"O Sol quente no Sertão" por J.Borges

O sol quente no sertão

A obra O Sol quente no sertão, 2016, de J.Borges, foi escolhida como referência artística para a criação da identidade visual da 17ª edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã. A imagem foi gentilmente cedida pelo artista para a premiação.

“Eu me arranjo no dia a dia, no que vejo, no que sinto, no folclore, nas lendas. Tudo isso vai dando inspiração.” J. Borges.

Ficha técnica da obra
J. Borges. O Sol quente no sertão, 2016, xilogravura, 48 x 66 cm. Imagem cedida pelo artista.

J.Borges

José Francisco Borges, 1935 – Bezerros/PE

Artista popular, xilogravador e poeta. Filho de agricultores, frequenta a escola aos 12 anos, apenas por dez meses. Realiza diversas atividades: é marceneiro, mascate, pintor de parede, oleiro etc. Em 1956, compra um lote de folhetos de cordel e começa a atuar como vendedor em feiras populares. Em 1964, escreve seu primeiro folheto, O encontro de dois vaqueiros no sertão de Petrolina, que é ilustrado pelo artista Dila, de Caruaru, e publicado pelo folheteiro Antonio Ferreira da Silva, que acompanhava J. Borges nas feiras do interior.

O folheto é um sucesso e vende cinco mil exemplares em apenas dois meses. Na segunda publicação, O verdadeiro aviso de Frei Damião sobre os castigos que vêm, J. Borges produz sua primeira xilogravura, inspirada na fachada da igreja de Bezerros. Com esse trabalho, tem início sua carreira como xilogravador.

A partir de 1970, começa a receber diversas encomendas de gravuras, o que fortalece sua obra e estimula a autonomia de suas gravuras em relação ao cordel. J. Borges continua escrevendo e produzindo cordéis por vinte anos e cria a gráfica Casa de Cultura Serra Negra, em Bezerros, na qual ensina o ofício a seus filhos. A xilogravura lhe dá projeção nacional e internacional: ele ilustra livros, como o Palavras andantes (LP&M, 1993), do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Participa de diversas exposições; ministra oficinas e workshops sobre cordel e xilogravura. A partir da década de 1980, seu trabalho recebe prêmios que atestam a importância de sua contribuição como artista popular. Entre eles, o prêmio de gravura Manoel Mendive, na 5ª Bienal Internacional Salvador Valero, Venezuela, em 1995; medalha de honra ao mérito da Fundação Joaquim Nabuco, Recife, em 1990; medalha de honra ao mérito cultural, do Palácio do Planalto, Brasília, em 1999; e o Prêmio Unesco, em 2000. Em 2006, J. Borges passa a receber bolsa vitalícia concedida com a Lei do Registro do Patrimônio Vivo e é criado o Memorial J. Borges, em Bezerros, que assume as funções de ateliê, oficina e galeria.

+ Mais informações

Fontes de Pesquisa

Fonte: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. Disponível em: <http:// enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8837/j-borges#>. Acesso em: abr. 2016.

Artigos/Textos

CORREIA, Rodrigo Bento. Literatura de cordel e xilogravura: interfaces de representação do imaginário popular. In: ENCONTRO DIÁLOGOS ENTRE LETRAS – EDEL, 1., 2011. Anais. Dourados: Universidade Federal da Grande Dourado, 2011. Disponível em: <http://www.ufgd.edu.br/eventos/edel/trabalhos/CORREIA,%20Rodri go%20Bento.pdf>. Acesso em: abr. 2016.

LIMA, Claudilaine; GUEDES, Sandra. O reino mágico da xilo(gravura). Disponível em: <http://www.unicap.br/armorial/35anos/trabalhos/o-reino_xilogravura.pdf>. Acesso em: abr. 2016.

NEIVA, Ivany Câmara. Revisitando a folhetaria de J. Borges – notícias do sertão. In: INTERCOM – CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 29., 2006. Anais. Brasília: Universidade de Brasília – UnB, 2006.. Disponível em: <http://www.in tercom.org.br/papers/nacionais/2006/resumos/R0382-1.pdf>. Acesso em: abr. 2016.

REBOULET, Laura Bitarelli. A festa e a magia nas xilogravuras de J. Borges. Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares – Tecap, Rio de Janeiro, v. 9, n. 2, p. 91-105, nov. 2012. Disponível em: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/ojs/index.php/tecap/arti cle/viewFile/10262/8048>. Acesso em: abr. 2016.

SANTOS, Maria Aparecida dos. J. Borges: a arte da xilogravura. Revista Educação, Guarulho: UnG – Universidade Guarulhos, v. 4, n. 1, p. 76-82, 2009. Disponível em: <http://revistas.ung.br/index.php/edu cacao/article/view/465/572>. Acesso em: abr. 2016.

Catálogos/Livros

AGUILAR, Nelson (Org.). Arte popular. Mostra do Redescobrimento. São Paulo: Fundação Bienal: Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, 2000.

A ARTE de J. Borges: do cordel à xilogravura. São Paulo: Sesc Santana, 2005.

BORGES, J. Poesia e gravura de J. Borges. Recife: Edição do autor, 1993.

FERREIRA, Clodo (Org.). J. Borges por J. Borges: gravura e cordel no Brasil. Brasília: Ed. UnB, 2006.

Tese

SILVA, Maria do Rosário da. Histórias escritas na madeira: J. Borges entre folhetos e xilogravuras na década de 1970. 2015, 254 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2015. Disponível em: <http://repositorio.ufpe.br/handle/12345 6789/15493>. Acesso em: abr. 2016.

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