Forum
Ana Stela O. Timo

Olá pessoal!

Quero dar uma singela contribuição aos que buscam um novo olhar para as imagens no ensino das artes com alguns livrosque foram muito importantes para que o meu olhar fosse redescoberto, não só para a arte contamporânea, mas para todo o tipo de imagem, desde as mais antigas até os dias de hoje, desde imagens da "Arte" até imagens do cotidiano, propaganda, cinema, fotografia, entre inúmeras outras... Aprendizado nunca é demais e leitura e atualização na nossa área, imprescindível...

1- Lendo Imagens - Alberto Manguel (Companhia Das Letras)

2- Olhos que pintam- A leitura da imagem e o ensino da arte - Anamélia Bueno Buoro (Cortez Editora)

3- Catadores da Cultura Visual- Propostas para uma nova narrativa educacional - Fernando Hernández ( Editora Mediação)

4- Arte/Educação Contemporânea - Consonâncias Internacionais - Ana Mae Barbosa (Cortez Editora)

Um abraço a todos e boa sorte!!!

Mirca Izabel Bonano

Caros professores

Boa Tarde!

O fórum esta muito interessante, como a sala de aula é mesmo um espaço desafiador...achei que o texto do Claudio é uma ponderação muito honesta, capaz de contribuir para a nossa reflexão. Resolvi para facilitar a leitura, postá-lo aberto.

Aproveitem para se increver no XI Prêmio Arte na Escola Cidadã www.artenaescola.org.br/premio será muito bom ver todos vocês participando.

Bjk

Mirca Bonano 

Saber algo das coisas - algumas indagações sobre a apreciação e produção de imagens nos quartos anos do Fundamental I

Professor: Claudio Cretti

Introdução

A importância do estudo da história da arte para crianças, a princípio, me parece fácil de justificar: enriquecer o repertório cultural, imagético e sensível, visando ampliar, as relações com o mundo em que vivemos e atuamos. Se a arte tem o potencial de transformar a visão que temos do mundo, nos colocando em lugares e situações que nunca nos imaginamos, provocando percepções inéditas e gerando reflexões sobre o viver, então como, apesar de tanta subjetividade, pode ser passível de estudo? E ainda: como uma criança pode apropriar-se de tais experiências se elas não fizerem sentido na sua experiência sensível com o mundo?

Talvez essa seja a grande questão: como a arte, principalmente moderna e contemporânea, pode fazer sentido para alunos do ensino fundamental e não se transforme em um monstro incompreensível e hermético? Como a apreciação da obra de artistas pode fazer sentido ao lado do universo dos games e jogos interativos que habitam o universo das crianças nesses dias tomados por imagens?

Com esse texto tento trazer alguma luz sobre o tema da apreciação de arte e produção dos alunos dos quartos anos do Fundamental I através de questões, pois antes de ter respostas para as perguntas que faço, procuro as perguntas certas para a compreensão da linguagem artística na construção de conhecimento no universo da criança.

Inicio, então, relatando minha experiência como educador e minha proposta para o ensino de arte para depois problematizá-la em face as questões aqui levantadas.

Um paradigma de ensino de arte

Durante os quase vinte anos em que trabalho com ensino, tenho percebido que a arte ainda é, em geral, um mistério. As primeiras perguntas que as pessoas se fazem diante de um trabalho são restritivas da grandeza da obra, pois querem dar conta da intenção do outro (do artista) e não como a obra pode aproximar-se do observador. "Mas o que isso quer dizer?", ou ainda "o que esse artista quer dizer com isso?", ou mesmo "o que ele quer 'passar' com essa obra?". Logo percebo que é preciso esquecer as perguntas ligadas a forma como as pessoas olham um trabalho e sugerir que elas vejam e enxerguem o que têm diante de si. Ao assumir que há uma diferença entre olhar e ver e que quando passamos do olhar para o ver que realizamos a apreciação e reflexão, entramos numa etapa de construção de uma forma pessoal de relação com a arte.

Sabemos que vemos e compreendemos aquilo que temos condições de entender. Construímos mediações e filtros para conhecer nosso entorno e nos conhecer. Quando começamos a estabelecer relações entre nossas experiências e as obras que nos apresentam, entre objetividade e subjetividade, começamos a organizar um sistema de apreciação que, por ser pessoal, está ligado com experiências anteriores do receptor.

Proponho, portanto, uma apreciação das obras a partir do que vemos, e as perguntas são outras: "É uma pintura? Desenho? Que linguagem é essa? Quais os materiais usados nessa obra? Como esse espaço se organiza em termos de formas, cores, texturas? Há perspectiva na construção desse espaço?".

A partir desse ato de ver / enxergar, passamos a construção de hipóteses dos porquês das características de um certo trabalho em relação a um determinado período, quais as relações com seu tempo e como isso indica procedimentos adotados pelo artista na época em que atuou. Desse modo há uma busca conjunta, de professor e alunos, que não necessariamente é um método, mas uma indicação de possibilidades de construção de um percurso de apreciação de artes visuais no qual o critétio cronológico (ou ainda os "períodos") não são a chave para a aproximação buscada, mas sim estabelecer um sistema de relações a partir de fenômenos que percebemos em momentos distintos da história. A extensão do campo de relações é, portanto, uma maneira de trazer para perto do olhar do aluno algo que num primeiro momento é negado por não ser entendido. Como podemos ver uma obra de Leonardo da Vinci ao lado de uma de Miró ou Modrian? Que relações podemos estabelecer entre Picasso e Schnabel? Entre Nuno Ramos, Frank Stella e as instalações contemporâneas?

Essas possibilidades de apreciação mostram a multiplicidade da arte quanto ao contexto e as vivências de cada aluno, assim como de cada artista. Assim como não há exatamente uma lógica matemática no ato criado, também não há no ato de fruição e cada indivíduo há de encontrar sua relação pessoal com a leitura de obras de arte. Tirar a obra de arte dos escaninhos e escolas é uma maneira "contemporânea" de exercer o olhar a fim de ver de maneira menos alegórica e biográfica a obra de cada artista, mas sim seu caráter ideativo e inventivo na sua forma e sua importância na experiência com o real. Trata-se de trazer a percepção de que a arte está também no campo poético do indizível e que a nós cabe estabelecer uma relação de troca sensível com a produção artística de todos os períodos. Assim passamos a falar de linguagem.

 

Diante deste maneira de pensar o ensino da arte surge uma questão: o universo dos quadrinhos, animações e games também não são linguagens? Não serão possíveis, portanto, as relações e conexão entre essas linguagens e a "arte culta" sobre a qual tratamos nas aulas de história da arte? Para aprofundar esses questões, apresento minha experiência como professor do ensino Fundamental I.

As aulas no quarto ano

Algo que tem me intrigado na relação com os alunos dos quartos anos é que, de modo geral, as aulas de apreciação de obras de artistas pouco influencia na produção de seus trabalhos, mesmo que esse momento esteja ligado a uma sequencia de atividades. Apesar de intrigante, isso não me parece de todo ruim e traz uma sensação de que enfim a cultura da "releitura" saiu do repertório das aulas de arte e dos próprios alunos. Por outro lado, se a arte vista nas aulas e em visitas às exposições não entram no repertório imagético das crianças, o universo contemporâneo dos games, animações, cinema, TV e a própria internet e seus sistemas de busca aparecem de forma muito expressiva não apenas em seus desenhos como em todas as produções de forma geral.

Um exemplo: ao longo do ano trabalhamos no projeto "Da linha ao espaço". Trata-se do desenvolvimento de um percurso no universo do desenho e seus desdobramentos no espaço, criando diálogos com a instalação e chegando na construção de um objeto tridimensional - a idéia do desenho e discutida e reelaborada a cada encontro. O projeto é realizado com intervalos nos quais o percurso pessoal de cada aluno é incentivado, assim como a produção no caderno de artes.

São feitas apreciações de desenhos realizados em épocas diferentes: Leonardo da Vince e suas perspectivas encantam as crianças. Picasso e suas construções de uma só linha tornam-se um desafio (após a observação, fizemos atividades de desenho com outros materiais como barbante). Edith Derdik e suas instalações com fios no espaço nos projetam na mesma direção. Porém, basta que essas atividades propostas pelo professor se esgotem e elas já não fazem mais parte do referencial dos alunos. Tanto a conversa entre eles quanto seus trabalhos passam a tratar dos personagens do Club Penguin e os Pufles, ou do Super Mario Bros.

Caso semelhante ocorreu depois de uma aula onde apreciamos as pinturas/assemblagens de Julian Schnabel e Nuno Ramos. Quando partimos para a produção das "pinturas relevos", o que cada aluno buscou em seu projeto foram relações com seu universo de conhecimento: os trabalhos tornaram-se a casa de Pufles, o campo de guerra entre os Dragon Ball e outros personagens.

Não seria exagero dizer que num primeiro momento essa situação causa uma certa frustração no professor. Mas não há razão para isso. A ideia da experiência que a prática de ateliê proporciona a esses alunos é muito forte. A maneira como cada um se coloca no momento da produção é muito mais rico do que as relações buscadas entre seus trabalhos e a produção de artistas.

E não é isso que queremos? Alunos autônomos e capazes de realizar seus projetos com verdade e espontaneidade, carregados da experiência do fazer rica em significados justamente porque faz sentido a cada um deles?

Mas surge, então, uma outra questão: como podemos intervir nesse processo de "sentidos diversos" a fim de que os alunos, além de ver, enxerguem os trabalhos artísticos assim como enxergam os personagens do games?

III. Dois olhares sobre o mundo

O olho pensa; é a visão feita interrogação.

Merleau-Ponty

Sem deixar de lado o referencial que as crianças trazem para nossos encontros, acredito que devamos agir no sentido de ampliá-los e ressignificá-los para iluminar novas possibilidades de interação com o mundo. No texto O olhar viajante o filósofo Sérgio Cardoso escreve:

"O ver, em geral, conota no vidente uma certa discrição e passividade ou, ao menos, alguma reserva. (...) Diríamos mesmo que aí o olho se turva e se embaça, (...) como se renunciasse a sua própria espessura e profundidade. (...) Com o enxergar é diferente. Ele remete, de imediato, à atividade e às virtudes do sujeito, e atesta a cada passo nesta ação a espessura da sua interioridade. Ele perscruta e investiga, indaga a partir e para além do visto, e parece originar-se sempre da necessidade de 'ver de novo', como intento de 'olhar bem'"[1].

Ora, são nesses dois pólos e no rompimento dessa gradação que agimos o tempo todo. São combinações diversas, e entre o ver e o enxergar "é a própria configuração do mundo que se transforma"[2].

Isso nos faz pensar que não é o caso de excluir um olhar sobre o mundo em prol de outro. Devemos pensar em como encaminhamos nossas conversas a respeito do que vemos e enxergamos nas aulas de forma a estabelecer relações com a produção propriamente dita. São presentes versões distintas da realidade, assim como são distintos os fruidores e os objetos.

Uma das estratégias que tenho buscado para compreender e acolher o universo de imagens que os alunos nos trazem acontece durante as rodas realizadas no início de cada aula. Além de olharmos a produção realizada nos cadernos de artes, temos visto livros e até impressões feitas por eles próprios de seus personagens favoritos. Como exemplo, em uma aula apreciamos um livro com o trabalho realizado com arame por Calder (nome proeminente do modernismo) e, em seguida, o livro dos dragões que um aluno trouxe. A visão do trabalho de Calder impressiona e, por saberem se tratar de um artista, as perguntas são aquelas que já elencamos: "nossa, como ele fez isso?". É um espanto e alegria de conhecer parecido com a que terão diante dos desenhos dos dragões e monstros.

Mais uma vez percebo que  a alegria da descoberta e o cuidado da apreciação é o mesmo, mas na produção dos alunos os trabalhos de Calder não aparecem, mas sim os dragões e monstros. O que fazer?

Conclusão

(...) a arte faz girar os saberes, não fixa, não fetichiza nenhum deles; ela lhes dá um ligar indireto, e esse indireto é precioso.

Roland Barthes

 A aula de arte na escola é um lugar de investigação, produção e aprendizagem e a experiência com a arte resulta do diálogo e do entrecruzamento de múltiplas referências e campos de conhecimento. Lugar de pôr em dúvida o pré-estabelecido e criar uma relação com o conhecimento não hierárquico, onde cada um cria seu projeto, gerando perguntas e reflexão. O trabalho é uma ferramenta que lança a experiência cognitiva numa esfera intelectual e sensível, de intercâmbio entre os saberes de dentro e de fora da escola.

Acolher esses saberes e redimensionálos numa esfera de produção e reflexão estética, onde arte e não arte dialoguem, me parece ser uma saída possível para a apreciação da produção visual na contemporeneidade.



[1] REFERÊNCIA 1

[2] REFERÊNCIA 2

Vanessa Sales Rafael
Ei, colegas.

Li o texto do Cláudio e me vi refletida em algumas situações, como a angústia dos "dragon ball(s)".
Às vezes, não tenho como escapar, pois os alunos mais inquietos em outras aulas, são os mais interessados nesses personagens. Chegam com folhas xerocadas para distribuir aos colegas.
No meio de um projeto..."Arte Rupestre" lá vem xerox...rsrs
A cidade onde moro fica no circuito das grutas, é muito bom começar projeto pela arte rupestre que está tão proxima a eles. Ano passado desenvolvemos um projeto de charge, com o 7º ano e partimos dos registros nas cavernas que também trazem informações temporais. Foi muito bom! Tivemos três alunos selecionados no projeto "BH humor", salão internacional de humor gráfico de Belo Horizonte, cujo tema foi "Lixo".
Ok! Vamos resignificar esse Dragon Ball: como seria a vida deles na pré-história? Quais registros eles fariam nas paredes das cavernas?
...............................
Pior : "Professora, passou o dia do trabalhador, nós não vamos desenhar?"
Datas comemorativas...argh!
Professor de arte tem que tero maior jogo de cintura pra ajuntar arte rupestre+Dragon Ball+Dia do trabalhador e transformar em arte contemporânea.
Todos os olhares para você a espera de uma solução.
1,2,3 e...

Plano B: tenha sempre uma alternativa pra englobar as questões e puxar um gancho. Pode surgir grandes projetos. Que tal, nesse caso, trabalhar grafite?

Desculpem, mas não tenho facilidade para escrever.
Abraços
Liris Regina Neumann Müller

Estou achando ótimo este forum e a proposta em questão, pois vem de encontro ao Projeto '' Arte-Saude E COPA/ 2010 '' , que escolhemos, eu e meus alunos , para desenvolver  nas aulas de Arte este ano , com Musica, Dança,Teatro,Desenhos,Pinturas...

Liris Müller, professora da rede municipal de ensino  fundamental de  Novo  Hamburgo, Rio Grande do Sul - Escola Imperatriz Leopoldina.

Helania Cunha De Sousa Cardoso
 

Caros colegas, acompanhando as discussões de vocês, recortamos algumas questões importantes que gostaríamos de comentar:

 "a maior dificuldade dos professores em abordar a arte contemporânea reside na sua própria dificuldade em se aproximar desta, em penetrar em suas instabilidades e nas quebras de padrões propostas; na não definição de suas abordagens, nas fissuras que ela traz aos conceitos já estabelecidos e, finalmente, em toda insegurança que tudo isso gera. Concluo, dizendo que a única forma possível de vencermos esses ‘obstáculos’ é pela aproximação, pela entrada no jogo e pela aceitação do desafio de dar aula como uma prática de construção de novos olhares, tanto por parte dos alunos, como do professor-propositor-mediador." (Greice)

(a arte contemporânea)  “é possuidora de uma pedagogia própria que, se explorada e apropriada pelos professores em seus processos de ensino-aprendizagem, potencializa e transforma seu ensino e o ensino da arte de forma mais ampla.” (Greice)

“Desse modo há uma busca conjunta, de professor e alunos, que não necessariamente é um método, mas uma indicação de possibilidades de construção de um percurso de apreciação de artes visuais no qual o critétio cronológico (ou ainda os "períodos") não são a chave para a aproximação buscada, mas sim estabelecer um sistema de relações a partir de fenômenos que percebemos em momentos distintos da história.”(Claudio Cretti)

“Essas possibilidades de apreciação mostram a multiplicidade da arte quanto ao contexto e as vivências de cada aluno, assim como de cada artista. Assim como não há exatamente uma lógica matemática no ato criado, também não há no ato de fruição e cada indivíduo há de encontrar sua relação pessoal com a leitura de obras de arte.” (Claudio Cretti)

 

Aprofundando essa questão, entendemos que o professor de Artes não deve ficar sozinho no processo de ensino da arte contemporânea, mas propor uma abordagem sistêmica e transdisciplinar do conhecimento. Ao pesquisar livros didáticos usados pelos professores de Língua Portuguesa/ Literatura e de História de nossa região (Ensino Médio e Fundamental), verificamos que mais de noventa por cento das ilustrações desses materiais remetem à arte em seus diferentes momentos, principalmente à arte contemporânea.

A temática está em todas as áreas da educação básica. Portanto, se houver na escola um projeto de apropriação coletiva da arte contemporânea, envolvendo também profissionais das diversas áreas (Artes, Letras, História, Psicologia, Sociologia, Filosofia etc), além de proporcionar ao aluno a superação da visão fragmentada do conhecimento, possibilitará melhor fruição estética e o entendimento dos modos de organização dessa arte, cuja complexidade, multiplicidade, contradição afloram o tempo todo, provocando intensos intercursos.

Para finalizar, lembramos que a sociedade contemporânea tem exigido das pessoas uma formação polivalente (mesmo que isso seja discutível) e habilidades para desempenhar múltiplas tarefas e que as experiências bem sucedidas têm se utilizado da pedagogia de projetos transdiciplinares.

Um abraço, Helânia

Marilise
Até a arte moderna, a obra de arte se dava através da pintura ou escultura e o espectador era alguém que "tava fora" , olhando o espetáculo.  Na contemporaneidade a obra não é um objeto(as vezes) mas a experiencia de quem participa e a "obra" se dá naquela experiencia. Muitas vezes um tipo de obra que não se pode transmitir através do audiovisual, documentada por fotos ou filmes. Você vê a experiencia de fora, mas aquilo que promove na sensibilidade de quem participa, não!  Se o espectador é afetado por aquilo que vê e aquilo que ouve, isto é uma sensação...Ex: parangolés( de Oiticica; olho vibrátil de Ligia Clarck)
Lisete Maria Massulini Pigatto

olá!

Concordo com esta idéia de que a arte contemporânea tem um estilo próprio.

Trabalho com inclusão escolar e social onde utilizo o teatro musical como estratégia para favorecer a inclusao de forma ludica, recreativa e sistematizada. A experiencia tem dado certo.

Vejam fotos em anexo.

Lisete

Cristina Matos Silva

Olá mentes pensantes e atuantes em prol da Arte-educação,

Primeiramente, quero dizer que é um enorme prazer ler e estar refletindo em meio a  pessoas conscientes e que acreditam no que falam.

No que diz respeito a arte contemporânea é fato que nossos alunos mantêm um 'olhar rasurado' para o que ela expõe. Apesar de vivermos a era do vazio em tempos hipermodernos (cf. Lypovetsky) e a arte contemporânea muitas vezes "representar", através de suas "ideias"o mundo que se vive, ela constitui o "calcanhar de aquiles" para muitos professores.  O que abordar? Como abordar? Por que abordar?

 A arte hoje precisa ser fundamentada, ressoada com palavras que a analisam dentro de um contexto, mas que não 'dê de bandeja' o entendimento que se tenha que suprir dela. Até porque precisamos viver nesse paradoxo: a palavra jamais poderá traduzir a obra. A minha percepção é diferente do outro. O que faz reforçar  que indagações como: " O que essa obra representa?" e ironias como: "Eu faço melhor do que isso"  "caiam por terra" quando se há a devida preparação do educador.

Abraços, Cris

Vanessa Sales Rafael
Cris,
Muito legal seus comentários.
Muitas professoras "pegam" aulas de arte para completar cargo e não sabem nada de artes.
Antes de tudo, principalmente sobre arte contemporânea, nós educadores devemos estar atualizados, entender e acreditar nela. Quem não gosta de arte contemporânea, dificilmente conseguirá uma boa metodologia de ensino. Aí entram, certamente, os livros didáticos.
É o que penso...
Cristina De Barros Shigueru

Boa tarde! Acredito na necessidade de trabalhar a ARTE CONTEMPORÂNEA nas aulas e me atrai. Mas aos alunos causa grande estranhamento e resistência das famílias. O que é Arte o que não é? É um belo e árduo desafio, mas muito compensador. Até mais, Cristina

Andre Camargo Lopes

A complexidade do códigos que se apresentam em trabalhos de artistas contemporânes se estende ao universo de informações que povoam a formação identitária do aluno. Pensar a arte como linguagem é o melhor caminho para um desenvolvimento completo e satisfatório do ser humano, há três anos desenvolvo com os alunos trabalhos/temas cujas referências plásticas transitam por este complexo universo de códigos. Ainda ano passado realizei com alunos do ensino médio uma epxeriência pautada nos conceitos plásticos de Helio Oiticica (seus parangoles e penetravies0, o resultado foi uma sala repleta de áreas de exploração, tacteis, olfativas e auditivas. O trabalho foi apresentado na escola durante a feira de ciencias, o que representou a possibilidade de promover a todos esta experiência plastica.  

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