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Luzia Margarida Garcia
ola eu sou a Luzia ,sou formada em pedagogia e fiz pós em artes visuais ,trabalhei 14 anos com artes em todas as séries,mas devido a politicagem das escolas estaduais daqui de MS, acabei deixando definitivamente as salas de aula há 2 anos ,pos com todos os cursos que tenho na área e uma vasta experiência ,perdi as aulas para uma professora sem conhecimento nenhum em artes ,masela tinha a preferência do diretor daescola por ser a namorada dele .
Edilene Martins Silva Sales

Olá pessoal.

      O tema em questão é muito interessante e afirmo que realmente existe poucos professores habilitados em Artes, pois estou cursando Licenciatura em Artes visuais e precisavamos fazer o nosso estágio em salas de professores habilitatos e não foi possível pois temos poucos profissionais habilitados nesta area do conhecimento. Então eles fizeram uma pesquisa para saber se realmente não tem e foi confirmado liberando assim para fazermos com professores não habilitados.

        Vendo a revolta de alguns colegas pelo descaso pela disciplina de artes, me lembro quando as aulas de artes aumentou de uma para duas no ensino médio. Uma colega professora de biologia dizia muito brava que iria entrar na justiça poisnão era possível haver duas aulas de biologia e também haver duas de artes,e dizia da falta de importância  de artes na escola e isso muito me chateou pois estou cursando licenciatura em artes visuais por quatro anos tanto quanto qualquer outra disciplina e graças a Deus os meus alunos amam o meu trabalho e me dou muito com eles e colegas de trabalho.

Andréa Teixeira

Enquanto houver o "jeitinho brasileiro" e a "lei de gérson", a esculhambação com a Educação em geral continuará. Estão faltando professores não só em Artes, mas em todas as áreas. Infelizmente, só cursa licenciatura hoje aqueles que não conseguiram passar para nenhuma outra área: como sobram vagas, as faculdades as oferecem a qualquer um.

Quanto ao profissional não ser formado na área e "tapar o buraco", sou a favor de nunca fornecer a eles qualquer ajuda e denunciar aos canais (in)competentes. São essas criaturas que, vendendo-se barato, denigrem e deturpam nossa área e profissão.

É importante citar aqui o descaso dos sistemas de ensino públicos em relação a nós, profissionais realmente habilitados, pois os discursos políticos não combinam com a realidade. Não temos material, sala ambiente, computadores não estão disponíveis, internet nem pensar, gestores e professores que não utilizam as TIs e nem querem aprender.

José Francisco Barbosa
Cara Mirca: corro o risco de parecer muito cético, mas provo o contrário disso ao realizar meus (sofridos) projeto na escola pública. ( tenho vários que não subi pra internet apenas por falta de tempo e condições financeiras.Desculpe, não é fácil pra quem sobrevive disso. Embora eu veja muita gente boa (muito boa, por sinal) tratando com propriedade das questões da Arte na Escola, me sinto completamente só na verdadeira escola, no real cotidiano escolar. Os tais Trios Gestores, além de advindos de indicação política, sequer entendem quando falamos de cultura, postura política e, claro, ensino de Arte. Arrisco mesmo a dizer que alguns sequer têm idéia do seja Educação. Há tanta gente fazendo a parte "intelectual", acadêmica, realmente bela a ponto de ocupar espaços na midia (vide raros momentos na TV Cultura), mas no dia a dia mesmo....Ninguém me responde quando digo que há muito artista plástico brilhante, bem afamado e "com parentes inportantes", mas que jamais souberam o que é dar aulas a 1280 alunos por semana numa jornada de 55 horas por semana e para ganhar quando muito, 3 mil reais por mês. Sonho em ver uma "ponte" entre essa falácia toda e a verdade. Os educadores com cargos de poder (se é que há gente assim nesses escalões) deveriam sujar os sapatos de cromo na lama pisada pela plebe. Iam apreder, talvez, muiito mais. Estou fazendo a minha parte, mas cansado "de tanto ver triunfar as nulidades". Sou professor de arte de verdade (e desculpem mais uma vez): mereço mais. Mais efetividade e  atitude em lugar de tanta bobagem hipócrita e eleitoreira.
Angelica Sansevero

Possuo graduação em Educação Artística pela Fatea-SP, Pós-graduação em Fundamentos da Cultura e das Artes pelo Instituto de Artes- UNESP-SP. Desde o ínicio de minha docência em escolas estaduais/municipais da cidade de Aparecida e Guaratinguetá-SP venho pesquisando sobre a formação docente e curricular para o ensino de arte.

Várias políticas educacionais foram implantadas nessas instituições de ensino que ao meu ver somente fragilizaram o docente e sua atuação na sala de aula. No sistema de ensino municipal em 2002, implantaram um sistema de ensino de outro estado do Brasil e em 2009 o sistema apostilado não existe, apenas projetos em artes visuais, teatro, entre outros, para escolha dos alunos em outro período das aulas. Com issso, os docentes de arte continuam trabalhando aleatoriamente. Já nas escolas estaduais, a formação/docência em arte para o ciclo II e Ensino Médio foram bem comprometidas pela implantação do Projeto de Arte para o Ciclo I em 2003.

Desde então, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (S.E.E.) disponibilizou vários projetos nas linguagens artísticas para recuperar a credibilidade do ensino para o Ciclo I.  Tais projetos eram apresentados pelos PCOPs de Arte das Diretorias de Ensino aos docentes que somente ministravam aulas nesse ciclo, os demais não eram convocados. Com isso, as aulas de arte do Ciclo II e Ensino Médio se tornaram repetitivas e evasivas. O plano de ensino era desenvolvido pelos próprios docentes, ou seja, havia escolas que possuíam aulas de arte excelentes e outras superficiais devido a formação inicial/continuada desses profissionais.

Para recuperar esses recuos, a S.E.E. implantou em 2008/2009 o currículo oficial em todas as disciplinas, inclusive Arte com cadernos para todas as séries. Mas tal currículo se tornou adverso a atual realidade do ensino de Arte nas escolas públicas. Chegou como um provável avanço para os recuos obtidos pelo ensino de Arte desde 2003 na rede estadual, mas causou muita indignação aos docentes e uma certa rejeição devido a sua obrigatoriedade.

Tais cadernos que já foram reformulados devido a opiniões dos docentes, não irão resolver as precariedades causadas pela deficiência das políticas públicas implantadas. Atualmente, o ensino de Arte continua pari passu como antes, ou seja, em algumas escolas sendo desenvolvido por meio dessa base curricular, em outras pela proliferação de atividades consideradas pelos docentes como fáceis de entender e reproduzir, no caso: as pinturas em folhas mimeografadas, as releituras de obras de arte, entre outros, “trabalhos em que o aluno tenta agradar o professor copiando a obra ou o próprio professor acha que o melhor resultado é o que se encontra mais próximo da obra, em questão” (BARBOSA apud BARBOSA p. 145, 2008). Práticas pedagógicas consideradas desgastantes que estão transformando a disciplina de Arte num apêndice curricular, responsável somente pela organização de atividades complementares, e não pela sua ação didático-metodológica.

Essa diminuição dos profissionais de Arte já decorre de alguns anos. Antes na graduação éramos formados para sermos artistas. A denominação Arte-Educação não era vista como disciplina. Depois, ela entra na grade curricular das Universidades devido a deficiência na formação dos que estavam atuando em sala de aula. Mas há deficiência também na formação das outras linguagens, no caso Teatro, Dança e Música. Hoje nossas Universidades não formam docentes polivantes em todas as linguagens, apenas em Artes Visuais.

Antes, as disciplinas respeitadas eram a Matemática, a Língua portuguesa.Já Educação Artística (hoje Arte) era considerada como a responsável pela complementação e organização de atividades em outras áreas. Depois dos anos 80 passou-se a perceber a Educação Artística pela sua função didático-metodológica. Assim, estudos históricos sobre sua evolução no ensino passaram a ser desenvolvidos, colocando a Arte como objeto de pesquisa em projetos de mestrado/doutorado, como temas de artigos, livros, etc.

Talvez a diminuição de docentes de Arte seja devido a essa nova visão do profissional de arte. Muitos preferem estar em outras funções como: coordenadores em escolas, diretorias de ensino, pesquisadores do que estar ministrando aulas em escolas públicas pelas contradições das reformas político-educacionais criadas e difundidas no ensino de Arte pelo governos do Estado de São Paulo.

Geovana Brandao De Melo

Olá a todos,

Gostaria de partilhar opinião no que diz respeito ao Ensino de Artes como um todo. Em primeiro lugar acho que existe uma desarticulação entre o pensar atual da disciplina Arte-Educação e o que acontece nos Estados do Brasil. Tendo como referência meu próprio exempo, como uma luta desigual e solitária para a imposição de Artes como disciplina importante na formação dos alunos. No estado do Ceará os professores ensinam Artes apenas para completar a carga horária. E vejam que até professor não pertecente às Linguagens e Códigos ministram também com este propósito. Especialista na área são pouquíssimos, mas existem. Apesar de existirem se tornam impotentes devido a bendita carga horária que é vista com total inferioridade diante das poderosas Língua Portuguesa e Matemática e das demais. Vejamos o seguinte exemplo: normalmente Arte só estudada no primeiro ano do ensino médio. Digamos que a média de turmas de primeiro ano aqui no Ceará seja de três turmas por turno. Então o professor garante apenas nove h/aulas diárias. Resta a este profissional trabalhar em várias escolas para o complemento da carga horária. Mas o pior não é isso. É complicado trabalhar Artes em apenas em 50 minutos por semana. A falta de um projeto da escola complementando com as aulas é o que falta. Vontade política até tivemos. O atual governador ofertou cursos de especialização aos professores, houve melhoria significante na estrutura das escolas, mas isso não alcançou a Arte-educação, por outro lado o MEC fez outra proposta por meio da Plataforma Freire (inoperante) mas até hoje nunca tivemos resposta, inclusive foi feito cadastro de professores para formação continuada, mas não vingou.

Agora faço um apelo: gostaria de solicitar que a associação nacional de arte-educadores proponha alguma intervenção efetiva onde se possa mobilizar professores e diretores de escolas, estes principalmente, para que o devido valor à disciplina seja dado e com isso possibilite um novo olhar para o problema. 

Carlos Cartaxo
Pessoal, em setembro passado dei entrada com essa carta no Conselho Estadual de Educação e enviei uma copia para o secretário.
Carta ao Conselho Estadual de Educação
João Pessoa, 19 de agosto de 2010.
Prezado(a)s senhore(a)s Conselheiro(a)s
 
            O início do segundo semestre de um ano letivo, para nós educadores, se constitui o tempo adequado para avaliação, análise do corrente ano e planejamento do ano vindouro. Nesse sentido, me dirijo a esse Conselho para estabelecer um canal de diálogo no intuito de que o Ensino de Arte e a Política Educacional do Estado possam, através do Conselho Estadual de Educação, promover uma melhora no aprendizado e desenvolvimento dos alunos. Ao mesmo tempo, abrir um diálogo entre o Ensino de Arte e a política educacional em nível estadual, representada pelo Conselho Estadual de Educação.
            Como referencial desse diálogo, lembro a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei nº 9.394/96 de 2º de dezembro de 1996, que cita no artigo 26 § 2:
            O ensino de arte constituirá componente obrigatório, nos diversos níveis de educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.
            Apesar de a LDB ser do conhecimento de todos os sujeitos que lidam com a educação, a realidade do ensino de arte no estado da Paraíba tem demonstrado um quadro preocupante, pois:
1)      Cerca de 75% dos professores do quadro da Secretaria Estadual de Educação que ministra a disciplina Arte, não tem licenciatura em arte, nem qualificação para tal;
2)      A maioria dos professores que ministra a disciplina Arte, nas escolas estaduais, tem formação em outras áreas e trabalho com essa disciplina para complementar carga horária, ação correspondente a desvio de função ou imposição de atividade para a qual o profissional não foi preparado;
3)      Os estudantes da Rede Estadual de Educação são discriminados no que concerne à aprendizagem nessa área, em detrimento de outras redes de ensino que têm ensino de Arte com qualidade e contribuem, efetivamente, para a evolução dos seus alunos, no que corresponde às fases afetiva, perceptiva e cognitiva da aprendizagem.
Diante do exposto, sugiro ações enérgicas e urgentes, por parte do Conselho Estadual de Educação, apontando para:
1)      Solicitar que o governo do Estado realize concurso público para o ensino de Arte, como forma de garantir apenas professores licenciados e habilitados para ministrar a disciplina citada;
2)      Sugerir à Universidade Estadual da Paraíba a criação do curso de Licenciatura em Artes, em um ou mais campi do interior do Estado;
3)      Solicitar a criação de uma Coordenação Específica para o ensino de Arte no âmbito da Secretaria Estadual de Educação.
Diante do exposto, reitero votos de estima e consideração, ao mesmo tempo em que aguardo as ações legais, cabíveis e necessárias.
 
Atenciosamente
 
Carlos Cartaxo
Professor do Departamento de Artes Cênicas da UFPB
Escritor e membro da APPARTE – Associação Paraibana de Profissionais do Ensino de Arte.
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