Forum
Regina Vitória Wildeisen
Olá pessoal, esse Fórum está muito bom, muitas idéias e opiniões. Estou participando do curso  da Secretaria de Educação de São Paulo " A rede aprende com a rede" e o que tenho percebido  já  na 1º Vídeo-aula é que a Proposta Curricular instiga o professor a  trabalhar as várias linguagens mesmo que ele não seja especialista em todas elas. Então, o que fica  é a idéia de fazer com que o  aluno tenha contato  com as diferentes linguagens, diferentes tempos históricos  e diferentes fazeres artísticos sem contudo  um aprofundamento maior . O objetivo   do ensino fundamental não  é formar  músico, pintor, dançarino ou ator. Me parece que assim a nossa carga  não fica tão pesada, não é? Uma coisa é certa, a Proposta Curricular de Arte tem mexido  com a cabeça  dos professores  e cabe a nós  a reflexão.
Sonia Tobias Prado
É o fórum está bombando mesmo....
Essa de ensinar música é muito boa a idéia, mas deveremos passar por capacitação, pois mesmo os professores formados em música deverão ter um currículo a seguir, senão ficaremos todos perdidos.
Também sou de SP, e estou realizando o curso realizado pela SE desse estado, e percebo isso, o professor tem que estar preparado nas quatro linguagens artísticas e não é aquela coisa de fazer artesanato e ensinar somente o Hino nacional, mas ensinar a arte atual, o contemporâneo, tão pouco abordado por nós professores, talves por não entendermos direito também. Mas sempre, sempre devemos estudar, continuar nos preparando para um mundo que muda todos os dias. Exemplos? As músicas atuaris, que detestamos, mas que os alunos adoram. Pois é com elas que conquistaremos esses mesmos alunos a entenderem a música, a ouvir a diferença do hoje com o ontem de ensinar a MPB....tudo hoje é uma troca. E não saerá invadido a área dos professores de música. Simplesmente, não ensinaremos a tocar um instrumento musical, e nem a ler corretamente uma pauta musical, mas deveremos ensinar a apreciar todos os gêneros musicais, deverão saber o que é uma pauta musical, mas não formaremos musicistas, mas daremos um passo, pequeno talvés, para descobrirem talentos neles mesmos. E reforço, receberemos atenção especial para nos prepararmos para fazer essas aulas. E ainda fica a dúvida de quantas serão, se para todas as séries, como serão....aguardo com grande curiosidade e estou pronta para iniciar essa nova jornada.
Cleyde Anne De Almeida Souza

Acredito qe seja muito importante mesmo discutir esta temática, pois  falar de música na escola é polêmico. A música além de ser uma ferramenta muito útil em nossas aulas deveria ter um espaço maior de trabalho nas escolas, sob intençaõ de conhecer suas características e elementos. Não que iremos formar músicos e grandes concertistas, mas contribuir para uma valorização da cultura musical e o despertar para a sensibilidade de escuta e apreciação musical. No 5º semestre de Pedagogia desenvolvi o projeto "Sons...Ritmos...Ação.." pelo fato de perceber a  necessidade de  propiciar apreciação musical sob forma de expressar e comunicar sensações e sentimentos, bem como trabalhar arte de maneira mais sistemática e baseado em uma abordagem triangular: apreciação, reflexão e produção.

Penso ainda, que a música se bem utilizada seja capaz de nos auxiliar para desenvolver nas crianças inumeras habilidades e competências. 

Sílvia Regina Gonçalves De Figueiredoq

Na minha infância fui estudante da escola municipal Berlim no Rio de Janeiro.Lá, pude fazer parte do orfeão, assim chamado o coro escolar naquela época, que além de permitir uma aproximação com os demais alunos de outras séries, auxiliou a desenvolver o senso de comprometimento, responsabilidade, participação nas ações sociais, coletivas da escola além de trabalhar postura, tom de voz, letras e rítmos diversos. A técnica eu aprendi fora com estudo de piano em aulas particulares. O fato de traballhar rítmo, tempo musical ajudou-me a entender contagem, divisão entre outros assuntos que também são pertinentes a matemática.

Fiz recentemente  pós sobre Múltiplas linguagens da arte e da comunicação que veio a colaborar no aumento de minhas percepções sobre o uso de diversas linguagens para compreensão do mundo passado e presente. Auxiliam leitura do mundo, compreender as artes como transformações causadas pela ação do homem na sociedade.

A música é uma linguagem que vai além do nosso tempo, traz histórias, marca e marcou épocas. Mexe com nossas emoções, sentimentos, permite trabalhar o movimento, a expressão corporal, desenvolve o ato de  ouvir hoje tão difícil. PAra qualquer idade pode se apresentar a música. Ela fala diretamente ao coração. Ajuda na percepção e experiência estética de cada um pelo agradável, harmonioso, auxilia desenvolver a acuidade auditiva e assim a perceber os sons dos diversos instrumentos numa orquestra como de uma banda de rock. Permite trabalhar aspectos  como a letra da música, a melodia, o rítmo, a harmonia, mesmo a análise do interpréte. A música é transdisciplinar, é transversal a todas as áreas. aglutina, convida a participar. Para tanto estão ai as famosas rodas de samba, ou os saraus de antigamente.

São tantos os aspectos que podem e devem ser trabalhados que devemos ter claros quais objetivos queremos atingir, separá-los para que professores especialistas trabalhem aquilo que lhes cabe e que é de suas competências  como técnicas de leitura de pauta musical (linguagem própria e universal) assim como todos os professores devem usufruir dessa linguagem para enriquecer seus trabalhos pedagógicos.

Tive oportunidade de vivenciar uma experiência no exterior e vi como a música é valorizada na escola básica, desde o uso de bandas, como corais, como instrumentos diversos, instrumentos clássicos permitindo o acesso de todos os alunos aos diversos tipos de instrumentos musicais.  Entendo isso também como forma de inclusão social. A música é inclusiva.

Jose Sávio De Oliveira

Olá, sou Sávio, professor de Arte na Rede Municipal de Campo Grande MS e trabalho a música há bastante tempo.

No início a minha preocupação desligar um pouco os meus alunos de certas músicas que eu considerava antimusicas para se ligar um pouco mais na verdadeira música e sua essência e principalmente conhecer e reconhecer a música regional de meu Estado como verdadeiras obras das nossas raízes e história e aí incluo o cantor Almir Sater..

Para isso comecei a levar cantores para fazer apresentações na escola o que acontecia duas vezes por ano. Foi muiro legal pois, trabalhavamos as músicas antes da apresentação, debatiamos e discutiamos muito a respeito. Isso começou a despertar um grande interesse musical pelos alunos.

Criamos então o festival estudantil e uma banda musical. Muitos alunos passaram a procurar escolas de músicas como um novo interesse de sua vida.

Na oficina de Artes, passamos a confeccionar instrumentos com sucatas e dou também curso de flauta doce no contra turno. Enfim, através da música a escola conseguiu transformar alguns pontos negativos em positivos.

Sei que não é o bastante nem o ideal mas, um começo que acho válido.

Um abraço a todos

Ana Cristina

Olá a todos,

Li todas as contribuições, concordo com algumas discordo de outras.

Por minha formação acadêmica – Licenciatura em música – fico alegre com a nova lei, em parte. Realmente, o fato de abertura para o trabalho de profissionais não qualificados, a meu ver, não é favorável, pois, como alguns já citaram anteriormente, em outras disciplinas o mesmo não acontece com muita freqüência. Mas, acredito que, tudo parte do princípio na união, sim união. Enquanto classe, enquanto acadêmicos na área, enquanto profissionais devemos estar em sintonia uns com os outros. O que ocorre é que, na maioria das vezes, ficamos isolados, sem contato com os pares e ficamos sem força e, além disto, ficamos esperando que alguém faça alguma coisa de alguma forma. É preciso iniciativa, arregaçar as mangas.

O meu trabalho na Secretaria de educação e Cultura do estado em que moro é de formação de professores. Eu e uma colega trabalhávamos em uma escola de música que, infelizmente, fechou. Pensamos enquanto servidoras do estado que faríamos um trabalho de multiplicação em um curso de capacitação para professores que lecionam a atual disciplina de Arte, pelo menos na linguagem de nossa formação, a música. Neste curso, iniciado na capital e hoje estendido a todo o estado, acreditamos que, dará subsídios a estes profissionais que, se decidirem-se ao ensino da música sejam capazes de ter um desempenho favorável, acreditamos. Dividimos o trabalho em três disciplinas: Leitura musical e prática instrumental (com o estudo de flauta doce - partitura – e violão – cifra); Apreciação musical e Didática e prática de ensino. E este projeto iniciou-se bem antes desta lei porque achamos que deveríamos contribuir e a forma encontrada foi esta.

Trabalho com Educação Musical há dez anos e, desde os tempos de faculdade preocupo-me em estar em contato com profissionais da área. Descobri a existência da Associação Brasileira de Educação Musical – ABEM e me tornei membro/sócia. Desde então tenho procurado estar em contato com o maior número possível de pares. No encontro nacional da ABEM – de 8 a 11 de outubro – aconteceu o debate onde foi colocado todo o processo da referida lei. Acompanhando os detalhes, desde seu início é possível entender suas peculiaridades. O fato da sua existência já é uma vitória, apesar da abertura supracitada. Pelo processo todo, desde o fim da disciplina há 40 anos e seu retorno agora, temos que pensar no que virá e participar, ativamente, para exigir o que nos é de direito.

Algumas pessoas citaram que devemos continuar batalhando pelo nosso espaço, é por aí mesmo: é organização e luta! Quanto ao comentário de escolhas, eu discordo, plenamente. Não vejo deste modo. Seria um abaixo-assinado no compartilhamento da aprendizagem, seria contra a formação pelo todo. Estar-se-ia, assim, contrariando a formação cidadã, seríamos pedaços.

E, principalmente, sobre o que ensinar, a questão do fórum: Música pela música – creio eu. Como? Percebendo-a, escutando-a, interiorizando-a, relacionando-a, observando-a, criando-a, discutindo-a, representando-a, apreciando-a, sentindo-a, lendo-a, escrevendo-a, interpretando-a, executando-a, fazendo-a, conhecendo-a, reconhecendo-a, descobrindo-a, identificando-a, valorizando-a, enfim, vivendo a música. Sermos conhecedores de seus aspectos, características, elementos, estilos, formas, caráter, signos, possibilidades, gêneros, estruturas, texturas, histórias, evoluções etc. Destacando o essencial: aprendizado significativo.

Mas, como foi escrito anteriormente é preciso “entender a música como campo de conhecimento” e assim, com as intenções certas poderemos trilhar os melhores caminhos e quiçá, alcançar bons resultados com bastante êxito. Quiçá...

Sonia Tobias Prado
Professora mediadora Ilana:
Lí as duas vezes que vc respondeu a nós professores, colocando suas razões. Concordo que devem ser professores com formação em Música a realizarem estas aulas, mas será que são em número suficiente????
Lí um relato de uma professora de Lingua Portuguesa do Ceará que disse já ter feito aulas de música. Aí está o problema, acho bem melhor estas aulas estarem na mão de professores de Arte, pois não haverá o numero suficiente de professores de música, do que na mão de professores de outras matérias. Pelo menos nos interessamos mais, estamos mais abertos a sermos capacitados para isso do que outras áreas. Afinal de contas tivemos aula de música em nossa formação. Não acho que o objetivo dessas aulas seja o de formar alunos musicistas, mas fazer um apanhado geral da história da música, para colocarmos nas cabeças pensantes de nossos pupilos o que é uma música, como se faz, como se criou, como sentir...nossos governantes não seriam tão arbitrários em colocar esse tipo de aula, sabendo da realidade escolar que existe no nosso imenso Brasil. Assim como implantaram aulas de Filosofia e Sociologia, as aulas de música vieram a acrescentar  e não tumultuar. O que me preocupa é o fato de não existirem mais professores se formando em Artes, ainda mais especialistas em música. A Faculdade daqui da minha cidade (Lins/SP) não tem turmas de Arte desde o ano 2000. Alguns cursos apareceram na região, os cursos vagos, e tem muitos professores de outras áreas dizendo ter formação em Arte, mas achando que ainda são aquelas aulas de artesanato, o que não é mais......quero só ver pra quem e como serão estas aulas. Estou curiosíssima e na expectativa, pois os professores da minha área estão se tornando raridade.
Professora Ilana, sinto que a Sra. poderia comentar mais temas aqui colocados. Como mediadora, poderia nos informar mais, certo??
Ellen Pedrochi
Sou professora de Arte em uma escola técnica e coordenadora pedagógica em uma escola pública, vivencio dois diferentes aspectos da educação, penso que o ensino da história da música (já realizo esse trabalho durante 3 anos aproximadamente) é essencial para o entendimento da influência artística dentro do contexto histórico em que vivemos. Entender como a geração atual conhece e desenvolve música estabelecendo pontes com o passado. É a construção de uma  identidade musical, alguns alunos até passam a gostar de outros estilos quando conhecem suas origens. Trabalhar desde Chiquinha Gonzaga passando por Cartola e Cazuza, etc, é fantástico, os resultados são surpreendentes. Já a teoria musical é bem diferente e entendo que só um professor com formação específica pode trabalhar notas e instrumentos musicais. É muito específico. Venho acompanhando um trabalho que se realiza em uma escola onde um dos meus filhos estuda e verifiquei que o ensino da música com instrumentos simples pode acontecer desde os 6 anos estendendo-se até a adolescência.  O professor tem formação em conservatório e em aproximadamente 9 meses conseguiu que os alunos tocassem flauta doce e instrumentos de percurssão. Alguns que demonstraram maior aptidão já iniciaram a flauta transversal. Mas será que o aluno da escola pública consiguirá ter acesso a esses instrumentos?
Ilana Assbú Linhales Rangel

Oi, Sonia

Gostaria de comentar algumas das suas colocações feitas diretamente a mim para, talvez, lhe esclarecer alguns pontos. Definitivamente não concordo em ter aulas de música dadas por professores não especializados na linguagem musical. Tenho o meu entendimento sobre o que vem a ser aula de música e não corresponde a idéia de dar um "apanhado geral da história da música". Acho que a contextualização histórica vem alimentar todo um processo de aquisição da linguagem musical assim como acontece também com a apreciação musical, mas aula de música significa para mim fazer música. E para fazer música é preciso dominar conhecimentos da linguagem em questão. Dominar sim, que é diferente de ter alguma noção.  Conhecimentos sobre características de gêneros, estrutura, forma, métrica, pulso, compasso, agógica, interpretação, densidade, harmonia, execução intrumental e vocal, intensidade, modulação, enfim, um rol de conteúdos, são essenciais para se fazer música e ensinar a fazer música. É claro que faltarão profissionais e aí é que está o cerne da questão da lei que dá margem para profissionais despreparados assumirem essa missão. Não acho que o interesse em música seja propriedade dos professores de arte. Temos muitos interessados e estudiosos em música inclusive em outras aréas que não as artísticas, mas o "interesse" não pode ser o pré-requisito para dar a aula. Trata-se de defender uma profissão, uma categoria. É claro também, que quando ensinamos música em escolas de formação geral não temos a intenção de formarmos grandes músicos, mas em arte também não temos a intenção de formarmos grandes artistas plásticos, mas colocamos nossos estudantes para fazer arte e deve ser assim também com a música, devemos colocar nossos estudantes para fazer música, para viver o fenômeno musical, para se comunicar através da linguagem musical. Precisamos nos concentrar no aspecto da formação dos profissionais para atender a demanda. Que políticas públicas serão feitas nessa direção? Ainda não sabemos... o que sabemos é que a lei de fato reconhece a importância da música na cultura do brasileiro, mas precisa dar subsídios para que possamos atendê-la. Quero também lhe esclarecer sobre o papel do mediador. O mediador é alguém que intevém, que aglutina idéias e provoca outras e que também se coloca com suas opiniões e participa da discussão. Não entendo ser o papel do mediador o de informante, mesmo porque só posso informar ao fórum as minhas verdades que não são verdades absolutas porque o conceito de verdade é um conceito relativo. O fórum foi aberto no dia 17 e meus comentários são semanais, a menos que alguém me cite especialmente como assim você o fez. Acho que temos muito a dividir nesse fórum que vem se apresentando de modo diversificado e rico.

Ronilson Lima De Oliveira E Silva

Olá colegas,

Em special à Professora Ilana Assbu e Sônia Tobias e a todos os que pensam de forma similar.

O fato de não termos número suficiente de professores de Música (é fato) não significa que tenhamos que colocar professores sem a devida qualificação;

Professores de Arte pode ensinar todas as linguagens artísticas? Cada linguagem artística é uma disciplina distinta, com saberes distintos e específicos de cada uma delas, exigindo, portanto, para cada uma, um profissional específico, com a necessária qualificação;

Nada garante que um professorde "Arte" ensine melhor do que um de Geografia, por exemplo. Tenho um amigo, professor de Geografia e exímio guitarrista. Quem dará melhor uma aula de Música: Ele ou um "Professor de Arte" (sem experiência musical)?

Para se ensinar "coisas" (relevantes) em Música, também é necessário um professor de Música.

Para quem são as aulas de Matemática?

Para quem são as aulas de Química?

Para quem são as aulas de Música?

Precisamos deixar de tantos preconceitos contra a disciplina de Música. Sempre a incaramos como uma discplina de memor importância (é ou não é?). Precisamos, nós todos, professores de todas as áreas, nos considerarmos todas as disciplinas iguais, cada qual com suas especificidades e importâncias na formação do aluno. Com a Música não deveria ser essa "zoada" toda que estão fazendo. Qualquer disciplina, seja ela qual for, NÃO DEVE SER ENSINADA POR ALGUÉM SEM A NECESSÁRIA QUALIFICAÇÇÃO, OU SEJA, NÃO DEVE SER ENSINADA POR ALGUÉM DESPREPARADO.

Attravés das discussões conseguiremos grandes avanços.

Um forte abraço a todos. 

Ilana Assbú Linhales Rangel

Olá pessoal!

Muitas são as opiniões, muitas são as experiências e muitos são os lucros que temos com tudo isso! Estou adorando ler os comentários e dividir com vocês um pouco das minhas verdades. Acho que já comentei o basrante sobre os "quens" e hoje gostaria de comentar os "comos". Farei isso relatando a experiência de uma das escolas em que trabalho e que tem dado bons frutos e que me gratifica muito. Quando eu e meus colegas de equipe, a 10 anos atrás, montamos o programa de música do CAp/UERJ, optamos por focalizar nosso trabalho na música brasileira, na apropriação da linguagem pelos alunos e na criação. O espaço que temos na grade curricular da escola nos impõe que façamos recortes, pois o universo musical é vasto e a carga horária que dispomos não permite que abracemos tudo. Temos aulas de música do 1º ao 7º ano do ensino fundamental e no 1º ano do ensino médio. Do 1º ao 3º ano, aulas de 50 min uma vez por semana, 4º e 5º anos, aulas de 50 min. duas vezes por semana, 6º e 7º anos, aulas de 50 min uma vez por semana e no 1º ano do ensino médio, aulas de 100 min uma vez por semana. Sendo assim, nesse espaço- tempo, organizamos a distribuição dos conteúdos por temas. Não é possível dissociar um elemento musical do outro para montar um currículo em música. Não podemos separar pulso de métrica ou melodia de ritmo,por exemplo. Então nos orientamos por temas para trabalhar a música. No 1º ano o trabalho se desenvolve apoiado na vivência dos parâmetros dos sons e brincando vamos desenvolvendo nas crianças a linguagem musical. Este trabalho não pára mais, apenas vai se adaptando a diferentes níveis de desenvolvimento das crianças. Do 2º ao 5º ano, temos 4 temas: Linguagem dos Sons, onde trabalhamos o fenômeno sonoro como fonte de pesquisa e criação; Linguagem das Canções, onde trabalhamos a música popular brasileira autoral; Linguagem da Música do Povo Brasileiro, onde trabalhamos a música popular não autoral e Projeto Final, onde sintetizamos as habilidades desenvolvidas e as sensibilidades conquistadas de um ano de trabalho em um projeto originado dentro de cada turma. Em cada ano do ensino fundamental esse temas vão ganhando contornos diferentes. No tema Linguagem das Canções, por exemplo, selecionamos gêneros e movimentos musicais que ocorreram e ocorrem na região em que vivemos e trabalhamos com músicas destinadas ao público infantil (somente aquelas desvinculadas do poder da mídia!!!) no 2º ano, com choro e samba no 3º ano, com bossa nova e jovem guarda no 4º ano e com tropicalismo e rock no 5º ano. Quando digo que "trabalhamos" significa que pesquisamos, que contextualizamos historicamente, que apreciamos obras consagradas, que analisamos, sintetizamos, criamos, tocamos, cantamos, registramos, fizemos links com expressões musicais de outros povos,enfim, demos significado aquele tema e vivenciamos a linguagem. Nos 6º e 7º anos ultrapassamos a região em que vivemos e trabalhamos com afoxé, congo, xote, baião, jongo, maracatu e tantas outras expressões da música brasileira não autoral e autorais que fazem uso desses gêeneros musicais em suas obras. No 1º ano do ensino médio os estudantes, por turma, montam seu programa de estudo, o que querem descobrir ou aprofundar sobre a música e novamente, pesquisamos, contextualizamos, apreciamos, etc. Não trabalhamos em momento nenhum com a escrita musical formal embora façamos registros gráficos sempre. Com o tempo que temos ou fazemos/trabalhamos música ou formalizamos música, então optamos pelo primeiro.Quando lá cheguei, encontrei uns instrumentos poucos, outros avariados a aos poucos fomos convencendo a comunidade escolar de que nosso trabalho era essencial e conquistamos um bom material para fazer MÚSICA. Em todas as escola que trabalhei e trabalho é assim, um trabalho de formiguinha, mas fazendo música significativa as portas sempre se abriram. Que as portas se abram para todos nós! Isso foi só uma pincelada do que fazemos no CAp/UERJ, pois descrever minuciosamente tornaria meu comentário dessa semana muito grande, mas se algém quiser entrar em algum detalhe é só pedir que terei o maior prazer em falar. Saudações musicais a todos e bom fim de semana!

Ronilson Lima De Oliveira E Silva

Olá colegas,

Olá Illana,

O que é o (a) "Cap"?

Vejo que tem bastante tempo em comparação com a maioria das escolas públicas, municipais ou estaduais, pelo menos do que aqui em Fortaleza (CE), que dispomos em geral de apenas 50min/1 vez por semana em quaisquer séries, seja do ensino fundamental ou do médio. Uma ou outra escola possui 100min uma vez por semana (mas isso éo máximo de que dispomos).

Concordo com você quando diz qu eo nosso trabalho é de formiguinha, porque as pessoas de um modo geral (alunos, professores, funcionários, pais, etc) não vêem nem sabem da importância da música na formação plena do educando: desenvolvimento cognitivo, sensório-motor, artistico, cultural, social, humano, ético, enfim. E cabe a nós, professores de música (e das demais linguagens artísticas) esse trabalho de convencimento através das revelações que, principalmente, a prática musical pode nos oferecer. Tenho notado que a comunidade escolar espera muito mais dos trabalhos artísticos do que de quaiquer outros. Dessa forma, se fizermos um bom trabalho, com bons resultados, conquistaremos os nossos alunos e, pouco a pouco o nosso espaço na escola.

Vou ter que sair agora mas em princípio era isso.

Um abraço a todos e até mais...  

Maria Do Perpetuo Socorro B Pontes

Sou professora de artes, formada em Educação Artistica com Habilitação em Artes Plásticas pela UFPa. Trabalho em escola publica estadual onde temos duas aulas por turma na semana, na escola já tivemos dois professores formados em música que se recusam a trabalhar nesta area, decidem por trabalhar com as artes plásticas por sentirem muita dificuldades em trabalhar com a musica nas aulas. Quando vejo a proposta do governo de inserir a música como disciplina separando das aulas de artes isso muito me preocupa, pois temos poucos professores formados e entre esses alguns que não se sentem capacitados. Como esse problema será solucionado? O problema não é só o que ensinar e sim quem vai ensinar?

Ana Luísa Ortelani Valadares
Olá, meu nome é Ana sou formada em Educação Artística com formação em Arte Plásticas.Trabalho na rede estadual e me preocupo pois não me sinto preparada pra trabalhar música com meus alunos. Acho que o professor deve ter preparo para tal. Trabalhar com improvisações sonoras, com linguagens "híbridas" unindo a linguagem musical com outras até é uma possibilidade, unindo-a até com informática também...Só que precisamos de capacitação, de uma orientação melhor nesse sentido.
Ana Cristina

Olá a todos!

Por meio deste fórum, é possível perceber que estamos diante de um grande problema, realmente quem irá ensinar, já que alguns dos profissionais formados em arte não se dizem capazes?

Devido ao tempo (3 anos) e a estes fatores supra citados, acredito que capacitações a profissionais, sejam estes da área ou não, mas que, verdadeiramente, tenham afinidade com a música seja o caminho mais indicado no momento para tal problema.

Um grande abraço,

Ana Cristina.

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