Forum
Ulysses Maciel De Oliveira Neto

Hei Roseli,

Meu olhar a partir do cenário"atores com suas diferentes atitudes: o perplexo, o indiferente, o contemplativo, o estressado, os que comentam e os atuantes", revelam a interdisciplinaridade, ou seja num projeto a participação de diferentes profissionais que trazem a tona toda sua carga de valores, constumes e conhecimentos necessários ao sucesso de um projeto.

Maria  Luiza Pimentel

Roseli Alves

Clique abaixo - no arquivo anexo - para ver a imagem de Norman Rockwell.


Nara Salles

Platão apresentou os seus mais profundos pensamentos filosóficos sob uma forma mítica. A arte e o belo, segundo Platão (427-347 a c.), o belo verdadeiro era superior ao mundo transitório. Representava um aspecto do eterno, sempre idêntico e simultaneamente geral e necessário. Era também objeto de ciência. A arte e a ciência tem a mesma raiz, ambas num domínio mais elevado que o terreno, o que explica também que para Platão a arte não deve se contentar com a imitação do que é transitório e terreno.

A arte tem a capacidade de realizar uma mimesis da força criadora da natureza, e mais ainda, a arte realiza integralmente o que a phisis não consegue realizar. Distingue-se dela na medida em que esta força criadora da natureza atua por si própria, enquanto a arte se tem que deixar guiar sempre por um princípio de origem humana.

Tanto para Platão quanto para Aristóteles, a arte significa ainda uma revelação do universal que mais tarde nos filósofos estóico -Zenão de Cicio, Crianto, Crisipo, Epicteto e Marco Aurélio-  se reduziu a uma finalidade pedagógica, na qual  tentavam interpretar alegoricamente as narrativas míticas transmitidas pela poesia.

Roseli Alves
 
Olá coordenadores,
 
“Os pensamentos apresentados sob uma forma mítica”
 
A forma mítica nos chega envolvida em que?
Como identificamos estas manifestações?
 
Estas perguntas nos levam a pensar na imagem nas qualidades e nas repercussões envolvidas. A imagem , foco de reflexões e manifestações encontra-se com o homem. Pensar o homem, pensar a matéria que o constitui e que o transforma, é dialogar com valores e ao chegar nos valores precisamos considerar os parâmetros necessários que garantam as transformações promovidas pelo ato criador.
Penso que o ensino e o projeto, perpassam e devem comprometer-se com estas idéias.
Nara Sales com sua contribuição neste fórum nos leva para o terreno das idéias e ali encontra muitas questões – Mimesis - e muitas provocações, o que me faz lembrar de trechos de Otávio Paz em suas considerações sobre Duchamp no livro O Castelo da Pureza.
 
 
“(...) Uma pedra é igual a outra pedra e um saca-rolhas é igual a outro saca-rolhas. A semelhança entre as pedras é natural e involuntária; entre os objetos manufaturados é artificial e deliberada. A identidade dos saca-rolhas é uma conseqüência de seu significado: são objetos produzidos para extrair rolhas; a identidade entre as pedras carece, em si mesma de significado (...)”
 
 “(...) Não é estranho que o crítico e o público de entendidos achem
o gesto “significativo”, embora geralmente não acertem saber o que
significa. O trânsito da adoração do objeto à do gesto insensível e
instantâneo: o círculo se fecha. Mas é um círculo que nos fecha:
Duchamp saltou-o com agilidade e joga xadrez enquanto escrevo
estas notas(...)”
 
 
Ainda no terreno das idéias / filósofos, Maria Luiza me faz lembrar de que as atuais tendências mundiais têm apontado como um dos pilares da educação o aprender a conviver, que nos remete à idéia de que somos, ao mesmo tempo, singular e múltiplo e, nesse sentido, precisamos uns dos outros para sobreviver.
Essa idéia da necessidade de aprender a conviver está também em Morin. Esse Filósofo da atualidade, chama a nossa atenção para o fato de que as relações humanas são constituídas de três elementos indissociáveis – indivíduo/ sociedade/ espécie-e que, se desconsiderar-mos um deles, estaremos reduzindo a complexidade da existência humana. Para Morin, “todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto da autonomias individuais, das participações comunitárias e do entendimento de pertencer à espécie humana”.1
Tanto Demo quanto Morin fazem-nos perceber que precisamos compreender melhor a nossa condição humana, que implica um conhecimento mais amplo das relações sociais historicamente construídas. Sermos sujeitos desta nossa história permite-nos experimentar diferentes maneiras de interferir no seu rumo. Nessa perspectiva, temos que refletir o quanto nossas práticas pedagógicas têm favorecido a conscientização de que somos, ao mesmo tempo, singular e múltiplo.
 
Abraços
 
Roseli
 

Nara Salles escreveu:

Platão apresentou os seus mais profundos pensamentos filosóficos sob uma forma mítica. A arte e o belo, segundo Platão (427-347 a c.), o belo verdadeiro era superior ao mundo transitório. Representava um aspecto do eterno, sempre idêntico e simultaneamente geral e necessário. Era também objeto de ciência. A arte e a ciência tem a mesma raiz, ambas num domínio mais elevado que o terreno, o que explica também que para Platão a arte não deve se contentar com a imitação do que é transitório e terreno.

A arte tem a capacidade de realizar uma mimesis da força criadora da natureza, e mais ainda, a arte realiza integralmente o que a phisis não consegue realizar. Distingue-se dela na medida em que esta força criadora da natureza atua por si própria, enquanto a arte se tem que deixar guiar sempre por um princípio de origem humana.

Tanto para Platão quanto para Aristóteles, a arte significa ainda uma revelação do universal que mais tarde nos filósofos estóico -Zenão de Cicio, Crianto, Crisipo, Epicteto e Marco Aurélio-  se reduziu a uma finalidade pedagógica, na qual  tentavam interpretar alegoricamente as narrativas míticas transmitidas pela poesia.



Caroline Bertani Da Silva

Sabe que no começo tinha ficado com ??? em relação à imagem e sua relação com o texto escrito. Agora com as colocações do grupo parece que as coisas foram clareando. Gostei muito da relação criada com o projeto de trabalho e, especialmente, com as idéias de Morin. Pensando em Morin e em suas idéias (baseadas em Pascal) de que é impossível conhecer o todo sem conhecer as partes e vice-versa, percebemos que um dos grandes desafios que temos é a fragmentação da educação:[...] os desenvolvimentos disciplinares das ciências não só trouxeram as vantagens da divisão do trabalho, mas também os inconvenientes da superespecialização, do confinamento e do despedaçamento do saber. Não só produziram o conhecimento e a elucidação, mas também a ignorância e a cegueira. (MORIN, 2000, p. 15)    

Morin também afirma que a separação das disciplinas tira do aluno a capacidade de contextualização e, conseqüentemente, obscurece sua capacidade criadora (com esta idéia consigo relacionar imagem e texto). Mas sabemos que isso ainda é a  realidade nas nossas instituições educacionais, ocorrendo muitas vezes um ensino que não faz relação com o momento político, econômico, social e emocional que cada aluno vive.

A arte, embora também fragmentada em nosso sistema de ensino, talvez possa ser um meio de situar o humano no universo já que as artes, segundo Morin, são uma das manifestações da cultura das humanidades, pois “levam-nos à dimensão estética da existência e – conforme o adágio que diz que a natureza imita a obra de arte – elas nos ensinam a ver o mundo esteticamente”, visto que “em toda grande obra, de literatura, de cinema, de poesia, de música, de pintura, de escultura, há um pensamento profundo sobre a condição humana” (2000, p. 45).  

   abraço a todos,

caroline       

Sebastião Gomes Pedrosa
Sebastião Gomes Pedrosa escreveu:

Prezada Roseli e todos participantes do fórum,

Já que estou morando em novo endereço onde o verde predomina o ambiente, resolvi escrever em tinta verde - de tantos significados.

Roseli, estou intrigado porque não consigo mais acessar a imagem que fazia parte deste diálogo... como você mesma me mostrou na tela do computador em sua passagem por Recife. Apenas a memória revela uma cena de rua sugerindo a participação e envolvimento de indivíduos habitando lugares diversos: ângulos de visões privilegiados; ângulos mais estreitos, primeiro plano, planos intermediários e secundários; um acontecimento sugeria o foco da atenção, tensão, para a qual os habitantes da cena acenavam, gesticulavam, protestavam, questionavam, dirigiam o olhar: o que fazer?

A relação da imagem com o texto é sugestiva: aqui, no fórum, a maioria dos participantes, ´grita, cogita ou se agita de suas janelas` (a tela do computador) falando sobre o caráter interdisciplinar que o texto sugere. Muitas vezes, ao iniciar um projeto, uma tempestade de idéias entre os participantes é essencial. Daí, todos se sentem participantes, envolvidos, com algo a contribuir. Lembro de Domenico di Masi falando em seu Ócio Criativo que os projetos mais criativos que ele conhecia envolviam profissionais comprometidos e entusiasmados de várias procedências e vários pontos de vista.

Abração  a todos,

Sebastião Pedrosa – Pólo UFPE



Maria Isabel Petry Kehrwald
Oi pessoal: Um abraço a todas e um muito especial a Roseli que nos provoca com o tema deste Fórum, que me é muito caro. Bem, as questões referentes à criatividade e processo criativo são bastante complexas e carecem que sejam oxigenadas pelas discussões contemporâneas, uma vez que estão muito mais centradas na solução de problemas e na busca de resultados e produtos e bem menos na construção contínua e sistemática de uma atitude criativa que possa reverberar na vida do sujeito. A imagem que Roseli nos apresenta, sugere que há um problema (o cachorro) e muitos pontos de vista que buscam um consenso. Busco alguns teóricos para nos ajudar na reflexão. Guilford, americano que estudou exaustivamente o comportamento criativo defendia que ao invés de estimular uma solução para um problema dever-se-ia estimular muitas soluções, entendendo também que ser criativo não é apenas solucionar problemas. Ele e seus colaboradores identificaram duas categorias na criatividade: os comportamentos e produções Divergentes (FLUÊNCIA, FLEXIBILIDADE e ORIGINALIDADE) e os comportamentos e produções Convergentes. Defendiam a Divergência como a possibilidade de expandir o pensamento e alavancar processos criativos, entendendo a Fluência como muitas idéias/fazeres/produções; a Flexibilidade como a capacidade de ter idéias/comportamentos/produções variadas; e a Originalidade como a capacidade de ter idéias/comportamentos/produções inusitadas. Hoje, entendemos a originalidade não mais pela ótica do modernismo, uma vez que já fomos contaminados pelas leituras de Barthes, Bakhtin e outros que apontam para o fim do principio da autoria única e original, já que vivemos em constante tráfico de idéias, sobretudo depois do advento da internet. Há, ainda, as contribuições de Deleuze, Vigotzky e Morin (a complexidade, já apontada aqui), entre outros e mais recentemente as do Fernando Hernándes, quando aponta que a criatividade é um valor social e que o fundamental é saber como as pessoas tomam decisões e não apenas o resultado das mesmas. A concepção de processo criativo como algo que se constrói coletivamente, em rede e a ênfase na divergência (varias respostas para o mesmo problema, isto é, o dissenso, o contraste, o desassossego, o não a convergência) devem estar presentes nas propostas pedagógicas de todo professor. O que se percebe na escola e no cotidiano é uma criatividade aprisionada por mecanismos sutis de controle da subjetividade, do imaginário, da expressão, dos fazeres e das produções, através de abordagens equivocadas e estereotipadas, propostas reducionistas e muitas vezes improvisadas que atribuem ao acaso a construção de conhecimento. Conforme Fayga Ostrower “criar significa poder compreender e integrar o compreendido em novo nível de consciência [...] Este fazer é acompanhado de um sentimento de responsabilidade, pois trata-se de um processo de conscientização.” Acho fundamental esta reflexão da Fayga, além de entender que o processo criativo é um processo histórico-social cujo conceito constrói-se desde a infância, muitas vezes com a conotação equivocada de que é um jeitinho, um truque, uma esperteza, uma safadeza, quando deveria ser associado a uma contribuição singular do sujeito ao coletivo. Agregado a isto, divido com vocês o final do texto primoroso de José Antonio Marina, pesquisador português, em seu livro Teoria da inteligência criadora. Diz ele: “A criação não é operação formal, mas biológica, vital, exposta aos azares e acidentes e prolongada pelo anseio de uma subjetividade que quer expandir sua liberdade, seus domínios e sua agilidade.” O assunto me fascina, minha dissertação de mestrado trata disso e eu ficaria horas discorrendo e torrando a paciência de vocês. Mas, fico por aqui, com a certeza de que a educação deveria pesquisar processos criativo com mais rigor e seriedade, pois as áreas empresarial, da saúde e social têm tomado a tema para si com enfoques diversos, quase sempre com viés receituário e interesses imediatos. Abraço caloroso neste frio gelado (aqui em Montenegro/RS, está frio de renguear cusco, como diz o gaúcho) Isabel Petry – Pólo Fundarte
Roseli Alves
Queridos Coordenadores!
A boa recepção com que tem sido tratado o Fórum confirma a necessidade que temos em abrir diferentes espaços de debates para olhar amplamente aspectos da educação, principalmente no que se refere às práticas de formação docente e de coordenação de grupos que garantam reflexões sempre pertinentes a realidade e que repercutam na vida do professor e na sala de aula. Naturalmente que este compromisso torna-se visível no potencial que o tema carrega. Em vista disso Isabel Petry é mais uma Coordenadora que chama atenção para as questões relativas à criatividade:
“... as questões referentes à criatividade e processo criativo são bastante complexas e carecem que sejam oxigenadas pelas discussões contemporâneas, uma vez que estão muito mais centradas na solução de problemas e na busca de resultados e produtos e bem menos na construção contínua e sistemática de uma atitude criativa que possa reverberar na vida do sujeito”. Nos alerta também de que a educação deveria pesquisar processos criativos com mais rigor e seriedade, pois as áreas empresarial, da saúde e social têm tomado o tema para si com enfoques diversos, quase sempre com viés receituário e interesses imediatos.
 
Como têm sido tratadas estas questões nos grupos de formação docente? Como percebemos estas questões na sala de aula? Como temos desencadeado processos criativos no outro? Como isto conquista o espaço da comunicação sabendo-se que é na linguagem que o sujeito “se” significa? É importante a compreensão do campo expressivo porém é importante também que este sujeito encontre um campo de atuação seja propositor e invente a própria vida.
 
Assim, compartilhamos amplamente as questões trazidas por Caroline acerca de E. Morin e as palavras de Sebastião Pedrosa que como arte-educador e artista que é, nos conduz a lugares nos quais nos encontramos. “... a participação e envolvimento de indivíduos habitando lugares diversos: ângulos de visões privilegiados; ângulos mais estreitos, primeiro plano, planos intermediários e secundários...”
E com isto Pedrosa nos coloca em relação à imagem e ao texto presentes na pauta deste Fórum, transformando-nos de expectadores para agentes atuantes que gritam, cogitam ou se agitam de suas janelas. (as telas dos nossos computadores)
Abraços! Roseli
Rosa Helena Sousa De Oliveira

Olá Pessoal

Gostaria de apenas de compartilhar algumas fotos do  nosso evento do Arte na Escola, ocorrido em 18 e 19/06. Foi muito interessante e divertido.  Tivemos o prazer de receber um professor Pós-doutor, Yuri Jacob, que trabalha com a temática da arte do cinema mudo.

Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Roseli Alves

Caros Coordenadores!

Com imensa satisfação encerramos o 1º Fórum destinados aos Coordenadores da Rede Arte na Escola. As contribuições foram muito consistentes ampliando nossa concepção sobre o tema - passo importante para o processo de construção de uma inteligência coletiva, conforme pontuaria Pierre Levy.

Nas próximas semanas nos envolveremos com a produção do texto coletivo sintetizando nossas discussões. O encaminhamento deste texto foi pensado da seguinte forma: como mediadora, proponho desenvolver os primeiros rabiscos em seguida encaminharei a vocês para suas contribuições.

Nosso desafio é publicar o texto coletivo no Boletim de setembro e divulgar esta primeira experiência colaborativa a distância à Rede Arte na Escola durante o XXI Encontro Nacional.

Muito obrigada a todos!

Roseli Alves

 Coordenadora da Rede Arte na Escola

Caroline Bertani Da Silva

Oi Roseli, foi muito bom esta primeira experiência.

Com certeza todos nós gostaríamos de participar mais, mas a correria, especialmente em fim de semestre, nos impossibilita.

Mas por outro lado, é um hábito que precisamos inserir em nossas 'agendas'.

um grande abraço a todos e parabéns pela iniciativa!

caroline

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