Forum
Glaide De Fátima De S. Freire
A Eliane nos fala de um ponto importante que é amar o que se faz. Realmente essa é a pedra fundamental. Muitos profissionais carecem disso ”estão na profissão, por que até então foi a única oportunidade que tiveram”, porém há outros que amam, acreditam e buscam o melhor para o seu aluno, para a escola. Mas, há escolas que acreditam fielmente que o aluno só pode aprender se for dentro da sala de aula, se for com lápis na mão, lendo um livro. É preciso desmistificar isso, a arte é um meio para interagir com o aluno, para que o aluno interaja com o meio. Quanto mais possibilidades oferecermos a todos os alunos, mais possibilidades que os alunos interajam com o aluno incluso. Atualmente não tenho aluno incluso, mas ouve um caso, há algum tempo que eu tinha uma aluna surda e muda e eu a principio não sabia. Quando descobri fiquei constrangida porque não sabia trabalhar, tudo que a mesma aprendia era com o movimento de meus lábios. Ela me entendia, porém eu não a entendia. Outra aluna era o meio de me comunicar com ela, essa menina desistiu e menina muda também tentei trazer a mesma para a escola. O que a Cláudia nos diz é interessante fazer com que o aluno “normal” se envolva com o aluno incluso é difícil, mas quando conseguimos é um importante passo dado para a inclusão real. A Nanci faz um relato muito de suma importância nos mostrando a diferença do particular para o público em relação a orientações de profissionais específicos. Será que esta não seria necessária, para as escolas poderem incluir o aluno. Tenho uma adolescente no ensino médio e ela é muito imperativa, como trabalhar essa hiperatividade, se de acordo com o gestor ela é simplesmente mal comportada, ruim. Ela faz atividades, mas não consegue ficar quieta, não fica calada. O que fazer?
Helania Cunha De Sousa Cardoso

Olá, pessoal!  Sou mineira,  professora há 32 anos e já passei por todos os níveis de ensino: da educação infantil ao ensino superior. Em todos esses níveis, pude conviver com  pessoas especiais e já experimentei muitas  dificuldades, como todos vocês.


 Ao longo de todo esse tempo, constatei o que muitos já observaram neste fórum:
as pessoas especiais não chegam à escola com as mesmas habilidades de formação de sentenças, vocabulário e conhecimento de mundo como os alunos ditos "normais". Ou seja, chegam à escola sem uma base linguística e são, tradicionalmente, obrigados a aprender tudo, tendo como base a estrutura linguística da língua oral, falada, escrita e, muitas vezes, Língua de Sinais, - LIBRAS, tudo ao mesmo tempo.

Por outro lado, dependendo do tipo de dificuldade que apresentam, esses alunos, geralmente, não participam das atividades normais que são propostas em sala de aula,  dadas às resistências pessoais, familiares e sociais  ou a não informação sobre elas.

Diante desses fatos, que sinalizam para a dificuldade de aprendizagem desses alunos em todas as áreas do conhecimento, e da triste estatística apresentada nos últimos censos, que tratam da quantidade de crianças, jovens e adultos fora da escola e do número daqueles que não conseguem terminar, sequer o ensino fundamental, só nos resta perguntar: qual o papel da universidade nesse contexto? Como facilitar o processo de inclusão dessas pessoas no sistema escolar, para que tenham chances de aprendizagem mínima?

 Uma alternativa que encontramos em nosso Pólo (UNIPAM - Patos de Minas - MG), para que nos incluíssemos nesse processo, foi organizar um grupo de estudos com professores de Artes da Educação Especial. Quinzenalmente, o grupo se reúne para discutir as dificuldades encontradas em sala de aula, com alunos especiais e, juntos, pensamos em novas alternativas metodológicas que favoreçam a prática deles.

 Ao longo de três anos, descobrimos, por exemplo, que o uso do texto não-verbal é um caminho para o letramento  e para a apropriaçao do conhecimento, quando se trata de pessoas surdas. Os estudos de Lucia H. Reily nos ajudaram bastante neste percurso. Descobrimos também que a música é linguagem que mais favorece o processo de socialização, coordenação motora e sensibilização de pessoas com essa e com outras dificuldades físicas ou psicológicas. As escolas especializadas em educação especial, em Minas, as APAES, têm larga experiência nesse sentido. O teatro é outra linguagem que tem favorecido muito a inclusão dessas pessoas, em todos os sentidos.

Portanto, acredito que o caminho seja mesmo a discussão em fóruns, encontros etc; a proposição de projetos de pesquisa na área e o mais importante: a formação contínua de professores para atuarem na educação especial.

Abraços,

 

Helânia

Daina Leyton
Gostaria de agradecer as ricas palavras e o convite. E me desculpar pela ausência o final do Fórum. Tive uma triste passagem de doença e morte de uma pessoa da família (meu querido sogro). Compartilho essa questão pessoal, para citar um exemplo de como trabalhar com acessibilidade e inclusão, pode ser rico para todos. Enquanto meu sogro estava na UTI, nao podendo falar por conta da traqueostomia, comecei a ensinar sinais para eles (LIBRAS), para que ele pudesse se comunicar. Foi essencial. Pensei como isso pode ser uma ferramenta interessante e uti para essa situação por exemplo. E para muitas outras. ****A Lingua de sinais, enriquece e amplia o campo de compreensão, comunicação e expressão de todas as pessoas. Hoje em dia ha maes que ensinam os filhos desde bebes a sinalizar. Eles conseguem balbuciar sinais antes da fala e ha pesquisas mostrando que isso traz calma e qualidade de desenvolvimento (para surdos E ouvintes). aqui um projeto em que unimos a poesia, a musica, a literatura e a lingua de sinais: http://www.youtube.com/mamoficial#p/u/3/DwUanX-BP4I *****O contato com pessoas que nao podem enxergar (deficientes visuais) pode enriquecer muito a percepção, o como descrever uma imagem e falar sobre as cosas, para quem nao enxerga.. como no filme que Sinara postou.. foi perguntado sobre experiências de desenho com cegos. Segue um link de um curso realizado no mam: http://www.youtube.com/mamoficial#p/u/9/ejcu8jo-XJQ e também a experiência com fotografia: http://www.youtube.com/mamoficial#p/u/8/gmZEMxC74OA E assim seguimos com outras deficiências.. enfim, sao alguns exemplos de experiências que nos mostram que alem de necessidades de adaptação, escuta olhar atento e acolhimento ( como fo muito bem dito aqui), a criatividade e a imaginacao podem ser grandes aliadas, para mapearmos as reais competencias das pessoas ditas "com deficiência" e podemos perceber que somos todos diferentes, e essa 'e nossa maior riqueza. Agradeço mais uma vez o convite e aproveito para convidar para o evento que faremos no mam-sp no dia 24 de setembro , que vai trazer muitas surpresas instigadoras... http://pt-br.facebook.com/event.php?eid=115063411927075&ref=nf Um grande abraço e segue meu contato: acessibilidade@mam.org.br
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