Forum
Daniela Schneider

Olá, colegas... sou nova por aqui, nova também nas séries iniciais. Tenho duas turmas de 1º ano.  A infância coloca tudo que temos por sólido no gasoso, tem sido um exercício incrível trabalhar com eles. No entanto, há uma série de inquietações e dificuldades que vem me afligindo. O desenho é uma delas.

Embora estejam no 1º ano, já desenham de forma estereotipada e como disse uma colega, em tópico mais acima, aquele desenho criativo e mirabolante, repleto de história parece ter se esvaído. Muito encontro sobre o desenvolvimento do desenho na infância, mas não encontro uma referências bibliográficas que dêem conta das minhas desacomodações.

Por favor... dicas, comentários... informações...

E como falou o Prof° Geraldo, como estamos construindo o que teremos que desconstruir mais tarde?

Andreza Nunes

Mais um estereótipo com o qual lidamos nos anos posteriores, fruto talvez de uma iniciação equivocada na educação infantil é o uso quase invariável do tal lápis "cor-de-pele" para colorir tipos humanos. Nenhuma princesa, herói, membro da família, sendo o aluno descendente de índios, orientais, negros ou brancos, recebe outro tratamento senão o famigerado rsrsrsrs Sempre provoco-os perguntando: "Lápis cor da pele????? Mas cor da pele de quem??? Da minha? Da sua?"

Os colegas vivenciam experiencias semelhantes?

Abs

Andreza

Lourides A. Francisconi

 Caro professor Jefferson.  Sou professora de ed. infantil há mais de 15 anos e Especialista em Ensino de Arte. Sua preocupação é muito pertinete. Há uma crença na educação da primeira infancia de que a expontaneidade da criança deva ser respeitada para que a criatividade desabroche. Aqui é o 'deixa fazer'. Então, tudo é permitido, inclusive os estereótipos. Também há uma grande confusão entre criatividade e processo criativo e criador. Ambos são confundidos com o famoso "dom", não sendo necessário as mediações do professor. Tal crença se vincula ao nosso processo historico educativo e principalmente as questões vinculadas a formação docente para o exercicio do magisterio na ed. infantil. As instâncias formadoras, embora a Legislação  atual determine, ainda não correspondem a demanda da escola contemporanea em todas as suas modalidades, contemplando em seus curriculos o necessário para uma formação adequada à realidade educativa vigente. Com isso, temos professores que trabalham com todos os eixos do conhecimento e que não passaram pela experiencia de um ensino de arte significativo.

Concordo que se deva respeitar a expontaneidade infantil. Mas tambem creio que se deva propiciar e possibiliatar aos pequenos 'arteiros' o contato com os diversos meios, instrumentos e contextos relacionados a Arte e todas as suas formas manifestas para que possam vivenciar uma experiencia de sentir, pensar e fazer arte, desenvolvendo suas potencilidades - sensiveis e cognitivas - e compreendendo-se como produtores, receptores e interferidores na realidade de seu contexto, social e natural.

Para tanto é necessário um 'ensino de arte' diferenciado, iniciando na primeira infancia, perpassando toda a vida academica de crianças, jovens e adultos.

Lourides Francisconi

Londrina - Pr.

Larissa F.a.teodoro
Carolina Sandroni escreveu:

A revista Avisa Lá publicou na edição passada um artigo bem interessante de uma professora que trabalha numa escola que tem árvores e angustiada com a questão do estereótipo convidou os alunos a observar, tocar, sentir, olhar para as árvores na busca da cosntrução de uma identidade com relação a algo tão natural e presente nas nossas vidas mas que na hora do desenho, não passa de um símbolo; o estereótipo da árvore...

Eu concordo muito com o que todos disseram até agora... Fico pensando que a escola é a grande assassina da criatividade. As crianças por volta dos 6 anos param de fazer aqueles desenhos ricos e fabulosos por que passam a ter "coisas mais importantes para fazer" (aprender a ler e escrever). E os desenhos, quando aparecem, tem que figurar algo dentro de um padrão que é esteticamente muito reconhecido, padronizado... Mesmo a gente, que se incomoda tanto com o estereótipo, foi submetido a uma escola que nos ensinou e valorizou sempre que fizemos algo dentro do padrão, quando não era na escola, era em casa... Nossos pais também carregam esses valores por que também tiveram professores que assim o faziam (e antes da gente, claro, num tempo mais distante quando isso era "aceitável"). Ainda carregamos pelo menos um critério de avaliação assombrosamente tendencioso ao BELO.  Nos pegamos em crise sempre que temos que receber algo "novo"no meio de outros 20 trabalhos bons e ruins... Mas o que é bom? o que é ruim? O que é criativo?

E pensando nesses tantos teóricos que falam dos processos pelos quais o desenho passa até chegar na escrita ou na representação gráfica "legível" eu me pergunto se a criança observada por eles tinha liberdade de criação... Fico olhando a famosa mandala da Rhoda Kellog e me pergunto: o produto final de cada prisma daquela roda gigante não passa de um monte de estereótipo? 

Só pra finalizar, eu acho que a criança tem que ser convidada a conhecer o mundo, olhar cada coisa, da formiguinha à arte do museu com o olhar curioso de criança e ser convidada e respeitada a representá-las à sua maneira. Temos que dizer: "abaixo às expectativas!" Pois elas sim, são estereotipadas.

Meu nome é Larissa e atuo há 15 anos na educação infantil. Atualmente, trabalho em uma escola que implantou uma "caixa de imagens" para toda a Educação Infantil utilizar. Todas as salas utilizam a mesma caixa, desde as crianças de 1 ano até as de 5. As imagens contidas ali são selecionadas ´pelas próprias professoras e exploradas de diversas formas. É um material de uso constante, que contém fotos recortadas de revistas de animais, plantas e objetos diversos. Penso que o importante deste material é justamente mostrar imagens reais (e não esteriotipadas) para servir de referência ao longo dos anos para as crianças. Na Educação Infantil desta escola não ouvimos as frases famosas que os colegas participantes deste fórum comentaram anteriormente e a riqueza dos desenhos produzidos é maravilhosa! Mas veja bem, é um trabalho que começa a ser desenvolvido desde as crianças bem pequeninas e não implantado somente quando as crianças já estão tolhidas criativamente. 

Luciene Barros Verissimo

Olá pessoal,

Meu nome é Luciene e sou Coord. Pedagógica na EMEI JD NOVO H. AZUL - PMSP. Desde 2007 venho trabalhando com os professores da EMEI sobre esta questão. O combate a estereótipos nas atividades artísticas das crianças é uma bandeira que levanta a muitos anos. A arte esta intimamente ligada ao desenvolvimento e as característica da criança. Um professor que desenvolve bem o trabalho em artes tem uma criança: autonôma, decidida, criativa e participativa. A preocupação em dar atividades para a criança pintar, recortar e muitas vezes "fazer o acabamento" de seus trabalhos, poda o desenvolvimento integral infantil. Temos um lema aqui na EMEI - "É errando que se aprende, e só se aprende fazendo!".

Então, deixamos a criança ser criança! brincar, colar, pintar, criar, imaginar...

bjs no coração de todos!

Lu

Larissa F.a.teodoro
FLAVIA CUNHA escreveu:
Caros Colegas, Trabalho desde 1997 na Educação Infantil e sinto uma exagerada cobrança dos pais em relação a "atividades" no papel. Pensava que isso fosse mudar ao longo dos anos, porém ainda hoje sou questionada porque a pasta de desenhos de meus alunos vai "tão magrinha" para casa, Trabalho muito com experimentação nessa faixa etária. Grandes lonas esticadas no chão com água, farinha, cola, tinta. Diversos suportes e marcadores são utilizados e as crianças podem se servir à vontade de diferentes materiais ao mesmo tempo. Enquanto um escolhe trabalhar com modelagem, outro escolhe pintura e um terceiro desenho com carvão. A direção da escola ainda me cobra "releitura" de obras, que nessa visão nada mais é do que um desenho mimeografado, copiado da tela de algum artista renomado. As crianças deveriam "pintar do seu jeito". Vejo ainda a necessidade de alguns professores de produzirem materiais decorativos para suas salas de aula, sem a participação das crianças. Tudo em busca de algo "bonito" aos olhos dos adultos. E é isso que, acredito eu, vai matando a capacidade criativa, de apreciação e experimentação de nossas crianças, fazendo com que percam o gosto pelas artes em geral, mais especificamente pelo desenho.
Flávia, compartilho das suas angústias. Também trabalho há muitos anos com Educação infantil e foco bastante a experimentação. Apesar da escola ver com muito bons olhos a minha prática, ainda assim cobra registros para os pais. Venho conseguindo conciliar isso com propostas exploratórias nos suportes. Vario nas ferramentas e nos suportes, tanto em tamanho quanto na forma e textura e deixo que eles explorem tudo livremente. Tenho percebido descobertas surpreendentes das crianças com estas propostas. Recomendo que experimente também. 

Larissa F.a.teodoro
Sonia Tobias Prado escreveu:
Boa Noite,
Como mãe, achamos "normal" esses desenhos infantis, mas como professora, tento combater isso, mas torna-se muito dificil  por colegas professoras , insistirem  na fase da pré escola  a famosa pintura de desenhos mimeografados, perfeitinhos, tirando aquele processo infantil de desenhar livre e ir diversificando se é incentivado a fazer isso...mas quando é icentivado a somente colorir o pronto, acaba realizando os mesmos desenhos, esteriotipados, como dizem, por serem mais fáceis, sempre receberem elogios por serem "politicamente corretos", certinhos, etc etc etc.
Acredito que quando TODAS as colegas professoras desde a educação infantil mudarem sua forma de realizar aulas, isso mude....demora, mas muda...tenho essa experiência com uma turma de extra disciplinar em uma escola, onde desde tenra idade falava sobre como desenhar, o que desenhar e principalmente, desenhar de uma forma livre, sem aquela interferencia de achar que o escuro, o mal contornado é feio. Com o tempo, eles vão se revelando nos desenhos, fazendo a relação com o tridimensional, cores, tipos de pinturas....tornan-se críticos com os próprios riscos...isso é a forma correta de trabalhar e não termos a mania de criticar, e querer que façam somente a cópia, sem a criação.A partir disso, mostrar obras de artistas do nosso passado, brasileiros e de outras nacionalidades, os fazem aprender as relações da Arte em nossas vidas. Tornan-se capazes de fazer o que querem, com conhecimento, criticos.
Olá, Sonia. Penso como você e acho muito pertinente trazer a este fórum o assunto dos desenhos mimeografados. Como questionar a falta de criatividade e o esteriótipo se as professoras alimentam isso com tais ferramentas? Os desenhos mimeografados só reforçam os esteriótipos e realmente o precisa ser mudado é a própria concepção do educador.    

Jefferson Passos

GOSTEI DA IDÉIA DOS RECORTES DE IMAGENS MAS ACHO QUE FICARIA MELHOR EM UM GRANDE PAINEL NA ESCOLA PARA QUE TODOS TENHAM ACESSO, QUE SEJA UM PAINEL CONSTRUÍDO POR TODOS. QUEM SABE ESSES PAINÉIS NAO SEJAM MENSAIS, COM TEMAS DETERMINADOS POR EXEMPLO: ESSE MÊS, RECORTE DE FLORES! ACHO QUE ISSO ABRIRIA O CAMPO DE VISÃO DOS ALUNOS E ESSE PAINEL SERVIRIA DE PRESSUPOSTO PARA UMA ATIVIDADE DE DESENHO DE OBSERVAÇÃO.

FALANDO NISSO, O QUE ACHAM DE APLICAR DESENHO DE OBSERVAÇÃO NAS SERIES INICIAIS... MATERNAL, ETC? LÓGICAMENTE QUE MAIS FOCADO NA OBSERVAÇÃO DO QUE NO REGISTRO PROPRIAMENTE DITO. ACHO QUE CONTRIBUIRIA PARA AMPLIAR O REPERTÓRIO VISUAL, O QUE ACHAM??

ESTOU ADORANDO O FORUM! VAMOS CRESCER MUITO POR AQUI!

FILLIPE DUTRA RUBIM

Olá

Sou professora no ensino fundamental e médio, lendo as intervenções pude verificar as dificuldades em relação as series iniciais, porém também há essa mesma dificuldade nas demais seríés pois nos deparamos com educandos que dizem não "saber desenhar", por conta de situações que lhes foram colocadas anteriormente, creio que essa atitude se deva ao uso indiscriminado, que ainda hoje existe do papel mimeografado ou xerocado, da falta de professores habilitados, cumprindo assim uma exigência da lei, pois nossa disciplina ainda hoje é vista ou permitida ver, como a que faz a decoração das festas ou ainda da escola como um todo.

Creio que devemos nos impor enquanto disciplna fazendo cumprir o que diz a lei.

Lidiane Fonseca Dutra
Bom dia. Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar a iniciativa em abordar um tema tão delicado quanto o uso de estereótipos na sala de aula, principalmente na Educação Infantil, lugar onde ocorre incidência maior do uso de modelos prontos. Como arte/educadora e mestranda em Educação Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande, acredito que a melhor maneira de combater o uso de estereótipos é diversificando o repertório imagético a partir dos próprios modelos. Explicando: se as crianças apresentarem uma padronização no desenho de olhos (comum em meio à disseminação dos mangás, por exemplo), realizar um trabalho com a turma a fim de mostrar que existem diferentes maneiras de representar o mesmo tema, como por exemplo: mostrar o formato dos olhos nas diferentes etnias, observar na história da arte, principalmente na obra de Picasso como os olhos das figuras são feitos, fazer trabalhos de recorte a partir de revistas, desenhar os próprios olhos e os do colega, e assim por diante. O mesmo vale para árvores, flores, casas... Procurar ampliar o repertório imagético da criança parece ser, na minha opinião, a melhor maneira de combater os estereótipos. Minha pesquisa de mestrado é sobre desenho, mais precisamente sobre o desenho como forma de fazer educação ambiental, e também pretendo abordar a questão dos modelos prontos. Agradeço a oportunidade e parabenizo mais uma vez a iniciativa. Este fórum com certeza fará parte do corpus teórico de minha pesquisa.
Maria Leticia Rauen Vianna
Caros participantes deste forum. Quero me apresentar. Sem falsa modéstia,  sou, talvez, a maior pesquisadora do assunto deste forum no Brasil. Este foi o tema de minha tese de doutorado defendida na ECA/USP, que contou com um estágio sanduiche na Sorbonne em Paris, de onde trouxe informações inexistentes no Brasil, que ajudaram a esclarecer a questão. Inclusive, criei um método para trabalhar com os professores, para 'desestereotipizar' o desenho deles e mudar suas posturas pedagógicas.  Publiquei artigos sobre o tema e dois deles vocês encontram disponíveis no site do arte na escola, no link Pesquise! Os artigos são: "Desenhos estereotipados: um mal necessário ou é necessário acabar com este mal? " e "Das idées reçues francesas aos desenhos recebidos brasileiros". Meu livro sobre o tema está sendo publicado e deve sair em setembro próximo. Gostaria de ter os e-mails de vocês para enviar comunicado sobre seu lançamento. O título do mesmo é: DESENHANDO COM TODOS OS LADOS DO CÉREBRO. Por hora, acho que tenho muito a contribuir com o forum se vocês lerem meus artgos...Fico no aguardo de contatos de vocês.  Obrigada Leticia  
Edson Da Silva
Olá! Criaturas do gesto, Atuo com crianças pequenas. Brincamos sempre no gramado, barranco, corremos, pulamos corda, penduramos em cordas, andamos equilibrando desequilibrando em cordas entre árvores... No parque de areia colhemos gravetos que as árvores nos oferecem a cada tempo e ciclo de vida, experimentamos riscos, traços e gestos impressos ao breve tempo do fazer e desfazer e fazer outras e outras coisas... Desejo conhecer mais e outras possibilidades do ato criador com crianças pequenas. Saudações Aprendizes! Edson
Sandra Marli Cadore

Olá Maria Leticia !

Que bom encontrar você.

Muito já usei , como recurso didático, também de leitura, as tuas escritas.Estou sempre procurando algo que venha de você, me identifico muito com  a forma como  elabora o teu pensamento. De desenho infantil e seus esteriótipos, em grande parte o que sei, apreni lendo os  teus artigos.Gostaria muito de ler a tese de doutorado.

Grande Abraço

Profª.Sandra Cadore

scadori@gmail.com -

Sônia Regina Pereira Lima

                           Vendo minhas aulas de Artes Visuais para uma clientela  de periferia, questiono minha prática constantemente e procuro sempre fazer uma análise das representações gráficas que meus alunos ,( pois tenho a sorte de trabalhar em uma escola  que eles chegam no pré e saem na 5ª série) e garanto que tenho grande satisfação. Meus alunos nunca recebem trabalhos prontos, fazem suas produções baseados em leituras de imagens,fatos da mídia,  experiências pessoais, desenhos de observações etc. Fico feliz em saber que esta preocupação ocorre com profissionais da minha área, a concepção de que atua com os alunos seja qual for o nível tem que mudar. O Homem está em constante metamorfose, como exigir produto final e ignorar o processo?

Maria Leticia Rauen Vianna
Maria Leticia Rauen Vianna escreveu:
Caros participantes deste forum. Quero me apresentar. Sem falsa modéstia,  sou, talvez, a maior pesquisadora do assunto deste forum no Brasil. Este foi o tema de minha tese de doutorado defendida na ECA/USP, que contou com um estágio sanduiche na Sorbonne em Paris, de onde trouxe informações inexistentes no Brasil, que ajudaram a esclarecer a questão. Inclusive, criei um método para trabalhar com os professores, para 'desestereotipizar' o desenho deles e mudar suas posturas pedagógicas.  Publiquei artigos sobre o tema e dois deles vocês encontram disponíveis no site do arte na escola, no link Pesquise! Os artigos são: "Desenhos estereotipados: um mal necessário ou é necessário acabar com este mal? " e "Das idées reçues francesas aos desenhos recebidos brasileiros". Meu livro sobre o tema está sendo publicado e deve sair em setembro próximo. Gostaria de ter os e-mails de vocês para enviar comunicado sobre seu lançamento. O título do mesmo é: DESENHANDO COM TODOS OS LADOS DO CÉREBRO. Por hora, acho que tenho muito a contribuir com o forum se vocês lerem meus artgos...Fico no aguardo de contatos de vocês.  Obrigada Leticia  
Oba! Uma professora já respondeu!! Sandra Cadore, adorei..BJ Leticia

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