Forum
Ursula Rosa Da Silva

Colegas

acompanhando o tema do Fórum sobre os estereótipos no desenho infantil, gostaria de contribuir relacionando um pouco o assunto com a questão das representações na cultura. Acredito que o desenho é uma das maneiras de representar pela imagem nossos valores, sentimentos ou ideias. Deste modo, o que aparece num primeiro momento nestas representações são os modos mais comuns das representações culturais e sociais que são transmitidas pela família, pela escola e por todos os laços sociais. Gostaria de indicar um relato de uma escritora nigeriana que pode nos fazer refletir sobre o modo como nos vemos ou outras culturas nos vêem e criam estes estereótipos a partir de alguns dados, fatos e modos de viver que se fixam no imaginário social e que generalizam este modo de ser de um grupo, criando uma única história, como se não houvessem outras. Olhem o link abaixo depois continuamos.

http://www.ted.com/talks/lang/spa/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

Carolina Sandroni
Olá. Publiquei minha opinião aqui mas ela está toda cortada! Assim não vale!
Francisco de Assis Serrão

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=15319004744214246355

http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=15319004744214246355&aid=1230707469

Ola, acabei de fazer o meu cadastrar neste magnífico mundo das artes, a minha primeira impressão foi positivo. sou aluno do curso de Licenciatura em artes visuais oferecido pela Univercidade Federal do Maranhão - Pólo de Pinheiro - MA, aguarde publicações!!!

Mirca Izabel Bonano
Carolina Sandroni escreveu:


Cara Professora

Boa tarde!

Publique novamente sua opinião, vamos tentar corrigir as páginas.

Abraço,

Mirca Bonano

Denise Nalini
Maria Leticia Rauen Vianna escreveu:

Meus caros. Envio a vocês uma parte do prefácio do meu livro, a sair em setembro/2010. Vejam se ele atende seus  anseios e questionamentos..  Infelizmente, não posso adiantar mais do que isso. Peço que aguardem e espero que fiquem com vontade de ler o livro.

O ambiente escolar brasileiro, especialmente nas fases da escolaridade pré-escolar e séries iniciais do ensino fundamental, é povoado de imagens padronizadas. Tais imagens, pelo aspecto particular que apresentam, pelas suas características de rigidez, imutabilidade e reprodutibilidade, entre outras, durante muito tempo foram denominadas de desenhos estereotipados.Essa denominação está correta e chega a fazer parte do vocabulário dos professores de arte; no entanto, parece que não estava clara a razão pela qual tais desenhos eram assim denominados. Para mim também, devo destacar, denominar tais imagens de uma forma mais adequada foi, durante muito tempo, uma questão crucial. As tentativas que fiz em torno dessa denominação remontam a 1987: naquele ano, foi a primeira vez que escrevi algo a respeito da questão e denominei-os de desenhos oferecidos às crianças por seus professores. Depois, já no Doutorado, minha professora-orientadora sugeriu a expressão: desenhos copiados. Também tomei conhecimento que, em 1997, uma professora, em sua tese de Mestrado na Universidade de Brasília (UnB), denominou tais imagens de desenhos reproduzidos. Porém, nenhuma dessas denominações me satisfez.Baseada nos estudos que realizei e nas minhas próprias observações da realidade escolar, após diversas tentativas de encontrar uma denominação mais apropriada para tais desenhos, decidi chamá-los de desenhos recebidos, em associação ao fenômeno das idéias recebidas de longa tradição na civilização francesa, definitivamente colocado pelo escritor Gustave Flaubert em seu Dictionnaire des Idées Reçues, publicado pela primeira vez em 1911.Assim, a crença de que os desenhos estereotipados e/ou recebidos empobrecem a percepção e a imaginação da criança (e, por conseqüência do adulto), inibem sua necessidade expressiva, embotam seus processos mentais e não permitem que desenvolvam naturalmente suas potencialidades, foi que impulsionou a realização deste trabalho. Partindo do princípio que tais desenhos são bloqueadores da imaginação e da expressão individual, mediante ações específicas sobre eles, pretendo, com este livro, demonstrar ser possível atenuar seus efeitos nocivos tanto na expressão gráfica do adulto já-professor ou futuro-professor bem como, e, principalmente, na sua adoção com crianças.A partir das "idées reçues" do escritor francês Gustave Flaubert, estabeleci correlações entre aquela noção francesa e as imagens escolares brasileiras. Recebidos é a designação que proponho para nomear os desenhos encontrados no ambiente escolar no Brasil, e imageria é o nome que atribuo ao conjunto daquelas imagens. Inspirando-me no Dictionnaire das Idées Reçues de Flaubert, teci uma série de reflexões sobre tais imagens, baseada em observações pessoais da realidade escolar e no desenvolvimento de um processo de desenho que denomino de Método de Transformação dos Desenhos Recebidos, testado em um grupo de pesquisa constituído de professores de ensino fundamental.Para tanto, no primeiro capítulo deste livro, discorro sobre os contextos do recebido: como, onde e porque a questão se manifesta, tecendo considerações históricas e observacionais sobre os diferentes contextos em que se verificam as imagens estereotipadas ou recebidas, tanto no Brasil como no Exterior. Além do mais, a necessidade de me aproximar das razões e motivos que fazem as imagens escolares terem o aspecto que têm, no Brasil, impôs o exame de aspectos da história da ilustração de livros infantis e as tendências que, na sua evolução, possam ter influenciado nesta questão. No segundo capítulo, apresento informações históricas sobre fatos e conceitos que deram origem aos termos que qualificam, ou poderiam qualificar, indiferentemente, as imagens recebidas brasileiras e, a partir de suas origens, estabeleço paralelos entre eles e a nossa realidade escolar, demonstrando como aqueles termos se vinculam às questões da imageria escolar brasileira. Assim, examinando conceitos tidos como sinônimos na linguagem corrente: “estereótipos”, “clichês”, “poncifs”, lugares comuns” e especialmente “ideias recebidas”, traço paralelos entre esses fenômenos ocorridos na França e no Brasil. Para estabelecer os paralelos que intuí existirem entre as “idéias recebidas francesas” e os “desenhos recebidos brasileiros”, tive que me aprofundar na obra do escritor Flaubert, especialmente em seu Dictionnaire des idées reçues, ao qual tive acesso por meio das reedições francesas de 1994 e 1995 e da tradução brasileira de 1997. Nessas obras, os prefácios de diferentes autores, editores e tradutores foram também consultados. Além disso, pesquisei a obra Lugares-comuns do escritor brasileiro Fernando Sabino, que traduziu e adaptou o dicionário de Flaubert, tendo inclusive a ele anexado um bem humorado Esboço para um dicionário brasileiro de lugares comuns e ideias convencionais (1952).A compreensão da noção das idéias recebidas levou-me a buscar sua evolução histórica desde o século XVII. Já no terceiro capítulo, apresento resultados de pesquisas realizadas junto a professores e futuros professores sobre os desenhos recebidos. Para compreender o descompasso verificado entre as imagens que são oferecidas às crianças e as que ela espontaneamente produz e também para analisar as produções gráficas dos professores que participaram da pesquisa, tive que me aprofundar na questão do “desenho infantil” e do “desenho pedagógico”, segundo diversos autores.Discorrendo sobre o enfrentamento da questão junto a esses professores, abordo o modo como foi realizado o resgate de seu desenho, uma vez que, são eles que atuam, ou pretendem atuar, com crianças e adolescentes no ensino fundamental, promovendo o que considero “mudanças nas suas posturas pedagógicas”. Ao mesmo tempo, ao proceder à análise e interpretação dos dados visuais e verbais obtidos de forma sistematizada, pretendia-se verificar concretamente se as respostas às ações propostas para os desenhos, estariam sendo também conscientizadoras, formadoras e transformadoras da postura pessoal e pedagógica dos participantes, o que pude constatar com os desenhos e os depoimentos colhidos por escrito e apresentados no terceiro capítulo.

Um forte abraço Leticia   




Olá Leticia , aproveito sua discussão para colocar em cena um artigo do Livro Arte -Educação - leituras no sub- solo organizado por Ana Mae Barbosa , em especial sugiro a todos a leitura do texto : Uma visão iconoplasta das fontes de imagens nos desenhos das crianças, um texto publicado na revista arte de 1982 . Nele a Brent e Marjorie trazem uma discussão interessante sobre a idéia de um possível desenvolvimento natural na produção das crianças o que nos leva a pensar qeu todas as referências podem ser consideradas como estereotipos .
Nessa direção gostaria de retomar a pergunta que havia colocado ao grupo: o qeu você encontrou como desenhos estereotipados e como nasceu essa categoria ?
beijocas e até já ! 
Maria Leticia Rauen Vianna
Denise Nalini escreveu:
Maria Leticia Rauen Vianna escreveu:

Meus caros. Envio a vocês uma parte do prefácio do meu livro, a sair em setembro/2010. Vejam se ele atende seus  anseios e questionamentos..  Infelizmente, não posso adiantar mais do que isso. Peço que aguardem e espero que fiquem com vontade de ler o livro.

O ambiente escolar brasileiro, especialmente nas fases da escolaridade pré-escolar e séries iniciais do ensino fundamental, é povoado de imagens padronizadas. Tais imagens, pelo aspecto particular que apresentam, pelas suas características de rigidez, imutabilidade e reprodutibilidade, entre outras, durante muito tempo foram denominadas de desenhos estereotipados.Essa denominação está correta e chega a fazer parte do vocabulário dos professores de arte; no entanto, parece que não estava clara a razão pela qual tais desenhos eram assim denominados. Para mim também, devo destacar, denominar tais imagens de uma forma mais adequada foi, durante muito tempo, uma questão crucial. As tentativas que fiz em torno dessa denominação remontam a 1987: naquele ano, foi a primeira vez que escrevi algo a respeito da questão e denominei-os de desenhos oferecidos às crianças por seus professores. Depois, já no Doutorado, minha professora-orientadora sugeriu a expressão: desenhos copiados. Também tomei conhecimento que, em 1997, uma professora, em sua tese de Mestrado na Universidade de Brasília (UnB), denominou tais imagens de desenhos reproduzidos. Porém, nenhuma dessas denominações me satisfez.Baseada nos estudos que realizei e nas minhas próprias observações da realidade escolar, após diversas tentativas de encontrar uma denominação mais apropriada para tais desenhos, decidi chamá-los de desenhos recebidos, em associação ao fenômeno das idéias recebidas de longa tradição na civilização francesa, definitivamente colocado pelo escritor Gustave Flaubert em seu Dictionnaire des Idées Reçues, publicado pela primeira vez em 1911.Assim, a crença de que os desenhos estereotipados e/ou recebidos empobrecem a percepção e a imaginação da criança (e, por conseqüência do adulto), inibem sua necessidade expressiva, embotam seus processos mentais e não permitem que desenvolvam naturalmente suas potencialidades, foi que impulsionou a realização deste trabalho. Partindo do princípio que tais desenhos são bloqueadores da imaginação e da expressão individual, mediante ações específicas sobre eles, pretendo, com este livro, demonstrar ser possível atenuar seus efeitos nocivos tanto na expressão gráfica do adulto já-professor ou futuro-professor bem como, e, principalmente, na sua adoção com crianças.A partir das "idées reçues" do escritor francês Gustave Flaubert, estabeleci correlações entre aquela noção francesa e as imagens escolares brasileiras. Recebidos é a designação que proponho para nomear os desenhos encontrados no ambiente escolar no Brasil, e imageria é o nome que atribuo ao conjunto daquelas imagens. Inspirando-me no Dictionnaire das Idées Reçues de Flaubert, teci uma série de reflexões sobre tais imagens, baseada em observações pessoais da realidade escolar e no desenvolvimento de um processo de desenho que denomino de Método de Transformação dos Desenhos Recebidos, testado em um grupo de pesquisa constituído de professores de ensino fundamental.Para tanto, no primeiro capítulo deste livro, discorro sobre os contextos do recebido: como, onde e porque a questão se manifesta, tecendo considerações históricas e observacionais sobre os diferentes contextos em que se verificam as imagens estereotipadas ou recebidas, tanto no Brasil como no Exterior. Além do mais, a necessidade de me aproximar das razões e motivos que fazem as imagens escolares terem o aspecto que têm, no Brasil, impôs o exame de aspectos da história da ilustração de livros infantis e as tendências que, na sua evolução, possam ter influenciado nesta questão. No segundo capítulo, apresento informações históricas sobre fatos e conceitos que deram origem aos termos que qualificam, ou poderiam qualificar, indiferentemente, as imagens recebidas brasileiras e, a partir de suas origens, estabeleço paralelos entre eles e a nossa realidade escolar, demonstrando como aqueles termos se vinculam às questões da imageria escolar brasileira. Assim, examinando conceitos tidos como sinônimos na linguagem corrente: “estereótipos”, “clichês”, “poncifs”, lugares comuns” e especialmente “ideias recebidas”, traço paralelos entre esses fenômenos ocorridos na França e no Brasil. Para estabelecer os paralelos que intuí existirem entre as “idéias recebidas francesas” e os “desenhos recebidos brasileiros”, tive que me aprofundar na obra do escritor Flaubert, especialmente em seu Dictionnaire des idées reçues, ao qual tive acesso por meio das reedições francesas de 1994 e 1995 e da tradução brasileira de 1997. Nessas obras, os prefácios de diferentes autores, editores e tradutores foram também consultados. Além disso, pesquisei a obra Lugares-comuns do escritor brasileiro Fernando Sabino, que traduziu e adaptou o dicionário de Flaubert, tendo inclusive a ele anexado um bem humorado Esboço para um dicionário brasileiro de lugares comuns e ideias convencionais (1952).A compreensão da noção das idéias recebidas levou-me a buscar sua evolução histórica desde o século XVII. Já no terceiro capítulo, apresento resultados de pesquisas realizadas junto a professores e futuros professores sobre os desenhos recebidos. Para compreender o descompasso verificado entre as imagens que são oferecidas às crianças e as que ela espontaneamente produz e também para analisar as produções gráficas dos professores que participaram da pesquisa, tive que me aprofundar na questão do “desenho infantil” e do “desenho pedagógico”, segundo diversos autores.Discorrendo sobre o enfrentamento da questão junto a esses professores, abordo o modo como foi realizado o resgate de seu desenho, uma vez que, são eles que atuam, ou pretendem atuar, com crianças e adolescentes no ensino fundamental, promovendo o que considero “mudanças nas suas posturas pedagógicas”. Ao mesmo tempo, ao proceder à análise e interpretação dos dados visuais e verbais obtidos de forma sistematizada, pretendia-se verificar concretamente se as respostas às ações propostas para os desenhos, estariam sendo também conscientizadoras, formadoras e transformadoras da postura pessoal e pedagógica dos participantes, o que pude constatar com os desenhos e os depoimentos colhidos por escrito e apresentados no terceiro capítulo.

Um forte abraço Leticia   




Olá Leticia , aproveito sua discussão para colocar em cena um artigo do Livro Arte -Educação - leituras no sub- solo organizado por Ana Mae Barbosa , em especial sugiro a todos a leitura do texto : Uma visão iconoplasta das fontes de imagens nos desenhos das crianças, um texto publicado na revista arte de 1982 . Nele a Brent e Marjorie trazem uma discussão interessante sobre a idéia de um possível desenvolvimento natural na produção das crianças o que nos leva a pensar qeu todas as referências podem ser consideradas como estereotipos .
Nessa direção gostaria de retomar a pergunta que havia colocado ao grupo: o qeu você encontrou como desenhos estereotipados e como nasceu essa categoria ?
beijocas e até já ! 

Bem, não sei quem escreveu isso embaixo da minha colocação, mas respondo mesmo assim: O artigo a que você se refere é bem antigo e já circulava (como cópia xerox) nos meios da arte-educação muitos anos antes de ser publicado no livro da Ana Mae; mas certamente, deve ter sido trazido ao Brasil por ela. É um artigo importante e foi citado em minha tese. Reforço a recomendação que todos o leiam!

Quanto à origem da categoria, embora tenha tentado, não consegui descobrir. Mas, descobri de onde vem esta palavra, bem como outras, como 'poncif',  'clichê' , 'lugar comum' e 'idéias recebidas', que podem ser tomados como seus sinônimos. Todos estes termos tiveram origens históricas diferentes, em diferentes épocas e culturas, mas ao longo do tempo, foram perdendo seus significados originais e adquirindo outra conotação. Na minha pesquisa de doutorado, pretendia descobrir a origem de tais desenhos, mas acabei me consolando com um autor, que afirma que 'não se consegue chegar jamais à origem de um estereótipo'. Entretanto, nada encontrei sobre desenhos estereotipados. Tive que estabelecer relações e analogias entre estes conceitos e o desenho, pois só encontrava estudos de estereótipos no cinema e nas ciências sociais..Dentro desse leque, privilegiei as 'ideais recebidas' e por isso, chamei estes desenhos de recebidos. Mais... só lendo meu livro, quando ele sair (talvez setembro!) Um abraço

Eliane de Fátima Vieira Tinoco

Olá a todos!

Primeiramente gostaria de dizer à Maria Letícia que há muito tempo espero por esse livro. Assim que for lançado quero comprá-lo. Como você pediu, meu e-mail é elianedicult@bol.com.br

Li com atenção todas as mensagens do fórum e concordo com todos aqueles que trabalham na Educação Infantil com a experimentação de materiais, com o trabalho corporal e com a apresentação de diferentes formatos para as crianças trabalharem. Também concordo que a criança desde a Educação Infantil precise fruir diferentes tipos de imagens. Só não concordo que se deva pedir que façam desenho de observação ou releitura dessas imagens. A própria necessidade de representação do mundo vivido vai gerando na criança a ansiedade pela proximidade entre o desenho e o objeto. Pedir que ela faça essa representação pode gerar desconforto e insegurança. Também acho que precisamos delimitar melhor o que seja a Educação Infantil, já que alguns citam também as séries iniciais do Ensino Fundamental.

Quanto à questão do estereótipo, gostaria de compartilhar com vocês o texto de Maria Lúcia Batezat Duarte, que aliás foi quem me apresentou à Maria Letícia, que está no link http://www.anped.org.br/reunioes/23/textos/1608t.PDF.

Ela traz uma outra reflexão sobre os desenhos das crianças, tratando-os como esquemas gráficos de uso comum que têm a intenção de comunicação. Vejam um trecho:

Se a comunicação requer o uso de códigos comuns e inteligíveis a um determinado grupo social, ao reproduzir esquemas gráficos de uso comum a criança pretende comunicar rapidamente

a sua intenção, tornar clara a sua fala, evitando possíveis erros ou ruídos na mensagem

visual que construiu.

No entanto, penso que olhar para o desenho da criança como um código de comunicação não significa permitir que ela estacione nessa forma de representação. Aí está o desafio do professor de Artes Visuais. Acredito que incentivar a procura pelos processos de criação pessoais, apresentando possibilidades diferenciadas de expressão e materialidade seja um bom caminho.

Eliane de Fátima Vieira Tinoco

Ah! Esqueci de falar ao professor Jefferson que sou a coordenadora do Pólo UFU (Uberlândia- MG) da Rede Arte na Escola e que temos aqui no pólo alguns materiais e livros para empréstimo aos professores.

Também esqueci de dizer a todos que sou coordenadora do comitê de publicações da Rede Arte na Escola e que gostaria muito de receber seus relatos de experiência pelo link sala de aula no site. Lá estão especificados os caminhos a seguir para a construção dos relatos. É muito importante compartilhar experiências exitosas. Aguardo vocês.

Denise Nalini

Olá queridos ,

A discussão avança . Pensando ainda na carcterização desses esteréotipos que tal postar  imagens, desenhos, pinturas  referentes ao que seriam esses estereótipos para você ?

 Será que existem outros além daqueles que o Prof. Jefferson nos apresentou :  " flor com cinco pétalas, da estrela, do coração (partido, sangrando), da árvore, do sol com rostinho no cantinho da folha.".

Aguardo as postagens para a continuidade de nossa discussão .

beijocas

Edson Da Silva
Maria Leticia Rauen Vianna, por gentileza, é possível disponibilizar a tese em pdf?
Atuo em Educação Infantil, Creche.
Poderei ampliar a possibilidade em mediar ações com as crianças pequenas, familiares e equipe de profissionais.
Agradeço pela oportunidade do diálogo.
Abraço Fraterno!
Edson
edson_da_silva@yahoo.com.br

Maria Leticia Rauen Vianna escreveu:
"... pesquisadora do assunto deste forum no Brasil. Este foi o tema de minha tese de doutorado defendida na ECA/USP, que contou com um estágio sanduiche na Sorbonne em Paris, de onde trouxe informações inexistentes no Brasil, que ajudaram a esclarecer a questão. Inclusive, criei um método para trabalhar com os professores, para 'desestereotipizar' o desenho deles e mudar suas posturas pedagógicas.  Publiquei artigos sobre o tema e dois deles vocês encontram disponíveis no site do arte na escola, no link Pesquise! Os artigos são: "Desenhos estereotipados: um mal necessário ou é necessário acabar com este mal? " e "Das idées reçues francesas aos desenhos recebidos brasileiros". Meu livro sobre o tema está sendo publicado e deve sair em setembro próximo. Gostaria de ter os e-mails de vocês para enviar comunicado sobre seu lançamento. O título do mesmo é: DESENHANDO COM TODOS OS LADOS DO CÉREBRO. Por hora, acho que tenho muito a contribuir com o forum se vocês lerem meus artgos...Fico no aguardo de contatos de vocês.  Obrigada Leticia  
Oba! Uma professora já respondeu!! Sandra Cadore, adorei..BJ Leticia


Alessandra Garcia Ilha
Este é um tema  que me interessa bastante pois tenho pesquisado o a produção gráfica infantil no computador, e percebo que mesmo  utilizando o meio digital com várias possibilidades de ferramentas,  as crianças permanecem presas aos estereótipos. Penso que talvez haja a necessidade de repensarmos as praticas pedagógicas voltadas às crianças em idade pré-escolar, pois é nesta fase que as crianças começam a ter contato com os modelos prontos. Tenho acompanhado o trabalho que minha mãe (professora de educação infantil) desenvolve junto às crianças ha mais de 20 anos, e percebo que mesmo fazendo cursos de atualização e aperfeiçoamento, a forma como é tratado o desenho das crianças não tem sofrido grandes alterações. Considero de grande importancia desenvolver com as crianças o ato de olhar, de perceber e de questionar as imagens que se olha, pois  penso que através deste exercicio, torna-se mais fácil para as crianças e para os professores tornarem-se livres dos estereótipos impostos através dos anos. Este é um tema interessante, e sei que teremos uma dicussão com posições e proposições muito ricas.
Denise Nalini
alessandra garcia ilha escreveu:
Este é um tema  que me interessa bastante pois tenho pesquisado o a produção gráfica infantil no computador, e percebo que mesmo  utilizando o meio digital com várias possibilidades de ferramentas,  as crianças permanecem presas aos estereótipos. Penso que talvez haja a necessidade de repensarmos as praticas pedagógicas voltadas às crianças em idade pré-escolar, pois é nesta fase que as crianças começam a ter contato com os modelos prontos. Tenho acompanhado o trabalho que minha mãe (professora de educação infantil) desenvolve junto às crianças ha mais de 20 anos, e percebo que mesmo fazendo cursos de atualização e aperfeiçoamento, a forma como é tratado o desenho das crianças não tem sofrido grandes alterações. Considero de grande importancia desenvolver com as crianças o ato de olhar, de perceber e de questionar as imagens que se olha, pois  penso que através deste exercicio, torna-se mais fácil para as crianças e para os professores tornarem-se livres dos estereótipos impostos através dos anos. Este é um tema interessante, e sei que teremos uma dicussão com posições e proposições muito ricas.
Alessandra ,  que reflexão bacana. Temos muito o que pensar mesmo , foi nesse sentido que pedi para que vocês postem os desenhos das crianças, pois acredito que existe uma certa generalização dessa idéia do que seria um estereotipo e de como tratá-lo, penso que neste como em muito outros temas a generalização pode funcionar como uma faca de dois gumes, encobre descobertas importantes.
A proposta é a que você nos faz , olhar atentamente em busca da caracterização do nosso problema. obrigado pela sua contribuição .
Denise Nalini
Ursula Rosa da Silva escreveu:

Colegas

acompanhando o tema do Fórum sobre os estereótipos no desenho infantil, gostaria de contribuir relacionando um pouco o assunto com a questão das representações na cultura. Acredito que o desenho é uma das maneiras de representar pela imagem nossos valores, sentimentos ou ideias. Deste modo, o que aparece num primeiro momento nestas representações são os modos mais comuns das representações culturais e sociais que são transmitidas pela família, pela escola e por todos os laços sociais. Gostaria de indicar um relato de uma escritora nigeriana que pode nos fazer refletir sobre o modo como nos vemos ou outras culturas nos vêem e criam estes estereótipos a partir de alguns dados, fatos e modos de viver que se fixam no imaginário social e que generalizam este modo de ser de um grupo, criando uma única história, como se não houvessem outras. Olhem o link abaixo depois continuamos.

http://www.ted.com/talks/lang/spa/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

Úrsula ,
Esse link é mesmo muito interessante e penso que ajuda muito nessa discussão, pois há uma outra voz. Particularmente, compartilho dessa idéia e reproduzo um trecho do livro Interterriotrialidade (organizado por Ana Mae Barbosa e Liliam Amaral) editora SENAC , na página 73 Marian López F[ernandez Cao ao apresentar uma parte de seu projeto diz : "...As imagens deve mser submetidas a um processo decodificador que permita não só sua observação, mas também um aproveitamento pleno. Privar o ser humano de sua capacidade de compreender e desfrutar da imagem, de se comver diante dela, é
privá-lo   de parte de seu potencial. Segundo Ana Mae, se não desenvolvermos um sistema de pensamento não - discursivo ou artístico em nossos alunos, eles não estarão prontos para um conhecimento abrangente de si mesms e dos outros. Dessa maneira, é nosso dever ensinar nossos alunos e alunas a analisar, desconstruir e comtemplar as imagens, sejam elas artísticas ou de outra natureza, fixas ou movéis, bi ou tridimensionais..."
É pela possibilidade de olhar mais atentamente esses estereotipos e seu modo de produção.Olhar  com vagar e de buscar suas conexões que essa proposição do Prof. Jefferson me encanta. obrigado pela contribuição .
 
Maria Carmem
Jucileide Barreto Rocha de Lima escreveu:
 


obrigada Juceleide, seu texto me esclareceu muito...


Maria Leticia Rauen Vianna
Eliane de Fátima escreveu:

Olá a todos!

Primeiramente gostaria de dizer à Maria Letícia que há muito tempo espero por esse livro. Assim que for lançado quero comprá-lo. Como você pediu, meu e-mail é elianedicult@bol.com.br

Li com atenção todas as mensagens do fórum e concordo com todos aqueles que trabalham na Educação Infantil com a experimentação de materiais, com o trabalho corporal e com a apresentação de diferentes formatos para as crianças trabalharem. Também concordo que a criança desde a Educação Infantil precise fruir diferentes tipos de imagens. Só não concordo que se deva pedir que façam desenho de observação ou releitura dessas imagens. A própria necessidade de representação do mundo vivido vai gerando na criança a ansiedade pela proximidade entre o desenho e o objeto. Pedir que ela faça essa representação pode gerar desconforto e insegurança. Também acho que precisamos delimitar melhor o que seja a Educação Infantil, já que alguns citam também as séries iniciais do Ensino Fundamental.

Quanto à questão do estereótipo, gostaria de compartilhar com vocês o texto de Maria Lúcia Batezat Duarte, que aliás foi quem me apresentou à Maria Letícia, que está no link http://www.anped.org.br/reunioes/23/textos/1608t.PDF.

Ela traz uma outra reflexão sobre os desenhos das crianças, tratando-os como esquemas gráficos de uso comum que têm a intenção de comunicação. Vejam um trecho:

Se a comunicação requer o uso de códigos comuns e inteligíveis a um determinado grupo social, ao reproduzir esquemas gráficos de uso comum a criança pretende comunicar rapidamente

a sua intenção, tornar clara a sua fala, evitando possíveis erros ou ruídos na mensagem

visual que construiu.

No entanto, penso que olhar para o desenho da criança como um código de comunicação não significa permitir que ela estacione nessa forma de representação. Aí está o desafio do professor de Artes Visuais. Acredito que incentivar a procura pelos processos de criação pessoais, apresentando possibilidades diferenciadas de expressão e materialidade seja um bom caminho.

Cara Eliane. Que bom que espera pelo meu livro. Quanto ao que diz Maria Lucia Batezat, ela se baseia em idéias de Bernard Darras e num curso com este pesquisador francês, descobri que, parece, que ele e eu não estávamos falando do mesmo tipo de imagens, mas esse ainda é um ponto a aprofundar...Peço que aguarde mais um pouco o livro sair..Um forte abraço Leticia
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