Artista & Obra

Siron Franco (Goiás Velho/GO – 1947)

“O que faço são provocações visuais”

1947. Na cidade de Goiás Velho, antiga capital do Estado com mesmo nome, numa família pobre com dez filhos, nasce o menino Gessiron Alves Franco. O desejo da mãe, que o menino seja médico. O desejo do menino, já aos 9 anos de idade, ser pintor. E Siron Franco persegue seu sonho.


A pintura sempre foi o seu grande mote, mas Siron trabalha também com outras linguagens. Mantendo-se sempre em sintonia com questões sociais, assina séries, como as expostas na reabertura do antigo prédio do Dops - Departamento de Ordem Política e Social/SP e a série Césio, em que critica o descaso das autoridades com as vítimas do conhecido acidente. Suas instalações têm forte apelo político e ecológico.

Autor de múltiplas leituras e pensamento caleidoscópio, Siron Franco faz protestos, apelos, participa. Acima de tudo, faz provocações. Artista que não fica encastelado, em silêncio, distanciado. Artista-cidadão, imerso nas tensões da sociedade, manifesta-se sobre as aflições éticas do seu tempo. Seria muito fácil rotular a produção de Siron como arte engajada. Contudo, suas obras não se propõem a ser o reflexo do mundo concreto, mas a invenção de um mundo imaginário, que dialoga com o real. “Enquanto estiver vivo não vou deixar de me indignar e a indignação não traz ódio, traz energia criativa.”

S/Título, Série Londres, nº03

Linhas paralelas atravessam a imagem na vertical. Escorrem. O olhar desagua nos sinais misteriosos da base. Tons vibrantes. São sóbrios? Festivos? Trágicos?

A obra nº03 faz parte de uma série de 24 trabalhos sobre Londres. Siron Franco detém seu olhar antropológico sobre a cidade. Sua pintura tem grandes dimensões, com pinceladas e cores vigorosas, que carregam consigo um sentido de urgência. Inquieto e passional frente aos problemas do mundo, Siron Franco recria as pulsações da vida.

As questões locais de Londres são questões do mundo todo e servem de matéria prima para o trabalho de Siron. Seu processo criativo desconstrói completamente a imagem do artista alienado, romântico. Siron Franco está em diálogo contínuo com a realidade, é um artista sensível às questões éticas do seu tempo e do espaço onde habita.“Acho que é o meu sistema nervoso, ele é que faz a pintura. Se eu sou tocado por uma frase, por uma fala, uma história ou um quadro, isso repercute imediatamente e faz parar o que eu já comecei, então eu tenho essa liberdade, essa irresponsabilidade, não sei. O ato de fazer, para mim, é que consiste a coisa. Eu sou muito envolvido pelo processo.”

Ficha técnica

Óleo sobre tela
180 x 190 cm
2000.

Imagem da obra