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Mirca Izabel Bonano

Semana de Acessibilidade – de 23 a 28 de agosto de 2011

 

Acessibilidade é um tema de extrema importância que vem sendo cada vez mais abordado em diversos âmbitos: educacional, da saúde, empresarial e cultural, entre outros. Esta é uma questão, acima de tudo, de cidadania, portanto, pertinente a todos nós.

 

Pelo segundo ano consecutivo, o CCBB Educativo faz uma programação especial sobre o tema com atividades práticas e reflexivas. Entre 23 e 28 de agosto, ofereceremos atividades acessíveis em música, contação de história, laboratórios de ações criativas, visitas mediadas, entre outros.

 

Também haverá uma série de discussões e palestras sobre o assunto com convidados especiais durante a semana. A pedagoga e pós-graduanda em LIBRAS e Educação para Surdos, Fernanda Wendy tratará do tema “Inclusão no Mercado de Trabalho” e a museóloga, consultora em acessibilidade e doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, Viviane Sarraf falará sobre “Acessibilidade em Instituições Culturais”.

 

O encontro mensal “Práticas e Reflexões com Educadores” contará com a presença de Valquíria Prates, escritora, curadora educativa, mestre em Educação e doutoranda em Ação Cultural e Mediação na ECA-USP. A palestrante atuou na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e discutirá o tema: “Acessibilidade, Arte Contemporânea e Participação”.

 

 

PROGRAMAÇÃO:

 

Vivências Musicais - Terça, sábado e domingo às 13:00  

Local: 1° andar. Faixa etária: a partir de 6 anos.

Será que os sons conseguem despertar lembranças? E as músicas? Através de jogos musicais, proporemos um diálogo entre memória  e música e sensações.
 
Visita Multissensorial - De terça à domingo às 16:00
 

Local: início no térreo. Faixa etária: a partir de 6 anos. 10 vagas

Visita mediada à exposição “Oneness” da artista contemporânea japonesa Mariko Mori. De caráter participativo, a visita explora os diversos sentidos, além da visão.

 

Laboratório de Ações Criativas - de quarta à sexta às 15:00 Local: 1° andar

Fazer e brincar  

Quais foram os brinquedos que fizeram parte da sua infância? De onde eles vieram? Para descobrir mais sobre brinquedos e brincadeiras que fazem parte da nossa cultura o Laboratório de Ações Criativas convida você e sua família a fazer e brincar.
Classificação indicativa: a partir de 5 anos. 15 vagas.

Resignificando Objetos  

Qual é a utilidade dos objetos que usamos todo dia? Uma vassoura é apenas uma vassoura? Ou quem sabe também poderia ser um microfone, a cauda de uma ave, ou até mesmo uma espada! Nós é quem damos significados aos objetos. Que tal descobrirmos seus outros significados?

Classificação indicativa: a partir 5 anos. 15 vagas.

 

Desvendando A Arquitetura  

Neste laboratório, iremos reconhecer a arquitetura do CCBB, modelando detalhes do edifício a partir de sua descrição.

Classificação indicativa: a partir 5 anos. 10 vagas.

 

Visita Sensorial - Quinta e sexta-feira às 13:00 e domingo às 15:00  

Local:  início no térreo. Classificação indicativa: a partir de 10 anos. 10 vagas.

Visita inclusiva para deficientes visuais e para o público em geral, que será convidado a utilizar vendas nos olhos durante o percurso. Venha conhecer o prédio do CCBB, sua história, os estilos arquitetônicos e sua relação com a cidade de São Paulo a partir da experimentação do espaço e de outras propostas lúdicas. Duração média de 1h

 

Em Cantos e Contos em LIBRAS - De quinta à domingo às 14:00  

Local: 1° andar. Classificação indicativa: a partir de 5 anos. 20 vagas

Contação inclusiva para pessoas surdas e ouvintes, feita em Língua de Sinais e narrada em português. Neste mês traremos a história de Narciso, filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liríope, um jovem de extrema beleza que se apaixonou pela sua própria imagem refletida nas águas.

 

Visita mediada em LIBRAS - Sábado às 13:00

Local: início no térreo. Classificação indicativa: a partir de 5 anos. 15 vagas

Visita mediada à exposição “Oneness” para surdos ou ouvintes fluentes em Libras.  Duração média de 1h.

 

Palestra Fernanda Wendy - Inclusão no Mercado de Trabalho  

Quarta-feira, dia 24 das 17:30 às 19:30

Local: Auditório – 40 vagas com inscrição pelo telefone 3113 3649.

Pedagoga, pós-graduanda em LIBRAS e Educação para Surdos, intérprete e instrutora de LIBRAS, com proficiência reconhecida pelo MEC a palestrante atua na Universidade São Judas Tadeu. Compõe a Equipe Técnica do Programa Inclusão Eficiente, da Secretaria Municipal do Desenvolvimento e Trabalho atuando nas questões de empregabilidade de pessoas com deficiência. Há mais de 15 anos está envolvida nas questões de pessoas com deficiência auditiva. É filha de pais surdos, e por este motivo tem também LIBRAS como língua materna.

 

Palestra Viviane Sarraf – Acessibilidade em Instituições Culturais  

Quinta-feira, dia 25 das 17:30 às 19:30

Local: Auditório – 40 vagas com inscrição pelo telefone 3113 3649.

Possui graduação em Licenciatura em Educação Artística pela FAAP, especialização em Museologia no MAE-USP (2004), mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da USP e doutoranda no Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Tem publicações na área de acessibilidade cultural, trabalha com cursos, consultoria e projetos em parceria com diversas instituições. Tem experiência na área de Museologia e Cultura, com ênfase em acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida e recebeu prêmios e títulos nacionais e internacionais.

 

 

Práticas e Reflexões com Educadores com Valquíria Prates – Acessibilidade, Arte Contemporânea e Participação    

Sábado, dia 27 das 10:00 às 12:00

Local: cinema. 70 vagas com inscrição pelo telefone 3113 3649.

Valquíria Prates é educadora, escritora, mestre em Educação e doutoranda em na área de Ação Cultural e Mediação na ECA-USP. A palestrante realiza exposições, curadorias educativas e publicações sobre arte contemporânea para o público infanto-juvenil e atuou na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência.

 

Visita Teatralizada com tradução em LIBRAS - Sábado às 15:00  

Imagine reviver a época na qual o prédio, que hoje abriga o CCBB, sediou a primeira agência do Banco do Brasil em São Paulo, na década de 20. A história do prédio, construído em 1901 e reformado pelo engenheiro-arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol JuniorAtores será contada e cantada por atores e músicos, que, vestidos à caráter, serão os mestres de cerimônias desta visita..

Duração média de 40 minutos.

Classificação indicativa: a partir de 5 anos

 

 

Para requisitar visita em Libras fora dos horários divulgados, favor agendar pelo telefone 3113 3649. Sujeito à disponibilidade de educadores- intérpretes.

Ivone Rizzo Bins

Atualmente difícil não encontrar numa turma um aluno inclusão.Onde trabalho há diversos casos que nos fazem constantemente repensar as práticas em sala de aula. O importante é estar atento(a) às dificuldades e propiciar a relação deste aluno com a arte de forma prazerosa e significativa. Na escola , recebemos dados atualizados de cada aluno com dificuldade e dentro do possível - não é fácil dar conta de todos e de cada um  em um período de aula - procuramos ter um olhar diferenciado  para este que mais necessita. Acredito que a escola deveria buscar alternativas específicas para ajudar o(a) professor(a) nesta tarefa, como  contratar estagiários, além de  promover encontros para debater o assunto. Assim teríamos mais tempo e suporte para realizar nossa atividade com a certeza de estarmos fazendo o melhor.

Claudia Ognibene Kiszely
Olá, tenho sim. Dois alunos de inclusão, um, portador de deficiência visual e uma aluna sem uma clara definição de seu diagnóstico, mas caso claro de inclusão. Não tenho uma formação de cursos específicos para trabalhar com esses alunos, mas procuro adaptar da melhor forma as minhas explanações e atividades propostas para que estes alunos participem. O aluno com deficiência visual chegou a receber as apostilas ampliadas, mas logo se desfez das mesmas....Passou um longo tempo sem ter uma participação ativa por mais que fosse sensibilizado...Agora, neste segundo semestre é que está pouco a pouco participando de maneira mais ativa das aulas. Noto que no caso deste aluno, ele chegou na quinta série, muito sério e participativo. Aos poucos foi "vendo" as atitudes de rebeldia e de indisciplina de alguns coleguinhas da classe e da escola e acabou por se enturmar justamente com estes colegas. Daí pra frente, seu comportamento mudou radicalmente e ele começou a imitar o mesmo comportamento rebelde "sem causa" destes colegas. Então, jogou fora as apostilas, se negou a qualquer tipo de participação ativa na classe, em todas as disciplinas e começou a "matar aula". Foi conversado inúmeras vezes com ele e com seus pais, no intuito de orientar, dialogar, mas nada parecia surtir efeito.Neste segundo semestre, ele, como já disse, pouco a pouco está se integrando novamente as atividades propostas. A outra aluna, apresenta problemas de aprendizagem mas participa  ativamente das atividades. Porém, ela é muito instável, então, por exemplo, as vezes , diz para os seus colegas que está "casada com alguma celebridade" e repentinamente, mesmo que ninguém a contradiza, ela acha que alguem está duvidando de sua "fantasia-realidade para ela"- e então, chora e fica um tempo sem vir as aulas e muito ofendida!
Nanci Alves Da Rosa
Olá colegas tenho uma aluna de 35 anos, autista no curso de tecnólogo de interiores, sua idade mental é de uma garota de 13 anos, ela é muito calma, interessada e perfeccionista nas ações que realiza. para esta acadêmica recebemos o auxílio de uma psicopedagoga que esta estudando tbém os conteudos da disciplina para reforçar o assunto através de questionários nas sessões da paciente.Já na rede estadual, trabalho 40hs em uma escola com 450 alunos, entre eles temos 5 "especiais" de faixa etária distinta acompanhados de 4 professores auxiliares. Sendo três destes profissionais integrantes de um curso de formação para o trabalho com alunos de necessidades especiais e assim fazem realmente a diferença no desenvolvimento das aulas e de vários alunos da classe. Enquanto a outra segunda  professora, sem formaçào na área é impaciente com as crianças e atrapalha os trabalhos pois procura resolver as questões diferenciadas oferecidas aos dois adolescentes(menina cega e menino com atraso mental) de uma turma dde 45 pessoas.Enfim, minhas leituras sobre Inclusão ainda são restritas e confesso não ter certeza se minhas ações são as mais indicadas, porém transmito muito carinho e atenção à estes estudantes especiais que enfrentam o preconceito de muitos para estar na escola, um lugar que é seu por direito.
Carmen Capra
Pessoal,

até agora não foi falado dos alunos especiais de altas habilidades (também se diz, ou dizia, superdotação). O vídeo sugerido pela Sinara fala muito nisso.

Alguém aí tem trabalhado com casos assim?
Sinara Maria Boone
Pessoal, lendo os depoimentos de todas(os) vocês neste Fórum, ficas claro que TODAS(os) nós estamos em busca de informação, conhecimento, experiências que nos auxiliem nos processos de Ensino da Arte no contexto da Educação Inclusiva.

Ouvir a “voz” de vocês nessa conversa, está muito interessante...

Carmem, Nanci, Claudia, Ivone, Mirca, Vanessa, Gleide, Regina, Andréia, Bárbara, Julieta, Enio, Terezinha, Rosane, Maria de Lurdes, Larissa, Simone, Ana laura, Pamela, Veronica, Flávia, Pedro, Marilda, Eliane... Daina..  contribuíram até esse momento com o relato das suas experiências (links, idéias)...e acredito que parte do nosso olhar e expectativas em relação aos alunos inclusos, materiais e perguntas iniciais, aos poucos são revelados e contemplados.

Além dos relatos e sugestões de materiais diversos que devem continuar e que nos ajudam bastante, penso que partir desse momento já podemos ampliar a discussão...

Por isso, pergunto à Profa. Daina Leyton:

Na sua fala, você nos lembra da importância de estarmos "preparados para se despreparar”, onde aprendemos a investigar novas formas possíveis de comunicação.   

O professor interessado pesquisa/investiga novas formas e maneiras de auxiliar seus alunos a partir das necessidades e especificidades... por isso, gostaria de solicitar a indicação de um material "de base" para nossa leitura/estudo, visando auxiliar na continuidade da conversa aqui no Fórum e no direcionamento e aprofundamento de algumas questões aqui levantadas, o que você acha? Ou quais autores você tem estudado e que lhe auxiliaram nessa "missão"?   

Sinara.


Alessandra Baldissarelli
Olá!
Lendo as mensagens dos colegas professores me identifiquei com o comentário da Barbara Cristina Prestes de Oliveira:

Me formei em Lic. em Artes Visuais em abril desse ano. Assumi como professora do município faz uma semana, e a minha primeira impressão ao trabalhar com algumas das minhas 6 turmas (6° ano à 8ª série), foi bem parecida com a da colega.

A turma mais complicada de trabalhar é o 6° ano. E justamente nessa turma tem duas meninas com "déficit de aprendizagem" (informação da escola). A diretoria da escola assume que a turma é muito grande, o que prejudica o rendimento da turma e que no próximo ano ela será dividida em duas novas turmas. E só. Não se fala em abordagens e metodologias adequadas, tudo fica subentendido. E lá vão as professoras, "enfrentar" a turma mais difícil da escola. Tudo continua igual.

Nessa minha curta caminhada pela experiência docente, tenho uma certeza: inclusão não é apenas abrir vagas a portadores de necessidades especiais e esquecer que os mesmos existem. Um trabalho deve ser feito conjuntamente entre professores e alunos e, se possível, a família.

Enquanto isso, ouvidos atentos e braços abertos, vou fazendo o meu melhor com as ferramentas que estiverem ao meu alcance! E este fórum é uma delas!

Obrigada Sinara e colegas, pela oportunidade!
Abraço!
Elizabeth Ferreira Da Silva
Olá colegas!
Parabens péla iniciativa por um tema de tão grande importancia em nosso cotidiano! Esta sendo muito valido para minha atuação. Tenho aluno de Inclusão DM - leve; fazemos uma adaptação dos conteudos ao nivel de aprendizagem dele, infelizmente não há uma receita pronta, contamos muito com as experiencias do cotidiano pois minha formação não me preparou para esta realidade.
Eliane Dos Santos Alves

 

      Olá pessoal, que prazer imenso poder muito me enriquecer com as partilhas das  práticas de vocês...

Sou Eliane, moro em Caxias do Sul, RS, acadêmica do último semestre do Curso de Pedagogia, e faço uma disciplina de Arte e Inclusão. Pois, acredito que a Arte tem muito a colaborar nesse processo de aprendizagem, que cada um vai se aprimorando conforme suas capacidades e estímulos, pois ela envolve todo o SER da pessoa.

No momento não tenho aluno incluso na minha turma, porém tenho alunos que tem outras necessidades que também são muito especiais... O processo de inclusão da criança com deficiência seja ela física ou de qualquer outro gênero, na escola inclui primeiramente uma educação familiar. O trabalho de conscientização permite que os familiares incentivem e aceitem a criança a superar obstáculos da vida escolar. Além disso, a deixará mais segura para encarar os problemas e se defender de eventuais preconceitos.

É muito relevante não só falar sobre esse assunto, inclusão, como também se faz necessário refletirmos a sua grande importância na vida de um ser humano, que no caso, possui algum tipo de deficiência e não é incluído seja na família, escola, na sociedade em geral.

Para alguns professores ainda é utopia pensar nessa questão, mas está tão perto de nós que não dá para esperar a graduação, a vida também se encarrega de ensinar o sujeito. É preciso amar o que se faz, querer incluir alguém na nossa vida, não é tão simples, mas precisamos dar esse passo em prol da vida que está ameaçada e que a sociedade com tal, exclui, não podemos colaborar com a exclusão e sim, aprender a aprender, incluindo. Claro que não é fácil, mas precisamos da o “primeiro passo”.

Para tanto, temos que nos preparar para esse desafio, que não é impossível, mas muito exigente. È um clamor que está ai, muito próximo de nós, futuros educadores, precisamos ir além de nós mesmos e superar os desafios que a NE nos questiona.

Esse fórum sobre “Arte e Inclusão” vem nos motivar a uma maior consciência, sensibilização, dar se conta da “mega” necessidade que todos/as nós temos,  como EDUCADORAS, de conhecer, de como saber lidar na sua realidade e também, se colocar no lugar do outro/a.

Que lindo ver tantas pessoas de cada canto do Brasil, bem engajadas nesse processo de Inclusão, de acreditar na capacidade dos educandos, cada um/as com suas habilidades e diferenças, ambos todos com seus direitos e deveres, ambos com  sua preciosidade da vida.

“De mãos dadas a caminho, por que junto/as somos mais...

Pra cantar um novo hino, de unidade, amor e paz”.

Abraço e ótimo trabalho a todos/as.

Eliane Alves.

Daina Leyton

Olá pessoal,

As postagens estão muito ricas e a discussão muito interessante.

Respondendo às solicitações de referências de leituras, aqui vão algumas que recomendo ( longas e curtas):

- Para quem quer conhecer mais sobre o universo da surdez, uma ótima inciação é o livro "Vendo Vozes" de Oliver Sacks ( Companhia das letras). Escrevemos sobre o trabalho do mam, que tem como referência Oliver Sacks, que também é interessante para refletir sobre a comunicação e a educação em libras:

http://jcom.sissa.it/archive/07/04/Jcom0704%282008%29C01/Jcom0704%282008%29C07/Jcom0704%282008%29C07_po.pdf

- Sobre educação considerando as especificidades de cada público, gosto do livro de Fátima Freire "Quem educa marca o corpo do outro" ( editora cortez)

e para uma inspiração, para pensar o trabalho com alunos que tem questões de psicose ou autismo, sugiro a   leitura de Peter Pal Pelbart, principalmente o texto "Desejo de Asas", página 17:

http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/peter/naudotemporei.pdf

Abraços,

Daina

Daina Leyton
Em tempo: para quem quer conhecer belíssimas iniciativas do mundo todo de educação para surdos, esse congresso é uma ótima oportunidade! http://surdez.hubinternacional.com/pg/event_calendar/view/4311 http://www.ecs.org.br/site/bilinguismo/
Andrea Fonseca
Carmen Capra escreveu:
Vamos lá... Nos 13 anos em que leciono Arte tive alunos (me ajudem com os termos): hiperativos, depressivos, com síndrome de pânico, um surdo, uma com baixíssima visão, um cadeirante com pouca defasagem mental e outro com deficiência motora (braço e perna) e mental. Alguns eram crianças, outros adolescentes e uma graduanda.

O que aprendi é que informação técnica é útil, mas os nomes e dados teóricos nem sempre ajudam no dia a dia. O que funciona é primeiramente aceitar que aquela pessoa esteja ali, na sala de aula. Aliás, é um direito que ela tem de conviver com todos e acaba oportunizando que os "normais" convivam com quem tem alguma limitação.  A aceitação tem que existir na escola, todos devem realmente acolher, mais que inserir. É o que, penso eu, vai ajudar no restante.

Seguindo, é preciso conviver, observar o que é ou não possível naquele momento para aquela pessoa. Como age na turma? E a turma em relação a ela? Como age com os trabalhos, com os materiais, com os momentos da aula? Demonstra como se sente?  Trocar ideias sobre isso com os demais professores é ótimo! Para quem tem 1 ou 2 aulas (de Arte) por semana é aconselhável não ter pressa.

O tempo vai passando e a gente vai entendendo de que ponto se está saindo - no caso de aprendizagem em arte mas também de aprendizagem de mundo - e para onde se pode ir (é desejável pensar assim em relação a todos os alunos...) É função nossa identificar que materiais lhes são mais adequados, que linguagens lhes beneficiam e que tarefas lhes serão importantes em suas vidas. Ah, lembrei de algo importante: às vezes é necessário pensar em atividades ou mesmo planejamentos diferentes para uma mesma turma a fim de contemplar a necessidade de todos.

Até mais!


Olá, também penso assim, o que é proposto em sala de aula, só vai fazer sentido realmente se no primeiro passo começarmos pela observação, assim podemos oportunizar sempre novas experiências.  Em uma sala de aula onde se tem mais de um aluno com necessidades educacionais especiais e bom preparar algo que posso ser flexivel e possível de ser trabalhado com todos.

Alessandra Baldissarelli
Boas reflexões ao ler as mensagens deste fórum...

Concordo com a Carmen e acredito na vivência do dia a dia para me mostrar que caminho seguir.
Hoje surgiu um comentário na escola, de como duas meninas inclusas eram companheiras e procuravam se ajudar nas tarefas. Num episódio, onde elas jogavam juntas na aula de xadrez, uma delas facilitou as jogadas para que a colega pudesse ganhar também...

Importar-se. Acolher. Atenção. Aceitação. Ação.
Sinara Maria Boone
Daina Leyton escreveu:

Olá pessoal,

As postagens estão muito ricas e a discussão muito interessante.

Respondendo às solicitações de referências de leituras, aqui vão algumas que recomendo ( longas e curtas):

- Para quem quer conhecer mais sobre o universo da surdez, uma ótima inciação é o livro "Vendo Vozes" de Oliver Sacks ( Companhia das letras). Escrevemos sobre o trabalho do mam, que tem como referência Oliver Sacks, que também é interessante para refletir sobre a comunicação e a educação em libras:

http://jcom.sissa.it/archive/07/04/Jcom0704%282008%29C01/Jcom0704%282008%29C07/Jcom0704%282008%29C07_po.pdf

- Sobre educação considerando as especificidades de cada público, gosto do livro de Fátima Freire "Quem educa marca o corpo do outro" ( editora cortez)

e para uma inspiração, para pensar o trabalho com alunos que tem questões de psicose ou autismo, sugiro a   leitura de Peter Pal Pelbart, principalmente o texto "Desejo de Asas", página 17:

http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/peter/naudotemporei.pdf

Abraços,

Daina


Ao pesquisar/estudar os links e textos sugeridos por Daina,  contribuições riquíssimas para esta conversa, confesso que fiquei muito pensativa...

A leitura do capítulo indicado: Peter Pal Pelbart, em o  "Desejo de Asas",  http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/peter/naudotemporei.pdf

nos aproxima ainda mais do contexto histórico das dificuldades humanas em lidar com questões dessa ordem...  destaco, nesse momento, o  parágrafo que diz: 

"No fundo travamos uma briga encarniçada contra a pobreza de opções disponíveis no mercado da vida. O leque dos possíveis contém cada vez menos modelos de normalidade ou anormalidade, cada vez menos e mais pobres formas de viver a familiaridade, a criação, a política, a conjugalidade, os modos de subjetivação, como se assistíssemos a uma homogeinização crescente de um social cada dia mais codificado".(pg.22/23).

Concordo com a idéia que o texto também traz em relação à multiplicarmos "formas de conexão, de linguagens, de abordagens de entendimento".

Esse sim, é um caminho possível para lidarmos com essas questões.

Ler o texto(ainda pretendo ler o livro, que me pareceu ser ótimo) me trouxe a sensação/imagem de uma pedra jogada no lago... que, silenciosa, propaga as suas "ondas" em torno desse tema tão complexo.

deixo também uma provocação ...Uma das polêmicas e sábias imagem da obra de Hieroniymus Bosch, intitulada A Extração da pedra da Loucura. (óleo sobre madeira, 48x35cm Madrid, Museu del Prado). 

Até breve!


Daina Leyton

A leitura de Peter Pelbart é realmente ótima, pois nos mostra o quento precisamos ampliar o campo de possibilidades, do contrário, nunca teremos uma efetiva inclusão.

Aliás a palavra inclusão é fruto de um movimento muito significativo relaizado pelas pessoas com deficiência, nos anos 80. Ao mesmo tempo, acredito que só teremos uma efetiva inclusão quando não precisarmos mais dessa palavra. Quando a diferença for vista como diversidade.

Por isso fico muito feliz de ver o desejo e interesse dos professores, mesmo diante dessa ausência de estrura e preparo. Sim, ficamos dessa forma muito vuneráveis. Momentos de tensão , agressividade, desenendimento podem acontecer,  e propomho falar em posts diferentes sobre cada especificidade, para refleirmos sobre o como lidar com a diversidade de público.

Para começar, alunos com laguma questão de sáude mental ( que trabalhamos muito aqui no museu):

Considero fundamental, em um momento teso ( por exemplo uma crise, briga, discussão) conseguir mapear se o transtorno está vindo realmente do aluno, ou da situação que ele está inserido, ou , por vezes da própria tentativa de remediar a situação.

Normalmente as pessoas que estão no ambiente se espantam mais e pioram a situação. Ou então algo que pode ser facilmente contornado, toma dimensões muito maiores, pois aquele aluno já tem o estigma de ser o "especial" e etc..

o estabelecer vinculo, não demonstrar medo, ter uma real escuta e consgeuir impor os limites quando necessários, são fundamentais nesse momento..

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