Forum
Sandra Analia Dos Santos

Sou professora do Estado e trabalho em conjunto com o Museu Oscar Niemeyer desde 2003, sempre consegui trabalhar levando os alunos ao museu e também o museu já esteve na escola. Não entendi muito a abordagem das dificuldades de outros professores ou como está escrito professoras com parceria com museus. No Oscar Niemeyer sempre fui bem atendida, e em várias visitas levo alunos e até mesmo pais de alunos. Também já participamos em aberturas de exposições. Caso queira mais informações poderá verificar no site do Museu Oscar Niemeyer em eventos exposição como o do fotógrafo German Lorca estou eu e meus alunos, na Imigração Japonesa e também na exposição da Tarsila do Amaral. Neste ano em 11 de abril o Museu esteve no Colégio onde leciono pela manhã visitando uma exposição de alunos depois de um projeto de 2 meses na escola.

Sou Professora Sandra Analia leciono em dois Colégios Estaduais. Profº Brasilio Vicente de Castro - CIC e Emilio de Menezes - CApão Raso

Celular 41-8832-5449

Evaldo Magno Anchieta Pereira

Gostei do tópico! Parabéns!

Só não entendi uma coisa: Por que só as PROFESSORAS? E como ficam os PROFESSORES?

Pôxa, nós sabemos que a profissão de professor é realmente dominada pelas mulheres, mas existem muitos professores, como eu, e muitos deles ministram aulas de Arte.

Acho que fazer um tópico direcionado às professoras exclui a nós homens e favorece o preconceito e os exteriótipos existentes nessa área.

A discussão está muito bôa, só precisa rever o título.

Abraços

Magno Anchieta

Arte/Educador - São Luís - MA

Luciano Buchmann

Oi Evaldo, desculpe aí, foi mal...como dizem no mundo.

 

 

Eu escolhi sempre me referir a professoras e professores, ao falar ao ensino da arte. A linguagem é muito machista, como disse o Paulo Freire: ideológica (Pedagogia da esperança). É a ele que devo a possibilidade dessa reflexão. Vou até dividir com você, colando aqui um pedacinho da minha dissertação de mestrado:

Freire, ao lançar a Pedagogia do Oprimido, nos Estados Unidos, recebeu, em Genebra, inúmeras cartas de mulheres americanas. As cartas falavam do incômodo por serem excluídas da obra desse educador, e em muito o surpreenderam. Diziam que Freire discutia a opressão, a libertação, criticava, com justa indignação, as estruturas opressoras, mas "com uma linguagem machista, portanto discriminatória", em que não havia lugar para as mulheres (FREIRE, 1992, p.66).

Ora, quando eu falo homem, a mulher necessariamente está incluída. Em certo momento de minhas tentativas, puramente ideológicas, de justificar a mim mesmo a linguagem machista que usava, percebi a mentira ou a ocultação da verdade que havia na afirmação: "quando falo homem, a mulher está incluída". E por que os homens não se acham incluídos quando dizemos: "As mulheres estão decididas a mudar o mundo"? (FREIRE, 1992, p.67).

Anos mais tarde, ao rever sua obra para uma reedição, o educador, assumindo a "marca machista" que sua escrita trazia, compreendeu seu "débito àquelas mulheres [...], por me terem feito ver o quanto a linguagem tem de ideologia" (FREIRE, 1992, p.67).”

 

Não sei como é aí em São Luis, e fico feliz por perceber que não é só por aqui que a profissão de educador tem recebido novo interesse dos homens. Por enquanto, aqui no Paraná e creio que na maioria dos estados brasileiros, a educação permanece na mão das mulheres. Somos a  minoria.

         É sempre impressionante o poder da dominação masculina. Ela está e se faz pela linguagem. Quando falamos nós professores, as professoras se incluem, mas se dizemos nós professoras, nos excluímos por que é feminino, e já pulamos como “cirís na lata”, atacados...

Parece que a norma da língua força a alteração, e só em uma direção.

Bom trabalho, e tenho certeza por ter sido professor de escola um tempo, que a sua presença como homem, faz um diferencial na relação com as crianças.   

 

 Um abraço, homem!

 

 

Betania Libanio Dantas De Araujo

Luciano, as suas idéias dão um contorno à problemática e então até aqui já estamos ampliando bastante os conceitos de pesquisa às obras: o museu virtual, um museu interativo (vocês conhecem algum ou precisa ser criado?), também podíamos indicar endereços eletrônicos interessantes.

ampliando a idéia de quem media quem ...

há um trabalho do MAC muito interessante: sabem que a criança passa voando sobre as obras, então elaboram atividades, gincanas, nas quais as crianças precisam encontrar certas imagens, atentam mais à imagem.

lendo a sua experiência no Rio, lembrei que meus pais e todas as famílias tinham o hábito de visitar museus no feriado e finais de semana. Tenho certeza que esta prática data da ditadura militar e dos desfiles cívicos no Brasil.

Sim, você coloca sobre os cartazes das crianças que os professores fixam com 1.70m acima do chão e com um detalhe: rodeadas com babado de papem crepom, como se fossem embrulhadas para presente. Uma total descaracterização na arte das crianças.

E as políticas públicas? a professora colocou muito bem. O que existe em obrigatoriedade do município e do estado referente aos museus?

Silvana Delgado Soares De Castro

Olá, Luciano! Sou professora da rede estadual de Pelotas, RS. Achei o tema super interessante e por coincidência este ano levei duas turmas para visitar museus pelotenses. Alguns dias atrás, acompanhei uma turma do segundo ano do Ensino Médio em uma visita ao Museu da Baronesa (Pelotas-RS). Na minha escola temos aulas de Artes da 5ª até o 3º ano do Ensino Médio. Os conteúdos do segundo ano são: História da Arte no Rio Grande do Sul; História da Arte em Pelotas; noções de Patrimônio. Neste segundo trimestre estamos estudando a História da Arte em Pelotas. Nossa cidade tem muitos prédios inventariados, tombados, vários museus muitos deles desconhecidos pelos alunos. Proposta de trabalho: cada grupo deveria escolher um prédio histórico da cidade para pesquisar. Um dos grupos escolheu o Museu da Baronesa e  quiseram apresentar o trabalho no próprio Museu. Achei ótima a idéia. As meninas organizaram tudo (aluguel do ônibus, agendamento, lista de presença, enfim...). Dia 05/09, fomos para visitação e o resultado do trabalho foi muito bom, a turma estava empolgada, curiosa pois muitos não conheciam o Museu da Baronesa, já que fica num bairro distante da escola onde estudam. Este trabalho foi feito em conjunto com as disciplinas de Filosofia e Português. Outro trabalho que fiz, desta vez com duas turmas de terceiro ano do Médio, foi visitar uma exposição itinerante de pintura e escultura do acervo do MARGS (Museu de Arte do RS). Após visitarem a exposição de artistas modernos e contemporâneos, já em sala de aula os alunos puderam experimentar com materiais alternativas técnicas de gravura. O resultado foi bastante satisfatório uma vez que havia obras de Goeldi e Iberê Camargo na exposição. Fico feliz em acompanhar meus alunos nestes passeios culturais, uma vez que nossa escola é de periferia e muitos não conhecem nem o centro da cidade ou se conhecem acham bobagem entrar num museu para ver obras sem sentido (como dizem) ou então, coisas velhas. Que bom seria,também, que o museu nos visitasse.

Silvana de Castro.  Professora da Escola de Ensino Médio Adolfo Fetter, Pelotas - RS

Luciano Buchmann

Silvana, ótima a sua experiência e muito obrigado por dividir conosco. Estas experiências transformam a ótica que os estudantes têm do patrimônio,  no que antes só viam velharia, passam a creditar sentido.

O IPHAN produziu um material ótimo,a autora é a Maria de Lourdes Parreiras Horta, é o "Guia básico de educação patrimonial" (IPHAN, 1999). Gosto muito desta autora, ela tem um artigo na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Museus do IPHAN, nº31/2005 "Museus: antropofagia da memória e do patrimônio", chamado :Lições das coisas:o enigma e o desafio da educação patrimonial.

Estas referências poderiam lhes ajudar. Creio que o IPHAN disponibiliza estes materiais on line.

Uma sugestão, para que os alunos consigam avaliar o que aprenderam, na próxima investida você pede que eles escrevam o que conhecem sobre o edifício, objeto, enfim, depois de feita as análises e da pesquisa destes objetos, peça que escrevam novamente o que sabem. Aparece o conhecimento. Coisas do Freire.

revelar este conhecimento pelas produções artísticas, faz com que aconteça a apropriação, como diz a HORTA, e nisso vale a pena investir.

Obrigado e abraço a você Silvana

 A Denise e o Jairo trazem contribuições importantes, os museus escolares americanos, que Denise cita e deve ser um material muito interessante, e porque não, uma excelente idéia para colocarmos em prática nas escolas! Quanta história se perde, quanto de memória deixa de ser ensinado com esse nosso descuido pelo que parece ser banal.

Quem sabe um  museu de imagens da escola? que tal um dos materiais pedagógicos? lógicamente que não temos lugar na escola pra criarmos museus, mas aproveitando a fala de Denise e Jairo, poderiamos pensar em museus virtuais, que fossem as simples pastas. Um museu é um receptáculo, um continente, que pode ser qual for, de acordo com seu objetivo.

Maria Cristina Biazus ( nome lindo!) criou um museu virtual,  possui inclusive um interlocutor ou mediador com quem o visitante pode conversar. Estava em caráter experimental, vamos ver se convidamos BIA pra vir contar da experiência, a quantas anda. Tenho o site, mas acho que convém ver se não musou, antes de disponibilizar aqui.

Obrigados e abraços

Betania Libanio Dantas De Araujo

Jussara, que legal te encontrar por aqui! Nos conhecemos há um mês e é uma ótima coincidência te reencontrar na virtualidade trazendo este debate sobre a política que envolve a visitação ao museu, isso passa pelo plano de governo, pela concepção que uma gestão tem de educação. É bastante claro quando um plano de governo vê que educação ocorre apenas dentro dos muros escolares e quando vê que vai além dos muros, para depois dar continuidade na escola. Se não fossem os museus abertos aos alunos (gratuitamente)! Uma professora de História levava os alunos assim: ia até a avenida principal, parava o ônibus e dizia ao motorista: eles não tem como ir ao museu, podemos subir. Esses santos motoristas topavam e esta brava professora ampliava o universo de experiência deles. Mas diga: sempre fazer das tripas, coração para dar uma educação mais digna para todos, não é?

Por isso tão pertinentes as observações que escreveu.

Luciano, obrigada pelas indicações de materiais.

Betania Libanio Dantas De Araujo

Oi Luciano

O material que indicou custa seis reais. Encontrei artigos neste site do Iphan

http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaSecao.do?id=12623&sigla=Institucional&retorno=paginaInstitucional

abs

Betania

Luciano Buchmann
Evaldo, pronto, incluímos os homens professores no título do converse. Obrigado pela crítica em boa hora, abraço, Luciano.
Cleidi Marília Caivano Pedroso De Albuquerque
Oi Luciano!

Estamos sentados em frente do computador discutindo em rede a relação escola e museu. Nossa conversa virtual se mostra sempre móvel articulando opiniões e paisagens virtuais sobre esta relação. Como as minhas que agora coloco neste lugar.
Mas, quando penso escola e museu como instituições, vejo a estaticidade e o conflito. Nesta relação se encontra o professor (a) de arte, fazendo o impossível para levar seus alunos no encontro com a arte. Não tenho argumentos quando um professor (a) diz "não posso levar meu aluno no museu", pois sei das dificuldades burocráticas e legais quando se tira o aluno da escola. Por isto, vejo a necessidade da parceria, até como amparo legal para o professor (a).
A parceria, sem dúvida, requer uma discussão na esfera das políticas públicas que, a meu ver, precisa rever tanto a instituição escola quanto o museu compreendendo-as como lugares de construções culturais que não se excluem.
Enquanto isso, vamos mendigando. Pois é, infelizmente, nesse país, o professor reconhecido é ainda, aquele que pega o barquinho, rema desesperadamente, depois mais uma charrete e chega na escola e dá conta de uma série de conhecimentos que, nem ele mesmo sabe como consegue dar conta. As realidades que vivemos são muito díspares, salários idem!
Assim, vamos, pelo caminho, encontrando escolas e/ou professores com algum material que, muitas vezes, é o único contato possível com aquilo que denominamos arte. Luciano, tens publicações bárbaras trabalhando a relação escola e museu. Estas publicações e outras como os materiais educativos (arte br) da Rede Arte na Escola de alguma maneira são subsídios que, certamente, não substituem o contato direto com a obra de arte, mas possibilitam um encontro com a dimensão estética e artística.
Bem, já foi mencionado, também, as possibilidades da dimensão do museu virtual, porém lembro que, em muitas escolas, este fato ainda não é realidade. Assim, concordo, em um primeiro momento, com a necessidade de uma parceria mínima como a que foi citada aqui, do acesso aos folders e cartazes com as exposições dos museus e galerias (isto poderia ser um primeiro passo viável), além é claro, das publicações que, de alguma forma realizam a mediação escola/museu, como as suas, Luciano. Fale um pouquinho sobre elas.
Vejo que já coloquei muitas questões, repetitivas, eu sei, mas cabe sempre lembrar das situações que envolvem esta relação escola/museu no espaço do ensino de arte.
bjs e saudades de nossos papos
Elaine Schmidlin
Marília Schmitt Fernandes
   Olá Luciano e demais colegas, primeiro quero dizer que fico feliz de assistir e participar do dinamismo deste espaço virtual de discussão!!!! Todos estão de parabéns nós educadores precisamos cada vez mais ampliarmos nossas possibilidades de troca.
   Quanto ao tema do forum é muito pertinente porque embora existam muitas possibilidades de acesso tanto dos professores quanto dos alunos aos espaços históricos  culturais ainda não temos este hábito incorporado em nossa cultura, o que é lastimável. Sou arte/educadora na cidade de Canoas bem próximo a Porto Alegre capital do estado do Rio Grande do Sul o que permite que eu esteja sempre em contato com o que está acontecendo  e aí quero usar parte do teu cometário Luciano, quando afirmas  " Não tem museu, vamos de igreja, de praça, de porto, enfim, com o quê podemos educar para transformar a trágica falta de sentidos ao passado que vivemos? "  Vamos de Bienal do MERCOSUL que ocupa espaços históricos como o Margs, os Armazéns do Cais do Porto...,  vamos de Santander Cultural e suas exposições instigantes contrastando com o prédio histórico, vamos de Fundação Iberê Camargo com acervo e arquitetura fantástica http://www.iberecamargo.org.br/... isto só para citar instituições que tem no seu Projeto Educativo  garantir atividades de formação de professores e  o transporte gratuito  para as escolas públicas, o que é maravilhoso. E mesmo assim, temos professores que privam seus alunos deste momento marcante e inesquecível que é o contado olho a olho, corpo a corpo com a obra de arte no ambiente expositivo, na minha opinião não há mídia que substitua a riqueza deste momento. Na minha escola, todos já acostumaram com nossas saídas, este ano já fizemos várias e cada uma mais significativa que a outra, por vezes é preciso pagar o transporte, mas os pais já entenderam a importância das visitas culturais para as crianças e todos colaboram com as autorizações . Na escola já criei o hábito de falar "visita cultural" no lugar de " passeio" afinal não vamos passear vamos aprender e temos uma preparação para isto, já nem preciso mais falar dos salgadinhos e dos lanches, todos já sabem que não é piquenique.  É até engraçado ve-los em fila dupla na porta de entrada e eu passando um lixinho para recolher balas e chiclés( proibidos nestes ambientes), antes de sermos recebidos pela mediação, que se surpreende com a atitude dos alunos. E isto tem uma resposta, que é o exercício da cidadania, é a noção de pertencimento e de direito a produção cultural  que gera a responsabilidade e também o prazer de estar lá, tanto do aluno quanto do educador.  E vale repetir  suas palavras " Não tem museu, vamos de igreja, de praça... "  O QUE IMPORTA É IR...PORQUE NINGUÉM VOLTA IGUAL   Abraços Marilia
Maria Justino Do Nascimento
Marília Schmitt Fernandes escreveu:
   Olá Luciano e demais colegas, primeiro quero dizer que fico feliz de assistir e participar do dinamismo deste espaço virtual de discussão!!!! Todos estão de parabéns nós educadores precisamos cada vez mais ampliarmos nossas possibilidades de troca.
   Quanto ao tema do forum é muito pertinente porque embora existam muitas possibilidades de acesso tanto dos professores quanto dos alunos aos espaços históricos  culturais ainda não temos este hábito incorporado em nossa cultura, o que é lastimável. Sou arte/educadora na cidade de Canoas bem próximo a Porto Alegre capital do estado do Rio Grande do Sul o que permite que eu esteja sempre em contato com o que está acontecendo  e aí quero usar parte do teu cometário Luciano, quando afirmas  " Não tem museu, vamos de igreja, de praça, de porto, enfim, com o quê podemos educar para transformar a trágica falta de sentidos ao passado que vivemos? "  Vamos de Bienal do MERCOSUL que ocupa espaços históricos como o Margs, os Armazéns do Cais do Porto...,  vamos de Santander Cultural e suas exposições instigantes contrastando com o prédio histórico, vamos de Fundação Iberê Camargo com acervo e arquitetura fantástica http://www.iberecamargo.org.br/... isto só para citar instituições que tem no seu Projeto Educativo  garantir atividades de formação de professores e  o transporte gratuito  para as escolas públicas, o que é maravilhoso. E mesmo assim, temos professores que privam seus alunos deste momento marcante e inesquecível que é o contado olho a olho, corpo a corpo com a obra de arte no ambiente expositivo, na minha opinião não há mídia que substitua a riqueza deste momento. Na minha escola, todos já acostumaram com nossas saídas, este ano já fizemos várias e cada uma mais significativa que a outra, por vezes é preciso pagar o transporte, mas os pais já entenderam a importância das visitas culturais para as crianças e todos colaboram com as autorizações . Na escola já criei o hábito de falar "visita cultural" no lugar de " passeio" afinal não vamos passear vamos aprender e temos uma preparação para isto, já nem preciso mais falar dos salgadinhos e dos lanches, todos já sabem que não é piquenique.  É até engraçado ve-los em fila dupla na porta de entrada e eu passando um lixinho para recolher balas e chiclés( proibidos nestes ambientes), antes de sermos recebidos pela mediação, que se surpreende com a atitude dos alunos. E isto tem uma resposta, que é o exercício da cidadania, é a noção de pertencimento e de direito a produção cultural  que gera a responsabilidade e também o prazer de estar lá, tanto do aluno quanto do educador.  E vale repetir  suas palavras " Não tem museu, vamos de igreja, de praça... "  O QUE IMPORTA É IR...PORQUE NINGUÉM VOLTA IGUAL   Abraços Marilia

caros colegas da mesma caminhada:concordo plenamente.Raramente encontramos disponibilidades dos serviços de locomoção de nossos setores competentes(das nossas regionais) para levarmos nossos alunos(tão carentes)desse contato maior com as artes de uma forma geral. Existem museus em nossas cidades , existem. Pouco se visita,na realidade!Enfrentamos dois problemas: 1. o agendamento. 2. a disponiblidade do transporte para levarmos esses alunos. Fica-se dessa forma, somente na palavra.'lamentável".Justina-fortaleza-Ce
Luciano Buchmann

Oi Marília, excelente o que o Minuano nos traz.

 

Sua fala traz duas coisas que são importantes, entre as tantas coisas excelentes que diz neste debate: a privação e o hábito. Realmente, quando levamos nossos alunos aos espaços culturais, e gostaria de ampliar o espectro além do museu ―teatros, cinemas, edifícios, instituições ―, estamos agindo no sentido da coisa pública.

Gosto muito da Hannah Arendt (1906-1975). Ela traz coisas boas para pensar o público e o privado e coloca a escola entre estes dois mundos. Eu, muito pretensioso, estico a fala dela até o museu, para pensar a escola, como a instituição de passagem do mundo privado ao público, como diz Hannah.

 Na escola a criança seria preparada para agir como cidadão no mundo público, e este mundo, penso que é também o museu. Agir nestes locais, museu, casa de espetáculo, etc, locais que não são neutros, que exigem o conhecimento de quem lá vai, expulsam as pessoas que não aprenderam a ver, a ouvir; que não tem disposição construída à arte.

Lembro que a primeira vez que fui a um concerto, aplaudi na hora errada e tive a impressão que seria arrancado da poltrona por aquela sisuda platéia erudita. Naquele dia aprendi a esperar quando aplaudiam, uma vez que eu não entendia o porquê de não aplaudir quando a orquestra parava de tocar. Depois de várias tentativas, entendi que se aplaudia ao fim de cada movimento. Exemplinho funesto, mas foi o que me veio.

Este exercício, de ser platéia e ser assistente de exposição, é fruto de um longo processo de aprendizado, e que a maioria do povo da arte, do ensino da arte também, ―que me desculpem os colegas românticos―, que esquecem as lições da sociologia, acreditam de pé junto, que é coisa natural FRUIR, que se nasceu assim, sabendo, e se esquecem sempre do sub-reptício ensinamento da arte que exige sempre ser esquecido (BOURDIEU,2003 O Amor à arte).

Aí você vem com a luz Marília, quando diz “todos já acostumaram com nossas saídas”, Parabéns. Não só as crianças aprenderam, mas seus pais, a escola inclusive, como você conta. O desenvolvimento deste hábito faz com que ele venha a ter sentido entre as experiências possíveis de cultura e de entretenimento destes futuros cidadãos que atuarão no mundo público, usufruindo e exigindo seu direito a culturas.

A sua frase é perfeita: Ninguém volta igual, verdade e parabéns por propiciar isso.

Muito o brigado Marília

O texto da Hannah Arendt se chama, “A crise na educação”, está na coletânea “Entre o passado e o futuro”. São Paulo: Perspectiva, 2000.

 

 

 

 

Elaine nos fala da realidade do nosso professorado.

 

Sempre digo que é a realidade sem. Sem sala, sem mesa, sem material, sem salário, sem ônibus, sem dignidade...tendo que estudar pra saber e ensinar, mas responsabilizado por suprir não só os recursos de seu estudo, os recursos materiais de suas aulas, o que seria o papel do estado. Entre estes recursos estão ônibus para o transporte ao museu.

Aqui em Curitiba é normal as professoras providenciarem ônibus com vereadores. Apesar de que a Prefeitura dá um ônibus por semestre, creio eu. Certa vez, uma professora que eu orientava me disse que o benemérito vereador quis que as crianças vestissem a camiseta da campanha . Fique indignado e liguei no comitê, o canalha ouviu de mim o que o diabo teve vergonha de dizer! Logicamente que dei o truque, dizendo ser presidente da associação de moradores, enfim, eles visitaram o museu sem camiseta de campanha. Pode uma coisa dessas: o trabalho de uma professora e as crianças terem de servir de cabo eleitoral!

Sem uma política que compreenda a aula externa como um exercício de cidadania cultural, trabalho da escola, da professora e professor,  e até como passeio (discordo um pouco de Marília, quando diz que chama aula e não passeio, entendo o que ela defende, mas acho que aulas podem ser passeozas, ter sempre o diferencial da novidade), que supra o mínimo de saídas da escola, a coisa é difícil.

Os museus se encabeçassem este projeto, teríamos um resultado positivo.

A pinacoteca de São Paulo, com o seu “Bem-vindo professor!”, um programa em conjunto com as secretarias, é um exemplo a ser seguido pelo país. Faz tempo que assisti a uma fala de Milla Chiovatto relatando o programa. Se não me engano, eles conseguiram acertar horários do professorado do estado, acho eu, pudesse ir a pinacoteca ter aula de história da arte e estética (40 horas, acho), depois desenvolver um projeto trazer as crianças ao museu. Bárbaro!

Elaine fala dos materiais de mediação. Materiais que precisam ter o gran finale no museu. Eles axiliam em muito. O material que fiz e que você pede que eu fale um pouco, foi assim: eu era orientador de estagiários em um projeto na prefeitura em que levávamos crianças a museus, bibliotecas, teatros etc., ao longo do caminho surgiu a  necessidade de ter de preparar os grupos ao museu. Faltava um material que nos servisse. Tentamos muita coisa e nada dava certo, até que a idéia do livro surgiu.

Investi eu uma coleção que servisse a professora e a sua aula, e que permitisse que uma criança o lesse. Chamou-se coleção Preparação. O carro chefe é o Entendendo Museus que fala de coleção e museu, comparando a coleção da criança e seus cuidados com o museu. Acompanharam este, os dois livros que doei aos pólos Arte na Escola ano passado: Miguel, aquele azul amarelo verde e Guido vendo longe. Estes dois livros apresentam a obra de Guido Viaro e Miguel Bakun, artistas que possuíam salas de exposição individuais no antigo Museu de Arte do Paraná. Depois em 2005 fiz mais dois livros, de dois outros artistas que tem museus específicos às suas obras:João Turin, João no barro ( um escultor animalista) e Andersen, vendo longe (um artista pintor, tem um obra dele no artebr).

Doei os livros a Secretaria Municipal de Educação, a cada escola e às bibliotecas públicas municipais. Os fiz com recursos da lei de incentivo a cultura. Infelizmente demorou tanto que saí da Prefeitura e eles nunca foram empregues naquele projeto. Misteriosamente eles desapareceram da maioria das escolas,e não foram as crianças que os carregaram.

Os pólos poderiam dizer o que tem ocorrido com os livros, creio que o problema de serem regionais, retira deles o interesse.

beijão Elaine, saudades de seu papo bom, este ano nos falamos no Cenzalamóvel, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!

Marne Alvares Sieben

Achei, ótima a opurtunidade de estar podendo participar deste fórum que é bem o que faço, quero e tento fazer com meus alunos. estou lendo e aproveitando muito e tendo de saída um ótimo, na prática, isso quer dizer que estou com visitas agendadas, como por ex. na Transfer POA--agora p final de set. e vai ser um barato--e barato mesmo por ter ônibus cedido pelo Santander Cultural....Tudo show!!! Depois passo imediatamente as imagens da visita no meio digitalé só daí já pode nascer algo totalmente engrandecedor p a turma@!@!!Vou seguir lendo.........

P

Sergio Luiz Sucha

Luciano

Fico feliz em estar aqui partilhando com vocês esse tema. Como professor de arte, diante da mídia em Santa Catarina com a obra de Vitor Meirelles, "Primeira Missa no Brasil" em evidência em Florianópolis no primeiro semestre desse ano (2008), busquei uma ferramenta alternativa das escolas públicas que são os lívros de história do Brasil, onde os alunos depois de um contexto da biografia do artista, foram à biblioteca do próprio colégio pesquisar sobre as obras do Brasil colônia, onde descobriram um acervo interessantíssimo "abrindo gavetas", que estamos catalogando e lançando em um meio virtual. A partir dessa tarefa, a biblioteca da Escola tem sido vista pelos alunos como um museu de artes, onde se encontra um verdadeiro acervo desses conteúdos. O professor de arte é para o aluno um élo entre a Escola e o Museu, procuramos fazer pelo menos uma visita em cada semestre, a relação do aluno sobre o conceito de arte muda depois da experiência da visita ao Museu.

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