Hebraica, já faz um tempinho... No momento não estou dando aulas de Artes em nenhuma instituição, pois acabei de mudar novamente de cidade, estou de volta à Belo Horizonte. Estou achando muito interessante poder trocar informações sobre aulas de artes na Educação Infantil, pois tive muitas experiências com essa faixa etária.

Assim que o curso de encerra, costumo confeccionar um Portfólio com os trabalhos realizados pelas crianças para que possam levar para casa, essa é uma forma de arquivar os desenhos, fotos de trabalhos tridimensionais e relatos de experiências vividas pelos alunos em sala de aula.

Um grande abraço

Camila Fogolin.

Bernadete Ribeiro De Assis

Nosso problema maior e a falta de informação do que e a arte nas escolas

pelos colegas profissionais de educação, que confundem o trabalho onde temos que

incentivar a criatividade e o senso critico, nossa barreira come~ça quando em atribuições

acham que arte serve pra completar carga horaria de outras áreas,

Maria Celina Dias

olá,

 não adianta ficar com blábláblá se não tivermos uma politica de estado para a arte educação, na verdade para a educação, para a escola.Uma politica onde todos serão parceiros para que o nosso povo realmente tenha uma visão critica e possa atuar como cidadão completo isto é só é cidadão aquele que sabe sobre a sua comunidade e interfere nela. Fico pensando na Inglaterra onde os pequenos desde cedo frequentam museus e identificam seus artistas. Ficam pensando no Japão onde uma professora de pequenos tem um cartão que abre passagem em ônibus, metrô, museus e eventos para si e seus alunos que no caso não passam de 10 em uma salae além disso em horário integral. Mas precisamos discutir também o que é uma escola preparada para que possamos executar uma aula de qualidade, uma escola realmente democráta que peceba arte como um fazer revolucionário aliado a uma crítica que eleve o nosso povo. Posso citar como exemplo o prefeito de Montes Claros que nem bem tomou posse mas já está atuando como educador ao exterminar a empresa de transportes que existia no municpio e criar uma que eduque o cidadão e que não pense somente em arrecadar dinheiro como é a grande parte destas empresas municipais mas atuar educando a comunidade. Bom, vou parar por aqui pois estou saindo fora do assunto proposto mas o que é arte educação nos primeiros momentos da criança senão colocar aliada a toda produção artistica existente no nosso país.

Abraços

maria celina

Djeovana Raulino

Bom, sou graduanda em Artes Visuais. Fiz 2 estágios na educação infantil: o primeiro com crianças de 5 até 7 anos, que trouxe o tema artes para dentro da creche e o segundo, na observação de crianças de 3 anos de idade.

É uma idade de experimentação. Vejo que ao trabalharem com colagem, por exemplo, eles colocam cola na mão, esfregam entre os dedos, tentam ver qual a duração que o grude dela tem na folha. Aparentemente, não estão muito preocupados com a estética ou pelo menos com a estética 'imposta' pela sociedade.

Minha proposta na  Educação Infantil é trabalhar com materiais diferentes, levar a criança a experimentar e consequentemente, por ela mesma, construir a imagem. Outra idéia que me surge, é trazer o cotidiano da criança para dentro da escola, com brinquedos pedagógicos. No lúdico, é possível trabalhar com fechar um botão, amarra um sapato, trabalhar com texturas através de um dominó... Assim, através da repetição trabalhamos auxiliando  na parte motora da criança.

Não acho que seja um campo limitado, é um campo que devemos atuar com muito cuidado, para não interferir demais no senso estético deles. Não podemos limitá-los somente a pintura ou na criação de objetos pra dar em alguma data especial, trabalhar com todo o tipo de material desde "lixo" até folhas especiais, em diferentes formas de montagem e preferencialmente sem esteriótipos.

Juliano Farias

Saudações. Sou Prof. de Arte da rede pública estadual, não sei se a realidade na qual trabalho é igual a de vocês, mas, sabemos que na rede pública a dificuldade com materiais é enorme, uma vez que,  a prioridade está voltada única e exclusivamente para a alfabetização; sendo assim, a alfabetização estética fica em 2º, 3, 4... plano....mas, deixemos, temporariamente, essa situação de lado, e vamos driblando as dificuldades para um ensino de maior qualidade. Uma dica que dou para quem quiser trabalhar com modelagem e a famosa massa de trigo...estou começando esse trabalho e por hora não posso relatar, mas estou confiante.

Além do trabalho voltado para artes visuais, é importante ressaltar outras linguagens, como o teatro, a música e a dança. A medida do possível é importante passar por elas. Normalmente temos dificuldades com essas linguagens, mas ao procurar informações a respeito tenho encontrado bons resultados. Por hora, é isso.

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