Forum
Julmara Goulart Sefstrom
Boa tarde a todos. Realizei a leitura de alguns tópicos deste fórum e vejo que o tema realmente inquieta a muitos, inclusive a mim. Sou professora de Artes, atuo com 14 turmas, sendo duas de educação infantil. Procuro em minha prática, parafraseando sônia Krammer, considerar as crianças como produtores de cultura. Ao mesmo tempo, tento ampliar seu repertório por meio de imagens artísticas (ou não) selecionadas de acordo com os objetivos que pretendo alcançar. Gostaria de expor uma experiência: nas turmas de Educação Infantil nas quais trabalho, atualmente estou abordando o artista Franklin Cascaes, cujas obras retratam o imaginário popular da ilha de Santa Catarina. Suas obras são feitas em nanquim e lápis 6 B em geral, e são repletas de texturas. Dentre outras ações desenvolvidas, mostrei as imagens para os pequenos, que associaram ao universo dos desenhos infantis, às bruxas das histórias que ouvem, enfim. Pedi que percebessem onde haviam linhas e onde haviam pontinhos.Depois, saimos pela escola a fim de "descobrir" se essas linhas e pontinhos existem em nosso cotidiano.Munidos com giz de cera, eles exploraram as texturas dos bancos da escola, das árvores, do piso. Depois, ofereci a eles canetões, para que desenhassem o que viram.Já apareceram desenhos diferentes dos usuais: as árvoŕes, antes todas iguais, apresentaram linhas demarcando texturas, por exemplo.Numa outra aula, peguei várias obras do artista, inclusive uma foto sua e criei uma história. Expliquei para as crianças que o artista usava nanquim com pena. Levei uma pena de nanquim para a sala de aula e deixei que cada um experimentasse um pouquinho.Hoje, disponibilizei a eles palitinhos de churrasco (pena de nanquim alternativa rsrs) e nanquim e pedi para que criassem também seus "monstrinhos e bruxinhas do bem" como fazia Franklin Cascaes.Alguns garatujaram, alguns exploraram as linhas que viram, teve um menino que encheu a folha de pontinhos, dizendo que "era o rio cheio de sujeira", alguns criaram monstrinhos. Enfim, não sei se estou no caminho. Não sei bem ainda o que deve ser feito, mas eu sei o que não quero que seja feito, ou seja, trazer modelos prontos para as crianças que tem grande potencial de criação, basta que seja estimulado. (Sandra Richter falou isso na pós que fiz na UNESC: "podemos não saber direito o que queremos, mas temos que saber o que não queremos".) Um grande abraço a todos. Já me alonguei demais.As discussões por aqui estão muito boas.
Jefferson Passos

Olá Julmara. Gostei muito da experiência de pesquisar texturas pela escola. Com certeza foi um período de descobertas incríveis tanto da proposta que vc deu, quanto do espaço escolar que às vezes é pouco aproveitado por todos nós. Já imagino as crianças com esses papéis e giz d cera... O exercício de observar para depois representar é um ótimo método de trabalho. Acho qe o que as crianças mais precisam é parar para ver, apreciar, tocar, sentir as texturas das plantas e objetos que as rodeiam, reparando o detalhe, sentindo realmente antes de partir para o desenho. Desenhamos melhor aquilo que nos apropriamos primeiro.

Realmente temos que ter como base aquilo que não queremos para nossos alunos. O que queremos, fóruns como este nos ajudam a abrir nossos horizontes para outras perspectivas, além das que já conhecemos e praticamos.

Estou achando o fórum riquíssimo, estou adorando participar.

Maria Leticia Rauen Vianna
Jefferson Passos escreveu:

Olá Julmara. Gostei muito da experiência de pesquisar texturas pela escola. Com certeza foi um período de descobertas incríveis tanto da proposta que vc deu, quanto do espaço escolar que às vezes é pouco aproveitado por todos nós. Já imagino as crianças com esses papéis e giz d cera... O exercício de observar para depois representar é um ótimo método de trabalho. Acho qe o que as crianças mais precisam é parar para ver, apreciar, tocar, sentir as texturas das plantas e objetos que as rodeiam, reparando o detalhe, sentindo realmente antes de partir para o desenho. Desenhamos melhor aquilo que nos apropriamos primeiro.

Realmente temos que ter como base aquilo que não queremos para nossos alunos. O que queremos, fóruns como este nos ajudam a abrir nossos horizontes para outras perspectivas, além das que já conhecemos e praticamos.

Estou achando o fórum riquíssimo, estou adorando participar.

Pois é, concordo em parte, porque não podemos esquecer que desenho não é só observação, é também imaginação. Então, só observar, resolve uma parte do problema, mas não o problema inteiro. Pensemos nisso!! Leticia

Maria Leticia Rauen Vianna
Mareide Lopes de Arruda escreveu:

Olá Leticia,

Sou graduada em Língua Portguesa com Pós em Práticas pedágogicas em Artes e, o desenho esteriotipado é realmente o carma na escola em que leciono - 6º ao 8º ano. Por DEUS, mande-me informações sobre o seu livro, e tudo o mais que tiver, pois eu e meus alunos já estamos na UTI do estresse. Bjus a todos - Mareide - meu e-mail é: mareidelopes@hotmail.com 


Olá Mareide. Por enquanto, leia meus artigos no site do arte na escola. Eles estão no 'Pesquise' e já passei esta informação numa mensagem que escrevi logo no inicio do forum. Veja se consegue recuperar os títulos. Também veja, por favor, algo que escrevi sobre a grafia correta da palavra  esterEótipo. E, fique tranquila, que vou sim te avisar sobre o lançamento do livro. Um abraço e obrigada por seu interesse. Leticia
Denise Nalini
Ola Jefferson, Também achei ótima a contribuição da Julmara, e avalio que são práticas como essas que apontam novos caminhos, aproveito para indicar um artigo recente da Revista Avisala no. 41 - Engolindo Arvores com os olhos , esse artigo traz a experiência de uma professora do Ateliê Parangolé de Jundiaí , nele a professora Ana Teixeira relata o seu percurso no trabalho para ampliar o repertório das crianças. É uma experiência que vale a pena conhecer . Beijocas e ai vamos nós
Jefferson Passos escreveu:

Olá Julmara. Gostei muito da experiência de pesquisar texturas pela escola. Com certeza foi um período de descobertas incríveis tanto da proposta que vc deu, quanto do espaço escolar que às vezes é pouco aproveitado por todos nós. Já imagino as crianças com esses papéis e giz d cera... O exercício de observar para depois representar é um ótimo método de trabalho. Acho qe o que as crianças mais precisam é parar para ver, apreciar, tocar, sentir as texturas das plantas e objetos que as rodeiam, reparando o detalhe, sentindo realmente antes de partir para o desenho. Desenhamos melhor aquilo que nos apropriamos primeiro.

Realmente temos que ter como base aquilo que não queremos para nossos alunos. O que queremos, fóruns como este nos ajudam a abrir nossos horizontes para outras perspectivas, além das que já conhecemos e praticamos.

Estou achando o fórum riquíssimo, estou adorando participar.



Jefferson Passos
Denise Nalini escreveu:
Ola Jefferson, Também achei ótima a contribuição da Julmara, e avalio que são práticas como essas que apontam novos caminhos, aproveito para indicar um artigo recente da Revista Avisala no. 41 - Engolindo Arvores com os olhos , esse artigo traz a experiência de uma professora do Ateliê Parangolé de Jundiaí , nele a professora Ana Teixeira relata o seu percurso no trabalho para ampliar o repertório das crianças. É uma experiência que vale a pena conhecer . Beijocas e ai vamos nós



Olá Denise. Fiquei curioso em ver o artigo mas não encontrei na internet. Você teria ele pra colocar na net ou aqui no fórum? Gosto de ler esses relatos de experiência pois sempre podemos analisar e resignificá-los em nosso cotidiano escolar. Veja se consegue isso pra gente... ok?

Abraços e obrigado por participar do forum.

Maria Leticia Rauen Vianna
escreveu:
Olá Letícia...creio que um Fórum é aberto para discutir, analisar  e rever conceitos ou pré conceitos já estabelecidos.  E é óbvio que alguns conceitos já foram discutidos e revistos...mas creio que as experiências relatadas é que fazem da discussão um caminho necessário para a revisão de sua prática pedagógica. E se fui repetitiva, PERDÃO; se não se permite ouvir repetições não queira ser uma mediadora de um fórum.
att
Não sei quem escreveu isso acima, (não encontrei o nome da pessoa) mas acho que houve um EQUÍVOCO, pois não sou  a mediadora, sou apenas uma das participantes. Portanto, acho que esta crítica não era dirigida a mim. Há duas mediadoras, Mirca e Denise. Entretanto, concordo que quando alguém entra no fórum, seria bom que procurasse ler tudo o que já foi escrito, pra se inteirar de coisas importantes que já foram ditas. Não se trata de rediscutir conceitos (o que também seria bem interessante!) mas de indicações que já foram feitas.. ABÇ Leticia

Denise Nalini
escreveu:
Olá Letícia...creio que um Fórum é aberto para discutir, analisar  e rever conceitos ou pré conceitos já estabelecidos.  E é óbvio que alguns conceitos já foram discutidos e revistos...mas creio que as experiências relatadas é que fazem da discussão um caminho necessário para a revisão de sua prática pedagógica. E se fui repetitiva, PERDÃO; se não se permite ouvir repetições não queira ser uma mediadora de um fórum.
att


Olá querida, fique tranquila, pode sim se repetir e retornar as questões que já foram discutidas.

A participação num fórum é assim mesmo, nem sempre todos concordam, mas não há uma única verdade  . Esse é o papel da mediação permitir que as diferentes expressões possam se encontrar e dizer de fato o que pensam, e por tratar de um tema tão presente na prática de cada é que o site do ARTE na Escola tematizou a proposta do prof. Jefferson.  

Eu sou a mediadora Denise Nalini  e acredito que meu papel é deixar que esses muitos saberes e  práticas possam aparecer, melhores ou piores, informadas ou não, é nessa conversa que os  caminhos se constituem . Fique á vontade !

Denise Nalini
Jefferson Passos escreveu:
Denise Nalini escreveu:
Ola Jefferson, Também achei ótima a contribuição da Julmara, e avalio que são práticas como essas que apontam novos caminhos, aproveito para indicar um artigo recente da Revista Avisala no. 41 - Engolindo Arvores com os olhos , esse artigo traz a experiência de uma professora do Ateliê Parangolé de Jundiaí , nele a professora Ana Teixeira relata o seu percurso no trabalho para ampliar o repertório das crianças. É uma experiência que vale a pena conhecer . Beijocas e ai vamos nós



Olá Denise. Fiquei curioso em ver o artigo mas não encontrei na internet. Você teria ele pra colocar na net ou aqui no fórum? Gosto de ler esses relatos de experiência pois sempre podemos analisar e resignificá-los em nosso cotidiano escolar. Veja se consegue isso pra gente... ok?

Abraços e obrigado por participar do forum.

Jefferson,

A Revista Avisalá é feita por uma pequena ONG da cidade de São Paulo, você pode ter acesso a Revista  por assinatura. Normalmente, há uma política de disponibilização de artigos de anos anteriores, infelizmente esse é um número bem recente o que me impede de disponibilizá-lo na net. Mas todos podem acessar o site www.avisala.org.br, em especial  na biblioteca do projeto Formar em rede são disponibilizados uma série de artigos sobre desenho, artigos que não tratam especificamente desse tema mas que nos ajudam a pensar sobre como essa linguagem se constituí.  Essa pesquisa ajuda muito a resignificar o trabalho com o desenho e a ampliar a discussão.  

beijos e vou continuar a pesquisar mais materiais para enriquecer essa conversa. beijocas

Denise Nalini
Denise Nalini escreveu:
Jefferson Passos escreveu:
Denise Nalini escreveu:
Ola Jefferson, Também achei ótima a contribuição da Julmara, e avalio que são práticas como essas que apontam novos caminhos, aproveito para indicar um artigo recente da Revista Avisala no. 41 - Engolindo Arvores com os olhos , esse artigo traz a experiência de uma professora do Ateliê Parangolé de Jundiaí , nele a professora Ana Teixeira relata o seu percurso no trabalho para ampliar o repertório das crianças. É uma experiência que vale a pena conhecer . Beijocas e ai vamos nós



Olá Denise. Fiquei curioso em ver o artigo mas não encontrei na internet. Você teria ele pra colocar na net ou aqui no fórum? Gosto de ler esses relatos de experiência pois sempre podemos analisar e resignificá-los em nosso cotidiano escolar. Veja se consegue isso pra gente... ok?

Abraços e obrigado por participar do forum.

Jefferson,

A Revista Avisalá é feita por uma pequena ONG da cidade de São Paulo, você pode ter acesso a Revista  por assinatura. Normalmente, há uma política de disponibilização de artigos de anos anteriores, infelizmente esse é um número bem recente o que me impede de disponibilizá-lo na net. Mas todos podem acessar o site www.avisala.org.br, em especial  na biblioteca do projeto Formar em rede são disponibilizados uma série de artigos sobre desenho, artigos que não tratam especificamente desse tema mas que nos ajudam a pensar sobre como essa linguagem se constituí.  Essa pesquisa ajuda muito a resignificar o trabalho com o desenho e a ampliar a discussão.  

beijos e vou continuar a pesquisar mais materiais para enriquecer essa conversa. beijocas

E para continuar essa discussão além dos artigos já indicados, que tal acessar esse disponibilizado no site arte na escola , para isso é so entrar em pesquisar - artigos .



Infância e descoberta: conhecendo a linguagem da arte, indo de encontro aos estereótipos
Bruna Pereira Alves

RESUMO

As crianças começam a ter contato com a arte na educação infantil. Nesta fase, elas sonham acordadas, inventam e descobrem coisas, se aventuram em um mundo desconhecido, não têm medo de criar. Pensando neste contexto, venho destacar a importância de o professor aproveitar esta fase de seus alunos e disponibilizar recursos para aprimorar o conhecimento deles e aguçar sua curiosidade e vontade de desvendar, já que é assim, que os alunos ampliarão seu vocabulário visual e darão asas a sua imaginação. Assim, escrevo este artigo, para levantar a importância de o professor agitar-se no movimento de mudanças e descobertas, argumentando e criticando, movimentando-se no sentido de oportunizar ao seu aluno um melhor ambiente de aprendizagem. Além disso, venho levantar como outro ponto essencial em minha discussão, a questão dos estereótipos, muito difundidos no ambiente escolar, destacando a importância de se pensar sobre eles, e sua influência sobre os alunos, principalmente na educação infantil, em que a criança começa a criar conceitos e relações novas a respeito do que aprende, não devendo ter como base modelos prontos. Desta forma, levanto a importância de o professor utilizar os jogos e o lúdico para chamar a atenção de seus alunos para o que ele está apresentando e, sem utilizar estereótipos, possibilitá-los a utilizar a imaginação para fazer arte.

Palavras-chave: Arte; Criar; Estereótipos; Imaginação.

E o artigo já citado pela profa. Ma. Letícia ...

Das Idées reçues francesas aos desenhos recebidos brasileiros
Dra. Maria Leticia Rauen Vianna *

Resumo:

Idéias recebidas (idées reçues) são idéias que se aceita sem repensar, sem tolerar discussão, sem consultar ninguém. Elas constituem “lugares comuns”, expressos em frases feitas, em clichés, apresentadas como verdades adquiridas desde sempre, as quais não se sabe nem de onde nem de quem se aprendeu. De larga tradição na civilização francesa, a expressão “idées reçues” só se fixou como sintagma no séc. 19. A partir das “idées reçues” do escritor francês Flaubert, este artigo tenta estabelecer paralelos entre aquela noção francesa e as imagens escolares brasileiras. “Recebidos“ é a designação que a autora propõe para nomear os desenhos encontrados no ambiente escolar no Brasil. Inspirando-se no “Dictionnaire des Idées Reçues” de Flaubert , ela tece uma série de reflexões sobre tais imagens, baseada em suas próprias observações da realidade escolar e no desenvolvimento de um processo que denomina “desestereotipização” neologismo que criou.

Palavras–chave:-Imageria Escolar- Formação de Professores - Práticas Pedagógicas- Desestereotipização do desenho.

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