Forum
Silvia Sell Duarte Pillotto

Silvia Pillotto, falando!

Li as considerações de vocês, pensando nas seguintes questões, relacionadas as políticas públicas, evidentemente. Algumas questões devem ser levadas em conta: de quem partiu o projeto para criação  que legitima a incluisão de item específico para a música? A música, a dança, o teatro e as artes visuais já não estão comtemplados na LDB 9394/96, quando aborda no Artigo 26 o termo ensino da arte? Caso não esteja contemplada, nenhuma das linguagens estão? Por que não fomos ouvidos ou comunicados? De que forma as políticas públicas estão sendo conduzidas? Pois é, se por um lado podemos compreender como um avanço, ficam algumas indagações referentes a essa resolução, que não inclui a disciplina de música no currículo, mas conteúdos de música. A pergunta então que não quer calar: quem vai ministrar esses conteúdos? Coerente seria os professores habilitados em música, não? Como será pensada a distribuição da carga horária entre as linguagens artísticas? Os Estados e Municípios terão professores suficientes com a habilitação em música ou voltaremos a antiga polivalência? Essa resolução deverá ser aplicada em todos os contextos? E aqueles que não possuem cursos de formação em música? Como vocês estão interpretando essa resolução? Gostaria de maiores esclarecimentos, pois sinceramente, não estou conseguindo interpretar essa resolução e preciso de parceiros para pensar juntos, pois essa é uma questão de todos nós, mentores ou não das resoluções que invadem as políticas públicas educacionais, muitas vezes sem o devido amadurecimento.

Abraços.

Silvia

Ilana Assbú Linhales Rangel

olá Ronilson,

me desculpe por demorara a te responder...

O Cap é o Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. No ano passado essa escola fez 50 anos e as artes estão no seu currículo a pelo menos 40 anos! Além de música oferecemos artes plásticas, teatro, fotografia, design e história da arte. A única linguagem que vai do 1º ano do fundamental até o 2º ano do ensino médio sem interrupções é artes visuais. Sendo assim, nossos estudantes cursam por ano, pelo menos duas linguagens artísticas. Do 2º ao 5º ano eles cursam três. Acho isso muito bom , mas já estou elaborando um projeto de extensão do curso de música para o 8º e o 9º ano, desse modo estaríamos contemplados até o 1º ano do ensino médio. Esse contato permanente e múltiplo dos estudantes com as linguagens artísticas faz toda a diferença na formação dos sujeitos que lá estudam. Estou dizendo isso não só porque vejo dessa forma e aposto nisso para desenvolver meu trabalho dentro das escolas de formação geral. Digo, pois ex-alunos nossos dão esse depoimento. Além das aulas de música curriculares, nossos estudantes podem fazer oficinas de aprofundamento em percussão, violão, teclado e canto coral. Foi com aquele trabalho de formiguinha que conseguimos ocupar tantos espaços! Leva tempo, mas vale a pena! Sinto hoje o CAp/UERJ respirando música!!!

um grande abraço

Ilana

Sonia Tobias Prado
Olá...
Fórum é exatamente para isso - colocarmos nossas opiniões certo?? É muito bom movimentar opinões. As escolas de E.F. e E.M. estão preparadas para fornecerem um pouco mais sobre a cultura, a Arte aos alunos, e não aulas de música. Aliás, aulas de música/ fazer música...numa universidade com alguma ligação 'as escolas, ou uma escola com ligação estreita a algum conservatório musical ou similares, aí sim seriam aulas de música. Mas acredito que alguém não deve ter explicado direito ao governante que fez esta Lei de obrigatoriedade...pois a mesma coisa tentou-se em anos anteriores, onde obrigou-se a ter aula de canto orfeônico...a realidade em nossas escolas e os professores se desdobrando em fazer aulas...difícil até encontrar professores das áreas específicas. É o tema do fórum: "O que vamos passar para os alunos?" Se difícil está ministrar as aulas do currículo básico - como seguir aprendendo música, sendo esta matéria uma linguagem específica?Primeiro seria necessário equipar escolas com salas específicas, professores capacitados  etc etc etc
      Ilana, desculpe se a ofendi, foi sem intenção, talves o modo de redigir as palavras...mas também quero deixar aqui o registro de minhas considerações a respeito do tema e como sempre, temos que esperar o tempo certo chegar para ver como vai ficar.Obrigada pela resposta, abraço!
      P.S. Gostaria de ter aulas de Música. Penso em fazer mais esta licenciatura,  e o lugar mais perto daqui é a USC em Bauru.
Ilana Assbú Linhales Rangel

Olá Sonia,

Quero que saiba que, em momento algum me senti ofendida. Quis no meu retorno a você esclarecer pontos de vista próprios, pois achei que era necessário naquele momento. Quanto a sua possível licenciatura em música, te dou "a maior força". Vai fundo!

grande abraço,

Ilana

Silvia Sell Duarte Pillotto

Olá Pessoal;

Gostaria de novamente tocar nas políticas públicas educacionais: quem cria as resoluções? Em que se apoiam para criá-las? Essas resoluções são socializadas com as universidades, com as Secretarias de Educação, com os professores? Pois é! Fico preocupada com o ancaminhamento dessas questões políticas. Entendo que todos nós almejamos conquistas na escola: de carga horária, de professores que tratam de linguagens específicas, de espaço físico, de valorização da área e tantas outras. Mas, vejam, quando envolvemos todo um contexto nacional, é preciso ter bem claro o que queremos e quais consequências dos nossos desejos. A resolução com relação a música não está clara! A música será inserida como conteúdo, como disciplina? Haverá aumento de carga horária para a inclusão da música? Será incorporada na carga horária existente? Qual o profissional que estará tratando da música na escola? O professor habilitado nessa área? Ou voltaremos duas décadas, com a idéia da polivalência? Quem decidirá? Nossas Secretarias de Educação? Nossas escolas? Nossos professores? As universidades? Olha, pessoal, a questão é mais séria do que parece, precisamos nos posicionar, afinal é a Arte no currículo que está em jogo.

Abraços.

Silvia Pillotto

Sonia Tobias Prado
É...o assunto realmente é muito delicado...e precisamos estar atentos, pois muito se faz e os professores acabam indo junto, muitas vezes sem chance de darmos opinião.
Mas estou ansiosa, na espectativa de como serão estas aulas. Na escola em que faço aulas, há o tempo integral, por nós chamado de E.T.I. e há no currículo aulas de oficinas, dentre elas de música, feita por professor de Artes. Cada série tem a sua oficina de artes específica. Música é na sexta série. E é muito difícil ministrar estas aulas, pois as crianças se retraem a aulas diferentes. Material nenhum existe e nem sala específica. Por isso o receio de como serão essas aulas de música no ensino regular....Novamente caio no tema...Como fazer estas aulas???
Seria muito bom os alunos terem espaço para mostrar seus conhecimentos prévios...podermos convidar artistas locais para mostrarem seus dotes musicais...ir a espetáculos com diversidade de músicas e conjuntos musicais....Aqui na minha cidade estamos tendo neste ano algum contato com estas diversidades de espetáculos...sanfoneiros, repentistas, trazidos por uma ONG, associada ao município, mas ainda é necessário ser mais divulgado, e atrair mais os alunos, que não se estimulam a ir conhecer este tipo diversificado, preferindo, como sempre manter-se conectados ao que existe na TV aberta e aos vídeos de internet. Mas acredito em nosso potencial como professores, e estamos abertos a novidades, aliás, como sempre estivemos.
Evanilde Guariento Kaiser
Adoro este tema. Pois temos oportunidade de trabalhar toda as sensibilidade dos nossos alunos.Precisamos trabalhar mais esse tema em sala de aula sendo assim acredito que iremos acabar com tanta violencia nas salas de aula.
Ilana Assbú Linhales Rangel

Olá pessoal,

desculpem o meu silêncio da última semana. Estou muito envolvida num concurso para professor de música da instituição que trabalho e não quero me dirigir a este forum sem a dedicação com que ele merece. Em breve poderei entrar novamente na discussão, pois como diz a Silvia "a coisa é séria".

Tenham um bom dia!

Ilana

Maria Aparecida Pinheiro
Olá Pessoal!  Sou Professora de Arte na Rede Pública Estadual na cidade de Campinas-SP. Há vários dias, estou lendo as participações dos colegas. Percebo que não sou única preocupada com o Ensino da Música, mas feliz em participar deste FORUM no qual observo troca de experiências, homenagens, solidariedades, descobertas ... e realmente, COMO SERÁ? O QUE ENSINAR? QUEM IRÁ MINISTRAR?  Continuarei acompanhando-os até o final...pois, esta Muuuiiito interessante!!!  PARABÉNS a ARTE NA ESCOLA e aos Professor  Francisco de Paula e Professora Ilana  ORGANIZADORES deste FORUM.  Um grande abraço a todos. Maria Aparecida 
Ilana Assbú Linhales Rangel
Olá pessoal!
Estive sem poder escrever para o fórum por causa de uma sucessão de problemas e também de realizações profissionais e pessoais que não justificam, mas me ajudam a romper o meu silêncio. Durante esse tempo (problemas e realizações), vivi momentos que reforçaram os pressupostos que orientam a minha prática pedagógica e gostaria de dividí-los com vocês. São certezas que norteiam meu dia-a-dia e que me ajudam a decidir o que ensinar, como ensinar, porque ensinar. São como pílulas diárias que estão sempre comigo para “vitaminar” minhas aulas:
  1. Visar sempre a expressão criadora
  2. Estar sempre com as aulas planejadas
  3. Estar sempre preparada par mudar meu planejamento
  4. Potencializar a performance dos meus alunos
  5. Lembrar sempre que música sem contexto histórico é música sem memória
  6. e que não existe expressão sem conteúdo
  7. Imaginação!
  8. Emoção!
  9. Comprometer-me com a sociedade em que vivo e com minha ação educativa
  10. Olhar para o fundo dos meus alunos, das suas relações, dos seus modos de vida
  11. Promover uma educação musical significativa através de conceitos musicais significativos
  12. Facilitar processos de singularização
  13. Construir, des-construir e re-construir
  14. Integrar currículo e cultura
  15. Pesquisar sempre e tudo
  16. Comprometer-me com a libertação da dominação
  17. Celebrar o pluralismo e a diversidade
  18. Promover desenvolvimento cognitivo
  19. Jogar no mesmo time dos meus alunos e não no oposto e, finalmente
  20. Ser feliz!
 
Estas pílulas variam, pois também são variáveis as nossas certezas. O importante é ser fiel enquanto temos certeza delas, pois só assim faremos uma prática pedagógica que inspire confiança em nossos alunos e só assim eles embarcarão no fantástico mundo da expressão criadora, da construção do conhecimento e da apropriação de uma linguagem musical.
É bom estar de volta ao fórum!
Ilana
Maria Teresa De Beaumont

olá pessoal!

Sou Maria Teresa de Beaumont, graduada em Pedagogia e Música, moro na cidade de Araguari-MG e atuo como professora no Conservatório Estadual e na Universidade Presidente Antônio Carlos, UNIPAC, onde trabalho com a disciplina 'Arte e Cultura' no Curso de Pedagogia. Também trabalho com formação musical de professoras da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental (Fundamental I).

Quero deixar minha contribuição convidando a todos/as para visitarem a página da Associação Brasileira de Educação Musical - ABEM, no endereço: www.abemeducacaomusical.org.br. Vocês vão notar que alguns dos professores da área de Música também possuem dúvidas a respeito da implantação da nova lei, algumas das quais começam a ser respondidas por pesquisadores dessa área. No último encontro nacional dessa Associação, ocorrido em São Paulo no mês passado (outubro) houve uma mesa de debates sobre o tema e deixo, aqui, o Informativo n.44, desse mês, para vocês verem as questões formuladas e respostas obtidas.

Afirmo meu posicionamento em favor da contratação e efetivação, por meio de concursos, de professores de Música para lecionarem Música. Porém, como no Brasil observamos 'realidades educacionais' tão diversas, aqui no fórum temos vários exemplos, acredito que também possamos contar com professores graduados em Artes Visuais, Teatro ou Dança incluindo a Música em suas aulas, desde que busquem, como várias pessoas demonstraram essa iniciativa, em cursos, oficinas, debates, estudos teóricos, pesquisas e atividades práticas, formação musical permanente. Penso, ainda, na produtividade do trabalho das professoras 'unidocentes' como parceiras dos professores 'especialistas'. No contexto dessa nova lei tenho concordado com a substituição do 'isso ou aquilo' pelo 'isso e aquilo', em se tratando do ensino de Arte/Música.

Para encerrar, deixo um abraço a todos/as, especialmente ao Francisco, pela sugestão do tema e à Ilana que o mediou. E deixo minha disposição para conversarmos mais a respeito do tema. Atenciosamente, Maria Teresa.

Simone Vieira Favarin Rodel

Olá pessoal, me chamo Simone adoro música, trabalho com musicalização infantil e 1º ao 5º anos, sou formada em pedagogia e tecnico em piano. Estou com duvidas: para eu ser professora de música a partir da nova lei, qual formação preciso ter? Estou adorando entrar neste site e poder conversar e trocar idéias...abraços.

Denyse Petterle Manfroi

Olá pessoal sou Denyse graduada em Arte-Música e Pedagogia  fiquei feliz ao saber do movimento para que Música seja parte da matriz curricular da Educação Básica. Parabenizo a colega Maria Tereza pela atitutide de partilhar as novas e com o seu expressivo envolvivento.

Maria Teresa de Beaumont escreveu:

olá pessoal!

Sou Maria Teresa de Beaumont, graduada em Pedagogia e Música, moro na cidade de Araguari-MG e atuo como professora no Conservatório Estadual e na Universidade Presidente Antônio Carlos, UNIPAC, onde trabalho com a disciplina 'Arte e Cultura' no Curso de Pedagogia. Também trabalho com formação musical de professoras da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental (Fundamental I).

Quero deixar minha contribuição convidando a todos/as para visitarem a página da Associação Brasileira de Educação Musical - ABEM, no endereço: www.abemeducacaomusical.org.br. Vocês vão notar que alguns dos professores da área de Música também possuem dúvidas a respeito da implantação da nova lei, algumas das quais começam a ser respondidas por pesquisadores dessa área. No último encontro nacional dessa Associação, ocorrido em São Paulo no mês passado (outubro) houve uma mesa de debates sobre o tema e deixo, aqui, o Informativo n.44, desse mês, para vocês verem as questões formuladas e respostas obtidas.

Afirmo meu posicionamento em favor da contratação e efetivação, por meio de concursos, de professores de Música para lecionarem Música. Porém, como no Brasil observamos 'realidades educacionais' tão diversas, aqui no fórum temos vários exemplos, acredito que também possamos contar com professores graduados em Artes Visuais, Teatro ou Dança incluindo a Música em suas aulas, desde que busquem, como várias pessoas demonstraram essa iniciativa, em cursos, oficinas, debates, estudos teóricos, pesquisas e atividades práticas, formação musical permanente. Penso, ainda, na produtividade do trabalho das professoras 'unidocentes' como parceiras dos professores 'especialistas'. No contexto dessa nova lei tenho concordado com a substituição do 'isso ou aquilo' pelo 'isso e aquilo', em se tratando do ensino de Arte/Música.

Para encerrar, deixo um abraço a todos/as, especialmente ao Francisco, pela sugestão do tema e à Ilana que o mediou. E deixo minha disposição para conversarmos mais a respeito do tema. Atenciosamente, Maria Teresa.



Denyse Petterle Manfroi

Sou Denyse parabenizo Ilana por sua pílulas de atitudes pedagógica, vamos aproveitar e evoluir. abraços

Ilana Assbú Linhales Rangel escreveu:

Olá pessoal!
Estive sem poder escrever para o fórum por causa de uma sucessão de problemas e também de realizações profissionais e pessoais que não justificam, mas me ajudam a romper o meu silêncio. Durante esse tempo (problemas e realizações), vivi momentos que reforçaram os pressupostos que orientam a minha prática pedagógica e gostaria de dividí-los com vocês. São certezas que norteiam meu dia-a-dia e que me ajudam a decidir o que ensinar, como ensinar, porque ensinar. São como pílulas diárias que estão sempre comigo para “vitaminar” minhas aulas:
  1. Visar sempre a expressão criadora
  2. Estar sempre com as aulas planejadas
  3. Estar sempre preparada par mudar meu planejamento
  4. Potencializar a performance dos meus alunos
  5. Lembrar sempre que música sem contexto histórico é música sem memória
  6. e que não existe expressão sem conteúdo
  7. Imaginação!
  8. Emoção!
  9. Comprometer-me com a sociedade em que vivo e com minha ação educativa
  10. Olhar para o fundo dos meus alunos, das suas relações, dos seus modos de vida
  11. Promover uma educação musical significativa através de conceitos musicais significativos
  12. Facilitar processos de singularização
  13. Construir, des-construir e re-construir
  14. Integrar currículo e cultura
  15. Pesquisar sempre e tudo
  16. Comprometer-me com a libertação da dominação
  17. Celebrar o pluralismo e a diversidade
  18. Promover desenvolvimento cognitivo
  19. Jogar no mesmo time dos meus alunos e não no oposto e, finalmente
  20. Ser feliz!
 
Estas pílulas variam, pois também são variáveis as nossas certezas. O importante é ser fiel enquanto temos certeza delas, pois só assim faremos uma prática pedagógica que inspire confiança em nossos alunos e só assim eles embarcarão no fantástico mundo da expressão criadora, da construção do conhecimento e da apropriação de uma linguagem musical.
É bom estar de volta ao fórum!
Ilana


14200 visualizações | 75 respostas Faça login para responder