Forum
Itamar Alves Leal Dos Santos

Olá pessoal,

li todas as mensagens, refleti, "falei com meus botões sobre algumas", mas decidi finalmente fazer um "diálogo" com a Ana Mariza Filipouski, sobre seu comentário:

"Acontece que não existe o hábito de troca, cada professor tende a se sentir "dono de seu campinho" e oferecer uma oportunidade fragmentada de os alunos construírem conhecimento. [...]"

Não sei se sou uma privilegiada, uma sortuda ou uma agitadora, mas na Escola Municipal que trabalho aqui em São Paulo, já tem algum tempo que fazemos um trabalho que envolve professores de diferentes áreas. Desde 1992 na Rede Municipal de São Paulo o professor pode optar por uma jornada em que trabalha 25 horas com o aluno; 08 horas no coletivo com os outros professores + coordenador pedagógico (neste período além de leituras, debates e até cursos, paletras e oficinas); 03 horas para preparar suas aulas, alí na própria unidade escolar; 4 horas para estudar, visitar museus, pesquisar, etc... fora da escola, em local de sua escolha e que não precisa comprovar. Logo o professor que faz esta opção está com seu aluno 25 aulas+ 8 no coletivo + 3 no individual (na escola) e 4 em qq lugar que desejar.

Nas 8 horas do coletivo temos uma FORMAÇÃO CONTINUADA que já estudamos não só os PCNs de Artes, mas de todas as áreas. E o professor de cada área é o responsável por conduzir esta reflexão junto a todos no HORARIO COLETIVO. Desta forma todos começaram a entender e respeitar um pouco mais as outras áreas.

"[...] Seria muito bom se os tempos da escola possibilitassem trocas entre professores/disciplinas, [...]"

Como relatei, na escola onde trabalho, temos sim um tempo de troca. Mas ele é maior entre os professores que participam da jornada de trabalho de 40 horas/semanais. Como temos alguns professores que optaram por outras jornadas de trabalho, alguns ainda aceitaram participar (e receber) do HORÁRIO COLETIVO. Assim ficam no GRUPO participando dos estudos e ajudando na reflexão coletiva.

Também temos alguns (pouquíssimos) professores que optaram por uma jornada de trabalho que só estão na escola no horário de suas aulas, e na HORA ATIVIDADE (que normalmente deveria ser feita individualmente, mas que na nossa escola, eles acabam escolhendo um horário que temos o HORARIO COLETIVO, pelo menos podem participar de1 ou 2 horas por semana com o grupo).

"Acho mesmo que esta deve ser uma preocupação dos gestores de escolas, de modo a assegurar a construção de aprendizagens significativas para todos [...]"

Na escola onde trabalho, esta É UMA PREOCUPAÇÃO DA GESTORA. É uma BRIGA PESSOAL pois apesar de termos os coordenadores pedagógicos, a diretora assumi para si a responsabilidade de ASSEGURAR A CONSTRUÇÃO DE APRENDIZAGEM e principalmente que a APRENDIZAGEM seja SIGNIFICATIVA para todos os envolvidos. Para garatir esta meta ela conseguiu que todos os professores que desejassem pudessem participar de um curso onde aprendemos/aprofundamos nosso conhecimento sobre PROJETOS, sobre a importância de trabalhar no coletivo para diminuir a fragmentação que normalmente acontece no ensino fundamental.

"[...] É bem verdade que o tempo que cada disciplina ocupa na grade curricular pode refletir a sua importância, [...]

Concordo plenamente com você. Nos quatro primeiros anos na Rede Municipal de São Paulo, existe na "grade curricular" e é garantido ao aluno 2 aulas de Artes por semana. Mas somente 1 aula é com o professor especialista. A outra é dada pelo professor polivalente. A aula tem duração de 45 minutos. Imagine o quanto podemos fazer para trabalhar com um aluno de 6 anos por apenas 45 minutos.

A Prefeitura forneceu material para todos os alunos: caderno de desenho, lápis preto, lápis de cor, caneta hidrográfica, régua, borracha, apontador, tesoura, cola. Para a escola é fornecido material além de verba que o Conselho de Escola pode decidir o que e como comprar. Na escola onde trabalho temos muito material para trabalhar. O que falta é espaço. Não temos sala ambiente (já tivemos, mas ela foi desativada para a construção de mais uma sala de aula).

Nós pesquisamos e usamos os PCNs de todas as áreas. Não é raro encontrar um professor dos anos iniciais com algum PCN em mãos e fazendo perguntas para os professores especialistas sobre o tema. Já fizemos várias oficinas de Arte onde usamos os PCNs, a pasta ARTE BR, os ENVELOPES DA PINACOTECA DE SP, os folhetos de MUSEUS, etc... Não só os professores de Artes, mas todas as áreas, quando sentem necessidade, usam o material para o aprofundamento.

Abraços

Yta

Profa. Me. Itamar Alves Leal dos Santos

msn yta_sp@hotmail.com

Ana Mariza Filipouski
Itamar, não só és uma privilegiada, mas também o que relatas é exemplar para muitas escolas, inclusive, pelo que sei, do estado de São Paulo. Acho também que tens razão ao atribuir à equipe gestora grande parcela do sucesso dessa prática, pois se não há vontade política da equipe administrativa dificilmente a comunidade escolar pode partilhar ou mesmo entender o significado de uma educação que se põe a serviço da construção de aprendizagens significativas e não da preservação de privilégios mesquinhos de algumas categorias. Viste quantos anos-luz te separam do relato de Renilsono? Tomara que mais gente tenha a tua sorte e saiba agir com compromisso para alterar essas práticas perversas e limitadoras, podendo, finalmente, avançar na direção de assegurar uma educação de qualidade para todos em todas as disciplinas. Um grande abraço
Maria Isabel Petry Kehrwald

Oi pessoal:

Como dizemos aqui no RGS, mas bá, Yta que previlégio!

Que gostosura ouvir este relato e saber que há escolas em que as direções estão empenhadas em promover professores e alunos com ações reais no campo pedagógico e não apenas com bonitas palavras nos Planos Institucionais. É muito bom saber disso.

Ao Renilson quero agradecer a participação. Trazes muitas informações importantes de aspectos legais do Ensino da Arte que até sabemos, mas que às vezes nos esquecemos. Discorres com muita clareza sobre o tema e sobretudo colocas os PCN na dimensão que ocupam. 

O que ocorreu contigo, em relação ao pedido de diminuição de tua carga horária para ampliar espaço da Lingua Portuguesa, é o que temo que ocorra com a introdução dos componentes curriculares Filosofia e Sociologia. Espero estar equivocada, mas onde irão se inserir? Está previsto horário na grade curricular? Será que irão sugerir que a Arte, mais uma vez, ceda seu espaço?

O fato que merece atenção é que ao acrescentar disciplinas, é feito um rearranjo na grade curricular e nunca um acréscimo. Nessa reacomodação, muitas vezes a área de arte sai perdendo, até porque o próprio professor não briga convincentemente por ela.

Boa semana a todos.

Abraço,

Isabel

Maria Isabel Petry Kehrwald

Oi pessoal:

Como dizemos aqui no RGS, mas bá, Yta que previlégio!

Que gostosura ouvir este relato e saber que há escolas em que as direções estão empenhadas em promover professores e alunos com ações reais no campo pedagógico e não apenas com bonitas palavras nos Planos Institucionais. É muito bom saber disso.

Ao Renilson quero agradecer a participação. Trazes muitas informações importantes de aspectos legais do Ensino da Arte que até sabemos, mas que às vezes nos esquecemos. Discorres com muita clareza sobre o tema e sobretudo colocas os PCN na dimensão que ocupam. 

O que ocorreu contigo, em relação ao pedido de diminuição de tua carga horária para ampliar espaço da Lingua Portuguesa, é o que temo que ocorra com a introdução dos componentes curriculares Filosofia e Sociologia. Espero estar equivocada, mas onde irão se inserir? Está previsto horário na grade curricular? Será que irão sugerir que a Arte, mais uma vez, ceda seu espaço?

O fato que merece atenção é que ao acrescentar disciplinas, é feito um rearranjo na grade curricular e nunca um acréscimo. Nessa reacomodação, muitas vezes a área de arte sai perdendo, até porque o próprio professor não briga convincentemente por ela.

Boa semana a todos.

Abraço,

Isabel

Edina Regina Baumer
Olá colegas, sou Édina, professora de Musicalização na Educação Básica e professora de disciplinas pedagógicas no curso de artes visuais da UNESC (Criciúma - SC). Fico muito contente por ver que os PCNs estão aqui no Fórum e muito curiosa para saber o que todos estão pensando, aprendendo e ensinando a partir deste documento. Ele é parte fundamental de minha dissertação de mestrado(em andamento - 2007/2009) e hoje quero manifestar meu apoio ao colega Renilsono, gritando junto com ele, que não se pode minimizar os PCNs dizendo que eles são apenas orientações. Dessa forma parece que são orientações que não precisamos seguir. Vejo, ao contrário, que são orientações muito sérias e determinadas que apenas não se traduzem em diretrizes ou leis, pelo fato de considerarem a diversidade de um país tão grande como o nosso, em que as condições de desigualdade perpassam todos os níveis da vida cotidiana: educação, cultura, sociedade e economia. Acredito que esta desigualdade sim, justifica a não aplicação das orientações do documento, ou sua aplicação parcial. Onde há recursos humanos e materiais, devemos seguir os PCNS, sim!!!! Abraços...
Eliane de Fátima Vieira Tinoco
Olá pessoal,

Passei por aqui só para agradecer ao Renilson a colaboração com a organização das leis. É como disse a Isabel, sabemos que elas existem mas, muitas vezes não conseguimos reuní-las e organizá-las para propor um debate como fez o Renilson. MUITO OBRIGADA!!!

Na outra vez que fiz um comentário escrevi que o projeto de Artes para as Escolas Referência em Minas Gerais é uma mentira mas não expliquei. Vejam o que acontece por aqui.

O governador, em sua eterna campanha à presidência da República, lança a cada ano um projeto diferente. O projeto das Escolas Referências era para ser implantado em escolas piloto e depois ser difundido por todas as escolas. Ficou nas pilotos. Mesmo assim, no projeto constam duas horas/aulas de artes semanais para o Ensino Médio em todas as séries e uma aula de quinta a oitava(sexto ao nono ano) também em todas as séries. O que acontece na realidade? Sob a justificativa de que não há profissionais suficientes, em muitas escolas continuam apenas duas aulas em uma série do ensino médio e uma aula em uma série do ensino fundamental. Para piorar a situação, no final do ano passado o governador resolveu efetivar os funcionários públicos que há anos estavam como contratados. Pela lei (agora não sei se é medida provisória ou o que quer que seja), todos os profissionais em exercício em dezembro de 2007 estavam efetivados. Dentre os muitos casos que sei, cito um que é  aberração: Na cidade de Araguari uma professora graduada em Artes há 15 anos, trabalhando na escola há vários anos, no momento da efetivação estava em licença. (não sei os detalhes dessa licença). Ela não foi efetivada, e quem estava no lugar dela, uma professora sem formação, foi efetivada. Agora a escola quer que a professora graduada ensine a outra a dar aula de Arte.

Piorando mais um pouquinho, no início de 2008 é lançado o projeto de Escolas em tempo integral. No projeto, em uma simulação de grade horária, constam três horários de Artes Visuais por semana, no entanto, no quadro de contratação de professores, consta apenas os professores regentes e o professor de Educação Física.

Acho que, com a ajuda do Renilson será possível tentarmos organizar algumas ações que façam o governo de Minas repensar seus projetos.
Mais uma vez, MUITO OBRIGADA!!!
Eliane Tinoco
Andreia Santiago De Oliveira

Olá a todos!

Abraços,

Andréia

Andreia Santiago De Oliveira
Andreia Santiago de Oliveira escreveu:
Ana Mariza Filipouski escreveu:

Pessoal,

legal a participação de todos e o diálogo que podemos estabelecer a partir das nossas vivências, das dificuldades que enfrentamos ao ensinar Arte (diria das dificuldades que vivemos ao sermos os mediadores para a construção de qualquer aprendizagem na escola pública brasileira atual...). É bem verdade que o tempo que cada disciplina ocupa na grade curricular pode refletir a sua importância, mas também precisamos considerar que o diálogo entre as disciplinas (e a Arte é pródiga em dialogar com todas as demais disciplinas) tem o poder de realocá-la.

Acontece que não existe o hábito de troca, cada professor tende a se sentir "dono de seu campinho" e oferecer uma oportunidade fragmentada de os alunos construírem conhecimento. Seria muito bom se os tempos da escola possibilitassem trocas entre professores/disciplinas, de modo a favorecer e ampliar a contextualização das aprendizagens, a lançar problemas que exigissem a relação entre diferentes saberes e a transferência do aprendido em uma situação para outra. Acho mesmo que esta deve ser uma preocupação dos gestores de escolas, de modo a assegurar a construção de aprendizagens significativas para todos e viabilizar que documentos como os PCNs definitivamente saiam do papel/das estantes das bibliotecas e transformem de verdade a educação do país.





Elizabeth Strelow Teuber
Olá colegas!
Somente agora estou entrando neste fórum.
Tentei ler a maioria das mensagens e é muito bom saber que tantos colegas estão
interessados em dar o destaque que nossa área merece.
Preciso mencionar que a Itamar é realmente uma exceção raríssima, por alcançar
tal situação em sua escola, parabéns. Ter momentos com o grupo para preparar
projetos é algo de real valor...
E  quanto a Cláudia, sua experiência em explorar a linguagem própria da arte com
alunos tão pequenos como de segunda série, foi ótima. Não podemos subestimar
a capacidade infantil.
Em relação aos PCNs. Estudamos em grupo, também separadamente quando ainda lecionava numa escola particular, ele (documento) é fantástico, contribui
na construção de nossos planejamentos, mas como mencionou uma colega em mensagem anterior: este documento torna-se utópico quando vivenciamos o dia a dia em nossas escolas. Apenas um pequena migalha, e com esforço, é que consegue-se colocar em prática.
Parece desagradável ouvir apenas reclamações mas não se trata de apenas um discurso choroso, é uma triste realidade. Sinto-me frustrada quando o ano letivo vai chegando ao final e o tempo foi tão curto. Tento fazer o que posso porque acredito no que faço, procuro colocar amor, alem de suor. Porque a arte é apaixonante.
Uma de minhas preocupações é que houvesse um fio condutor de conteúdos para que não houvesse repetições dos mesmos ou a falta deles nas séries do ensino fundamental.
Um abraço,
Elizabeth.
Claudia Carvalho Torres

Elizabeth, li a sua mensagem e vendo você abordar sua preocupação com os conteúdos, penso que a saída é cada escola seguir o seu projeto pedagógico. O Projeto Pedagógico a meu ver ancora qualquer referencial pois é a partir dele que selecionaremos as habilidades e as competências juntamente com as finalidades educativas que o compõe.

O Projeto Pedagógico também contempla de maneira ampla as linguagens da Arte que determinada escola julga ser possível de serem trabalhadas e seus respectivos desdobramentos.

Acompanhando as leituras e vendo alguns questionamentos de outros participantes, me coloquei a pensar que realmente, somente os PCNs não esgotam as possibilidades do fazer nas escolas. Eles nos alertam para o uso adequado de conteúdos para as aulas de arte dentro das linguagens artísticas. E mais, ampliam os conteúdos de acordo com sua tipologia: conceitual, procedimental e atitudinal que é abordada ricamente no livro: "Como Ensinar - Antoni ZAbala - ARtMed

Pensemos que uma concepção de educação devrá levar em conta a maneira como se ensina e como se aprende, o perfil daquele determinado grupo que está inserido em uma determinada cultura, as finalidades de um projeto pedagógico específico daquela escola e os PCns, então teremos conteúdo sobrando para ser utilizado com pertinência.

No meu caso, trabalho com as dimensões do conteúdo citadas acima e por este motivo, os conteúdos podem até se repetir mas  a abordagem para cada idade muda. Muda o enfoque e a profundidade. Modifica-se também o fazer.

Como exemplo a Arte Medieval poderá ser tabalhada com crianças de 8 anos com o objetivo de explorar esteticamente as produções artísticas medievais e com os alunos de 12 anos com o mesmo conteúdo pode ter o objetivo de ler e contextualizar historicamente a produção daquele período.

Sugiro um exercício que quem sabe pode trazer alguma ajuda. Fazer uma listagem de conteúdos ,levantar linguagens e os elementos de linguagem para cada série  Então com base nos parâmetros curriculares, tracar os objetivos a serem alcançados e criar as estratégias para cada idade.

Um abraço de troca

Cláudia

Betania Libanio Dantas De Araujo
Olá, sou Betania, escrevo de Sampa. Andei muito distante de tudo. Gosto das reflexões dos PCNs de Artes e a abertura que faz para os projetos baseados nos propósitos de cada localidade, ou seja, a comunidade e o professor dariam a poética a ser construída coletivamente. Particularmente só acredito no avanço destes estudos com políticas públicas, investimento em nossas formações com cursos e material para trabalhar. Sem isso, tudo se restringe à boa intenção. E de boa intenção o inferno está cheio. Hahaha
Sou muito otimista, mas hoje, depois de 24 anos de magistério, (iniciei o trabalho aos 15 anos), vejo que experiências ali e acolá são interessantes, mas ficam à mercê das prefeituras e governos. Isso dá um desânimo profundo. Não vejo avanço em São Paulo, mas tenho amigas que atuam na prefeitura de Santo André e tem material, atelier e formação com a vinda de Fernando Hernandez, Ana Mae e tantos pesquisadores. Eu preciso pedir material aos alunos, pois não recebemos um papel colorido, é tudo muito amarrado. Quanto aos PCNs, são documentos que permanecerão  como uma contribuição muito viva, é claro que precisamos também acompanhar as críticas que são elaboradas pelas pesquisas científicas. Gostaria de ouvir mais de quem participou dos debates entre arte-educadores antes do governo convidar os professores-pesquisadores para escrever os PCNs de Artes e depois da escrita. Por que uma parte dos educadores importantes da nossa educação em Artes não participaram da escrituração? Quais foram as discordâncias? Como os idealizadores vêem o texto hoje? Outra dificuldade foi também uma "leitura bíblica" que os parte de nós professores brasileiros fizemos dos PCNs de Artes o que impediu uma leitura que contribuísse com esse texto importante.
Betania Libanio Dantas De Araujo
Quanto a leitura dos PCNs em Artes acredito que parte dos coordenadores não tinham uma experiência de leitura significativa, então liam em voz alta o texto sem abrir um debate. Era simples tarefa. Vemos aqui que o texto pode ser bom, mas é preciso cuidar da formação dos coordenadores e professores. Caso contrário, o texto vira algo muito externo à vida do professor. Muitos professores leram os resumos para concursos. Não houve uma "ciência" de estudo efetivo do material. É preciso uma grande revolução que comece pelo mais elementar. O documento é a saída para a escolha do caminho. Mas é mais importante saber caminhar, esse como, esse repertório falta em nossos governos, pois se já estivesse resolvido não viveríamos uma grave crise da educação como vivemos em São Paulo e no Brasil. Não é possível, talvez o que se privilegie não tenha importância nenhuma para a formação dos estudantes e para a nossa, não é?
Maria Isabel Petry Kehrwald

Oi pessoal:

Este Fórum está ótimo! Quanta contribuição importante tem chegado. É muito rico tudo o que vocês colocaram, desde relatos de realidades distintas, quanto reflexões sobre os documentos PCN, as práticas de sala de aula e dúvidas que assolam a nós professores diariamente.

A Elisabeth comenta algo que me preocupa também: a necessidade de um fio condutor que vá conectando, amarrando, costurando o sentido dos conteúdos. Por outro lado, me desassossega, a repetição de conteúdos e abordagens (na 5ª até a 8ª séries) pelo tanto que desmotiva os alunos.

O Livro de Antoni Zabala apontado pela Cláudia é uma boa sugestão de leitura, e a este, acrescento o livro Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta para o currículo escolar, do mesmo autor, editado pela Artmed.

Betina: tens razão ao comentar a leitura ligeira e de sobrevôo que muitos fizeram e fazem dos PCN, o que não permite que retirem do documento o que ele pode ajudar a qualificar o ensino da arte.

Um bom início de semana a todos e obrigada pela generosidade da participação.

Abraço, 

Isabel Petry    

Maria Isabel Petry Kehrwald

Caros participantes deste Fórum:

Antes de encerrar nossa conversa, e tendo em vista as contribuições valiosas de todos, gostaria de lançar uma ação mais propositiva no sentido de assegurar o espaço das artes. Seria muito importante que se fizesse um movimento, uma pressão, nas escolas para que as aulas de artes tenham dois períodos em todos os níveis, preferencialmente com professores com formação específica. Mais, há um trabalho político a ser feito junto às Secretarias de Educação para que se efetuem concursos para professores de artes visuais, dança, música e teatro, uma vez que não existe mais a polivalência (mas persiste, e como!). Embora possamos dialogar com as outras áreas, é fundamental para promover a qualidade do ensino, que se atue na área de efetiva formação. Os Conselhos de Educação deveriam fiscalizar o cumprimento da Lei e nós e nossos sindicatos deveríamos estar atentos a desvios de função quando um professor de qualquer área, assume a nossa, assim como fazem outras categorias.

No meu ponto de vista, é com o atendimento a esses três pontos: 2h semanais, professores com formação e professores para cada uma das 4 linguagens que poderemos dar início a promoção de  mudanças e melhorias no campo da educação em/com arte. Essas melhorias teriam reverberações e efeitos positivos na vida de todos, tanto alunos quanto professores e comunidades, em especial na produção artística, na fruição e reflexão sobre arte e cultura.

Poderíamos pensar em estratégias para provocar estas e outras mudanças no contexto de cada um de nós. É um desafio e tanto. Por onde começar? 

Um grande abraço,

Isabel

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