Forum
Vanessa Bianca Sgalheira

Oi Mirca, boa noite!!!!

É um prazer participar desse fórum e conhecer estratégias, trabalhos e pensamentos. Você e toda a equipe programaram esse tema num momento muito importante para nós atuantes no EJA com a divulgação dessa ementa, esse fórum veio a calhar muito bem, tenho certeza que proverá bons frutos de troca de idéias.

Obrigado em nome de todos.  Um grande abraço.

Vanessa Bianca Sgalheira

É cara Maria José realmente é preocupante conteúdo da RESOLUÇÃO SE n° 28  de 24/07/09.(EMENTA), mas “como é de costume”, esta imposto, desconheço,e acho que toda a classe partilha essa mesma escuridão, não tem parâmetro, não temos entendimento do por que disso, nem mesma tivemos a oportunidade para uma discussão. Infelizmente a cada ano estamos menos articulados e mais frágeis. Aqui em Uberlândia mais uma vez sentimos na pele essas resoluções, pois quando chegamos para o segundo bimestre, em meados de abril, nossa grade curricular já tinha sido alterada, os professores de artes não lecionam mais no 3° período do EJA-Fundamental apenas no 1° EJA Fundamental. Resultado muitas pessoas perderam aulas, o clima fica péssimo além da questão financeira, o desrespeito é o que mais magoa o interromper de todo o trabalho já em andamento!!!

 Acho que esse fórum pode suscitar o fomento para escrita de um documento de nós professores de artes atuantes na EJA, com pessoas envolvidas em nível nacional, pode ter um peso interessante,ou mesmo de repudio, sei lá continuar mesmo depois do fórum e enviar pelo sindicato, ou por outros meios, vamos inventar.

Um abraço e nos falamos.

Luciene De Cassia Lamberti

Acho de muita importância aulas de artes para alunos da EJA. Aos alunos da EJA de 1º ao 4º ano quem aplica as aulas de artes somos nós professores PBI e sinto que pouco me dedico a essa área que para esses alunos é um  desenvolvimento importante e fundamental e inicia-se uma valorização a arte.

Não podemos esperar que todos os professores pedagogos têm habilidade para as artes. 

 

Nivaldete Freitas Da Silva
Olá, sou Nivaldete e trabalho com Arte, atualmente na EJA. Atuo com o Eixo VII que corresponde a área de exatas. A minha maior preocupação é conseguir desconstruir dentro da unidade escolar em que estou a idéia de que deve ser trabalhado somente desenho geométrico em Artes. O ensino da Arte é muito vasto, amplo e rico para ser engessado apenas na geometria. Adoro desenho geométrico, reconheço muito a sua importância, por ja ter trabalhado tanto com o desenho técnico quanto com o geométrico, mas a cultura para os jovens é indispensável. Vejo o ensino da arte na EJA como uma oportunidade para se conquistar e despertar esta cultura adormecida e muitas vezes desconhecida. Até agora, fazendo releituras em Arte Moderna percebo que consigo um interesse e participação dos jovens e senhores. Pretendo continuar com as vertentes da Arte no ensino da EJA.
Gisela Wajskop

Caros colegas e Mirca,

Sou Gisela Wajskop e peço desculpas pela demora....  Minha incompetência com o uso da ferramenta à distância tem me atrapalhado bastante!

Bem... mas agora, após 3 tentativas frustradas - não vi o botão enviar no final da página e já salvei algumas mensagens !!!! (rssss) podemos começar algo.

Para quem não me conhece, estou HÁ pelo menos 30 anos na batalha pela melhoria da educação em nosso país.

Comecei como professora de classe de pré-escola, trabalhei em diversos órgãos da Secretaria do Estado da Educação, fiz mestrado e doutorado sobre a importância da brincadeira na educação infantil e participei da reforma curricular promovida pelo Governo FHC. Além disso, FAZ uns bons 10 anos que tenho estudado as questões e conteúdos relativos à formação do professor da educação infantil e do ensino básico - incluindo o EJA - tanto em formação continuada e em serviço como nos cursos de Pedagogia.

Assim, as angústias explicitadas por vários de vocês, resultado de determinações legais que excluem os especialistas em artes do ensino no EJA deverá ser seguida de mais e mais gritaria (no bom sentido, é claro!)

Esse jogo de põe e tira professor especialista na escola brasileira não é fenômeno recente! Desde que me conheço por gente, quando a corda aperta - e agora mais do que nunca, quando o Brasil aparece nos últimos lugares em rankings internacionais - os responsáveis pelas políticas públicas ao invés de pedir ajuda prá quem tem um pouco de conhecimento na área, tira o problema da frente. A velha estratégia de "na falta de soluções, joga-se o problema no lixo!".

Por isso, ainda acho que os professores que sabem do que estão falando não devem parar: acionar via associações, sindicatos e, por que  não, via esse forum.

Para além disso, não dá para parar. Então, por que não sugerir para os professores de Línguas - que supostamente irão assumir as aulas do EJA - que incluam entre suas estratégias aulas de leitura de imagens, atividades de produção escrita associadas às produções artísticas, já que sua formação, se não me engano, trata também do estudo da literatura, uma forma histórica de Arte?

Que tal sugerir uma conversa inter-disciplinar que proponha, em EJA, uma leitura das palavras mediada pela imagem, movimento e sons?

O que vocês acham?

Aguardo resposta, agora que fiz-me presente

Abraços

Gisela Wajskop

Sã©rgio Ricardo Santos Da Silva

Sejam bem vindos

A essa grande riqueza

Que é nosso cordel!

Pode bater na fraqueza

De quem não valoriza

Muito menos prioriza

Essa fonte de esperteza!

 

Como esse destino vira

É vira mundo virado

E as cores que o mundo dá

Dão sabores encantados

O amargo da maldade

Vira doce sem vaidade

Com gostinho colorado

 

E no existir forte

Carrega-se o viver

Um pouquinho de cada um

Especial, cor de nascer

Cada existir traz a cor

Da cidade com sabor

Do plural brilhar do ser

 

                Sérgio Bahialista

 

Olá gente do bem!! Eu sou Sérgio Bahialista. Sou Pedagogo; Psicopedagogo; músico; Cordenador Pedagógico de EJA do NETI - Núcleo de Educação do Trabalhador da Indústria, no SESI - Serviço Social da Indústria; pesquisador do Programa Descolonização e Educação - PRODESE, da Universidade do Estado da Bahia - UNEB e Cordelista.

 Acredito profundamente na EJA a partir do processo arte-educativo. Desenvolvo trabalhos nesta perspectiva há algum tempo e só tenho resultados positivos.

 Há um bom tempo venho desenvolvendo também projetos arte educativos a partir da Literatura de Cordel, dialogando com outras linguagens artisticas e promovendo um despertar de sensibilidades, de potenciais artisticos concentrado, guardadinho, durante anos, com alunos trabalhadores que vão de 24 anos a 66 anos.  

Acreditando na perspectiva que tudo está entrelaçado no refletir ao fazer, no deleitar-se ao criar, associamos o prazer tão esquecido ao contexto educacional. Assim, sempre estamos buscando revelar em novas corporeidades a riqueza poética, contextual, musical, fantástica e educativa da Literatura de Cordel, de essência nordestina. E é aqui que se define o principio inaugural, a Arkhé deste trabalho: a palavra encantada; a palavra como instrumento de encantamento.

Quando falamos em Arkhé, nos referimos à consciência de co-existência, de uma referência a princípios inaugurais.

O cordel pode ser um mecanismo, instrumento detonador de diversas abordagens didáticas, como pode ser o seu fruto.

Esta abordagem ganhou novos grãos a partir prática pedagógica na Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Programa SESI Educação do Trabalhador da Indústria. Neste trabalho, desenvolvemos ações de educação através da arte do Cordel e da música nordestina,  onde buscaram desenvolver aprendizagens significativas que afirmassem a identidade plural dos trabalhadores da indústria - em sua maioria retirantes, negros e moradores de bairros populares –, dentro desse ambiente singular, de lógica produtiva urbano-industrial.     

Assim, durante esta caminhada, percebeu-se que na prática, a arte tornou-se instrumento de encantamento e de resignificações de novos valores e afirmação do Ser- História que somos. Todos os alunos desenvolveram muito bem a linguagem musical e literária, lançando cordel e gravando repentes e histórias de vida a partir da musica nordestina.   

Para o educador não é só necessário trazer a arte para a sala de aula. É necessário trazê-la numa perspectiva espetacular, onde esta seja incorporada a um estado de reflexão extraordinário, revelando assim em novas corporeidades a sua riqueza fantástica. A Arte em si já tem um corpo espetacular, retratada nas suas diversas formas, caracterizando marcas das identidades comunais.

Acredito que a arte tem grande potência no processo educativo com Jovens e Adultos. Percebo que a maior estratégia é buscar desenhar com eles, a partir da história de vida e do estar no mundo, além da realidade estabelecida de adulto e das afinidades artisticas desses educandos. Muitos dos nossos alunos ficam encantados nas nossas abordagens e desenvolvem bem melhor as habilidades de escrita e leitura. 

E vamos que vamos... 

Inté + v e parabéns por este espaço de socialização e discussão! 

Sérgio Bahialista

 

Solange Utuari

 

Olá, meu nome é Solange Utuari, e sou coordenadora pedagógica do Pólo Arte na Escola da Universidade Cruzeiro do Sul em São Paulo, e gostaria de dar minha opinião sobre o assunto: Como construir estratégias de ensino para os alunos do EJA?

A educação de Jovens e Adultos tem tido maior importância no cenário da educação brasileira nos últimos anos, mas ainda precisamos construir propostas de ensino de arte. Minha experiência neste nível de ensino é de quase 6 anos na coordenação cultural do programa nacional de Alfabetização Solidária (ALFASOL) Ong que tem parceria com a Universidade em que trabalho. E dentro desse projeto temos dado muita atenção a três eixos básicos de formação dos nossos alunos: Desenvolvimento cultural, letramento e valorização da oralidade.

Entre nossas ações educativas um projeto que envolveu esses três eixos, foi a proposta de resgatar os contos de tradição oral trazidos por nossos alunos, principalmente o público de terceira idade. O projeto recebeu o nome de, As minhas, as suas e as nossas histórias, e durou cerca de dois anos com um trabalho em São Paulo com 5 salas de alfabetização explorando as linguagens do desenho, gravura,  contação de história e música.

O objetivo desse projeto era de explorar as linguagens artísticas como forma de expressão pessoal e valorização do repertório cultural dos nossos alunos.

Chamando-se a ação de coletar as histórias de pesca, e de isca a seção de contação proposta pelos professores contadores de histórias que trabalharam no projeto. Após esta seção, que tinha um caráter de sedução, vinha a roda de contação onde os alunos eram convidados a contar suas histórias. Neste momento era aberto o “baú da memória, da emoção” de onde vinham a expressão das tradições orais, em muitos casos estavam adormecidas há anos, por falta de oportunidade de expressão. Este momento propiciou uma aprendizagem significativa a quem ouvia ou contava, ficando difícil dizer quem aprendeu mais, professores ou alunos, tamanha a riqueza da oralidade ali anunciada.

A aprendizagem significativa está ligada ao grau de interesse dos educandos, nas relações emotivas e no grau de prazer que este momento pode propiciar. A contação de histórias traz essas questões: Quem pode ficar insensível às emoções despertadas na escuta?

O conto popular apresenta-se neste trabalho em forma de narrativas, histórias pescadas a partir da memória e imaginação dos nossos alunos de Educação de Jovens e Adultos – EJA e também histórias que compõem o repertório de contos dos educadores que participaram do processo. 

A dinâmica das seções de contação e roda de contadores explorou o uso de objetos sonoros com apitos que imitam sons de pássaros, conhecidos como pius de pássaros, instrumentos musicais, objetos e adereços como lenços coloridos, perucas, barbantes e chapéus, eram espalhados pelo local da contação para exploração dos contadores (alunos do EJA e professores), materiais que compunham o acervo de cada roda de contação.

O gesto, a voz, a dinâmica do contador também fizeram parte das preocupações com a qualidade expressiva dessa linguagem artística; a arte de contar histórias. Este trabalho resultou em um livro com a coletânea de histórias trazidas pelos alunos, assim como também em produções de ilustrações que foram feitas, também, por eles que desenvolveram imagens explorando as linguagens do desenho, gravura e pintura. Este projeto envolveu um trabalho transdisciplinar entre saberes construídos nas linguagens artísticas e a pluralidade cultural. Foi muito prazeroso e os alunos começaram a valorizar mais a aula de arte.

A iniciativa desse fórum é muito importante para a construção de uma concepção de ensino de arte coerente, que respeite este momento de aprendizagem dos alunos de EJA e valorize sua formação cultural.

Solange Utuari


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