A 9ª edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã recebeu, em 2008, 1010 inscrições vindas de todo o Brasil. Este ano, além das categorias Educação Infantil, Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos, os inscritos concorreram também ao inédito Prêmio Especial Ano Internacional do Planeta Terra.

Outra novidade do IX Prêmio foi o processo de avaliação regionalizado. Numa primeira etapa, durante os meses de maio e junho, 97 professores convidados pelos 53 Pólos da Rede Arte na Escola fizeram a pré-seleção local. Do total de inscritos, 435 projetos foram encaminhados à próxima fase.

Destes, 361 enviaram seus portfólios e tiveram, então, seus trabalhos analisados por uma das quatro Comissões de Avaliação Regionais. Os profissionais que compuseram estas comissões foram eleitos após votação dos coordenadores dos Pólos em nomes previamente por eles mesmos indicados.

No mês de agosto, 103 trabalhos chegaram à final. Em 30 de setembro, foram conhecidos os vencedores escolhidos por uma Comissão de Avaliação Nacional. Na categoria Educação Infantil houve empate e duas ganhadoras dividem o prêmio. Já em Ensino Fundamental II não houve vencedor. A cerimônia de premiação aconteceu no dia 28 de outubro na cidade de Goiânia - GO. Veja aqui alguns trechos do evento. Abaixo, conheça os projetos premiados! Clicando no título de cada um, você assiste aos documentários sobre os vencedores.



IX Prêmio Arte na Escola Cidadã

Categoria Educação Infantil

Projeto: Uma Pá de Descobertas
Professora: Rosane Mari dos Reis
Escola: CEI Alzelir T. G. Pacheco
Cidade/Estado: Joinville – SC
Pólo: Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE
Coordenadora: Nadja Carvalho Lamas

Em seu projeto desenvolvido com 16 crianças de apenas dois anos de idade, a professora Rosane constatou ser possível trabalhar temas complexos ligados à Arte mesmo com os “pequenos”. Sua proposta foi a criação e a construção artísticas a partir da utilização dos elementos encontrados no solo, desenvolvendo assim a criatividade plástica a partir deste contato. Por meio da experimentação, as crianças puderam perceber as diferenças entre tamanhos, pesos, texturas e cheiros dos materiais encontrados no solo como conchas, pedras, minério. Explorando o pátio da própria escola, puderam conhecer também as características físicas de pequenos animais que compõem o ecossistema local. Passada a fase das descobertas, outras possibilidades a partir de materiais inorgânicos foram apresentadas às crianças (adornos, tinta, argila, etc), bem como materiais sintéticos criados a partir de elementos encontrados no solo (tinta, cimento, sementes). O objetivo era produzir trabalhos artísticos a partir destes materiais e montar uma exposição a fim de envolver as famílias e a comunidade escolar em uma campanha de preservação de sambaquis – depósito de conchas e objetos orgânicos manipulados pelo homem em tempos antigos no litoral brasileiro. A partir do contato físico direto com o solo no local da visita ao sambaqui, foi proposto que reproduzissem as mesmas sensações em seus trabalhos a partir dos elementos já conhecidos e estudados (areia grossa, conchas, caracóis), agora tendo o cimento como suporte. A montagem da exposição também contou com a participação direta das crianças, que caminharam sobre os materiais que reproduziam os vários tipos de solo e serviram de modelos para os desenhos corporais que compuseram um painel. Apesar de estarem na fase de construção verbal, a professora pode perceber que algumas crianças se destacaram pelo reconhecimento de cores e conceitos sobre os materiais estudados, os quais eram capazes de reconhecer, identificar e classificar quanto às semelhanças e diferenças. Rosane também foi capaz de observar o cuidado demonstrado pelos alunos em relação às produções expostas, o respeito à construção coletiva e o olhar sensível para o trabalho alheio. Trabalhar o fazer artístico com materiais captados na natureza foi, para a professora, uma maneira de trabalhar diferentes áreas do conhecimento, e fazer com que a criança se sentisse parte dela e, de certa maneira, responsável por sua preservação.

Projeto: Do Estereótipo à Poética Pessoal
Professora: Sonia Maria Pinheiro
Escola: EMEI Profª Maria Alice Seabra Prudente
Cidade/Estado: Bauru – SP
Pólo: Universidade Estadual de São Paulo - UNESP
Coordenadora: Maria Luiza Calim de Carvalho Costa

A avaliação diagnóstica feita pela professora Sonia com seu grupo de 30 alunos entre 5 e 6 anos mostrou que enquanto a maioria estava na fase figurativa, uma parcela das crianças ainda encontrava-se em uma etapa anterior do desenho conhecido como garatuja. A diferença vinha causando estranhamentos, já que a primeira parcela das crianças ria dos trabalhos das outras. O diálogo com o grupo e a observação das diferenças a motivaram a elaborar um projeto capaz de “desconstruir” o modelo de desenho estereotipado que os alunos traziam consigo para construir um novo modelo desenvolvendo a capacidade de criação de cada um. Envolvendo diferentes disciplinas, o projeto contou com palestras, visitas científicas ao horto florestal, plantio de árvores, reciclagem de papel, coleção de sementes, estudo e apreciação de obras abstratas, avaliação diagnóstica na pintura, leitura de imagens.
A partir da observação de diferentes árvores as crianças foram transformando suas produções. As arvorezinhas antes esterotipadas foram aos poucos dando lugar a produções mais elaboradas, criativas e abstratas, desconstruindo os conceitos de feio e bonito. A partir daí, o olhar dos alunos passou a ser tornar mais crítico, porém mais generoso também e capaz de valorizar a produção dos amigos.
Outras transformações observadas a partir do trabalho foram o despertar da conscientização da preservação da natureza, além o envolvimento dos pais a partir das novas idéias levadas para casa pelos filhos. Sonia acredita ter contribuído para ensinar o processo de “desestereotipização” tão comum dentro das Escolas Infantis. Para ela, de uma maneira simples e composta por atividades planejadas com objetivos claros também foi possível afastar a criança do desenho mecânico, trivial, simplório, primitivo e aproximá-la do seu próprio processo de criação. Com este trabalho, a professora quis ainda deixar um alerta sobre a necessidade urgente de interromper a simples e nociva apresentação de cópia e representação de modelos prontos, estereotipados, xerocados, mimeografados, para colorir, recortar, montar e montar e vislumbrar uma nova perspectiva na educação em Artes.

Categoria Ensino Fundamental I

Projeto: Rio Guaíba (Jaguaribe) na U.T.I.
Escola: Escola Estadual de Ensino Fundamental José de Alencar
Professoras: Maria Rosicely Fausto de Oliveira / Andréia Germano de Barros
Cidade/Estado: João Pessoa – PB
Pólo: Universidade Federal da Paraíba - UFPB
Coordenadora: Sicília Calado


O que é arte para você? Como seria uma aula de arte fantástica? Que tipo de problema da sua casa, escola ou comunidade você gostaria de discutir em sala de aula? Foi a partir destas perguntas que a professora Maria Rosicely iniciou o projeto cujo tema central viria a ser o meio ambiente e a poluição nos rios, tendo a arte como meio de expressão e protesto. O objeto de estudo foram os danos causados ao rio Guaíba (como é conhecido o rio Jaguaribe na região), próximo à comunidade de baixa renda onde vivem os alunos com idades entre 9 e 13 anos. Depois de identificar em sala de aula os materiais nocivos à natureza e seu respectivo tempo de decomposição, os alunos fizeram uma visita ao rio onde localizaram os mesmos resíduos antes estudados em sala de aula. Em outro momento os detritos foram retirados do rio para que dessem origem a uma interferência artística de protesto. Neste caso, o trabalho do artista Eduardo Srur, responsável por instalações no rio Tietê, em São Paulo, serviu de inspiração para os alunos. Com os resíduos recolhidos, eles formaram um pedido de socorro no chão: S.O.S.. Esta seria uma das várias intervenções que os alunos viriam a realizar durante o trabalho, sempre utilizando materiais recicláveis e tendo o Rio Guaíba como cenário. Como formas de expressão nas artes visuais, a professora incentivou também o uso de imagens e a experimentação de diferentes materiais em sala de aula. Fotografias, performance, instalações, intervenções urbanas, grafites, cartoons e charges, entre outros meios foram apresentados aos alunos a fim de que pudessem identificar as diferentes formas de protesto contidas na arte. Com este trabalho, a professora acredita ter aprendido, junto com os alunos, como ministrar uma aula de arte realmente significativa, fugindo do lugar como da produção de artesanato, utilizando materiais recicláveis de forma artística e ao mesmo tempo chamando a atenção das crianças e da comunidade para os problemas ambientais.



Categoria Ensino Médio

Projeto: Arte Contemporânea: Panorama Salvador - pintura sobre outdoor
Professora: Mônica Colucci
Escola: Colégio São Paulo
Cidade/Estado: Salvador – BA
Pólo: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB
Coordenadora: Irlândia Maria Serra Negra Coelho Rocha

Trabalhando com 113 alunos do 1º ano do Ensino Médio de Salvador, a professora Monica pôde perceber em seus desenhos as formas padronizadas e repetitivas como o sol, o coração, as árvores com maçazinhas, etc. As justificativas para tamanha padronização eram também as mesmas: “não sei desenhar” ou “não tenho jeito para desenho”. Investigando um pouco mais, a professora foi buscar a época da vida em que aqueles desenhos teriam surgido. Chegou então à faixa dos 6 a 7 anos de idade. Mesma época em que o aprendizado de português e de matemática também tinha seus limites bastante delineados em operações como adição, subtração, na produção de textos curtos e frases simples. Foi este, então, o ponto de partida para a proposição de uma ação pedagógica capaz de ampliar o repertório imagético e criar histórias pessoais para o fazer artístico destes jovens. Os alunos foram estimulados a observar imagens de obras de arte de diferentes épocas e técnicas, fotografias de situações sociais atuais, ilustrações de livros, histórias em quadrinhos, frase e textos reflexivos, além de fazer a leitura de filmes. Nesta fase, a professora lançou o desafio “Olhares e Percepções” que propunha olhar pequenos desenhos que representavam seu próprio dia-a-dia e perceber de forma diferente daquela com a qual estavam acostumados. Feito isso, a nova proposta foi a de criação de um projeto coletivo onde o pensamento fosse apresentado por meio de uma grande pintura, uma criação plástica contemporânea que teria como suporte um outdoor a ser exposto por 15 dias nas ruas da cidade. Os alunos participaram de palestras com professores de Matemática e representante do Movimento Negro, discutiram o projeto nas aulas de Filosofia, e, divididos em três grupos escolheram seus temas: A Bahia que você precisa enxergar, Transposição do Rio São Francisco e Valores, cadê você?. Paralelamente também aprenderam sobre a história da propaganda na rua, as especificidades e técnicas da pintura em outdoor. Após um semestre de trabalhos conceitual e prático, os outdoors foram para as ruas demonstrando para os professores a oportunidade de vivência dos alunos com a arte de forma a registrarem suas marcas e confiarem nas suas próprias expressões gráficas, transformando o fazer artístico em algo significativo para o aluno.



Categoria Educação de Jovens e Adultos - EJA

Projeto: Ações Memória: Contação de Causos e Impressões de Vidas
Professora: Vanessa Bianca Sgalheira
Escola: Escola Municipal Prof. Eurico Silva
Cidade/Estado: Uberlândia – MG
Pólo: Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Coordenadora: Eliane de Fátima

Realizado em parceria com escolas da rede municipal de Uberlândia cujo público-alvo são crianças do ensino fundamental, o Projeto Ação-Memória teve como diferencial o trabalho com adultos da 4ª série do EJA. Tendo como meta a integração do indivíduo com o mundo, foi feita a opção pelo registro das memórias dos estudantes por meio de produções artísticas organizadas num fazer coletivo. O objetivo geral foi a criação de cenas teatrais que envolvessem todo o percurso vivenciado na busca das memórias de cada indivíduo. As ações foram pautadas em vivências corporais e improvisação, criação de texto teatral, produções de composição e a instalação de objetos simbólicos trazidos de casa e representativos do convívio familiar. As ações culminaram em diferentes apresentações dentro e fora do ambiente escolar e uma seleção de objetos produzidos pelo grupo para compor o acervo do Museu da Pessoa em São Paulo. A criação de um texto teatral envolveu diretamente a disciplina de Português, além de promover o entendimento da linguagem teatral e a apreciação de espetáculos, com prioridade para as manifestações populares brasileiras. Baseado em um personagem da cultura popular, o texto foi construído em processo de dramaturgia colaborativa, sempre com tecendo conexões com questões atuais e de natureza crítica relacionadas ao contexto vivido pelos integrantes na cidade de Uberlândia. Durante o processo criativo, as ações tomaram conta da escola com ensaios das cenas nos corredores, pequenas intervenções durante os intervalos das aulas, canto, dança e representações de pessoas caracterizadas. Objetos foram trazidos de casa pelos alunos e dispostos de forma a criar ou interrompiam passagens no espaço escolar promovendo a interatividade. Além do fazer teatral, o projeto também envolveu atividades como a criação de mandalas, máscaras de gesso e “Painéis do Eu”, um miscelânea de imagens que dialogavam com a história pessoal de cada um. Durante o desenvolvimento do trabalho, a professora pôde perceber que o fazer coletivo trouxe à tona as individualidades que foram se moldando ao grupo no processo de construção coletiva. Para ela, houve o auxilio mútuo e o ambiente de respeito e descontração se instalou entre eles. A professora acredita que os jogos teatrais e exercícios de improvisação também tenham contribuído para consolidar as ações.



Prêmio Especial "Ano Internacional do Planeta Terra"

Projeto: Arte e Meio Ambiente: a beleza no olhar
Professora: Jaqueline Maria de Souza Dias
Escola: Escola Estadual Nossa Senhora da Glória
Cidade/Estado: Manaus – AM
Pólo: Universidade do Estado do Amazonas - UEA
Coordenador: Valdemir de Oliveira

Trabalhando com crianças da 4ª série do Ensino Fundamental, a professora Jaqueline freqüentemente se deparava com certa resistência dos alunos frente às propostas envolvendo o ensino de Artes. A falta de confiança em suas próprias capacidades se traduzia em frases como “não tenho jeito para desenhar” ou “não tenho idéia do que criar”. Próxima a uma área de preservação ambiental, a localização da Escola, bem como seu projeto político-pedagógico que previa o despertar da consciência ambiental no cidadão contribuíram para que a professora fizesse aos alunos uma proposta diferente: que visitassem a área de preservação em busca de “inspiração”. A idéia de Jaqueline era fazer das aulas de arte algo significativo para os alunos que, até então sem nenhum contato com obras de arte, e torná-los co-autores e participativos em todas as etapas do trabalho. A visita foi muito bem aceita pelos estudantes. No dia seguinte, de volta à sala de aula, muitos trouxeram de casa recortes de jornais mostrando a degradação ambiental do local visitado e onde fica um igarapé. Mesmo assim, a alegada falta de “inspiração” para a produção em artes permaneceu. Diante disso, a professora propôs uma nova visita, desta vez para fotografar o local. Eles aceitaram. O material produzido foi exposto na escola e os alunos começaram, então, a perceber as possibilidades de leituras diferentes de uma mesma imagem. A partir do contato com a natureza, do reconhecimento e da análise das formas visuais nela presentes, os alunos foram percebendo o quanto a arte e a vida podem estar ligadas. Foi lançado então o desafio de que produzisse arte para sensibilizar a comunidade escolar sobre a importância de preservar o seu meio ambiente e patrimônio cultura. Durante o processo a fala, a escrita e os registros (gráfico, audiográfico, pictórico, sonoro, dramático) foram objeto de estudo. No decorrer do trabalho, a professora pôde perceber o desenvolvimento da autoconfiança nos alunos em relação às suas próprias produções, bem como a percepção de elementos que compõem as formas visuais (ponto, linho, plano cor, luz, movimento). Entre as etapas do trabalho foram feitas seleção e leitura de fotografias, registros escritos e desenhos, confecção de mural, dramatização, pesquisa, leitura de discussão de obras de artes, textos sobre artistas, suas bibliografias e produções. Desenvolver a competência estética e artística nas artes visuais, consolidar a relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e o conhecimento estético, além de revelar a importância das artes no contexto histórico-social foram algumas das metas deste projeto. Ao utilizar a fotografia, a professora buscou propiciar um trabalho de produção significativa de arte e do universo a ela relacionado, bem como a reflexão sobre a própria criação, tendo a fotografia não como uma imagem técnica simplesmente, mas como uma elaboração carregada de intencionalidades.



Conheça os trabalhos vencedores nos anos anteriores:

IX Prêmio Arte na Escola Cidadã 2008

VIII Prêmio Arte na Escola Cidadã 2007

VII Prêmio Arte na Escola Cidadã 2006

VI Prêmio Arte na Escola Cidadã 2005

V Prêmio Arte na Escola Cidadã 2004

IV Prêmio Arte na Escola Cidadã 2003

III Prêmio Arte na Escola Cidadã 2002

II Prêmio Arte na Escola Cidadã 2001

I Prêmio Arte na Escola Cidadã 2000




 
Usuário
Senha
  Esqueci minha senha