Cinco professores tiveram suas experiências educativas premiadas em 2009. Cada vencedor recebeu um prêmio no valor de R$ 7 mil reais. Já as escolas premiadas foram contempladas com um computador e uma máquina fotográfica digital. A cerimônia de entrega aconteceu no dia 13 de outubro, no Centro Cultural dos Correios, em Recife (PE).
Veja como foi.

Este ano a Comissão de Avaliação Nacional foi composta por: Carmen Lucia Capra (mestre em Educação e professora da Rede Pública de Caxias do Sul), Igor Coimbra (mestre em Música e professor de práticas musicais), Melina Risso (diretora de Desenvolvimento Institucional do Instituto Sou da Paz), Robson Xavier (mestre em História e professor de práticas de ensino) e Rosa Iavelberg (doutora em Artes e diretora do Centro Universitário MariAntonia).

Conheça os premiados e assista aos documentários sobre as experiências vencedoras:

X Prêmio Arte na Escola Cidadã


Educação Infantil

Experiência Educativa: "Somos brasileiros, somos diferentes"
Professora: Gilmária Ribeiro da Cunha
Escola: Centro Municipal de Educação Infantil Cid Passos
Cidade/Estado: Salvador - BA
Pólo: UESB - Universidade do Sudoeste da Bahia
Coordenadora: Irlândia Maria Serra Negra Coelho Rocha



A experiência foi realizada com crianças de cinco anos, moradoras do Subúrbio Ferroviário de Salvador, região caracterizada por abrigar população de baixa renda, porém rica em manifestações culturais com fortes traços de origem indígena e africana. Tento em vista este contexto, a experiência buscou resgatar e valorizar estas culturas a fim de estabelecer comparações entre o modo de ser e de viver dos povos indígenas e africanos com a cultura brasileira e especialmente a cultura loca. O trabalho buscou ainda elevar a auto-estima das crianças por meio da valorização de suas heranças culturais, especialmente a africana. A arte foi fio condutor de todo o processo, tendo sido trabalhada em diferentes expressões: artes plásticas, música, dança e teatro.

Em seu relato, a professora afirma que a opção da arte como principal mediadora na aquisição de conhecimento possibilitou às crianças se expressarem através de diversas linguagens, construindo sua identidade cultural e ampliando sua visão através de representações sobre o multiculturalismo, as brincadeiras da infância, as manifestações artísticas e culturais a expressão corporal, os seus sentimentos.

Como resultado, aponta também que a experiência contribuiu na construção da identidade das crianças e no fortalecimento do respeito às diferenças levando ao exercício da cidadania, respaldado em valores éticos.

Além da interação com Professora de Teatro da escola e da participação de estagiários universitários nesta área, o desenvolvimento do projeto contou com o total apoio da Gestão da Escola, considerando que seus elementos constituem a base do seu Projeto Pedagógico, o qual traz a Arte-Educação como eixo norteador da prática pedagógica com vistas a valorização da cultura da infância e da cultura local.

Assista ao documentário


Ensino Fundamental I

Experiência Educativa: Bla Bla Bla
Professora: Juliana Carnasciali Muniz
Escola: E.E.I.E.F. "Embaixador Assis Chateaubriand"- Fundação Bradesco
Cidade/Estado: Osasco - SP
Pólo: UNICSUL - São Miguel Paulista
Coordenadora: Rosemary Santiago/ Solange Utuari



A proposta de trabalho da professora Juliana surgiu quando, em 2008, ao assistir seus alunos apresentando um trabalho em grupo percebeu que as idéias eram muitas e de qualidade, mas que os gestos eram tímidos, perdidos e precários. A observação mostrou que as noções de equilíbrio, percepção corporal e estruturação espacial de seus alunos, de 9 e 10 anos, estavam, portanto, desprivilegiadas para sua faixa etária. O diálogo com professores de outras disciplinas mostrou que a mesma queixa se repetia: mente e corpo desconectados. Estava lançado o desafio: como fazê-los perceber que seu próprio corpo era volume e ocupava espaço expressivo no mundo, além de ser veículo para comunicar arte?

Deste problema nascia "Bla Bla Bla", uma experiência poética sonora que potencializou nos alunos a capacidade de relacionar corpo, mente e espaço, para estruturar caminhos entre ler, pensar, agir e falar sendo a PALAVRA e o CORPO as matérias para isso, através da linguagem POESIA. Deu-se início, então, a um intenso trabalho de percepção corporal que buscou relacionar-se também com as aulas de Educação Física, Ciências, História, Geografia e Língua Portuguesa.

O projeto teve início com um workshop de poesia realizado pelo poeta Paulo Netho. A partir daí, práticas e brincadeiras com palavra e corpo se fizeram presentes dentro de uma sequência didática proposta e que contou, por exemplo, com a gravação de um cd com 12 poesias, uma de cada classe, criadas de modo democrático/conjunto de 40 em 40 alunos e ensaiadas a partir das pronúncias escolhidas para gerar a gravação, um registro fiel das produções desenvolvidas, o gerou um portfólio do projeto.

Assista ao documentário


Ensino Fundamental II

Experiência Educativa: "Visitando os mundos da Arte"
Professora: Cecília Luiza Etzberger
Escola: Escola Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho
Cidade/Estado: Ivoti - RS
Pólo: FEEVALE Centro Universitário
Coordenadora: Caroline Bertani



As atividades tiveram início com o estudo da arte medieval por alunos de 6ª série que, após conhecerem alguns aspectos deste assunto, estabeleceram relações entre as imagens de igrejas góticas e a imagem da Igreja Matriz de São Pedro, presente na cidade de Ivoti.

Intrigados pela semelhança desejaram saber mais sobre a história desta construção e fizeram uma pesquisa inicial sobre o que os que os próprios alunos e seus familiares já sabiam a respeito da igreja. Posteriormente as descobertas foram compartilhadas em sala de aula, gerando outras dúvidas.

Nesta etapa, o trabalho contou com o apoio de uma historiadora da área preservação do patrimônio. Na sequência, foi realizada uma caminhada livre em torno da igreja para que conhecessem mais de perto seus detalhes. Após a caminhada, cada aluno escolheu uma maneira de fotografar a igreja. Alguns buscando detalhes, outros se esforçando por mostrar toda a construção.

Na escola foi trabalhada a manipulação digital das fotografias e a montagem de uma exposição com os trabalhos que seria, mais tarde, montada também na Secretaria de Educação do Município, por sugestão da própria direção da escola.

Da produção com fotografia, surgiu também o interesse pelo tema, o que gerou uma visita à exposição "Acroterium", do artista Ricardo Cristofaro, na Pinacoteca do Centro Universitário Feevale, com fotografias que apresentam imagens de diversos acrotérios da cidade de Juiz de Fora. Para a professora, esta observação das fotografias reais, e não reproduções, agregou novas informações aos alunos. A visita também foi particularmente bem aproveitada pelos alunos graças à presença também de uma mediadora. A ida à Feevale também oportunizou a observação mais atenta ao ambiente da universidade, como os vitrais.

O relato mostra que o envolvimento de diferentes pessoas da comunidade e a exploração de outros espaços além da escola contribuíram de maneira definitiva para o aprendizado dos alunos. "Alunos autores, alunos curadores, alunos visitantes, alunos expectadores. Como num teatro, os alunos vivenciaram diversos papéis presentes no campo da arte", sintetiza a professora.

Assista ao documentário


Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos - EJA

Experiência Educativa: "Cavalo Nóia"
Professora: Jacson Silva Matos
Escola: Escola Estadual Prof. Dr. Lauro Pereira Travassos
Cidade/Estado: São Paulo - SP
Pólo: UNICSUL - São Miguel Paulista
Coordenadora: Rosemary Santiago/ Solange Utuari



O projeto foi desenvolvido em uma escola localizada na periferia da zona sul de São Paulo, em uma comunidade marcada por altos índices de violência e criminalidade e pela deficiência de espaços e ações artístico-culturais. Amedrontados pela violência, os alunos desistiam dos estudos em meio ao ano letivo, resultando em elevada evasão escolar na região.

O objetivo do projeto foi, portanto, atrair de volta à escola os alunos do EJA do período noturno. A maior parte senhoras, donas de casa, trabalhadores, a terceira idade, bem como os jovens que queriam dar continuidade aos estudos.

O que o CAVALO NÓIA propôs foi uma junção das experiências dos alunos - a maioria oriunda das regiões Norte e Nordeste do Brasil - em relação às manifestações artístico-culturais de suas próprias origens como: boi-bumbá, reisado, cavalo-marinho, carnaval de rua, folguedos, São João, quermesse, maracatus, sambas de roda, capoeira e jongos.

As atividades, que tiveram início em 2000, sempre ocorrem durante todo o ano letivo em quatro etapas: 1- nutrição de elementos sobre cultura popular com rodas de bate-papo, explanações, vídeos, revistas, livros; 2 - confecção de ornamentos da festa ou os brindes que serão entregues no dia do festejo; 3 - ensaios em relação às danças, novas coreografias, percussão e cantigas; 4 - preparação final para o festejo: decoração, encontros com batuques; exposição das fotos, bonecos, luminárias, ornamentos confeccionados durante o ano letivo, e também mostra dos trabalhos armazenados das edições anteriores. Além das festividades que culminam em novembro com a saída pelas ruas do CAVALO NÓIA, há também a elaboração de livrinhos, cordéis, letra de músicas e poesias em conjunto com português, estudo da cultura popular envolvendo, história e geografia.

O projeto, que no início contava com 200 participantes, cresceu em importância e adesão, envolvendo comerciantes, casas de cultura, outras escolas e mesmo a paróquia local. Em 2008 cerca de 3500 pessoas estiveram envolvidas diretamente entre alunos, professores, pais e moradores da região. No mesmo ano, o CAVALO NÓIA recebeu o convite para encerrar a 28ª BIENAL de São Paulo, o que gerou grande repercussão positiva na comunidade a essa altura amplamente envolvida no projeto que conseguiu o seu objetivo de promover a reaproximação, por meio da cultura, entre alunos e escola.

Assista ao documentário


Ensino Médio

Experiência Educativa: "Arte: Impressão e Expressão que transforma"
Professora: Flávia Roberta Alves Costa
Escola: Escola Mater Christi
Cidade/Estado: Recife - PE
Pólo: UFPE - Universidade Federal de Pernambuco
Coordenadora: Sebastião Gomes Pedrosa



Realizado com 30 estudantes do 2º ano do Ensino Média da rede particular de ensino, o projeto teve como objetivo favorecer a construção da identidade dos estudantes, reconhecendo e respeitando as diferenças através das diversas linguagens artísticas.

O 1º semestre foi dedicado a experimentar as diversas linguagens artísticas para se descobrir como ser criador capaz de modificar-se e adaptar-se ao mundo onde vive. O 2º Semestre buscou-se realizar projetos e ações que concretizem os potenciais criativos no âmbito individual e coletivo.

Para melhor sistematização o trabalho foi dividido em etapas: I: Estudo sobre arte moderna; II: Auto-retrato: diário do "eu"; III: Quem compreende a arte contemporânea?; IV: Visita a exposição de arte; V: Arte Conceitual; VI: Construção da Revista virtual Vertentes; VII: Culminância e Salão de Artes.

Os auto-retratos foram estudados e produzidos com materiais diversos, tais como fotografia, desenho e pintura. Posteriormente houve uma socialização da experiência de se auto-retratar.

Ao entrar em contato com alguns trabalhos de arte contemporânea ao longo do percurso, a professora percebeu a rejeição e o descrédito por parte de alguns estudantes levando a conflitos. Diante disso, o vídeo "Quem tem medo de arte contemporânea?" foi utilizado para discutir o tema com os alunos que depois produziram o texto "Quem compreende arte contemporânea?".

Seguiu-se a essa etapa, uma visita a uma exposição de arte contemporânea, onde os alunos tiveram oportunidade de conversar com os artistas e posteriormente fizeram uma avaliação do que foi visto.

Ao perceber o entusiasmo dos alunos com a crítica, foi criado um espaço para publicação de textos de alunos, professores e vivências acontecidas na Escola relacionada à arte. Assim surgiu a revista Vertentes, elaborada com a colaboração de professores e alunos, e que foi colocada no site da Escola no período de culminância dos trabalhos.

Ao final do projeto tudo o que foi construído no processo foi apresentado na Escola, para toda comunidade escolar e famílias. Alguns trabalhos foram produzidos exclusivamente para o dia do salão como cinco instalações e duas performances, nas quais dialogavam com o público e algumas delas precisavam da interação do outro.

Para a professora, tratar a arte como conhecimento foi um ponto fundamental e condição indispensável para o êxito do projeto. "O resultado evidenciou que o ensino significativo em artes torna-se possível ao articular a percepção sensível e crítica sobre as manifestações artísticas e o espaço sócio-ambiental do estudante, compreendendo o ambiente em sua totalidade".

Assista ao documentário


Conheça os trabalhos vencedores nos anos anteriores:

IX Prêmio Arte na Escola Cidadã 2008

VIII Prêmio Arte na Escola Cidadã 2007

VII Prêmio Arte na Escola Cidadã 2006

VI Prêmio Arte na Escola Cidadã 2005

V Prêmio Arte na Escola Cidadã 2004

IV Prêmio Arte na Escola Cidadã 2003

III Prêmio Arte na Escola Cidadã 2002

II Prêmio Arte na Escola Cidadã 2001

I Prêmio Arte na Escola Cidadã 2000




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