Forum
Carmem Lúcia Melim Brando

Olá, eu sou professora formada em Arte Educação: Habilitação Música, trabalho em duas escolas municipais em um projeto chamado Pacc's, ministrando aulas de violino. Este projeto é extra curricular e tem funcionado muito bem.

Quanto a música na sala de aula, não temos professores formados suficientes em lugar algum do Brasil, então aqui nós estamos ministrando aulas em um curso Técnico para professores que ja tocam algum instrumento, que já cantam ou já trabalham com música para capacitá-los para o trabalho em sala de aula. Alguns tem um curso superior, outros não. Mas tenho certeza que estarão aptos a trabalhar a musica em sala de aula porque atraves das aulas eles estão levando muito material, estão produzindo material. Acho que essa é a solução, é necessário abrir cursos para preparar mais professores tanto a nivel superior como esses cursos mais curtos.

Existem tantas formas de trabalhar a música na sala de aula, brincadeiras, canções que ensinam, joguinhos musicais que podem ser confeccionados, softwares, percussão corporal, flauta doce, enfim...basta haver cursos para capacitar quem já está na sala de aula.

Patricia Weitzel
Olá, meu nome é Patricia sou formada em Educação Artística com licenciatura plena em Artes Visuais.Na Universidade tivemos disciplinas de música, porém não voltada para escola.Quando recebi a notícia da implantação logo procurei entrar em curso de violão .Hoje já completo 3 anos de curso.Com prática e teoria, mas mesmo assim estou insegura em relação a estas aulas.
Bem , leciono em uma escola privada onde temos aulas  de arte do 1º ano E.F. ao 1º do Médio.Posso dizer que as aulas de músicas a dois anos foram passadas as professoras regentes, e não para mim.Elas por sua vez não sabe o que fazem com as aulas então as utilizam com vídeos ou apenas colocam um cd qualquer juntamente com uma atividade de matemática.Questionei com a escola a respeito das aulas ,mas a resposta foi que a escola não teve nenhuma explicação a respeito dessas aulas.
Então fica a pergunta:
É lei? Que tipo de lei, será regulamentada? As superintendências irão fazer seu papel? Ou então quem não entendeu fui eu, que estou estudando tentando fazer com que a lei seja cumprida.
Abraços a todos
Éverton De Almeida
Olá Pessoal. Vou fazer um relato sobre o que acontece aqui em Santa Catarina. Sou professor efetivo da rede pública estadual e atuo como educador musical desde 2005 numa escola de periferia da Grande Florianópolis. Sou licenciado em Educação Musical pela UFPel e desde que ingressei na rede passei por 3 anos de batalha para afirmar minha habilitação em música, já que os diretores esperavam que eu trabalhasse com artes visuais. Tenho trabalhado os conteúdos de música (uso o livro da TECA e admiro Koellreutter) especificamente e, interdisciplinarmente uso artes cênicas e plásticas. Foi muito difícil convencer a comunidade que a música tem valor. Hoje as crianças adoram as aulas e a disciplina que ainda se chama ARTES mas conforme LDB, é a música por ser minha formação. Depois de longos 3 anos batalhando dentro da sala de aula, com 2 aulas por semana e variações anuais de 16 a 20 turmas (para ter salário melhor), com aproximadamente 600 estudantes por ano de 5ª a 8ª série, consegui afirmar a importância do ensino de música. Como, nesse período, não recebi 1 instrumento (embora tivesse feito inúmeros pedidos), utilizei o canto, instrumentos fabricados em sala de aula e percussão corporal como prática. Porém, a maior parte do tempo ensinei a parte bibliográfica de música... o que considero ruim, mas que, infelizmente era o possível dentro das condições (sem sala específica, instrumentos, com 35 estudantes por sala e 2 aulas semanais). Em 2008, quando aprovada a lei de obrigatoriedade, passei a ministrar aulas de flauta doce e violão, como projeto extracurricular e desde então venho mantendo estas aulas no mesmo sistema: 40h curriculares e 10h extracurriculares. Vale lembrar que em 2008, as aulas de flauta que ministrei foram abdicando de salário, já que o estado não reconhecia estas aulas, para poder comprar 20 flautas e um teclado com a verba do PDDE, num acordo entre a direção escolar e eu. Este acordo não teve nenhuma relação com a lei, mas sua aprovação afirmou meus anos de luta e a importância da música que preguei. Colocamos a aula de música para elevar os índices que estavam baixíssimos. Então resolvi oferecer aulas de flauta gratuitas para que pudessemos comprar instrumentos para a escola. Santa Catarina é um estado rico em litoral e financeiramente, mas na educação, os interesses políticos estão acima das necessidades. Talvez eu tenha saído do foco do fórum, mas é essa minha contribuição por enquanto. É muito importante nossa luta para fazer cumprir de fato a lei!
Francieli Oviedo

olá,caros colegas!

Acho que agora sim o Brasil está dando passos grandes quanto a cultura na educação,antes  era visto como matação de tempo,ou acomodação para os professores.Pois estou super feliz que as escolas estão tendo este trabalho mais valorizado e os profissionais mais qualificados.Póis a musica,como a dança enfim é uma forma de expressar emoções...Uma maneira multipla de expressão,uma aprendizagem continua.Gostaria que os professores de outras diciplinas aprendesem mais ,para poderem levar consigo um pouco em suas aulas.Seria um máximo!

Teca Alencar De Brito
Olá a todos! Formação de professores para o desenvolvimento do trabalho, conteúdos, currículos, materiais, organização da carga horária, aspectos administrativos etc Sem dúvida, a volta da música à escola envolve uma ampla gama de questões e está mobilizando os professores, como a participação neste fórum confirma! As preocupações, os comentários, bem como, os relatos que apontam para distintos cenários, revelam singularidades e, ao mesmo tempo, um quadro geral do que vem acontecendo no país. Profissionais residentes em estados do norte ou do sul já são afetados pela lei, preocupando-se com as efetivas e possíveis demandas. São muitos os pontos envolvidos, mas me parece essencial considerar o fato de que é preciso redimensionar as ideias de música para pensar em significar sua presença nos territórios da educação. Não considero como mais importante a definição de conteúdos e de currículos, entendendo, ao mesmo tempo, que pode ser complicado saber o que trabalhar, em meio a tantas possibilidades e, ao mesmo tempo, à falta de formação específica, em muitos casos. Importa, em primeiro plano, fazer escutas e produzir sentidos, com sons e silêncios de toda espécie. Escutar, cantar, tocar, inventar, registrar, construir instrumentos, saber sobre música, aproximar-se das muitas músicas... São inúmeras as possibilidades. Penso que será importante contar com materiais que apontem caminhos e possibilidades, em campos abertos, de modo que em cada contexto a música se torne viva, propiciando experiências e conhecimentos com o valor que devem portar. Sei que temos um caminho longo, com muitos pontos a cuidar. A preocupação dos professores de artes visuais, como exemplo, é mais do que justa e - obviamente - nós, professores de música, preferiríamos contar com profissionais da área para assumir o trabalho. Profissionais que, como também já foi dito, não existem em número suficiente. Mais importante, a meu ver, é repensar o lugar da arte na educação. Por quê e como trabalhar com os modos sensíveis, com o disparar de sensações que a arte evoca. Teremos muito a fazer, a conquistar, especialmente. Em todas as esferas, das políticas educativas ao dia-a-dia da sala de aula. um abraço, seguindo adiante. Teca
Adriana Aparecida Della Torre Merki
Bom Dia, também trabalho como efetiva no Estado de São Paulo e concordo com o colega sobre a utilidade da apostila de arte na sala de aula, realmente esta bem dividida abrangendo todas as áreas do conhecimento, mas temos que lembrar que nosso aluno precisa de mais do que a apostila fornece, portanto acreditar que musica possa ser dada com qualidade necessita de uma grade separada, onde o professor não tenha que dividir seus conteúdos, que seja possível a utilização de instrumentos em sala, afinal ninguém estuda musica sem a pratica.NÃO DÁ PARA SER BOM PROFESSOR ABRANGENDO TODAS AS ÁREAS EM DUAS AULAS SEMANAIS.
Márcia Luquine

Olá,

Sou formada em Educação Artística com Habilitação em Música pela UFRJ. Leciono na rede estadual e municipal de ensino no Rio de Janeiro.

A história da Educação Artística nas escolas aqui no Brasil, a meu ver, já  tem uma trajetória complicada. Assim continua sendo hoje.

A questão é: qualquer um pode lecionar Artes (em todas as suas modalidades) nas escolas???? A Lei fala em formação específica na área, mas deixa brechas para que não seja bem assim.

Então fica a pergunta que não quer calar: PRA QUE FAZER UM CURSO DE LICENCIATURA EM ARTES VISUAIS, MÚSICA ETC. se qualquer um sem a devida formação pode lecionar essas áreas do conhecimento????

Complicado, né?

Tibúrcio Magalhães
Olá, pessoal sou formado em Educação artística com habilitação em música e gostaria de saber se posso por exemplo dá aula de música ensinando violão em sala de aula, ou terei que trabalhar a apenas com o tema música de um modo geral?
Teca Alencar De Brito
Oi Tibúrcio
Como não existe um currículo prescrito determinando o que trabalhar, exatamente, e considerando, especialmente, que é importante que a singularidade de cada contexto seja respeitada, nada impediria que você trabalhasse com violão em sala de aula.
No entanto, eu não diria que seria a melhor opção, a não ser que você trabalhe em condições muito especiais: pouco alunos por grupo, todos os alunos com o seu instrumento e, especialmente, com interesse e maturidade para o trabalho.
Não é a formação específica em um instrumento musical o que se está buscando quando pensando em inserir a música nos planos da educação, apesar da riqueza e importância.
Trabalhar de modo geral, como você diz, deve ser um caminho para estimular o desenvolvimento de escutas atentas e significativas, da produção de propostas criativas, da integração entre fazer e pensar música, considerando que tudo isso pode ser feito a partir de propostas mais simples do que já introduzir um instrumento.

Eu concordo totalmente com a colega que questiona o fato de fazermos uma Licenciatura em uma área específica para dar aula de todas as áreas! O problema é que estamos vivendo duas realidades ao mesmo tempo: a volta ao foco em cada área na hora de fazer o curso e a permanência do modelo antigo na hora de atuar na escola.
Na área da música, houve muito empenho para voltar a formar o profissional habilitado em educação musical e não em educação artística com habilitação em música. Volto a repetir que estamos, de certa forma, em um "entre-lugar"!
abs
Teca
Luciane Carvalho De Oliveira
olá pessoal !!!!
 Sou finalista do curso de pedagogia pela UEA-am ,concordo com a preocupação dos professores de arte quanto a qualidade do ensino da disciplina , pois sabemos que a maioria dos docentes que ministram a disciplina não tem formação especifica.
Para enfatizar ainda mais essa situação aprovam uma lei que obriga o ensino da musica na escola ,todavia não  tornam obrigatorio a presença de um profissional na area, ou seja , fica tudo como estar sem mudar nada.
Essa referida lei aborda q o Brasil não tem uma tradição em ensinar musica na escola regular e pelo jeito vai continuar sem tradição já q tudo indica q quem vai ministar o conteúdo serão os professore de português, historia...brincadeira né!

Evelyn Berg Ioschpe

Olá professores,

sigo com muito interesse o Forum sobre esta novidade tão complexa na arte-educação brasileira: a obrigatoriedade do ensino de música.  Tenho uma pergunta para fazer a todos e todas: qual é a bibliografia básica que vocês estão encontrando para preparar estas aulas de música?  Ou não estão encontrando?

Abraços

Evelyn Ioschpe

Presidente Instituto Arte na Escola

Sara Rocha Rangel
Oi brava gente brasileira!!!! Eu... Sou professora de artes - por titulação - porém Educadora musical por exercício. E... Sinceramente, por hora menciono a honra que tenho em ler cada um dos comentários aqui expostos. Também irei contribuir compartilhando aquilo que vivi e vivo intensamente na educação musical em Vila Velha, no Espirito Santo. O fórum... Uma escola!
Adriano Ramos
Fórum Arte Na Escola Olá, sou o Professor Adriano Ramos de Campo Grande-MS, graduado em música licenciatura pela UFMS, pós-graduando em Arte Educação Contemporânea pelo IESF. Leciono música na Escola Integral da Rede Municipal de Ensino, para crianças de 5 a 10 anos de idade, matriculadas da educação infantil ao quinto ano do ensino fundamental. Como ensinar música na escola regular? Realmente com trinta crianças dentro de uma sala com mesas e cadeiras fica difícil a vivência de qualquer metodologia musical. Mas, aos poucos, estamos criando nas crianças uma rotina em que o papel está sendo retirado de cena para dar lugar a instrumentos musicais, de qualidade, diga-se de passagem. Começamos com desenhos de instrumentos, e depois fomos introduzindo os instrumentos aos poucos, com dinâmicas em grupos pequenos, para que todos pudessem experimentar. Que materiais tem sido utilizados? Utilizamos materiais encontrados em sala de aula: papel, lápis, carteira, e o principal, a criança. Trabalhar com a percussão corporal tem sido uma boa alternativa. As crianças estão em fase de descoberta do corpo, e aprendem a tirar som e fazer música com seu corpinho por meio de palmas, barulhos com a boca, etc. Instrumentos de sucata também estão sendo construídos, mais com uma função ecológica do que musical, visto que estes instrumentos de brinquedo não são de boa qualidade sonora. Como são definidos os conteúdos? Existe um Referencial da REME – Rede Municipal de Ensino – de Campo Grande, que foi elaborado a partir dos PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais. Este nos dá um norte em relação aos conteúdos, e uma pista dobre a metodologia, pois lista os conteúdos de acordo com a faixa etária e série em que está estudando. Com relação à metodologia, este referencial sugere dois eixos: um relacionado ao contexto histórico, e outro relacionado à prática, para que possamos trabalhar os conteúdos de forma contextualizada, escapando do fazer por fazer. Como estão pensando os processos de avaliação? Avaliar em arte é tarefa árdua e sensível. Traçamos objetivos e nos atentamos para alcançá-los, acompanhando o processo de aprendizagem do aluno, a metodologia utilizada, e a eficiência da mediação do professor. Temos que avaliar o quanto a música contribuiu para o aprendizado desse ser humano, no que diz respeito à sensibilidade. Temos que perceber, por meio de instrumentos avaliativos – gravação de obra musical, apreciação estética de instrumentos confeccionados – se a arte a tornou uma pessoa melhor no que se refere ao ser humano, colaborativa, disciplinada, enfim, atenta ao que a música pode representar em seu contexto. Qual a bibliografia utilizada? Desde que comecei a lecionar na rede pública venho buscando referências bibliográficas. O autor que mais me identifiquei foi Murray Schafer, apresentado a mim na graduação e depois em um curso de música coral pela professora Marisa Fonterrada. Ambos possuem uma bibliografia riquíssima para o trabalho musical dentro da escola, com turmas numerosas, visto que tratam de ver e ouvir a música em um sentido mais amplo, longe de instrumentos convencionais. O OUVIDO PENSANTE, Schafer. DE TRAMAS E FIOS, Marisa Foterrada. Ambos encontramos no site da Editora Unesp. www.editoraunesp.com.br Professor Adriano, www.tempodemusica.blogspot.com
Bruno Da Silva Lima
Olá. Meu nome é Bruno. Sou graduando em Pedagogia pela Universidade do Estado do Amazonas - UEA.  Acredito que música seja linguagem. Sendo assim, devemos seguir, em relação à música, o mesmo processo de desenvolvimento quanto à linguagem falada, ou seja, devemos expor a criança à linguagem musical e dialogar com ela sobre e por meio da música. Como acontece com a linguagem, cada civilização, cada grupo social, tem sua expressão musical própria. O educador, antes de transmitir sua própria cultura musical, deve  pesquisar o universo musical a que a criança, o adolescente ou os jovens pertecem e encorajá-los atividades relacionadas com a descoberta e a com a criação de novas formas de expressão por intermédio da música. Contudo, o tem observado é uma imposição definida pelo educador ao educando.
A pedagogia musical, podemos assim denominar, tem grande tarefa de levar, de modo salutar, à criança a vida afetiva que deverá realizar-se em uma futura atuação social. Uma real, vivida e inteorizada compreensão da arte possui uma importância essencial para uma correta e espiritualizada compreensão do ser humano.
Antonia Silvana F Chaves
Oi gente boa das Artes,
Sou arte-educadora especialista em Cênicas, prof. de ensino médio em Brasília.
Bom, tenho algumas considerações a fazer quanto a "legalização do ensino de Música nas escolas".
  1. A LDB nas suas entrelinhas já determina o ensino da Arte em sua totalidade na escola. No meu entender isto envolve as diferentes linguagens: VISUAIS, CÊNICAS E MÚSICA. Ora, se a Música já está inserida no contexto do ensino obrigatório, por que AGORA surge uma lei específica para tal fim?
  2. O que vemos na realidade brasileira é o ensino da Arte cada vez mais prejudicado e menos valorizado pelos que fazem as leis. Por exemplo, aqui no DF onde o ensino é referência para todo o país o que temos é a redução em sala de aula de profissionais qualificados e devidamente especialistas em suas áreas de graduação, principalmente na área da MÚSICA. Simplesmente não existem professores de música nas escolas. E em relação as outras linguagens, ou tem 1 de Visuais ou 1 de Cênicas. Agora, você imagine no restante do país. Cantemos todos: "De tanto levar flechada do tem olhar meu peito até parece sabe o que? Tábua de tiro ao álvaro..."
13375 visualizações | 80 respostas Faça login para responder